Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de João Bôsco de Toledo Araújo
Entrevistado por Priscila Cabral e Márcia de Paiva
Brasília, 09/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB568
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde. Para começar eu queria que você falasse o seu nome, local de nascimento e a data de nascimento.
R – Meu nome é João Bôsco de Toledo Araújo, eu nasci em Recife, Pernambuco, em 23/6/1962.
P/1 – Eu queria que você falasse um pouco como é que foi o seu ingresso na Petrobras, se você se recordar o ano também.
R – É, eu na ocasião, eu residia em Caraguatatuba, São Paulo e na época eu era um pequeno empresário, né, que tinha uma loja de material de construção e surgiu o concurso da Petrobras, eu fiz o concurso em 1988 e fui classificado e fui admitido em 1989, logo após o curso de formação. E estou na Petrobras desde aquela época, né, desde 89, já há 17 anos.
P/1 – Desde que você entrou como é que foi a sua trajetória dentro da empresa?
P/2 – Só um minutinho. Seu curso de formação foi em quê?
R – Na Petrobras foi em operação. Operação de terminais. Eu ingressei no Terminal Marítimo de São Sebastião, que hoje é um terminal conhecido como TA, né, um terminal aquaviário.
P/1 – Fala um pouquinho dessa trajetória, você começou nesse terminal e até você chegar aqui, no terminal de Brasília.
R – Perfeito. Eu, eu na época eu entrei como operador de transferência e estocagem, em 1989, trabalhei no terminal de São Sebastião durante sete anos, trabalhei na casa de controle, trabalhei no pier; São Sebastião é um terminal muito grande, é um terminal que atende três, quatro refinarias, né, do estado de São Paulo e também trabalha com exportação de derivados. Então, tem três sistemas de dutos, né, e aquilo me deu uma experiência muito grande na época e houve o início da construção aqui do Osbra, né, a execução do projeto do Osbra, na...
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Depoimento de João Bôsco de Toledo Araújo
Entrevistado por Priscila Cabral e Márcia de Paiva
Brasília, 09/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB568
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde. Para começar eu queria que você falasse o seu nome, local de nascimento e a data de nascimento.
R – Meu nome é João Bôsco de Toledo Araújo, eu nasci em Recife, Pernambuco, em 23/6/1962.
P/1 – Eu queria que você falasse um pouco como é que foi o seu ingresso na Petrobras, se você se recordar o ano também.
R – É, eu na ocasião, eu residia em Caraguatatuba, São Paulo e na época eu era um pequeno empresário, né, que tinha uma loja de material de construção e surgiu o concurso da Petrobras, eu fiz o concurso em 1988 e fui classificado e fui admitido em 1989, logo após o curso de formação. E estou na Petrobras desde aquela época, né, desde 89, já há 17 anos.
P/1 – Desde que você entrou como é que foi a sua trajetória dentro da empresa?
P/2 – Só um minutinho. Seu curso de formação foi em quê?
R – Na Petrobras foi em operação. Operação de terminais. Eu ingressei no Terminal Marítimo de São Sebastião, que hoje é um terminal conhecido como TA, né, um terminal aquaviário.
P/1 – Fala um pouquinho dessa trajetória, você começou nesse terminal e até você chegar aqui, no terminal de Brasília.
R – Perfeito. Eu, eu na época eu entrei como operador de transferência e estocagem, em 1989, trabalhei no terminal de São Sebastião durante sete anos, trabalhei na casa de controle, trabalhei no pier; São Sebastião é um terminal muito grande, é um terminal que atende três, quatro refinarias, né, do estado de São Paulo e também trabalha com exportação de derivados. Então, tem três sistemas de dutos, né, e aquilo me deu uma experiência muito grande na época e houve o início da construção aqui do Osbra, né, a execução do projeto do Osbra, na época convidaram as pessoas que tivessem interesse em vir compor a equipe do Osbra, eu tive interesse; uma vez porque também eu já morei em Brasília, morei em Brasília de 77 a 86 e meus pais estavam aqui, meus familiares estavam aqui e seria uma oportunidade de eu retornar a Brasília, de eu voltar a Brasília. Foi quando eu voltei para Brasília, compor a equipe do Osbra, acompanhei a obra do terminal, quando eu cheguei no terminal praticamente não tinha quase nada construído, eles estavam iniciando a construção dos tanques, das esferas e eu peguei toda a obra do terminal, participei de certa forma da obra e participei da pró-operação do terminal; não só do terminal de Brasília, como no terminal de Senador Canedo.
