Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de César Cabral Netto
Entrevistado por Márcia de Paiva
Brasília, 09/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB570
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – A gente tem um roteirinho básico, que vamos fazendo como se fosse uma conversa, bem simples...
R – Tá certo.
P/1 - ... e tentando acompanhar um pouquinho da sua trajetória, do seu trabalho, na BR.
R – Tá ok.
P/1 – Você é da BR, né?
R – Sim.
P/1 – Porque a gente também pegou um pouquinho de todo mundo, né, da Transpetro, algumas pessoas lá de Senador Canedo, deu para pegar um tiquinho...
R – Vocês foram lá também ou veio todo mundo aqui?
P/1 – As pessoas vieram para cá.
R – As pessoas vieram aqui.
P/1 – É mais simples, né?
R – Tá certo.
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar a entrevista, pedindo que você diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é César Cabral Netto, eu nasci em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 8 de janeiro de 1961.
P/1 – César, qual é a sua formação?
R – Eu sou engenheiro industrial, modalidade mecânica.
P/1 – E você pode nos contar como foi seu ingresso na Petrobras?
R – Eu entrei na Petrobras em dezembro de 1986, né, entrei de uma forma... eu trabalhava em uma empresa, eu tinha um ano e pouco de trabalho, tinha formado em São Paulo, vim para Brasília, já trabalhava como engenheiro, mas procurando emprego, né? E um dia eu recebi um telefonema, estava se fazendo uma seleção; antigamente a seleção era regional aqui, um telefone da Petrobras, chamando para uma entrevista, para entrevista assim, para teste, para... E eu até no início nem acreditei, falei: “Ah, tão fazendo ora com a minha cara.” Não acreditei, até conversei, até a pessoa que me telefonou, que hoje em dia continua sendo uma grande amiga, porque na época já trabalhava lá, dei uma dura assim, no telefone, eu falei: “ Oh, eu...
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Depoimento de César Cabral Netto
Entrevistado por Márcia de Paiva
Brasília, 09/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB570
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – A gente tem um roteirinho básico, que vamos fazendo como se fosse uma conversa, bem simples...
R – Tá certo.
P/1 - ... e tentando acompanhar um pouquinho da sua trajetória, do seu trabalho, na BR.
R – Tá ok.
P/1 – Você é da BR, né?
R – Sim.
P/1 – Porque a gente também pegou um pouquinho de todo mundo, né, da Transpetro, algumas pessoas lá de Senador Canedo, deu para pegar um tiquinho...
R – Vocês foram lá também ou veio todo mundo aqui?
P/1 – As pessoas vieram para cá.
R – As pessoas vieram aqui.
P/1 – É mais simples, né?
R – Tá certo.
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar a entrevista, pedindo que você diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é César Cabral Netto, eu nasci em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 8 de janeiro de 1961.
P/1 – César, qual é a sua formação?
R – Eu sou engenheiro industrial, modalidade mecânica.
P/1 – E você pode nos contar como foi seu ingresso na Petrobras?
R – Eu entrei na Petrobras em dezembro de 1986, né, entrei de uma forma... eu trabalhava em uma empresa, eu tinha um ano e pouco de trabalho, tinha formado em São Paulo, vim para Brasília, já trabalhava como engenheiro, mas procurando emprego, né? E um dia eu recebi um telefonema, estava se fazendo uma seleção; antigamente a seleção era regional aqui, um telefone da Petrobras, chamando para uma entrevista, para entrevista assim, para teste, para... E eu até no início nem acreditei, falei: “Ah, tão fazendo ora com a minha cara.” Não acreditei, até conversei, até a pessoa que me telefonou, que hoje em dia continua sendo uma grande amiga, porque na época já trabalhava lá, dei uma dura assim, no telefone, eu falei: “ Oh, eu acho que o negócio é sério, deixa eu ir lá.” Aí eu vim na data, fiz a entrevista na época com o gerente, teve um processo de seleção e eu entrei, comecei a trabalhar em dezembro de 86. Na gerência, na época, era setor de vendas, em Brasília, da BR, na área consumidora que atende grandes clientes consumidores, que eram órgãos do Governo, empreiteiras, empresas públicas, empresa de transportes, na parte de suporte técnico, porque eu era engenheiro de assistência técnica de produto, né, e eu desenvolvi, venho desenvolvendo esse produto, esse trabalho por vários anos.
P/1 – E você entrou então, já na BR.
R – Na BR, na função de suporte técnico, aqui em Brasília, inclusive.
P/1 – Conta um pouco das suas atividades atuais.
