Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Hugo Alves
Entrevistado por Douglas Tomaz
Macaé, 05 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.net
Entrevista número PETRO_CB354
Transcrito por Winny Choe
P/1 - Hugo, queria que você começasse falando seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R - Meu nome é Hugo Alves Coutinho Filho, nasci em 09 do 09 de 1959.
P/1 - E o local de nascimento?
R - Nascido em Salvador, Bahia.
P/1 - Qual a sua formação Hugo?
R - Eu tenho o segundo grau completo e o curo técnico em contabilidade e curso técnico em eletromecânica.
P/1 - E você entrou quando aqui na Petrobras?
R - Eu entrei em 16 do 03 de 1981.
P/1 - E Hugo, você já começou já aqui na Bacia de Campos ou não?
R - Não, quando eu entrei na Petrobras eu entrei na Bahia certo, trabalheis de 81 à novembro de 83 fui transferido pro Rio Grande do Norte, do Rio Grande do Norte eu trabalheis uns 12 anos e tenho meio de 12 à 14 anos aqui já na Bacia de Campos.
P/1 - Desde que você entrou , você está na mesma função ou não? Está na mesma função?
R - Não. Eu entrei na Petrobras como mecânico, depois fui promovido pra contra mestre em mecânica, depois pra mestre de mecânica e hoje estou na função de técnico em manutenção sênior. E periodicamente eu estou retirando interinidade(?) de supervisão também na P23.
P/1 - Mas exatamente, o que você faz? Você pode descrever um pouco pra mim?
R - Eu trabalho na área de manutenção mecânica na área de equipamentos de perfuração. Exclusivamente na área de perfuração. Sempre na área mecânica e manutenção de equipamentos de perfuração.
P/1 - Hugo, esse percurso seu de Bahia, Rio Grande do Norte e agora Macaé, você pode contar um pouco pra gente como é que foi isso, das pessoas que você conheceu?
R - Ok, posso. Da Bahia como entrei em 81, trabalhava na área terrestre, perfuração, sempre trabalhei na área de perfuração na área...
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Depoimento de Hugo Alves
Entrevistado por Douglas Tomaz
Macaé, 05 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.net
Entrevista número PETRO_CB354
Transcrito por Winny Choe
P/1 - Hugo, queria que você começasse falando seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R - Meu nome é Hugo Alves Coutinho Filho, nasci em 09 do 09 de 1959.
P/1 - E o local de nascimento?
R - Nascido em Salvador, Bahia.
P/1 - Qual a sua formação Hugo?
R - Eu tenho o segundo grau completo e o curo técnico em contabilidade e curso técnico em eletromecânica.
P/1 - E você entrou quando aqui na Petrobras?
R - Eu entrei em 16 do 03 de 1981.
P/1 - E Hugo, você já começou já aqui na Bacia de Campos ou não?
R - Não, quando eu entrei na Petrobras eu entrei na Bahia certo, trabalheis de 81 à novembro de 83 fui transferido pro Rio Grande do Norte, do Rio Grande do Norte eu trabalheis uns 12 anos e tenho meio de 12 à 14 anos aqui já na Bacia de Campos.
P/1 - Desde que você entrou , você está na mesma função ou não? Está na mesma função?
R - Não. Eu entrei na Petrobras como mecânico, depois fui promovido pra contra mestre em mecânica, depois pra mestre de mecânica e hoje estou na função de técnico em manutenção sênior. E periodicamente eu estou retirando interinidade(?) de supervisão também na P23.
P/1 - Mas exatamente, o que você faz? Você pode descrever um pouco pra mim?
R - Eu trabalho na área de manutenção mecânica na área de equipamentos de perfuração. Exclusivamente na área de perfuração. Sempre na área mecânica e manutenção de equipamentos de perfuração.
P/1 - Hugo, esse percurso seu de Bahia, Rio Grande do Norte e agora Macaé, você pode contar um pouco pra gente como é que foi isso, das pessoas que você conheceu?
