Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: José Tavares
Entrevistado por: Murilo Sebe
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista: PETRO_CB673
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 - Bom tarde, Senhor Tavares!
R – Bom tarde.
P/1 - Para começar, eu queria que o Senhor dissesse pra gente: nome completo, local e data de nascimento, por favor.
R – Eu me chamo José Manuel Tavares. Nasci em Santos e atualmente resido no bairro do Boqueirão.
P/1 – E a data de nascimento?
R – Eu nasci em 16 de maio de 1961.
P/1 – Queria que o Senhor falasse um pouco pra gente quando e como foi a sua entrada na Petrobras.
R – Na época, eu trabalhava já na área de informática e surgiu a oportunidade de vir trabalhar na Petrobras como empreiteira, né, na área de informática. E surgiu a oportunidade de um concurso externo, daqui da Petrobras. Aproveitei essa oportunidade e passei junto com o pessoal. Na época, a gente estava concorrendo com 51 pessoas e a informática não tinha tanta ênfase assim. Isso foi em 1986. Ingressei na Petrobras em setembro de 1986.
P/1 – Direto aqui na Refinaria?
R – Direto aqui na Refinaria (RPBC).
P/1 – Então conta pra gente uma história marcante, ao longo desses anos, aqui na Petrobras.
R – A história que me marcou mais foi na época em que a gente tinha contato direto com o pessoal do Rio, por intermédio de terminais que a gente chamava de “terminais burros”, porque eram interligados via modem. E, em abril de 92, teve um episódio que marcou bastante. Eu não era da área, ainda, de apoio ao usuário – existia, na época, um help desk. E esse pessoal estava batalhando para colocar um terminal ativo aqui na área. Cada setor tinha o seu terminal que a gente chamava de “terminal (escopos?)”; os microcomputadores ainda não estavam presentes aqui na área, e a gente dependia desses terminais para enviar dados para o Rio de Janeiro. E o que marcou foi...
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Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: José Tavares
Entrevistado por: Murilo Sebe
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista: PETRO_CB673
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 - Bom tarde, Senhor Tavares!
R – Bom tarde.
P/1 - Para começar, eu queria que o Senhor dissesse pra gente: nome completo, local e data de nascimento, por favor.
R – Eu me chamo José Manuel Tavares. Nasci em Santos e atualmente resido no bairro do Boqueirão.
P/1 – E a data de nascimento?
R – Eu nasci em 16 de maio de 1961.
P/1 – Queria que o Senhor falasse um pouco pra gente quando e como foi a sua entrada na Petrobras.
R – Na época, eu trabalhava já na área de informática e surgiu a oportunidade de vir trabalhar na Petrobras como empreiteira, né, na área de informática. E surgiu a oportunidade de um concurso externo, daqui da Petrobras. Aproveitei essa oportunidade e passei junto com o pessoal. Na época, a gente estava concorrendo com 51 pessoas e a informática não tinha tanta ênfase assim. Isso foi em 1986. Ingressei na Petrobras em setembro de 1986.
P/1 – Direto aqui na Refinaria?
R – Direto aqui na Refinaria (RPBC).
P/1 – Então conta pra gente uma história marcante, ao longo desses anos, aqui na Petrobras.
R – A história que me marcou mais foi na época em que a gente tinha contato direto com o pessoal do Rio, por intermédio de terminais que a gente chamava de “terminais burros”, porque eram interligados via modem. E, em abril de 92, teve um episódio que marcou bastante. Eu não era da área, ainda, de apoio ao usuário – existia, na época, um help desk. E esse pessoal estava batalhando para colocar um terminal ativo aqui na área. Cada setor tinha o seu terminal que a gente chamava de “terminal (escopos?)”; os microcomputadores ainda não estavam presentes aqui na área, e a gente dependia desses terminais para enviar dados para o Rio de Janeiro. E o que marcou foi que o pessoal, como não conseguiu colocar ativo esse contato com o Rio, eu me empenhei, em tempo integral, em fazer essa comunicação e acabei conseguindo. Isso levou uns três dias para a gente achar qual era o problema de comunicação que existia. Como isso já estava ficando crítico e o setor tinha que ter essa comunicação com o Rio, eu acabei adentrando nessa atividade, mesmo não exercendo essa função de apoio, e acabei conseguindo fazer essa comunicação com o pessoal do Rio. Então, isso para nós foi marcante, porque repercutiu bem na nossa área, no meu setor, né? A gente conseguiu colocar o nome do nosso setor em ênfase por isso.
P/1 – Quais seriam os danos, então, caso não conseguisse?
R – É porque, na verdade, o setor que estava sendo afetado era o setor de treinamento e esse setor dependia desse terminal para enviar dados; e esses dados já estavam chegando com atraso para o Rio. Então, os danos, não vou te dizer que seriam drásticos, não é, mas repercutiria mal para o meu setor. Porque as pessoas que foram para o primeiro combate, vamos dizer assim, eles não conseguiram. Eles estavam quase desistindo e, como eu não era dessa área de apoio e como eu tinha um relacionamento bom com o pessoal de treinamento, eu falei: “então eu fico em tempo integral com vocês e eu vou colocar esse terminal ativo.” Agora, o problema não seria tão grave assim. Seria mais a repercussão do nome do setor, né?
