Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Entrevistado por Larissa Rangel
Depoimento de Julio Maximus de Medeiros Neto
Campos dos Goytacazes 02/07/2008
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB465
Transcrito por Denise Yonamine
P/1 – Bom Dia. Pra começar a entrevista gostaria que o senhor falasse o seu nome completo, local e data de nascimento?
R – Meu nome completo Julio Maximus de Medeiros Neto, data de nascimento 27 de dezembro de 1949, e a cidade é Abaiara, Ceará.
P/1 – E qual é a sua formação?
R – Economista e Sociólogo.
P/1 – E como e quando ingressou na Petrobras?
R – Eu fiz um concurso pra Petrobras em julho de 1974 e em 1º de agosto desse mesmo 1974 eu entrei na Petrobras, em Jacareí, São Paulo.
P/1 – E como é que foi o dia em que o senhor soube que, você fez o concurso, né?
R – É.
P/1 – Como é que foi esse dia saber que estaria na Petrobras e o que significava a Petrobras para o senhor?
R – Na época a Petrobras, ainda hoje, mas na época a Petrobras era o ponto a ser atingido pela gente trabalhador, né, desse país. E quando eu fiz o concurso eu fui no Edise entregar um documento pra uma pessoa lá, pra um diretor da Petrobras, que o meu patrão mandou e eu perguntei “tem emprego?” “ah, tem um concurso, só que é pra São Paulo, tem um pra cá pro Edise, mas o de São Paulo ganha mais” eu disse então “eu quero fazer São Paulo”, fui fazer em São Paulo, tinham 245 pessoas fazendo o concurso, eu tirei o primeiro lugar nesse concurso, porque eu vinha de um pré vestibular muito forte e me tornei...aí foi uma felicidade. Na época a gente não era chamado de petroleiro, era petrolino, tinha até um bonequinho, um bonequinho (cor negra?) simbolizando o petróleo e a cabecinha dele era uma forma de gota, de barril, de gota e o corpinho, acredito que era, não lembro como era, era um barril, eu só sei que o petrolino na época éramos nós. Aí telefonaram, parabéns você é o...
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Entrevistado por Larissa Rangel
Depoimento de Julio Maximus de Medeiros Neto
Campos dos Goytacazes 02/07/2008
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB465
Transcrito por Denise Yonamine
P/1 – Bom Dia. Pra começar a entrevista gostaria que o senhor falasse o seu nome completo, local e data de nascimento?
R – Meu nome completo Julio Maximus de Medeiros Neto, data de nascimento 27 de dezembro de 1949, e a cidade é Abaiara, Ceará.
P/1 – E qual é a sua formação?
R – Economista e Sociólogo.
P/1 – E como e quando ingressou na Petrobras?
R – Eu fiz um concurso pra Petrobras em julho de 1974 e em 1º de agosto desse mesmo 1974 eu entrei na Petrobras, em Jacareí, São Paulo.
P/1 – E como é que foi o dia em que o senhor soube que, você fez o concurso, né?
R – É.
P/1 – Como é que foi esse dia saber que estaria na Petrobras e o que significava a Petrobras para o senhor?
R – Na época a Petrobras, ainda hoje, mas na época a Petrobras era o ponto a ser atingido pela gente trabalhador, né, desse país. E quando eu fiz o concurso eu fui no Edise entregar um documento pra uma pessoa lá, pra um diretor da Petrobras, que o meu patrão mandou e eu perguntei “tem emprego?” “ah, tem um concurso, só que é pra São Paulo, tem um pra cá pro Edise, mas o de São Paulo ganha mais” eu disse então “eu quero fazer São Paulo”, fui fazer em São Paulo, tinham 245 pessoas fazendo o concurso, eu tirei o primeiro lugar nesse concurso, porque eu vinha de um pré vestibular muito forte e me tornei...aí foi uma felicidade. Na época a gente não era chamado de petroleiro, era petrolino, tinha até um bonequinho, um bonequinho (cor negra?) simbolizando o petróleo e a cabecinha dele era uma forma de gota, de barril, de gota e o corpinho, acredito que era, não lembro como era, era um barril, eu só sei que o petrolino na época éramos nós. Aí telefonaram, parabéns você é o mais novo petrolino. Aí, de alguns anos pra cá é que mudou pra petroleiro.
P/1 – E como é que foi ficar longe da família tendo que sair de Sergipe?
