Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Ildemar Arruela
Entrevistado por: Eliana Santos
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº: PETRO_CB669
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 - Bom tarde. Eu gostaria de iniciar esta entrevista pedindo que o Senhor nos fornecesse seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Ildemar Correa Arruela, nascido em Santos, em 11 de outubro de 1962.
P/1 – O Senhor pode contar pra gente um pouquinho como foi o seu ingresso na Petrobras e quando foi?
R – Bom meu ingresso na Petrobras ocorreu em 1987 onde eu prestei um concurso nacional. Passei nesse concurso para o cargo de Engenheiro de Equipamentos, após ter feito uma prova no Rio de Janeiro. Larguei o emprego que eu tinha, vim para a Petrobras. Andei de avião pela primeira vez, graças a Petrobras. Fui conhecer o Rio de Janeiro pela primeira vez graças a Petrobras e fiquei um ano e meio fazendo um curso de preparação de engenheiros de equipamentos na Petrobras, lá no Rio de Janeiro. Essa foi a minha entrada na Companhia.
P/1 – E quais foram os setores que o Senhor passou?
R – Então, o primeiro setor que eu participei foi do setor de inspeção de equipamentos, em Macaé, na Bacia de Campos, onde eu era responsável pela coordenação de válvulas de segurança de todas as plataformas fixas. Nessa oportunidade, né, a gente fez esse cadastro de válvulas de segurança. Eu tive a oportunidade de ver um dos grandes incêndios da Petrobras que foi na Plataforma de Enchova. Aí já foi o meu primeiro contato com essa área de segurança, pois eu tive que embarcar numa das plataformas que tinha risco de explosão e eu tinha que inspecionar justamente essas válvulas de segurança, que era das mais críticas. Então, a minha primeira atividade prática já foi bem importante.
P/1 – Como, nesses momentos de incêndio, como é que o Senhor viveu esse acidente?
R – Eu vivi vários acidentes,...
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Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Ildemar Arruela
Entrevistado por: Eliana Santos
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº: PETRO_CB669
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 - Bom tarde. Eu gostaria de iniciar esta entrevista pedindo que o Senhor nos fornecesse seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Ildemar Correa Arruela, nascido em Santos, em 11 de outubro de 1962.
P/1 – O Senhor pode contar pra gente um pouquinho como foi o seu ingresso na Petrobras e quando foi?
R – Bom meu ingresso na Petrobras ocorreu em 1987 onde eu prestei um concurso nacional. Passei nesse concurso para o cargo de Engenheiro de Equipamentos, após ter feito uma prova no Rio de Janeiro. Larguei o emprego que eu tinha, vim para a Petrobras. Andei de avião pela primeira vez, graças a Petrobras. Fui conhecer o Rio de Janeiro pela primeira vez graças a Petrobras e fiquei um ano e meio fazendo um curso de preparação de engenheiros de equipamentos na Petrobras, lá no Rio de Janeiro. Essa foi a minha entrada na Companhia.
P/1 – E quais foram os setores que o Senhor passou?
R – Então, o primeiro setor que eu participei foi do setor de inspeção de equipamentos, em Macaé, na Bacia de Campos, onde eu era responsável pela coordenação de válvulas de segurança de todas as plataformas fixas. Nessa oportunidade, né, a gente fez esse cadastro de válvulas de segurança. Eu tive a oportunidade de ver um dos grandes incêndios da Petrobras que foi na Plataforma de Enchova. Aí já foi o meu primeiro contato com essa área de segurança, pois eu tive que embarcar numa das plataformas que tinha risco de explosão e eu tinha que inspecionar justamente essas válvulas de segurança, que era das mais críticas. Então, a minha primeira atividade prática já foi bem importante.
P/1 – Como, nesses momentos de incêndio, como é que o Senhor viveu esse acidente?
R – Eu vivi vários acidentes, não só esse. Em 1984, eu sou santista, meu pai é operador, trabalhou 42 anos na Refinaria de Cubatão, então eu tive oportunidade de ver Vila Socó, aqui em Cubatão. Depois eu fiz estágio na Carbide (Union Carbide) por causa de Bopal na Índia pra prevenir ocorrências aqui em Cubatão, que também tinha (sulfonato de metila?). Vi esse acidente grande lá em Macaé, depois voltei aqui pra Refinaria, trabalhei na área de manutenção e vi uma unidade de destilação todinha que a gente perdeu também num grande incêndio. Então, sempre que acontece uma grande catástrofe, é a hora da mudança, é hora da mudança, é a hora do salto, é a hora da melhoria contínua. E isso vem me acompanhando a vida inteira. E eu tive a oportunidade de participar do Programa Pegasus da Petrobras, que é um programa de excelência e gestão operacional, de segurança e meio-ambiente. E foi muito bom, também por causa de um grande vazamento no Rio de Janeiro. Então, sempre que a Empresa teve essas emergências, ela reagiu com firmeza e deu saltos de melhoria em segurança, meio-ambiente e qualidade.