R - Ok, posso. Da Bahia como entrei em 81, trabalhava na área terrestre, perfuração, sempre trabalhei na área de perfuração na área terrestre, geralmente na área de manutenção e dava apoio em manutenção dos equipamentos de perfuração no caso. E quando foi em novembro de 83, paradas de muitas plataformas de sondas terrestres lá na Bahia, nós fomos transferidos pro Rio Grande do Norte, solicitação do órgão lá, porque estava precisando de mais gente e o setor lá estava promissor mais do que a Bahia né? Entendeu? Então nós fomos deslocados da Bahia uma equipe grande, da Bahia pro Rio Grande do Norte e também trabalhava em terra lá e alguns eventualmente trabalhavam nas pu(?) plataformas de mar, embarcados, mas a maioria foi em terra. E depois trabalhamos lá pelo Rio Grande do Norte, também houve, como aconteceu na Bahia, a demanda de operações foi diminuindo então foram transferindo gente pra outros setores, então fui transferido pra cá à chamado de um engenheiro de perfuração serveira(?) e veio eu e mais dois colegas e depois eu também fui trabalhar em uma plataforma de produção, durante uns 4 anos e depois fui transferido pra P23 onde estou até hoje trabalhado na área de perfuração.
P/1 - Como é que é o seu cotidiano de trabalho?
R - Eu trabalho em regime de revezamento de turno, a gente divide 12 por 12. Lá nós temos a rotina normal de , o nosso horário de trabalho lá é das 6 às 18 e das 18 às 6 como troca de turno. Trabalha 12 horas, folga 12 horas e está assim até hoje.
P/1 - Desses 27 anos, 28 anos que você trabalha aqui na Petrobras, o que você considera o seu maior desafio que você já tem enfrentado aqui?
R - O desafio que eu estou é, sempre procurar e dar de melhor certo? Eu faço uma coisa que eu gosto, pra mim o desafio é conhecer novos equipamentos, novas tecnologias que quando eu entrei não era tanta tecnologia como tem hoje. Então o dia a dia a gente ta aprendendo certo? Em equipamentos novos, em conhecimentos e outras tecnologias. Pra mim isso é um desafio.
P/1 - E nessa mudança de tecnologia existem funções que já não existem mais que você se lembra assim? alguma coisa que agora já não tem mais sentido aquela função que aquela pessoa exercia? Não que a pessoa deixasse de ser importante.
R - Com a tecnologia tem muitos trabalhos que o homem no caso fazia e hoje não faz mais porque o equipamento a tecnologia nos favorece a isso e sempre por melhor né? Até diminuindo riscos em acidentes, equipamentos novos que diminuem o risco de acidentes e tudo e vem a ser melhor até pra gente mesmo em conhecimentos em geral.
P/1 - Você saberia dizer alguma função que já não existe mais que você se lembre?
R - Na área de manutenção eu creio que não. Temos ainda, todas as funções nós temos ainda. De como entrei com mecânica, até hoje existe mecânico, até hoje existe (?), existe mais aquele contra mestre de mecânica, que era o supervisor antigamente, não tem mais um mestre de mecânica, que hoje é o técnico junior, pleno e sênior. Mas em matéria assim de serviços, continua quase a mesma coisa ainda, facilitando com a nova tecnologia, com novas ferramentas, facilitou um bocado, mas o serviço humano, braçal, ainda existe.
P/1 - Você vem se adaptando bem à essas novas tecnologias?
R - Tenho sim, graças à Deus a gente acompanha os conhecimentos e os estudos que a própria empresa nos fornece e cursos. E fica melhor pra gente aprimorar o nosso trabalho com os equipamentos novos que estão entrando que estão ainda em operação e os que estão surgindo também.
P/1 - Hugo, qual foi a sua maior dificuldade até aqui enfrentada nesses anos de Petrobras?
R - Minha maior dificuldade foi quando eu saí do Rio Grande do Norte pra vir aqui pra Bacia. Eu trabalhava mais enfim em sonda de terra, então pra mim foi um desafio vir trabalhar em sonda, que era uma vontade minha, trabalhar em sonda de perfuração marítima. Achei um pouco de dificuldade no início, mas depois com o tempo, com a ajuda dos próprios colegas, nossos companheiros, apesar de nós termos, é uma segunda família, o local onde a gente trabalha e os colegas que já trabalham nesses locais ajudam muita gente e a gente é, começar alguma coisa pra gente e facilitar o nosso trabalho.
P/1 - É difícil viver longe da família na plataforma, embarcado? Como é que é isso?