R – Atualmente, já há uns 3 anos eu sou coordenador do suporte técnico, na gerência regional centro-norte, da BR Distribuidora e coordeno o trabalho de suporte técnico nas três gerências de vendas, ligadas à gerência regional, que fica com sede em Brasília. Então nós temos engenheiros em Manaus, Goiânia, Cuiabá e eu desenvolvo um trabalho articulado com esses engenheiros, montando um plano de trabalho de suporte técnico, a parte técnica do trabalho, né? Então, acompanhamentos de produto em clientes, oferecimento de serviços, que hoje em dia a gente faz, atendimento de reclamações de clientes, desenvolvimento de produtos para clientes...
P/1 – E os clientes são os dos postos?
R – Não.
P/1 – Quem são os clientes?
R – São os grandes clientes consumidores. Então entra, na região norte, principalmente: usinas térmicas, área industrial do pólo industrial de Manaus, empreiteiras; entrava, até o final do ano, empreiteiras, é... usinas térmicas eu já falei, empresas de transporte, não é, e órgãos do governo. Em Cuiabá tem engenheiro também, lá é mais algumas indústrias, da parte agrícola e aqui em Brasília, em Goiânia, que mexe com um pouco de parte agrícola, agroindústria, empresa, principalmente de transporte aqui na região de Brasília, mineração e cimento.
P/1 – César, você pode comentar um pouco, também, para a gente o papel da BR aqui no centro-oeste, essa parte toda da distribuição, no centro do país, a importância desse papel?
R – Eu acho que no centro e principalmente na região norte, vamos dizer, Mato Grosso e região norte, é que mantém todo uma estrutura de atendimento às comunidades, às empresas, aos municípios, né? Você atende empresas, as mais variadas empresas, a parte da distribuição, fornecimento de produtos, entregas, na região norte, principalmente, toda logística é hidroviária, né, transporte de produto pelo rio através de balsas para entregar para as usinas térmicas, em toda região norte, lá no Amazonas, no Pará e que outras empresas não tem essa estrutura, a BR tem essa estrutura, não é, de armazenagem e transporte, para atender a necessidade de cada município desse que tem na região norte, que demora muitas vezes 20, 30 dias para se chegar a uma usina dessa. Então, em algumas regiões, é fundamental essa... essa participação. E aqui na região a gente mantém; todas as regiões, senão a maior parte do mercado, a líder do mercado, mas muito próximo, dividindo a liderança com outras empresas, em cada uma dessas regiões. Se não é a líder, está dividindo a liderança com outras empresas. Uma participação representativa em todos esses segmentos.
P/1 - A conquista dessa liderança você também poderia comentar um pouco, foi um planejamento, como é que vocês foram conquistando, que parece que já é líder, né?
R – É, sim.
P/1 - ...já algum tempo. E eu até gostaria de entender, porque teve uma certa discussão, né, sobre a Petrobras manter a distribuição ou não. O que que você poderia nos contar?
R – Eu acho que a liderança foi conseguida com dois aspectos principais, que eu diria: uma, com a estrutura de base e depósito que a Petrobras tem em todo Brasil e na região centro-norte mais ainda; base e depósito é a garantia de suprimento de produtos para os clientes, né, devido às distâncias, você está aqui a 1000 quilômetros de uma refinaria, 700 quilômetros de uma refinaria, né, então você tem, é... não é assim, você não entrega produto (tleke - estalo de dedos) assim, como tem região sudeste e sul. Então, esses depósitos, essas bases, trazem para os nossos clientes uma sensação de confiança, de tranqüilidade maior, do que outras empresas que não tinham essa estrutura montada na região. E segundo, o trabalho, né, que vem sendo feito ao longo de muitos anos, de toda a equipe, né, das equipes comerciais, equipe técnica, de visita aos clientes, acompanhamento, de estar atendendo aos clientes, estar se aproximando a cada dia mais, né, que à medida que a concorrência aumenta, essa quebra no monopólio, a mudança de perfil dos clientes, que hoje em dia é mais preço; antigamente... do que só qualidade, um trabalho desenvolvido, um acompanhamento sistemático dos clientes, isso fez com que a gente hoje em dia possa tá mantendo ou alcançando cada dia mais essa liderança, né, então, esse trabalho é muito importante. A disposição, eu diria assim, a renovação; não é renovação só, pessoas novas, mas a renovação das próprias pessoas que estão aí, conseguindo se renovar e fazer o seu trabalho cada vez melhor.
P/1 – Isso ainda está dentro do planejamento da BR, né?
R – Sim, dentro do planejamento da BR ela busca ser líder do mercado em todos os segmentos que ela atua. Então, isso vem sendo perseguido, vamos dizer assim, diariamente, por todas as equipes.
P/1 – Uma outra questão também, do planejamento da BR e eu gostaria de entender um pouco mais, é a entrada da BR no setor energético, né, que existe esse planejamento de construção de 13 pequenas centrais hidroelétricas. Poderia comentar um pouquinho isso, é a BR acompanhando também a mudança de perfil da própria Petrobras, de se transformar numa empresa de energia?