P/2 – Explica para a gente o que que é pré-operação.
R – Pré-operação na realidade, é quando um equipamento, é quando um sistema ele nunca operou. Então, tem toda uma, uma, uma sistemática para pré-operar esse sistema. Uma vez porque não existe, vamos dizer assim, histórico, dados que possam nortear a operação. Então, realmente é uma, é uma situação nova. Então, eu participei dessa pré-operação.
P/2 – E você ficou instalado já aqui, em Brasília?
R – Eu fiquei instalado em Brasília. Quando eu vim para cá, como eu já havia morado aqui, né, eu vim para Brasília, a princípio fiquei instalado na casa dos meus pais e depois eu comprei apartamento, aí consolidei minha situação aqui.
P/2 – Mas a primeira parte do terminal que ficou pronta foi em Senador Canedo, né? Explica para a gente como é que foi o desenvolvimento da obra, um pouquinho.
R – Na realidade, os terminais eles ficaram prontos quase que simultaneamente, né?
P/2 – Ao mesmo tempo?
R – Mas, a princípio, a pré-operação, a primeira pré-operação foi para Senador Canedo e depois Brasília. E na seqüência os demais terminais.
P/2 – Você pode falar para a gente um pouco do cotidiano do trabalho de um operador.
R – O operador, ele trabalha na parte de controle operacional. O operador antigamente ele tinha uma série de atividades, inclusive atividades braçais, né? Hoje não. Após o advento da automação, né, que trouxe um avanço tecnológico muito grande para o setor operacional, o operador ele se transformou, vamos dizer assim, numa espécie de supervisor, né? Então ele executa trabalho de supervisão, de controle operacional, ele executa trabalho de.. é... consolidação de dados, de fechamento de volumes, ele controla também parte de calibração de instrumentos, né? É uma série de atividades, é um conjunto de atividades que ele desempenha no dia-a-dia e mais ligado a controle operacional. Esse controle operacional, simplificando, o que que seria? O operador ele fica na frente de um console, tá, um console onde tem um fluxograma de todo sistema, né, de toda a área, com desenho das válvulas, das bombas, do duto. Ali existem variáveis, críticas de processos que são monitoradas: vazão, temperatura, pressão, densidade, rotação de bomba. Então, ele controla todas essas variáveis. E também os volumes que saem do tanque expedidor; no caso no nosso terminal nós expedimos para as companhias distribuidoras que ficam aqui no setor de indústria, que é a BR Distribuidora, a Esso, a Shell, a Texaco, a Ipiranga, a Repsol e a Global Distribuidora, tá? Então, todas essas distribuidoras recebem produtos do nosso terminal. E esse controle, tanto o controle das variáveis críticas de processo, quanto o controle dos volumes que são expedidos, são feitos pelo operador.
P/2 – João, o que que o Osbra tem de diferente dos outros terminais, do Terminal de São Sebastião, qual é a característica especial do Osbra?
R – O Osbra ele é um terminal que trabalha essencialmente com derivados de petróleo. O São Sebastião é um terminal grande, trabalha não só com derivados, mas o grosso de São Sebastião é petróleo. Ele recebe petróleo das áreas de produção e expede esse petróleo para as refinarias para ser processado. Agora, o Osbra, na realidade, recebe só derivados. Então, nós recebemos aqui, hoje, nós estamos recebendo diesel e gasolina, mas nós temos condições de receber querosene e gás liquefeito de petróleo. Então, antes da construção do Osbra, esses produtos chegavam aqui através de dois modais de transporte, que era o modal ferroviário e o modal rodoviário. Então, concentro esse transporte num modal dutoviário. Hoje chega todo produto derivado de petróleo chega através de duto.
P/2 – E a extensão do Osbra, gostaria que você falasse um pouco também, a extensão, é tido também como maior da América Latina.
R – É, o Osbra, o oleoduto São Paulo-Brasília, ele é o maior duto realmente, da América Latina, ele tem 960 quilômetros de comprimento e ele é dividido em dois.
P/2 – Você saberia comparar com São Sebastião, qual é mais ou menos o tamanho de um para outro, para a gente ter uma idéia?