R - è como diz o ditado, é na época quando eu comecei a trabalhar que fui transferido pro Rio Grande do Norte, t (?) quando eu era casado, tinha meu filho, meu filho até adoecia, ele já sabia quando eu ia embarcar, que ele já sentia falta, ele começa até adoecer e tudo. Naqueles primeiros dias, era com febre uma dor de cabeça e tudo mais depois melhorava né. E pra mim até hoje é estressante pra gente, esse negócio de ta embarcando assim, passar 14 dias 15 dias fora da família entendeu? Ninguém se acostumou ainda, não tem um que diga que já está acostumado certo? Mais a gente sempre a falta dos familiares, de ta em terra compartilhando com os amigos e a família. A gente acostuma mas tem que ser. Vai indo nos troncos e barrancos. Em terra é menos mal, ta vendo gente ta vendo rua e transito e movimento. Mais quando a gente trabalha no mar é totalmente diferente só água e água ao redor e (risos) com aqueles primeiros sete dias a pessoa fica ainda tranqüila mais depois dos sete dias as pessoas ficam estressado muita gente começa a bater cabeça (risos) pensando no que num deve (risos) e assim vai levando, mais da pra ir levando as coisas aos poucos.
P/1 - E a presença baiana na plataforma, é grande? é marcante?
R - É, o contingente de baiano na plataforma que eu trabalho dá pelo menos 30 %, certo. Apesar de ter gente de todos os locais do Brasil né. Tanto do sul, norte, nordeste mais tem quase 30, 35% tanto do pessoal da Petrobrás como terceirizado é de lá da Bahia entendeu? Sou baiano.
P/1 - E tem algumas coisas lá que os baianos se identificam ou não? Umas gírias...
R - (risos) Dá, dá porque a maneira da gente fala, de comportar e tudo. Muita gente diz que baiano é muito folgado (risos), a maneira da gente trabalhar, é um pessoal mais alegre (riso). O pessoal baiano, o pessoal do nordeste em si. Não é querendo discriminar o pessoal do sul (risos), sudeste, mas o pessoal é mais alegre e é mais espontâneo. Mais receptivo também, eu acho, em relação ao pessoal do sul. Não é eu que estou dizendo não, é o próprio pessoal do sul fala isso em relação ao pessoal do norte.
P/1 - E na plataforma tem algum tipo de lazer? Como é que é?
R - Na plataforma nós temos o nosso lazer lá. Nós temos nosso pagodezinho, num churrasco toda sexta feira, quinta também temos academia, jogos de baralho, dominó, ping-pong, fora eventos que a gente sempre faz lá, uns torneiozinhos pra cortar o cotidiano do trabalho né? Mas lá a turma é bem alegre e bem receptiva.
P/1 - Mas churrasco? Conta como é que é isso na plataforma em alto mar.
R - É, nós temos um churrasco tradicional porque é feito pela hotelaria(?), que geralmente hoje ou dia de sábado. E o churrasco que fazemos é fora do refeitório, geralmente a gente chama de a área do fumante, fica lá num deck principal da plataforma e toda sexta-feira, (?), pra comemorar o aniversariante do mês. A gente pega e faz uma vez na semana, faz aquele evento, que o churrasco é feito não pelo pessoal da hotelaria(?) e sim por nós, que é funcionário da empresa e que é contratado. Aí armamos lá o pagodezinho né, o pessoal lá deixa a gente bastante animado. Geralmente à noite.
P/1 - E aí te música baiana, do sul, do norte?
R - Tem música baiana, do sul, tem tudo. Tudo que é (risos).
P/1 - E Hugo? Tem algum, tipo de trote, quando algum novato chega na plataforma, alguma brincadeira que você lembre que você possa contar? (risos)
P/1 - E Hugo? Tem algum, tipo de trote, quando algum novato chega na plataforma, alguma brincadeira que você lembre que você possa contar? (risos)
R - Desde quando eu entrei na Petrobras até hoje ainda existe, a gente o chama de "o borracha" (risos) é o "reco", famoso "reco -borracha", a gente sempre faz algumas brincadeiras com eles. Vou dar um exemplo: A vai lá na plataforma e procure a toalha da mesa rotativa, aí ele vai procura na mão de alguém a toalha da mesa rotativa que não existe, mesa rotativa é uma mesa, aí o cara pensa que tem né. Aí o pessoal às vezes chega lá e disse assim "ó as primeiras dez refeições suas vai ser paga, você vai ter assinar no livro aqui pra você pagar a refeição quando você desembarcar" e assim "vai pega a chave pra limpar pincel", aí o cara vai procurar, "vai procurar, vai pegar a chave da plataforma na mão do Geplat(?)” (risos) e aí por diante, mas isso a gente faz no intuito de que aquela pessoa nova que chegou ficar descontraída, como se fosse uma brincadeira. Às vezes a pessoa chega de algum local e se sente assim arcaico, se sente inútil em alguma coisa, então a gente começa a brincar com aquela pessoa pra descontrair essa pessoa e ela se envolver com o grupo da plataforma em si, entendeu?