R – Eu acho que a. é. vamos dizer assim, eu não posso falar pelas 13, eu posso falar pelo que existe na minha região.
P/1 – Hum, hum.
R – Então na região norte, lá... principalmente em 2004 para 2005, a Petrobras entrou nos leilões de energia e hoje em dia ela é também uma produtora de energia, ela faz usinas térmicas. Mas especificamente foram cinco usinas térmicas, das quais quatro praticamente nós somos sócios, então a BR entrou num empreendimento como sócia na montagem do empreendimento, através da gerência de soluções energéticas e a gerência de grandes consumidores entrou como fornecedora de produto dos combustíveis para essas usinas térmicas. Então nós montamos toda uma instalação operacional de recebimento, armazenamento de produto, a gente opera essa parte de produto e fornece para a própria usina térmica, né, já o, praticamento o tanque de serviço que vai ser utilizado nos motores.
P/1 – E essa central é aonde?
R - São usinas... tem cinco novas usinas; em Manaus, né, que a gente vem atuando desde 2005, que foram... iniciaram o seu funcionamento de janeiro a dezembro de 2005, janeiro, março, julho, agosto, outubro e dezembro, do qual é, quatro, das cinco, praticamente a Petrobras é sócia por um lado e fornecedora de combustível por outro e opera essas instalações. Então, é uma mudança de atividade, não só fornecer... mudança de atividade de vários aspectos: uma, ela se tornou sócia do empreendimento, então não é só a distribuição de combustível; esse é um aspecto que ela também vai ter a sua... buscar o seu lucro, o segundo é fornecer o produto e terceiro operar as instalações dentro das instalações do cliente. Então, também uma prestadora de serviços. É um leque de atividades que há, vamos dizer assim, um tempo atrás não se realizavam, né, porque é uma renovação, uma mudança, uma ampliação do escopo de produtos que a Petrobras e os serviços que a Petrobras realiza.
P/1 – E da BR também, né?
R – Da BR, é, da BR.
P/1 – A BR ... essa parte da operação que você estava falando, isso está ligado ao seu trabalho?
R – Está ligado.
P/1 – Você pode falar um pouco mais, como é que é essa operação?
R – Ela tinha o trabalho; esse trabalho operacional, basicamente, antigamente era realizado na bases da Petrobras. Hoje em dia nós realizamos para os nossos clientes, o cliente se dedica ao foco dele, ao negócio dele e a parte de recebimento de produto, controle de estoque e o abastecimento; abastecimento do equipamento a BR é que faz com uma equipe dela, contratada por ela e o cliente foca no negócio dele; nesse caso da térmica, especificamente a geração de energia, manutenção dos seus equipamentos. Toda parte de recebimento de produto, estocagem, controle de estoque, movimentação do produto, controle de qualidade e entrega é feito pela BR, através de uma equipe contratada para isso. Claro que isso está embutido na margem do produto, né, que a Petrobras está fornecendo. Está certo? Isso é uma forma de... entendo isso como... amplia o escopo, fidelizada o cliente e presta um serviço adicional ao cliente, que muitas vezes retém o cliente na... nesse caso especificamente, ele é sócio, mas tem outros clientes que também se desenvolvem, você cria uma forma de reter o cliente com maior segurança, né, vamos dizer assim, manter o cliente na carteira.
P/1 – Hum, hum.
R – Que antes de ele sair, ele tem que pensar: “ – Pô, mas como é que eu vou fazer essa atividade que eu não fazia antes?”
P/1 – E para eu continuar tentando entender mais um pouco, você falou em cinco...
R – Usinas térmicas.
P/1 - ...usinas, né, em Manaus?
R – Em Manaus.
P/1 – As cinco...
R – Basicamente em Manaus.
P/1 – As cinco, todas em Manaus, né?
R – Em Manaus.
P/1 – Desse planejamento, falam em 13 que construíram, elas já estão, mais ou menos, em constru... essas de Manaus já estão prontas?
R – Já estão prontas e a última partiu em dezembro de 2006, essas já estão prontas e em funcionamento. Existem outras que... que, em outras regiões, eu não tenho esses detalhes todos.
P/1 – E para aqui para o centro-oeste e para o norte em planos de expansão também de continuar essa expansão?
R – Tem leilões de energia ocorrendo aí, que vão ocorrer ao longo de 2007 e a Petrobras já entrou pra tanto quanto... tanto como, é... fornecedora de produtos, quanto é... é.... vamos dizer assim, entrando num empreendimento também. Então, ela pode ganhar o leilão e entrar no empreendimento como sócia de um empreendimento ou, se não ganhar, mas apresentando também proposta de fornecimento para os candidatos que estão nesses leilões. Então tem essas duas possibilidades.