R – Os dutos, né, os dutos, só naquela região de São Paulo, na malha de São Paulo, eles têm em torno de 200 quilômetros, 150 quilômetros, então eles são bem menores em comprimento. Já o Osbra ele tem em torno de 960 quilômetros de Paulínea aqui, sendo dividido em duas partes. Há um trecho de 20 polegadas de Paulínia a Goiânia e um trecho de 12 polegadas de Goiânia a Brasília. O volume total que fica contido dentro do produto, dentro do duto é em torno de 176 milhões de litros, tá? Esse volume fica contido dentro do duto. Então, o que que acontece? Eles começam a bombear em Paulínia, a fazer o bombeamento em Paulínia, eles colocam o produto lá, esse produto já vem empurrando esse produto que já está contido dentro do duto. Esse produto que é colocado em Paulínia lá, ele demora em torno de 20 dias para chegar em Brasília.
P/2 – Imagina.
R – Só que existe toda uma logística, existe uma programação que... e essa logística eles calculam a demanda de toda a região, de terminal por terminal. Aí, então, eles fazem um cálculo de quanto a região ali de Ribeirão Preto, de Uberaba, Uberlândia, Senador Canedo e aqui em Brasília, tá, consome um determinado mês. Então existe um histórico de demanda. E em função desse histórico eles programam os volumes que são colocados no duto, as bateladas, né, de diesel e de gasolina, para não haver nem sobra e nem falta de produto.
P/2 – Você que acompanhou também a obra desde o início, eu queria que você contasse para a gente como você percebeu o impacto do Osbra na região centro-oeste.
R – O Osbra de certa forma veio contribuir muito para o desenvolvimento da região centro-oeste, uma vez que trouxe uma economia muito grande na parte de transporte, né, porque o preço do transporte pelo modal dutoviário ele é bem mais barato do que o preço no rodoviário e ferroviário, além do que é um meio de transporte que a Petrobras detém toda a tecnologia, detém toda... e domina já há muitos anos e é próprio da Petrobras. E com isso trouxe uma economia muito grande não só para a empresa, como também isso refletiu no preço do combustível consumido aqui na região. Além disso, o duto ele é muito mais seguro que os demais meios de transporte, né, haja vista que se for calcular o número de carretas que foram retiradas aí, todo mês, das rodovias, a quantidade de acidentes que veio reduzir nas rodovias e além do que a própria questão ambiental, a emissão de combustível fóssil na atmosfera reduziu muito. Então, foram muitas carretas que foram tiradas. Imagina que em torno de 100 milhões de litros são consumidos em Brasília, né, 100 milhões, vamos dividir isso aí por, é, 40 mil litros, 44 mil litros que carrega um bi-trem, que é uma carreta bi-trem, essas carretas grandes, tem dois compartimentos, então, foram muitas carretas que foram retiradas da rodovia.
P/2 – Em relação à própria região, você falou economicamente, mas também em relação às comunidades, né, como por exemplo, Senador Canedo.
R – Exato, é.
P/2 – Poderia também falar um pouquinho?
R – Trouxe um desenvolvimento muito grande para essas comunidades, né, em Senador Canedo; o próprio estado de Goiás. Por quê? Porque o imposto, o ICMS do petróleo ele é cobrado no destino, né, é uma exceção constitucional, ele é cobrado no destino. Então, hoje, por exemplo, Brasília; vamos exemplificar Brasília, né, 30%, em torno de 25 a 30% de todo ICMS que é arrecadado em Brasília, tem origem nos combustíveis. Então... e Brasília... e a região de Goiás, Senador Canedo, por exemplo, o movimento de Senador Canedo é maior que o de Brasília. Por quê? Porque Senador Canedo atende não só o estado de Goiás, como também o estado de Mato Grosso e parte do estado de Tocantins. Então, esse ICMS que é gerado desse combustível, trouxe muito desenvolvimento para a região. Senador Canedo cresceu muito.
P/2 – Você acompanhou um pouco esse crescimento?
R – Acompanhei, acompanhei.
P/2 – Conta pra gente um pouquinho.
R – Hoje a cidade... Por exemplo, a cidade antigamente ela era quase que uma vila, né? Hoje a gente chega em Senador Canedo, nós encontramos lá um comércio bem mais atuante, shopping center, as ruas, todas elas asfaltadas. Quer dizer, a cidade realmente tomou tipo de cidade, ela parecia, antigamente parecia uma vila, hoje a gente vê Senador Canedo como uma cidade, né, uma cidade até razoavelmente grande. Agora, Brasília também se beneficiou muito dessa... do oleoduto São Paulo/Brasília, uma vez que houve um controle maior desse ICMS, fica mais fácil de controlar essa tributação e evitou, de certa forma, evasão de divisas aqui do estado, né, do Distrito Federal, então isso trouxe uma, um benefício muito grande para o DF.