P/1 – O Senhor poderia contar pra gente como que o Senhor viveu esse acidente de 1984, como que foi?
R – Esse aqui na Vila Socó, teve um grande número de mortos, né? Oficialmente 96 e dizem que talvez tenha tido mais. Naquela época, meu pai era operador da Refinaria e meu pai viu todos os incêndios da Refinaria de Cubatão ao longo da vida. Essa Refinaria aqui, se não me engano, já 38 pessoas morreram nessa caminhada desses 50 anos da Refinaria. E isso choca muito, né? A gente passava pela estrada via aquilo tudo derretido, aqueles materiais da estrada tudo carbonizado, onde era uma grande favela. Então, sempre que tem uma grande perda, mexe com a gente. Eu comecei na inspeção, fui pra manutenção e depois fui pra área de segurança __________. Uma das coisas que me trouxe foi essa vontade de prevenir esse tipo de ocorrência, não é? Então, é onde eu posso dar a minha contribuição pra prevenir vidas, proteger meio-ambiente e assim por diante. Então, essa é que a parte legal da “coisa ruim”, não é? A única coisa boa é o aprendizado e prevenir que ocorra de novo.
P/1 – E esse Projeto Pegasus, como funciona?
R – Então, esse Projeto Pegasus já teve mais de dois bilhões de dólares investidos pela Petrobras nesse programa de excelência, em segurança operacional e gestão ambiental. Eu participei desse grupo, né? Teve um vazamento no Rio de Janeiro. Eu já fiquei dois meses diretos no Rio de Janeiro, trabalhando 16 a 18 horas por dia. Inspecionamos várias unidades no Brasil inteiro - cada dia você acordava, você estava num lugar do país – para levantar os pontos críticos e implementar as ações necessárias. Esse programa ainda continua até os dias de hoje e a gente busca chegar até em 2005 na excelência em gestão de segurança, saúde e meio-ambiente no âmbito Petrobras, no âmbito Brasil e no exterior.
P/1 – Durante essa sua trajetória, tem alguma história marcante, uma outra história marcante, importante que o Senhor queira registrar?
R – Uma coisa engraçada é ser filho de petroleiro. Eu tenho mais dois irmãos. Então, eu e meus irmãos, quem definiu o nosso signo foi a Petrobras. Então, existia um negócio chamado “folga grande”. Era uma folga de cinco dias. E eu e meus irmãos nascemos de cesárea. Então, a Petrobras através do calendário dela é que determinou o meu signo e data que eu e meus irmãos nascemos. Então, tem essa coisa bem particular que talvez tenha acontecido com outras pessoas. Talvez nessa Memória Petrobras, se descubra esse tipo de coisa: que não fui eu só que nasci em função de horário de turno da Refinaria de Cubatão e da Petrobras.
P/1 – O Senhor é filiado ao Sindicato?
R – Não sou filiado ao Sindicato de Cubatão.
P/1 – Por que?
R – É porque eu sou engenheiro. E engenheiro tem o Sindicato dos Engenheiros, tem a AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e assim por diante. Então, eu contribuo todos os anos. Eu contribuí para o Sindicato, aquela contribuição, mas não atuo. Já atuei na sucessão do Sindicatos dos Engenheiros da Petrobras. Já fui diretor financeiro. Mas eu não tenho tempo, né? A minha vida está bem abarrotada de situações.
P/1 – E durante esse momento assim o Senhor se recorda algum momento marcante vivido pelos movimentos sindicais que o Senhor tenha participado?
R – A greve de 1995 foi um marco aqui na Refinaria de Cubatão; onde que se estremeceu estrutura da Refinaria. Ou seja, foram os limites do movimento, né? A gente sentiu, realmente, numa guerra civil, não é? Os dois lados bem radicais e a gente passou alguns momentos de muito medo aqui dentro da Refinaria. A gente é obrigado a estar aqui dentro da Refinaria, justamente porque eu sou engenheiro de segurança. Quer dizer, um dos meus objetivos de não participar da greve é justamente esse, né, de ficar aqui dentro e ajudar a administração a proteger o meio-ambiente, segurança, a saúde das pessoas pra fazer uma ponderação. Então, a gente viveu uns momentos bem legais. E a gente viu o que é que chegou, né? O Lula ter chegado ao Governo, eu sempre fui do Partido dos Trabalhadores, desde pequenininho. O meu pai foi trabalhador, o meu tio também trabalhou aqui na Refinaria. Então, eu sempre fui partidário de que os trabalhadores é que tem decidir o que é melhor pra humanidade. Os empresários entram com o dinheiro, mas os empregados é que dão a força pra esse movimento funcionar.
