Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Januário de Ornelas
Entrevistado por Eliana Santos
Cubatão - SP
Cubatão, 22/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB650
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde. Eu gostaria de começar essa entrevista pedindo que o senhor nos fornecesse o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Pois não. Meu nome é Januário de Ornelas Neto é, nasci em Santos no dia 18 de maio de 1955.
P/1 – Senhor Januário, o senhor poderia contar para a gente um pouquinho como que se deu seu ingresso na Petrobras, quando foi, como?
R – O meu ingresso na Petrobras foi no ano de 74, eu prestei concurso para auxiliar de escritório, na época eu trabalhava em banco, no centro da cidade de Santos e fui aprovado, né, entrei, depois de todos os exames feitos, entrei na Petrobras dia 14 de julho de 75.
P/1 – E qual era a atividade do senhor?
R- Eu era auxiliar de, entrei como auxiliar de escritório. Entrei no escritório que era divisão de manutenção, setor de eletricidade. Era o chamado Diman/Selet. Na época era Diman – Divisão de Manutenção, Selet - Setor de Eletricidade.
P/1 – Se pode ... perdão!
R – Pois não. É, comentando que na época o meu chefe era o engenheiro Élcio Fonseca, que também atualmente é aposentado, foi muito bom na época, aprendi bastante lá. E na seqüência, em 80 prestei concurso, era um concurso interno/ externo para operador, aí passei para operação, ingressando na operação em maio de 81. Justamente, por coincidência foi no dia do meu aniversário. Dia 18 de maio de 81 eu estava iniciando na operação.
P/1 – Nossa. O senhor pode contar para a gente alguma história marcante, engraçada, né, que o senhor se recorde nessa vivência Petrobras?
R – Olha, tem algumas legais, viu, e algumas tristes também. É, uma delas é, eu já estava na operação e tinha caído uma... o pessoal da segurança, do bombeiro, né, estava,...
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Depoimento de Januário de Ornelas
Entrevistado por Eliana Santos
Cubatão - SP
Cubatão, 22/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB650
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde. Eu gostaria de começar essa entrevista pedindo que o senhor nos fornecesse o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Pois não. Meu nome é Januário de Ornelas Neto é, nasci em Santos no dia 18 de maio de 1955.
P/1 – Senhor Januário, o senhor poderia contar para a gente um pouquinho como que se deu seu ingresso na Petrobras, quando foi, como?
R – O meu ingresso na Petrobras foi no ano de 74, eu prestei concurso para auxiliar de escritório, na época eu trabalhava em banco, no centro da cidade de Santos e fui aprovado, né, entrei, depois de todos os exames feitos, entrei na Petrobras dia 14 de julho de 75.
P/1 – E qual era a atividade do senhor?
R- Eu era auxiliar de, entrei como auxiliar de escritório. Entrei no escritório que era divisão de manutenção, setor de eletricidade. Era o chamado Diman/Selet. Na época era Diman – Divisão de Manutenção, Selet - Setor de Eletricidade.
P/1 – Se pode ... perdão!
R – Pois não. É, comentando que na época o meu chefe era o engenheiro Élcio Fonseca, que também atualmente é aposentado, foi muito bom na época, aprendi bastante lá. E na seqüência, em 80 prestei concurso, era um concurso interno/ externo para operador, aí passei para operação, ingressando na operação em maio de 81. Justamente, por coincidência foi no dia do meu aniversário. Dia 18 de maio de 81 eu estava iniciando na operação.
P/1 – Nossa. O senhor pode contar para a gente alguma história marcante, engraçada, né, que o senhor se recorde nessa vivência Petrobras?
R – Olha, tem algumas legais, viu, e algumas tristes também. É, uma delas é, eu já estava na operação e tinha caído uma... o pessoal da segurança, do bombeiro, né, estava, o bombeiro da Petrobras chamado (Cezema?), né, eles estavam atrás de uma jaguatirica que estava ali na barragem do rio Cubatão, e ...(pausa), e dois amigos nossos morreram lá (pausa). Era o Rui e o Hugo se eu não me engano. Isso já tem mais de(pausa), já tem uns 15 anos já. E, o mais trágico, eu não lembro quem foi primeiro, mas o segundo que morreu ele pulou para salvar o (pausa), o amigo, né, e acabou morrendo também.
