Essa história que vou contar aconteceu em dezembro de 2023 em uma viagem a trabalho para Dubai na ocasião da COP 28, onde no intervalo das atividades foi oferecido um pacote de passeio para o deserto de Dubai. Perguntei o preço e contratei o passeio sem muitos detalhes. 40 minutos do local de saída em frente ao Museu do Futuro até o primeiro acampamento de acesso ao deserto. Até lá tudo bem. Descemos, comprei um lenço para a cabeça para proteger do sol, perguntei os preços de isotônico e batata, não comprei, entramos no carros e prosseguimos. Depois de 20 minutos de muito sacolejo pelas dunas das areias do deserto chegamos em um ponto onde é a parada de todos, e ali contemplamos o pôr do sol no deserto de Dubai até aproximadamente umas 18h. Depois, o guia disse que ía nos levar a um segundo acampamento com as características de um acampamento beduíno da época. Mesas baixas com as cadeiras pesadas, o guia me colocou em uma mesa sozinho diferente dos outros visitantes que vieram comigo. Achei estranho mas prossegui. Me disse que ia servir o lanche inicial que eram pães Árabes com um bolinho de carne frito. Devorei. Voltou e disse que aquilo não era o jantar e pediu para eu me reservar. De repente começaram a chegar bandejas e mais bandejas para minha mesa. E eu sozinho observando. Nas mesas ao lado não chegavam nada e as pessoas começaram a me olhar e eu comecei a ficar sem graça. Veio o senhor até mim e perguntou se eu sabia onde estava o guia por que na mesa deles não havia chegado nada. Comecei a me desesperar achando que aquela comida era toda minha. E era. Veio até a mim uma moça muito simpática perguntando se poderia tirar uma foto do jantar. Disse que sim. Rapidamente ela tira todas as tampas das tigelas e faz uma foto minha na frente de toda aquela comida. Me perguntou se eu estava sozinho e se iria comer tudo aquilo sozinho. Disse meio tímido que sim. Mas aí caiu a ficha, perguntei se ela não queria compartilhar comigo...
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Essa história que vou contar aconteceu em dezembro de 2023 em uma viagem a trabalho para Dubai na ocasião da COP 28, onde no intervalo das atividades foi oferecido um pacote de passeio para o deserto de Dubai. Perguntei o preço e contratei o passeio sem muitos detalhes. 40 minutos do local de saída em frente ao Museu do Futuro até o primeiro acampamento de acesso ao deserto. Até lá tudo bem. Descemos, comprei um lenço para a cabeça para proteger do sol, perguntei os preços de isotônico e batata, não comprei, entramos no carros e prosseguimos. Depois de 20 minutos de muito sacolejo pelas dunas das areias do deserto chegamos em um ponto onde é a parada de todos, e ali contemplamos o pôr do sol no deserto de Dubai até aproximadamente umas 18h. Depois, o guia disse que ía nos levar a um segundo acampamento com as características de um acampamento beduíno da época. Mesas baixas com as cadeiras pesadas, o guia me colocou em uma mesa sozinho diferente dos outros visitantes que vieram comigo. Achei estranho mas prossegui. Me disse que ia servir o lanche inicial que eram pães Árabes com um bolinho de carne frito. Devorei. Voltou e disse que aquilo não era o jantar e pediu para eu me reservar. De repente começaram a chegar bandejas e mais bandejas para minha mesa. E eu sozinho observando. Nas mesas ao lado não chegavam nada e as pessoas começaram a me olhar e eu comecei a ficar sem graça. Veio o senhor até mim e perguntou se eu sabia onde estava o guia por que na mesa deles não havia chegado nada. Comecei a me desesperar achando que aquela comida era toda minha. E era. Veio até a mim uma moça muito simpática perguntando se poderia tirar uma foto do jantar. Disse que sim. Rapidamente ela tira todas as tampas das tigelas e faz uma foto minha na frente de toda aquela comida. Me perguntou se eu estava sozinho e se iria comer tudo aquilo sozinho. Disse meio tímido que sim. Mas aí caiu a ficha, perguntei se ela não queria compartilhar comigo aquele jantar todo. Agradeceu e disse que estava com amigos e familiares. Eu disse para convidá-los também é ela respondeu que eram muitos. Me desesperei, comecei a olhar pro lado e me perguntar o que fazer com tanta comida, convidei os casais que estavam comigo mas em mesa sepada, se queriam compartilhar também e disseram que só o churrasco. E assim foi. Aí eu comecei a chorar de vergonha e ver por que eu tinha sido privilegiado com todo aquele jantar. Passei uma mensagem para a pessoa que me vendeu o pacote e ela me disse que meu pacote era vip. Fiquei mais envergonhado. Disse que ela poderia ter me avisado da diferença. Perguntei se poderia levar o jantar ela disse que só com a permissão do local porque o jantar era farto para se saborear no local. Levantei com tanta coragem e fui até a administração. Eles não falavam nada de inglês, só árabe. Peguei o tradutor e disse que queria levar toda a comida para meus irmãos do albergue onde eu estava porque era muita comida só para uma pessoa. Eles se entre olharam e decidiram preparar a comida para viagem. Os pratos foram recolhidos e minutos depois o rapaz chegou com um saco preto enorme com várias embalagem, umas dez ao todo. Entrei no carro com as outras pessoas e não disse uma palavra. Pedi para o guia me deixar onde estava hospedado pois eu não me sentia a vontade de andar no metrô com sacola tão grande. Seguimos. Quando cheguei no albergue os colegas de quarto, sua maioria indianos, Egípcios e um sul africano, estavam todos na cozinha preparando o jantar. Cheguei com sorriso no rosto e disse em inglês que eu trouxe o meu jantar para comer com todos. Foi o momento de tanta alegria e sorrisos nos rostos. O dono do albergue fez somente uma pergunta: se a comida era vegetariana e eu disse sorrindo que parte dela sim. E fomos abrindo prato por prato para dividir a comida com todos que estavam presentes. Para mim esse ato teve grande significância de compartilhar o que temos com os próximos. Mesmo não os conhecendo de uma vida inteira, sabia que esse gesto era de empatia com as pessoas que eu estava convivendo durante os 15 dias que fiquei lá. Para mim foi um grande ensinamento de vida. Até mais.
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