R – Não, longe da família não era o problema, porque eu já estava longe da família. A minha família é do Ceará, eu estava aqui no Rio com um irmão, dois irmãos, três irmãos, três? É... três, ou quatro irmãos?... E fui pra São Paulo, pra Jacareí, eu vinha nos finais de semana pro Rio até acostumar e ficar estudando, ficar direto por lá, nesse (ponto?) não houve dificuldade. A dificuldade era cultural de eu ter vindo embora de lá pra cá, esse sim! Ainda hoje eu tenho dificuldade de aceitar estar aqui.
P/1 – Em Campos?
R – Macaé, de estar no Rio e não estar em São Paulo, a vontade minha, o (sonho?) era estar lá, lá no interior, porque eu ainda tenho que contribuir com aquele povo lá, porque quis Deus que eu nascesse poeta de cordel também, então eu quero trabalhar nessa área da cultura popular com eles.
P/1 – Pra gente começar nesse primeiro momento dentro da Petrobras. Qual era a sua função?
R – Minha função? Quando eu entrei era função e cargo, se confundiam, era ajudante-administrativo e eu era o secretário do chefe de uma divisão de material.
P/1 – E depois como é que foi a sua trajetória?
R – A minha trajetória em termos profissionais, na linha gerencial não teve, eu não tive uma escalada profissional de sucesso não. Eu fui ajudante administrativo, logo cedo me envolvi no movimento sindical, passei 13 anos exatamente como eu entrei, travado exatamente por conta do movimento sindical, eu (imputo?) ao movimento sindical, obviamente se perguntar o gerente não vai dizer que foi, mas foi e hoje eu sou assistente administrativo, assistente técnico de administração, não sei qual é o nome, mas é um sucedâneo do ajudante. É a mesma carreira, não fui promovido a nada e fiz concurso pra Petrobras, pra economista, passei, na entrevista eu não passei, fiz pra auditor também passei, na entrevista fiquei, existe razões bem políticas pra eu não ter passado nem pra um, nem pra outro, principalmente, pra auditor. Eu posso passar _______ viu, não tem problema, vai ser editado alguma coisa ou não, né? (Posso!?). Pra você ter uma idéia eu quando fiz a entrevista pra auditor, alguém me pergunta lá “se você passar pra auditor, você larga o sindicato? O movimento sindicalista?” “não, não largo” e, obviamente, eu não passei.
P/1 – E quando começou o movimento do sindicato?
R – Olha, o movimento sindical pra mim começou quatro anos depois que eu entrei na Petrobras que foi com o Lula no ABC, eu saía de Jacareí e ia lá no movimento do ABC participar. Agora eu, isso me envolvi no movimento sindical ali, entrar no sindicato só foi em 1981, seis anos depois, sete anos depois que eu entrei na Petrobras é que eu fui diretamente para o movimento sindical, ser diretor do sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte, eu já estava no Rio Grande do Norte nessa época.
P/1 – E como é que foi? Como se desenvolveu o movimento, como é que ele foi crescendo?
R – Olha, o que me fez levar a entrar no movimento é alguma coisa que eu não gostaria de falar que é pré-Petrobras, é um movimento político lá no fim de 1969 quando havia uma agitação muito grande e a gente tava, havia uma rejeição brutal aos militares, ______ existia um perigo de luta armada muito forte que vocês com certeza já ouviram falar, com certeza não ouviram tudo e foi por aí, naqueles movimentos estudantis da grande marcha dos 100 mil no Rio de Janeiro, que eu tinha um irmão, tinha não, eu tenho um irmão que participou, era uma das lideranças na época e, por conta disso, eu fui me chegando ao movimento sindical.
P/1 – E a sua mudança pra região de Campos, em Macaé, quando foi e como?
R – Não, foi assim, eu passei cinco anos em Jacareí, o tempo pra eu me diplomar. Depois me transferiram pra Macaé, em 1º de agosto mesmo quando eu completei cinco anos, no mês de agosto de 1979 me transferiram pra Macaé. Fiquei um ano aqui em Cabiúnas, nessa base da Petrobras em Cabiúnas, fui transferido, porque eu trabalhava no serviço de engenharia, fui transferido pra Natal, passei um ano em Natal, voltei pra Cabiúnas, passei um ano em Cabiúnas, voltei pra Natal, passei cinco anos em Natal, voltei pra Cabiúnas, meus meninos já estavam crescendo, estavam grandinhos, o mais velho, e eu pedi pra Petrobras não me transferir mais, me tirar do serviço de engenharia e colocar no serviço de produção, aí eu fui trabalhar em Imbitiba. Foi a mesma atividade, eu já dominava sem problema nenhum e estou, mais ou menos, na mesma atividade até hoje. Sendo que em 1996 nós fundamos o sindicato, o NF, o Sindipetro NF me tornei o primeiro diretor financeiro do Sindipetro NF, saí pra oposição, voltei pra situação e estou como diretor financeiro de novo do Sindipetro NF.