P/1 - Cortando um pouco o assunto, Hugo, você saberia me dizer, definiria o que é ser petroleiro? Quais são os sentimento de ser petroleiro realmente?
R - Pra mim ser petroleiro é você estar como dizer assim, dando algo de si pro Brasil, trabalhando em prol do crescimento do Brasil. É a pessoa tem de se orgulhar pelo que está fazendo. Porque muitas vezes "eu estou trabalhando só pra ganhar dinheiro, só pra mim", não, você está trabalhando em prol de terceiros e no futuro do próprio país que você trabalha.
P/1 - Hugo, você percebe o que mudou na Bacia de Campos desde a sua entrada aqui, você poderia me dizer? Voc&e acompanhou esse desenvolvimento da bacia?
R - Como estou aqui na média de 14 anos, eu senti uma evolução na tecnologia dos equipamentos, na preservação do meio ambiente, e na segurança. Esse foi um dos fatores que mais cresceram aqui pra mim foi que a Petrobras esta dando mais ênfase a isso. E eu, certo, estou assim surpreso no que esta acontecendo. Antigamente quando eu cheguei aqui, vou dar um exemplo, a gente descartava lixo no mar há 14 anos atrás a gente queimava o lixo e jogava no mar de qualquer jeito. Mais hoje não a gente tem o trabalho de coleta seletiva. Hoje até uma gota de, antigamente a gente jogava óleo no mar e não estava nem aí, aquela precaução, hoje não, aquela sensibilidade de preservar bastante o meio ambiente. E na área de segurança que a Petrobras está investindo muito porque antigamente era a mais a produção, hoje em dia é primeiro a segurança e depois a produção. Isso foi marcante na empresa.
P/1 - Na área de segurança você já presenciou algum tipo de acidente, ou você mesmo tenha vivenciado?
R - Já uns três acidentes. Com colegas nossos fazendo o trabalho mesmo, trabalhando na perfuração mesmo, houve vários acidentes mais o que eu já presenciei foi uns dois mesmos. Um colega que quebrou o pé, certo? Excesso de material na área, passava pelo local e tropeçava e se machucar certo? E outro foi acidente por lixadeira, eu tava passando perto de uma máquina de sala de solda, com uma lixadeira. A lixadeira escapuliu e deu um recolchete e aí chegou a cortar o punho mais isso tem uns 3, 4 anos que eu presenciei. Mais foi bem atendido pelo serviço médico que tem a bordo.
P/1- Hugo você quer falar alguma coisa que você não tenha registrado, alguma coisa que tenha escapado...
R - Pra mim ta bom. Mais o que eu quero mesmo divulgar é esclarecendo. Eu queria pedir mais para o pessoal que anda nessas áreas de risco pra ter mais cuidado, cuidado para preservar sua vida, a sua integridade física que isso é importante pra gente e também e porque como diz o ditado não só nós queremos estar bem e sim nossos próprios familiares quer também que a gente chegue como saiu de casa sã e salvo querendo voltar intacto e livre de qualquer acidente que venha a acontecer.
P/1- E pra terminar Hugo o que você acha de estar participando de um projeto como o nosso, de estar contando a história das pessoas e também da Petrobras a partir da memória mesmo das pessoas que trabalham aqui.
R - É um bom projeto que você vem até recapitular o passado de como era a Petrobras antes e como é a Petrobras hoje. A maneira como os funcionários trabalhavam, como ta trabalhando hoje. Acho que como foi mudado a tecnologia, como era antigamente, como era no passado e como é no presente e como vai ser no futuro então é um projeto bastante interessante.
P/1- Ta bom Hugo, obrigado.
R - Ok, a disposição.
Dúvidas:
Interinidade
Pu(?)
Serveira
T(?)
Hotelaria (?)
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