P/1 – É o que marca, né?
R – E foi presenciado por outras pessoas, né? Foi; desculpa a emoção, né? O corpo dos dois foi encontrado depois, se não me engano, de 4, 5 dias. Foi muito triste. E tem muitas engraçadas também, né, que a gente, eu trabalhava na (FCC?), na unidade, que é uma das maiores que tem da Petrobras e era uma 0 hora e a Petrobras na época estava desativando alguns postos de vigilância. Entrou um maluco pela, pela estrada velha, pelo caminho do mar, depois nós ficamos sabendo que entrou por lá porque o próprio vigilante falou que tinha visto um, um cidadão e depois sumiu de vista e a sala da (FCC?), a sala de controle, era uma sala toda envidraçada, né, vidro à prova de som porque a gente num, o barulho lá fora era mais de 100 decibéis, mais ou menos, então o vidro era à prova de som e tal, bem, acusticamente era boa, né, e era bem grosso, mas o visual não era, o vidro ray-ban não era nada, era um vidro comum que a gente via, inclusive, toda a unidade, né, e era uma 0 hora, né, e nós estávamos, a unidade estava tranqüila, estava operando direitinho, aí chegou esse, esse cidadão, bateu com a mão assim no vidro, né, e batia desesperado, a gente tomou um susto danado, né, e aí a gente: “- Pô, esse cara teria que estar com capacete, com a roupa apropriada para andar na área.”, né, e uma 0 hora, era mais ou menos 1:00 hora da manhã, 1:30 da manhã, a gente já tinha assumido o turno e aí nós trouxemos ele para a sala de controle: “O que aconteceu?”, “- Não, tem uns caras atrás de mim.”, ele falava, né, “- Tem uns caras atrás de mim, eu vi os caras fazendo um negócio errado ali e tal, eles querem me pegar, eu pulei e tal, e invadi aqui porque senão os caras iam me bater e tal, me pegar.”, aí nós acalmamos ele, demos café, o outro já foi ligar para a vigilância, aí chegou o vigilante, na época, falei também faz um, era mais ou menos na mesma época, não me recordo, mas deve ter sido 88, 89, 90 no máximo. Aí chegou o vigilante e falou: “Pô, nós estamos atrás desse cara aí, ô meu, diz que fugiu não da onde de um hospício e tal, e está aprontando 1001”, bom, conclusão: prenderam o cara, né, imobilizaram ele, puseram na viatura e tal, sem violência, né, ele concordou até ir, aí foi para o hospital, aqui em Cubatão, porque ele sofria de problema lá, depressão, sei lá. Chegou em Cubatão, a gente deu o caso como encerrado, aí no dia seguinte ou dois dias depois, no jornal a gente leu que: “o cidadão, fulano de tal, ao ser medicado pelo doutor, ele mordeu a orelha do médico e saiu correndo do hospital”.(riso) Então esse caso foi muito engraçado que, mesmo depois da passagem dessa pessoa pela, por dentro da unidade, né, que nem um meteoro ali, foi bem engraçado, na hora a gente ficou apreensivo porque, pô, qualquer um pode entrar aqui, né, a porque aqui a Petrobras estava desativando alguns postos de vigilância e tal. E, aí a gente achou que teria encerrado e no dia seguinte nós demos risadas ainda porque o cara tinha mordido a orelha do médico, quando foi medicado, né, mordeu e saiu em disparada, que o hospital aqui em Cubatão é um hospital simples, não tem muita, na época, né, não sei como é que é agora, que eu sou de Santos. Mas ele foi encaminhado para o hospital de Cubatão e no dia seguinte, dois dias depois, nós lemos no jornal que esse, esse cidadão tinha, tinha acontecido isso. Se não me engano, eu em casa eu tenho até o recorte desse jornal, eu ainda devo ter o recorte desse jornal em casa aguardado junto com as minhas coisas da, que se tornou história, né? Então esse fato foi, que foi bem engraçado, né?