P/1 – Tem mais alguma história, envolvendo os funcionários, envolvendo a Empresa, que o Senhor gostaria de deixar registrado? Uma história engraçada...
R – Ah, teve sim. Em 95 - foi marcante até em termos nacionais - foi a greve de 95 que acabou em âmbito nacional. O pessoal aqui decidiu ocupar; na época, o Sindicato decidiu ocupar. Uma coisa marcante foi a organização como foi feita, naturalmente. O pessoal depois, na freqüência, aqui dentro, foi se organizando como uma comunidade. A gente percebeu nitidamente que as pessoas foram se organizando naturalmente. Então, o que foi engraçado foi isso, denominaram entre os sindicalistas, tropas de resistência. O pessoal foi se organizando, em pontos específicos e criando as tropas de resistências. E uma coisa engraçada foi que, um belo dia, a gente estava de madrugada aqui e se comunicava via rádio, e um colega nosso na brincadeira comunicou via rádio que estava sendo fundado o “tritoco”. O que era o “tritoco”? Era a tropa de resistência interna da torre de comunicação. Aí, o pessoal foi fundando as tropas - na verdade tropa é maneira de falar, né – mas foram os pontos que o pessoal tinha aquela organização. E existia, na época, um revezamento pro pessoal ficar acordado de madrugada. O engraçado – não sei se é engraçado, mas o interessante de tudo isso e que marcou bastante, foi a organização com que o pessoal conseguiu se manter. Isso em 1995.
P/1 – E como a sua participação? O Senhor ficou numa dessas tropas?
R – Pois é, como a gente estava naquele setor, naquele ponto de referência, e o colega, via rádio, passou que já estava sendo fundado o “tritoco” – o nosso amigo Alvarez – a minha participação foi na presença da construção daquela organização junto com eles. Porque teria que ter um grupo formado ali; em cada ponto, teria um grupo formado. E ali, a gente tinha que se organizar em revezamento para manter o padrão de serviço nosso, para gente não parar. Porque a Empresa não podia parar. Então, você tinha que estar aqui dentro exercendo a sua função e, ao mesmo tempo, você tinha que estar enxergando as pessoas que adentravam a Empresa para não existir nenhum vandalismo. A gente queria deixar a coisa organizada de uma tal forma que não existisse vandalismo. E nós conseguimos com isso. Então, da noite pro dia, foram construídos até andaimes pra comportar o pessoal; pro pessoal não ficar no relento, entendeu. A nossa participação foi essa: da organização desse ponto de referência. Existia antes o “tripé”, que seria a tropa de resistência interna da portaria principal. E existia o “tripa” que era tropa de resistência interna do pé de araçá, onde o pessoal passava para vir trabalhar, saia e adentrava a Empresa por aquele setor lá. E o nosso setor, como a gente trabalhava na área de informática e telecomunicação, então a nossa área era, justamente, só ficar com aquele ponto ali visualizando e não deixando ninguém adentrar. Porque nós tínhamos a central telefônica e os servidores que eram de nossa competência, então, nós não poderíamos deixar ninguém adentrar aquele setor. Foi aí que nós nos organizamos: “então aqui vai ser fundado o “tritoco”. Foi essa a nossa participação, a minha participação.
P/1 – Ao longo desses anos, diante todas as manifestações do Sindicato, como o Senhor vê a relação entre o Sindicato e a Petrobras?
R – Nesse anos todos – são 17 anos que eu estou na Empresa – e o que eu pude constatar é o crescimento do relacionamento entre os gerentes e o Sindicato. Existiu um crescimento sim. É óbvio que, em todo setor, existiram os radicais. Mas, em termos profissionais, existiu um crescimento bastante grande. É isso que eu enxergo nesse momento, né? O pessoal radicalizava bastante, há tempos atrás.
P/1 – Tem mais alguma história que o Senhor queria deixar registrada?
R – Não. Eu acho que a mais interessante eu falei pra vocês, eu comentei com vocês.
P/1 – E o que o Senhor acha de ter participado e contribuído para esse Projeto Memória da Petrobras?
R – Bom, eu acho interessante ficar registrado a nossa participação no crescimento da Empresa. Isso pra nós é um orgulho, para mim é um orgulho eu ter participado até mesmo como atuante do movimento. Porque eu tenho certeza que, tanto interiormente como profissionalmente, eu cresci bastante e enxerguei todos os pontos falhos, tanto de minha pessoa quanto no profissional. Eu consegui enxergar isso. Pra mim é excelente. E isso fique registrado, que vocês estão fazendo o trabalho de vocês, que fique registrado para as pessoas que estão chegando verificarem que a gente cresce internamente; não é uma passagem que a gente vai estar por aqui etc. São 17 anos, praticamente a minha adolescência toda eu deixei aqui dentro. Então, eu acho que eu faço parte, um pedacinho da história da Empresa. E isso é importante demais pra mim e até pras novas gerações.
P/1 – Então é isso Senhor Tavares! Queria agradecer o seu depoimento, muito obrigado!
R – Obrigado vocês aí.
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