P/1 – E como é que foi trabalhar em Imbitiba?
R – O pessoal do administrativo é muito conservador, os movimentos foram feitos quase sempre no mar, mas é possível e é viável fazer o movimento aqui. Foi bom, pra você ter uma idéia na greve de 1995, você era adolescentizinha ainda, quase pré-adolescente, faz quantos anos? Doze, né? Você devia ser uma menina aí chegando aos 15 anos (risos), você falou a idade lá. Foi bom, nós demos um abraço lá em Imbitiba e eu fui escalado pra contar as pessoas, a gente, um abraço, um abraço em linha reta, segurando na mão um do outro, desde a saída da parte (em pista?) até a saída aqui da Imbitiba, 912 pessoas de mãos dadas, tudo funcionário da Petrobras, se não fosse funcionário ali eram dois ou três que era contratado, mas 912 pessoas. Então quando se tem que fazer o movimento faz também mesmo, ainda que agora é muito mais conservador, mas foi bom, eu, vamos dizer, me formei no movimento sindical do Rio de Janeiro em Imbitiba, tanto é que eu me tornei Imbitiba, ser recordista da Petrobras, eu me tornei dez vezes vice presidente da SIPA da Bacia de Campos, que é o representante dos empregados na SIPA, vice presidente da SIPA eu me tornei dez vezes, fui o único na Petrobras. Também fui duas vezes em Natal e duas vezes em Cabiúna, mas _________________ você pergunta sobre Imbitiba. Foi em Imbitiba que eu conheci como, eu não sei se eu posso dizer assim, como uma liderança petroleira.
P/1 – E dentro da sua trajetória na Petrobras qual foi a sua maior dificuldade?
R – É porque eu nunca gostei do trabalho que faço, eu disse brincando pra você ali que sociólogo e economista as duas juntas não vale uma, foi uma brincadeira, mas na verdade o que me deixou, a dificuldade maior que eu encontrei foi... pontos isolados ou um conceito de dificuldade, eu não sei o que você quer com a pergunta?
P/1 – É, pode ser um ponto isolado dentro da sua trajetória...
R – O ponto isolado é que em 1995 nós fomos proibidos de entrar na Petrobras por Rodolfo Landim na época, era superintendente aí de Imbitiba e da Bacia de Campos e o pessoal do movimento sindical, eu nem era diretor ainda e não pude entrar, fui proibido de entrar. Tive dificuldade porque a minha conta era no Banco do Brasil lá dentro eu não podia ir buscar o dinheiro, não me deixaram entrar várias vezes e não fui, não entrei. Houve uma pressão muito grande e o Fernando Henrique é que interveio, o Fernando Henrique, nós, petroleiros junto a alguém, chegou Fernando Henrique que foi liberado, porque eu não podia continuar do jeito que estava, nós tínhamos a conta dentro da Petrobras, mas não podia tirar nada. Fez parte da mesma dificuldade que nós passamos um mês sem receber salário, em 1995, então foi salário zero. Então o ponto isolado nesse foi a grande dificuldade. E em termo conceitual a grande dificuldade é tratar o gerente que também não ganha muito, hoje um pouco mais, mas eles normalmente a Petrobras tem mais nome pro gerente, mas não existe salário da iniciativa privada, os grandes cargos da iniciativa privada ganham quatro, cinco, seis vezes mais do que os da Petrobras, na Petrobras a estabilidade no emprego é o que garante a gente, não é o volume do salário.
P/1 – E o seu maior desafio?
R – Foi fundar o NF, participar do movimento sindical e fazer o NF ser reconhecido e está hoje é o maior sindicato do país, reconhecido. E é uma brincadeira, as vezes que eu passei como diretor financeiro as minhas contas foram aprovadas 100% dos votos, não teve um voto contra, mesmo da oposição não teve. E é um desafio continuar na busca dessa qualidade de ______ sindical.
P/1 – E pra você quem é o trabalhador da Bacia de Campos? De onde ele vem? Quais são as adversidades culturais?