E o outro, que foi preocupante, não foi nem triste nem engraçado, foi preocupante, foi a enchente que nós tivemos aqui na RPBC, em 94, choveu muito forte aquela época, nós tínhamos um horto florestal, um mini zoológico, né, e na época, os animaizinhos que a gente tinha lá morreram todos, a não ser aves, acho que conseguiu escapar, né, logicamente, mas a horta que tinha, tinham umas pontezinhas estilo japonês, né, aquele, era bem bonitinha mesmo, bem legal e foi tudo destruído, os diques dos tanques que armazenam os produtos químicos, né, gasolina, foi invadido por tora de madeira, resto de material, em geral, né, foi totalmente assoreado, lama, pedra e então foi passando praticamente uma... uns quatro dias no mínimo, todos os funcionários, mesmo quem não era da... desse setor, né, a Petrobras conseguiu arrumar aí uma quantidade enorme de pás e enxada, carrinho de mão e nós ficamos tirando lama da, do pátio de bombas, pelo menos cada um na sua unidade, né, e a unidade que eu trabalhava era o (FCC?), uma unidade muito grande, um pátio de bombas com mais de 150 metros de comprimento e ficou uns de 30, sem exagerar, de 20 a 30 centímetros de lama. E foi preocupante porque na época... no dia eu estava trabalhando e a gente trabalha com motores elétricos e então a gente tinha a preocupação de tomar um choque, né, porque a gente andava com bota de biqueira de aço e tal, mas, e a gente tinha que sair na área para fazer, desligar um bocado de motores, de bombas, a gente chama de bombas, motores elétricos e tal, que impulsionam as bombas. E foi uma preocupação danada. Graças a Deus ninguém se machucou, não lembro de ter tido... ocorrer, a não ser um estresse qualquer, uma preocupação, uma pressão alta de um operador mais afoito, mas em geral ninguém se machucou, não houve baixa que foi já uma grande coisas, porque a enchente foi, naquela ocasião, 94, foi muito preocupante. A gente via paletes que carregam tambores de produto químico de 200 litros que ficava a mais de 50 metros de distância da nossa sala de controle a gente via pelo vidro, esse mesmo vidro que o cara bateu (riso), a gente via passar os paletes boiando e caindo para a área do restaurante, a área administrativa. Tambores vazios, né, que a gente quando diluía determinados produtos a gente deixava lá para o pessoal recolher, né, e esses tambores saíram boiando, foi muito preocupante. Produtos químicos que diluíram com a água. Naquela época a Cetesb teve muito trabalho, muita preocupação, mas teve que, como é que se fala... aceitar porque não foi uma coisa nossa, né, foi a chuva que acabou... porque a Cetesp sempre teve um controle muito grande, pelo menos na década de 80 para cá, em cima de produtos químicos que são despejados nos rios, né, atmosfera também, então, mas naquela época teve que aceitar essa situação porque a própria natureza é que... mas foi um estrago legal. Tanto é que o horto, nós perdemos o horto, né, e em seguida, depois de 2 anos eu praticamente me aposentei, então eu não cheguei mais a ir lá em cima, nem sei como é que está, deve estar recuperado, mas não acredito que o horto não vai ser mais como era antes. Tínhamos os gabiões, né, que são aquelas proteções de pedra com rede para filtrar. Os gabiões, uns quatro ou cinco, foram todos destruídos com a força da natureza. Agora parece que tem umas, tipo barragens de concreto, escutei falar, não tenho certeza disso. Mas foram essas três situações, né, essa dos nossos amigos que faleceram, esse maluco que invadiu a Refinaria em 90 – acho que foi 93, 94 foi na enchente. Não, não, esse rapaz foi, foi, já faz um tempo, foi na época mais ou menor que morreu, esses dois amigos aí. A enchente é que foi em 94. E teve algumas outras situações de greve, né? Foram reivindicações e não sei se seria interessante. Se você quiser que eu fale sobre isso ...
P/1 – O senhor é filiado ao sindicato?
R – Sou filiado ao sindicato.
P/1 – Então aproveita para contar para a gente esses momentos que o senhor estava contando de greve. O que o senhor se recorda assim que foi importante nesses movimentos sindicais?