P/1 – O Senhor podia contar pra gente, porque a gente não tem muito conhecimento, mas um pouquinho dessa sua vivência com segurança, em relação ao seu dia-a-dia, como que era?
R – Eu tive a oportunidade de ajudar a implementar o sistema de gestão de segurança, saúde e meio-ambiente em várias unidades da Petrobras. Eu já conheço 38 unidades da Petrobras no Brasil e no exterior. Então, também conheci o Brasil graças a Petrobras. E aí a gente vê o tamanho que é essa Empresa. A gente vê unidadezinhas de 5 pessoas e unidades de 5 mil, 8 mil pessoas no edifício. Então, eu tenho uma visão boa da Companhia e a gente verifica que os problemas são mais ou menos iguais, só muda o endereço. O meu papel nesse sistema é, justamente, difundir informações de forma a padronizar e minimizar os riscos em todas as instalações. Então, essa é a parte legal de poder atuar na Petrobras, porque a gente tem meios de comunicação que a gente fala com Houston nos Estados Unidos, fala com o Japão, fala com qualquer lugar, por e-mail, por qualquer um desses meios de comunicação. Eu consigo fazer mudanças graças a isso, pela informação. É muito bom.
P/1 – O Senhor podia me responder, nessas suas viagens, como que o Senhor tem percebido essa relação das comunidades com a Petrobras, em relação aos acidentes ou até mesmo alguns danos que tenham acontecido?
R – Eu participo muito de fóruns nacionais e internacionais também nessa área de meio-ambiente. E, cada vez mais, a imagem da Petrobras se fortalece no Brasil e no mundo. Então, recentemente, numa pesquisa sobre responsabilidade social e ambiental, a Petrobras ficou em 2º lugar no Brasil. Agora recentemente, numa pesquisa nos Estados Unidos, de toda indústria de petróleo no mundo, a Petrobras também ficou em 2º lugar nessa área. E a gente vem ganhando prêmios após prêmios. Eu, em 1991, quando entrei na área de segurança, a gente chegou a ter mais de 170 afastamentos com acidentes no ano – pessoal próprio e contratado. Em 2004, nós tivemos um acidente somente com afastamento. Então, isso mostra a grande evolução que teve nessa área. E a rentabilidade da Petrobras, ou seja, os resultados cada vez são superados, graças a esse esforço comum que a certificação de sistema de gestão patrocina. Todo mundo quer a mesma coisa, ou seja, todo mundo quer ser o melhor do mundo. A Petrobras tem essa visão. E a comunidade respeita muito a Petrobras tanto em pesquisa popular quanto em pesquisa no âmbito empresarial. E isso é bom, faz a gente se sentir útil à sociedade.
P/1 – E isso é em sua maior parte nessas regiões que o Senhor tem passado?
R – Em todas as regiões. A Petrobras é o pólo. Em grande parte do Brasil, ela a maior fonte de arrecadação do município. A Petrobras, em termos de conduta e apoio, ela fornece escolas, ela dá apoio a eventos culturais, à saúde pública e assim por diante. Então, em muitos lugares, graças a Petrobras é que se tem esses projetos sócio-ambientais e culturais. A Petrobras é a maior patrocinadora cultural do Brasil e social.
P/1 – Entendo. O Senhor podia me falar como o senhor vê a sua participação nesse Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras?
R – É muito gratificante. Então, uma das homenagens que eu tenho que fazer é ao meu pai, que por 42 anos trabalhou aqui dentro da Refinaria, ao meu tio também. Quer dizer, desde o primeiro dia de operação da Refinaria, em 1954, a minha família está aqui presente. Eu participei de todos os momentos, desde que eu nasci, a Petrobras me influenciou. Eu ganhei brindes, presentes, ela me deu a minha cultura. O salário do meu pai é que me deu toda essa minha bagagem. Então, essa é que é a parte legal.
P/1 – E o seu filho? O Senhor tem filho ou filha?
R – Uma filha.
P/1 – Eu ia falar como é que está essa continuação da família?
R – Bom, se tiver petróleo até ela fazer a idade pra entrar na Petrobras...
P/1 – Ela é muito jovem ainda?
R – Ela tem 12 anos, né? Mas o petróleo já está 48 dólares o barril, então, a tendência é cada vez mais o petróleo ser um bem de luxo. Vão ter outras fontes alternativas de energia. A Petrobras hoje busca ser uma Empresa de energia, investe em outras tecnologias e aí teria uma continuidade. Só petróleo não sustenta a Petrobras.
P/1 – Senhor Ildemar, muito obrigada pela entrevista. Agradeço muito.
R – Obrigado.
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