R – É, filha, aí sim! Isso aí talvez por ter estudado Sociologia e ter estudado bastante antropologia até como autodidata, isso aí eu até tenho conhecimento mais clareado do problema. No início, fundamentalmente, o petrolino vê um pouquinho do (Rio?), muito do Rio, um pouco do São Paulo e da Bahia, esse três nichos é que formaram o homem petroleiro da Bacia de Campos no (idos?) de 1970, da década de 1970. Depois o pessoal, alguns que vieram pra cá foram excluídos davam um castigo pra eles lá em Natal, na Bahia, em Sergipe, em Manaus mandavam eles vim trabalhar aqui como castigo, isso aí não ta oficializado não, a gente sabe que é. Então o nordestino, vamos dizer bem assim, a produção da Bacia de Campos fala ‘nordestinês’, os mais velhos já se aposentaram, já morreram, muitos, a maioria aposentou e foi embora. É porque no momento que começou a abrir concurso e eram concursos locais o pessoal daqui também fez, então já tem o nosso homem daqui de Campos e de Macaé, de Rio das Ostras, de Cabo Frio, dessa região que se aposentou já, ou que ta com idade já pra isso, já local, agora, a formação cultural da Bacia de Campos teve as suas bases no Nordeste, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Hoje ainda tem, tanto é que a direção sindical tem alguns não, dos 20, eu não sei, mas se for contar tem posse de 10 nordestinos, então há um ‘nordestinês’, o ‘nordestinês’ é a língua, né, que eu falo, o ‘nordestinês’ é que produz, que iniciou, principalmente, a Bahia, a Bahia veio muita gente, depois tem Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte tem gente muito forte, Ceará tem também. Eu, por exemplo, não sou do Ceará, como petroleiro eu sou de São Paulo, então eu participo do nicho de São Paulo, e não do nicho do Rio Grande do Norte ou do Ceará, apesar de eu já ter ido lá, é porque eu sou oriundo de São Paulo.
P/1 – E como é que era o dia a dia, o cotidiano de trabalho lá em Imbitiba?
R – Aonde em Imbitiba? A resposta anterior acho que já cobre, no meu caso, eu, Julio, enquanto estive dentro de Imbitiba eu dividi entre a política sindical e o trabalho da empresa, nunca tive dificuldade com os gerentes, não. Eu tive dificuldades com a direção da ________ quando proibiram da gente entrar e tive dificuldades, também, com o presidente da SIPA que chama Cristina Quesada, tive dificuldades com ela, só isso, eu era o vice-presidente. Agora bloqueio, não pode sair, aquela pressão escravocrata não tive não, eu sempre tive liberdade pra dentro da Imbitiba andar, no movimento sindical talvez e por ser vice-presidente da SIPA. Eu era o representante dos empregados, sempre tive liberdade pra rodar.
P/1 – E qual a fase da produção da Bacia foi mais marcante e por quê?
R – A fase que foi mais marcante pra mim na Bacia foi na década, no final da década de 1980, começo da década de 1990, porque teve, vamos dizer, que os movimentos (paredistas?) teve a greve e outros movimentos e, principalmente porque a gente se posicionou contrário a Petrobras que existia um slogan produção a qualquer custo. E a gente rebatia por segurança a qualquer custo, porque tava havendo muitas mortes, estourando plataforma, Enchova queimou duas vezes, algumas dezenas de pessoas _______________ pessoas (mortas?) e foi aí o ponto marcante foi quando eu, foi nesse período, aí entrou o Collor, aí desandou, foi muita demissão e a gente depois entrou o Itamar e empatou o jogo, porque o Itamar aceitava conversar com a gente. No final do governo do Itamar pro governo Fernando Henrique houve uma desandada de novo, mas existiam alguns focos de coisa boa também. Agora o ruim foi, o mais ruim na verdade foi o desmando do governo Collor que foi no início dos anos 1990, não é isso? É, inicio dos anos 1990.
P/1 – E um momento que o senhor percebeu que a Bacia de Campos deu certo?
R – Sempre, desde o inicio! Desde o início, porque eu não sei se eu posso, se perguntarem você é xenófobo, eu vou responder que sou! Xenófobo você sabe o que que é, né? É que ter ojeriza a estrangeiro, apesar de eu ser descendente de portugueses, diretamente descendente de português, mas eu sou muito nacionalista, eu sou ultranacionalista de esquerda. Agora eu sou ultranacionalista, sou. E eu lia muito a respeito de um cidadão chamado Mister Link, que é um cidadão da época do Pamplona, anterior ao Pamplona, é um geólogo americano que estudou a costa brasileira e fez os seus relatórios que estão nos anais da Petrobras dizendo que o Brasil não tinha petróleo, mas eu estudei todo o processo de formação da Petrobras e tem um livro famoso aí de uma psiquiatra chamada Maria Augusta Tibiriçá Miranda esse livro é “O petróleo é nosso” e nós... teve aquele movimento grandioso o ‘petróleo é nosso’ que, talvez, os teus avós que saibam, teus pais se forem mais novos nem viram, gente da minha geração não viu, onde por incrível que pareça Fernando Henrique Cardoso, filho do general Cardoso, ele era o secretário geral desse movimento, ele foi a juventude, representou a juventude do Brasil nesse movimento e a gente fez a Petrobras em?... 03 de outubro de 1954, acho que é isso aí, _____ em 2004, que o Fernando Henrique, quase 50 anos depois quebrou, parece que foi ele, o pai dele foi a principal pessoa do movimento, foi o general Cardoso, até um tempo desse ainda tava vivo, se estiver ta velhinho com uns 100 anos e o Fernando Henrique foi o secretário geral, depois é que entregou.