R – Pois é, então, eu entrei em 75 e nesse ano não tínhamos, vamos dizer assim, não existia um movimento forte sindical, porque era a época da ditadura, né? Então a gente tinha, o pessoal em geral, os líderes sindicais em geral acho que tinham um certo receio, porque 10 anos antes, praticamente, tinha havido o golpe em 64, e muita gente na época foi caçada, né? E em 75, na época que eu entrei, esse pessoal que tinha sido caçado continuava fora da Petrobras. Eles voltaram com a anistia no início da década de 80, se não me engano. Mas em 75, quando eu entrei, existia o sindicato logicamente, mas não existia movimento nenhum. Pelo menos, mesmo fora da Petrobras eu lembro que era devagar mesmo esse tipo de reivindicação que agora a gente vê pipocando em vários setores, né? Eu sei que em 76, se não me engano, o Sindicato ousou - ousou, essa seria a palavra, né -, todos os sindicatos da Petrobras, fazer um movimento grevista, né? E esse movimento grevista nada mais foi que... começamos com uma operação amnésia. Operação amnésia seria o seguinte: a gente não podia adentrar na área da Petrobras sem o crachá, né? Então tinha que ter o crachá de funcionário para ingressar, apesar de você estava dentro do ônibus - o ônibus ingressava dentro da refinaria. Mas a gente fazia questão de descer – foi decidido em assembléia que a gente desceria na portaria, todo mundo sem crachá, dizendo que tinha esquecido o crachá em casa, entendeu? Isso fazia o quê? Eu não estava me recusando a trabalhar. Isso pelo pensamento do Sindicato que acabou dando resultado. Na época, vamos dizer assim, teria sido até uma afronta para o Governo, né? “Como ousam fazer um negócio desses?” Então a gente descia, aquele montão de pessoal, na época tinha bastante funcionário – agora tem mais, mas tem bastante terceirizado, pessoal de empreiteira – mas a gente descia e fazia aquela fila. Então um por um: “Nome ?” ; “Esqueci o crachá”. Aí pegava um crachá provisório, entendeu? Então, fazia uma fila enorme. Aí, até todo mundo pegar o crachá tu adentrava no teu posto de trabalho depois de uma hora, uma hora de meia. Eu lembro que participei dessa primeira greve pós golpe militar, né, que foi início de 76, se eu não me engano – eu não sei precisar a data. Aí, surtiu um efeito muito legal, fizemos greve de fome. A greve de fome nada mais é também que tu não aceitava o... quem era do turno, né, não aceitava o lanche. E o que era do administrativo, do escritório, não ia para o restaurante almoçar. Então, logicamente que a gente comia alguma coisa, a gente acabava levando lanche de casa e tal. Mas a gente não ia lá para poder forçar a Petrobras a abrir negociações e tudo mais. E, teve outros movimentoszinhos de operação padrão, operação tartaruga: “Oh, precisa de uma assinatura aqui”. Então, tu fazia pegar assinatura, quando na realidade o serviço interno que não havia. Depois, houve a democracia, a tal democracia. Acho, num modo geral, a democracia é bom em qualquer setor, em qualquer, qualquer governo, em qualquer país. Mas a democracia também leva a uma certa liberdade e você acaba achando que tem mais poder do que tem, né, e você acaba fazendo... Aí a greve foi ficando cada vez mais, vamos dizer assim, não é mais séria porque sempre foi séria, mais profunda, mais drástica, com parada de dias. Começou parando dois, três dias, mas parava assim, os grupos não rendiam, ficavam um grupo aqui inteiro, isso realidade ficavam dois, três dias um grupo trabalhando a exaustão, até que a própria direção da Petrobras pedia para reduzir cargo para a unidade. Aí já passou o seguinte: a gente já planejava a gente mesmo parar a unidade, entendeu. Então a greve foi tendo um progresso, né, até em no maio de 95, na qual também acabei participando. Na época foi mais ou menos um negócio meio conturbado, o presidente era o Itamar Franco, ele autorizou um reajuste, não era aumento, era uma reposição, não era nem reajuste. A história da greve de 95 foi a mais recente. Aí, o Itamar Franco autorizou, isso também que eu lembro, pode ser que tenha algum dado que eu possa falhar aí; o Itamar Franco autorizou essa reposição, mas com... “olha”, assinou e tal, “está tudo certo só que espera o próximo governo entrar que é janeiro de 95”. Seria o Fernando Henrique. Só que quando ele entrou, o Fernando Henrique falou assim: “Oh, quem deu foi o Itamar Franco, eu não dei nada, eu não quero saber.”