P/2 – Você poderia, também, falar um pouco sobre alguma outra ação da Transpetro aqui pelo centro-oeste, que você destacaria pra gente?
R – É, a Transpetro também tem desenvolvido trabalhos na área de responsabilidade social. Recentemente a Transpetro desenvolveu um trabalho aqui na Vila Estrutural, em Brasília, que é uma região onde o duto, o duto passa, né? Então, todas essas comunidades que são lindeiras ao duto é feito todo um trabalho pela área nossa de, nosso setor de comunicação, são contratos comunicadores, esses comunicadores executam trabalhos junto a essas populações que são lindeiras ao duto e é um trabalho educativo, um trabalho de orientação, né, então... consciência ambiental. Na realidade existe essa responsabilidade social da empresa.
P/2 – Da construção do oleoduto tem alguma outra, assim, alguma outra fala que você gostaria de contar para a gente, alguma história da construção?
R – Da construção do duto?
P/2 – É.
R – Que eu me lembre... (pausa)
P/2 – Você que acompanhou que...
R – É, eu acompanhei, mas, assim, uma história em si, eu não me lembro não, nada assim, muito...(riso)
P/2 – Não precisa ser nada assim, tão especial, mas uma coisa que tenha sido engraçada, tenha sido diferente do cotidiano normal...
R – Na construção; deixa eu ver se me lembro de alguma coisa.
P/2 – Que você tenha se divertido.
R – Não, não me lembro, assim, nada que fosse tão relevante, mas a importância que teve, para mim, né, para o meu trabalho, para a minha, para a minha profissão, né, e foi uma experiência muito boa ter acompanhado a obra, que aquilo me trouxe uma bagagem muito grande, hoje eu consigo desempenhar muito bem o meu trabalho porque eu conheço muito bem o sistema como um todo. Na realidade a importância pra mim foi essa.
P/1 – Antes de você, é, quando a gente estava preenchendo a ficha, você mencionou que já atuou no sindicato, que você era sindicalizado...
R – Sim. Eu sou diretor sindical, do Sindicato do Unificado de São Paulo.
P/1 – Fala um pouquinho como funciona isso, porque algumas pessoas disseram, elas são filiadas diretamente ao Sindipetro de São Paulo. É para a gente entender um pouco como funciona.
R – É, na realidade como o Osbra, ele está ligado à Replan, não é, e... vamos dizer assim, é um braço da malha dutoviária de São Paulo, um braço grande, né, cumprido, mais é.(riso) Então, o que que acontece? Boa parte das pessoas vieram integrar o Osbra, elas vieram já daquela região, vieram de São Paulo, trabalhavam ali naqueles terminais de São Paulo: São Sebastião, São Caetano do Sul, Guarulhos, Barueri, refinarias ali de São Paulo, Capuava, então, já pertenciam ao sindicato de lá, ao Sindipetro de São Paulo. Quando vieram para cá, como nós tínhamos aqui um sindicato, não existia aqui uma... não existe, vamos dizer assim, fisicamente, uma base sindical, um prédio, então, nós continuamos vinculados ao Sindipetro de São Paulo. O pessoal aqui de Brasília, quem atende Brasília é o Sindipetro de São Paulo.
P/1 – E essa relação entre o sindicato e a empresa, como é que você vê isso, você acha que mudou desde que você mudou, para agora, alguma coisa?
R – Mudou bastante, mudou bastante. Nos governos anteriores existia uma política, vamos dizer assim, diferente em relação ao sindicato. Hoje, nós temos assim, a empresa e o sindicato, elas trabalham, de certa forma alinhados, alinhados. Que na época do governo anterior existia uma relação meio conturbada com o sindicato. Uma porque a Petrobras é uma sociedade de economia mista, maior acionista é o governo, né? E o sindicato sempre, vamos dizer assim, trabalhou na área... do outro lado, né, na oposição. Então, hoje, pelo fato que... de o governo hoje ser do PT, vamos dizer assim, ligado à CUT e o nosso sindicato, o Sindipetro de São Paulo é vinculado à CUT, então existe uma relação mais estreita entre a empresa e o sindicato. Isso aí ninguém pode negar, né?(risos)
P/2 – João, que cargo você exerceu lá no sindicato de São Paulo, você ainda exerce, você já...
R – Eu sou diretor.