P/1 – E o que mudou na Bacia de Campos desde a sua entrada? O que mudou em termos de equipamentos, de comunicação?
R – Houve a modernização, porque a gente naturalmente há modernização, a gente levou alguns prêmios de, como é que dá o nome do prêmio? De tecnologia avançada em águas profundas, nós... só a gente que domina? Não, não é só a gente que domina não, americano e o pessoal do Mar do Norte também domina essa tecnologia, mas é onde ta o petróleo e um detalhe interessante, americano e ________ não reconhece 200 milhas, reconhece só 16 milhas, há anos só reconhece 16 milhas por quê? Porque todo o petróleo ta depois de 16 milhas, então pro americano, onde a Petrobras está na Bacia de Campos é água internacional, ele pode vim e produzir também, porque não é água do Brasil e o Brasil assumiu e é nosso. Só que com o Fernando Henrique foi quebrado, mas o reconhecimento por parte do governo brasileiro que tudo isso é nosso, foi fundamental, porque as tecnologias foram desenvolvidas e nós temos um centro de desenvolvimento _____________ lá na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro que está entre os melhores que existem. Pra você ter uma idéia desenvolveu o combustível pra Williams, pra corrida de Fórmula 1, mais o combustível é tão superior a todos os outros que o motor não agüenta, teria que a Petrobras diminuir a (octonagem?) ou seja lá o que for lá que eu não entendo pro motor resistir, que era bom demais. Então a gente chegou num nível muito superior aos outros, o cientista da Petrobras, realmente, é alguma coisa incomum. E eu sou um empregado comum, nunca fui nada não, só empregado.
P/1 – E o que o senhor achou de participar dessa entrevista contribuindo pra memória dos trabalhadores da Bacia de Campos?
R – Olha, é mais ou menos, brinquei com você ali que nem tomar Coca-Cola, às vezes me dão um copo de Coca-Cola, às vezes eu bebo Coca-Cola, mas sou contra. Eu não gostaria muito de...a entrevista em si perfeita, sem problema, mas há uma relação muito litigiosa, em termos conceituais entre eu e a (gerentalha?) e o gerente da Petrobras, gerente não, desculpe, gestão! E por conta disso é que me posicionei contrário a esse tipo de gestão. Então alguma coisa que beneficie a gestão eu me posiciono contra, mas eu acredito que isso não venha beneficiar a gestão, venha beneficiar a gestão dos petroleiros, porque a história da Petrobras. A coisa que eu fico maravilhada é quando eu entrava no teatro municipal, que tem o departamento ali de acervo, quando eu via aquelas pinturas dos grandes mestres renascentistas, aquilo não beneficia só o teatro municipal, beneficia o país e essas entrevistas, com certeza, vai beneficiar o conjunto das... Eu tenho uma série de poemas, cada plataforma da Bacia eu faço um poema também.
P/1 – Você teria, você lembra de um agora? De alguma plataforma o senhor lembra?
R – Não, eu me lembro, eu me lembro a poesia em si eu não me lembro. Tive até uma que meio que do nada foi publicada no (CREA?) que foi quando a P36 afundou, eu citei nominalmente um cordel todas as pessoas, mas eu não me lembro dos poemas e fragmentos também não quero falar mais, mas eu tenho. Eu tenho mais de 2 mil poemas escritos. Muito, muito, muito, muito. Se fosse montar já daria quase uma enciclopédia de tanto poema que é, e ganhei, isso sim eu me lembro, ganhei vários festivais da Petrobras de poesia, pediram até, alguém pediu pra eu não concorrer mais porque já estavam brigando pelo segundo lugar e um deles ele imitava o Lula quando tava na disputa com o Fernando Henrique, no primeiro governo, e eu ganhei o prêmio por isso, porque eu fiz um concurso e eu tava vendo que os jurados eram todos do PT, aí eu fiz um poema onde eu fui nacionalista, criei um personagem, esse eu até me lembro, mas é muito longo e não tem como falar aqui não. Ta bom?
P/1 – Obrigada.
R – Falou, acabou? Ta muito bom.
(Fim da Entrevista)
(Fim do CD)
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