(riso) Aí a categoria foi pega de surpresa: ”Pô, como é que pode, um presidente que saiu autorizou, ou não autorizou.” Fez-se reuniões com o ministro e tal, o ministro do planejamento, da fazendo, sei lá, da Petrobras, autorizou, aí veio: “Oh, o ministro não autorizou, mas o ministro do planejamento não.” Então sempre tinha alguma coisa que ficava faltando e a categoria foi oh: “Pô, nós estamos reivindicando 12% de reposição”, não era nem reajuste, não era nem aumento e tal. O Itamar Franco autorizou e pô e foi, foi, foi... Nós fomos avisar em maio, de janeiro até maio, aí foi quando foi deflagrada a greve e acabamos não tendo sucesso, né? Não recebemos nada, nem de reposição muito menos de aumento, né, nada. Tivemos muita demissão, né, e só agora, recentemente, teve uma anistia e esse pessoal voltou. Aí não sei se já voltaram 100% de todo o Brasil, mas essa foi a última aí. Isso só para tentar detalhar o que começamos com uma amnésia, né, que era um esquecimento de um crachá para poder retardar a entrada num posto de trabalho e a finalização dessa greve que demorou 32 dias, né, pelo menos aqui. Teve unidade que foi 29, 30, né?
P/1 – Senhor Januário, o senhor pode falar para a gente o que foi para o senhor ter participado dessa entrevista, contribuindo para o Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras, o que o senhor achou dessa participação?
R – Pôxa! Achei legal, porque a gente, inclusive, eu mantenho a minha conta, minha conta corrente aqui no Banco do Brasil, né, aqui dentro da Refinaria RPBC, foi até a partir de um pedido de um amigo meu, “Pô, a gente precisa de movimento de gente, de conta”, bom, então a gente não pode vir aqui, a Petrobras ela fala: “- Aposentado, né, é bom não entrar e tal, só em sair, em raras exceções”. Então é uma maneira de a gente saber que ainda é útil, que a gente sabe muita coisa, apesar de ainda me considerar novo, mas na época a Petrobras estava querendo tentar dar uma limpada, né, em geral, ainda era na época do Fernando Henrique. Eles estavam achando que ia talvez privatizar, então, diminuindo a folha de pagamento e tal. Eu acabei aposentando, lógico, porque aceitei, né, os termos. Mas foi, vamos dizer assim, tive um incentivo para isso, né, senão eu estaria por aqui até hoje, porque eu gostava do que fazia. Gosto da Petrobras, tenho maior orgulho de ter trabalhado na Petrobras, quando precisa de mim para alguma coisa, relato eu estarei sempre a disposição, porque o que aconteceu anteriormente na Petrobras, as greves, eu não levo para o lado pessoal, porque o lado pessoal, que está falando, é pessoal e aqui eu não tenho nada contra a Empresa. Nem contra os diretores na época, eles faziam o papel deles, né, e a gente tentava fazer o nosso. É que a gente às vezes ficava magoado, porque que a gente via amigos nossos, de um posto mais acima que se prevaleciam as vezes do cargo para poder de dar uma punição e tal e você não estava fazendo baderna, você estava é por uma justa causa, né? Uma luta que a gente via que era necessário fazer, porque no final a gente ganhava e o pessoal do alto escalão também ganhava, né? Mas, de qualquer maneira, eu gostei de ter participado da entrevista, de ter sido convidado, de ter sido escolhido. Quando o Sindicato me ligou, eu até comentei com a Dona Mirian que eu tenho fotos em casa da época da enchente, tenho alguns crachás antigos da Petrobras. Ela comentou que qualquer coisa ela ligaria para mim para trazer esse acervo aí, se é que pode se dizer assim. Acho que fico contente em fazer, a senhora desculpa ter me emocionado aí quando lembrei dos amigos, porque não foi fácil não.
P/1 – Então está ótimo Januário, obrigada, muito obrigada pela entrevista.
R – Tá ok, eu é que agradeço e bom serviço para vocês e boa sorte para todos nós e para a Petrobras também.
(Fim da fita Mpet/RPBC 002)
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