P/2 – Você ainda está na diretoria?
R – É, diretoria.
P.2 – Desde quando?
R – Ah, já faz alguns anos. Eu não sei...
P/2 – Você se lembra mais o menos, logo que você entrou você já se...
R – Deve fazer aí uns...
P/2 – Você já começou a participar logo que você se inscreveu, no início da...
R – Não, não, não. Deve fazer uns 6 anos aí, uns 6 anos.
P/2 – E agora o que que você acha, qual é o principal foco do sindicato nesse momento, o que que vocês estão, mais o menos...?
R – É, hoje a briga maior aí é em função da repactuação, né, no Plano Petros, a bandeira que o sindicato levantou aí é a questão da repactuação. E eu acredito que isso aí vai se resolver nos próximos dias. Mas nós percebemos que nesses últimos anos, nesses últimos quatro, cinco anos os acordos coletivos têm sido, vamos dizer assim, mais favoráveis à categoria, justamente em função da mudança da política. (riso)
P/1 – Bom, acho que a gente está quase chegando no fim e eu queria que você falasse o que é ser petroleiro, explicasse um pouco como você se sente, o que que é ser petroleiro?
R – Olha, eu me sinto muito orgulhoso de ser petroleiro, né, de trabalhar na Petrobras, pelo fato da Petrobras ser a maior empresa do país e ser uma empresa que vem contribuindo para o desenvolvimento do país. É uma empresa de energia e a energia é o que move toda essa máquina que nós temos dentro do Brasil, a indústria, o transporte, né, então, sem energia não temos nada, não somos nada. E eu me sinto muito orgulhoso de ter participado disso, de estar na Petrobras há 17 anos e de ter contribuído para a auto-suficiência no setor.
P/2 – O que que mudou na Petrobras nesses seus 17 anos, o que que você acha, assim, desde que você entrou até hoje, você olhando para trás o que que você percebe, uma mudança significativa?
R – É, houve muito investimento na área de tecnologia, tá, que mudou muito a forma de trabalhar, houve também uma mudança significativa na padronização do trabalho; então, a Petrobras investiu muito nessa área, certificando as suas unidades em processo como a Iso 9002, Iso14000, né, conseguindo várias certificações e buscando excelência nessa, nessa parte de padronização e qualidade. Houve realmente uma mudança muito significativa. Investiu muito também na área de... no setor de segurança, meio-ambiente, saúde ocupacional, percebemos que a empresa tem uma maior preocupação com a segurança no trabalho, com a preservação do meio ambiente e com a saúde dos seus empregados. Então, realmente, a Petrobras de lá para cá mudou bastante a sua filosofia de trabalho.
P/1 – Eu queria que você dissesse agora o que que você achou de ter participado do projeto, fazer uma consideração sobre o Projeto Memória?
R – Achei muito interessante, porque é muito importante isso, né? Eu acho que toda empresa, não só toda empresa, toda pessoa, né, e a empresa, apesar de ser uma ficção, não deixa de ser uma pessoa, porque é composta por pessoas, composta por gente, essas pessoas elas mudam, elas vão mudando ao longo do tempo. Então, eu estou aqui na Petrobras hoje, amanhã eu posso não estar, eu posso aposentar, ou posso prestar um concurso público e trabalhar numa outra área, né? Não digo que não esteja satisfeito de trabalhar na Petrobras, mas a gente sempre tem que buscar crescer, né, e eu, por exemplo, como eu sou advogado, trabalho na área de direito, tenho interesse também em buscar crescer dentro da minha área. Bom, mas, na verdade, eu acho muito importante esse projeto de vocês, o Projeto Memória, pra preservar toda essa memória, preservar toda essa, essa, esse desenvolvimento, esse crescimento que a empresa teve, né, e quem acompanhou isso são justamente esses empregados que estavam aqui há 20 anos atrás, há 30 anos, há 17 anos, como eu, então, fomos nós que acompanhamos esse crescimento, esse desenvolvimento da empresa. É muito importante que isso fique registrado para aqueles que chegarem na empresa, daqui a alguns anos, eles possam saber como é que era a Petrobras antes e como é a Petrobras hoje, né?
P/1 – Então, João Bôsco, te agradeço por ter cedido a entrevista e a gente já chegou ao fim.(riso)
R – Ok.
P/2 – E por ter contribuído com a gente.
R – Muito obrigado.
P/2 – Obrigada você.
(Fim da fita MpetCBBR- nr. 19)
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