P/1 – E, desde que você entrou, César, isso também é uma pergunta meio básica, que funciona em vários setores. Desde que você entrou, até hoje, qual foi a grande mudança que você sentiu na empresa.
R – Eu digo uma, uma mudança de mentalidade, né? Há uns anos atrás quando eu entrei, você tinha a sensação assim, de que “agora a vida estava resolvida”. Você vai toda... Hoje em dia o nível de competitividade, qualidade de serviço, de concorrência no mercado, faz com que cada um de nós cada dia tenha que se desdobrar mais, estar centralizando, estar se desdobrando, tá, vamos dizer, descobrindo novas possibilidades para manter o cliente, então é um exercício diário que antigamente você não tinha um..., ou melhor, essa preocupação, essa concorrência ou esse... não, hoje em dia todas as empresas... a gente faz isso porque o mercado está aí e está exigindo da gente isso. Então você tem mentalidade disso, você tem... passou a ter metas muito mais, um acompanhamento, a empresa se reestruturou no nível de informação, hoje em dia o nível de informação, de número de vendas, de tudo é muito mais preciso, que antigamente não era, então se modernizou muito nessa parte de estrutura toda e aí esses números muito mais transparentes, você tem que dar resultados, você é cobrado muito mais; eu diria cobrado e disso tem um lado positivo, né, você tem que desdobrar, a empresa está mais ágil, a empresa está buscando estar no mercado de uma forma manter a sua participação e ganhar... Eu acho isso uma renovação muito grande, eu sinto assim na área que eu trabalho, aqui em Brasília, com as pessoas que eu trabalho, as pessoas é, a disposição das pessoas, comprometimento dessas pessoas, eu sinto isso muito mais visível, né?
P/1 – O seu trabalho também mudou, né, porque essa parte toda até das hidroelétricas de centrais é uma novidade para a própria empresa.
R – É inicialmente o meu trabalho...
P/1 – Como é que foi a adaptação também, ou não era tão complicado, isso é uma adaptação...
R – Meu trabalho aqui numa fase inicial ele ia muito na parte de lubrificantes, malha industrial de mineração e transporte, combustível praticamente você não tinha demanda e agora com essa parte dessas usinas térmicas que nós temos é muita demanda na parte de combustíveis, né, qualidade de combustível, acompanhamento, desenvolvimento de combustível, vamos dizer assim, então, isso mudou, tem que aprender a buscar partes novas...
P/1 – Vocês precisaram também fazer curso ou....?
R – Muitos deles internos, informações, formação, um pouco o pessoal da Petrobras que tem muita experiência nessa parte, aprendizado, com qualidade do produto, características, o que que os itens da especificação podem interferir no funcionamento de determinados equipamentos, então, não necessariamente cursos formais, mas uma prioridade nos contatos com as pessoas: com o Cenpes, com a Petrobras na parte de abastecimento, com a própria BR.
P/1 – Já é uma detentora de tecnologia?
R – Que é uma detentora de tecnologia. Você tem um acervo técnico enorme dentro do sistema, né? E com essa movimentação toda você tem a necessidade de se aproximar e trocar informação com essas pessoas. Esse é um ganho muito grande.
P/1 - E, mais assim, em relação a própria região; eu são sei se eu cheguei a perguntar, mas a própria presença dela aqui, para a região mesmo, para o norte, ali, tanto da BR como dessas centrais, o que que você percebeu do impacto para a região.
R – Na região norte a presença da BR sempre significativa, até pelas distâncias, pela estrutura, pela ausência de uma concorrência tão, tão... então era que que garantia de suprimento para essas regiões mais longes, né? Mas você vem sentindo o crescimento, principalmente em Manaus, crescimento industrial, crescimento econômico de Manaus, a presença nossa lá garantindo fornecimento, fazendo esses trabalhos técnicos, pessoal da atividade comercial estando atrás é importante para a região, eu acho que é muito importante isso. A região centro-oeste, com esse crescimento da agricultura que hoje, alguns anos atrás que deu uma balançada, mas que agora está, parece que está começando a retomar, é importante isso, então, a gente está acompanhando isso, está participando de alguma forma. Obras, usinas hidroelétricas, essa parte de infra-estrutura, né, usina hidroelétrica que teve no Tocantins, que a gente participou dessas grandes obras com o fornecimento de combustível, lubrificantes, acompanhando as obras, é um negócio importante. Quando você vê nesses consórcios grandes, nessas obras grandes, parece que eles sentem... a gente tem uma facilidade para fornecer aquele... não é que isso garanta, mas pela estrutura, pela imagem que o sistema Petrobras tem no mercado, isso facilita a gente estar concorrendo, muitas vezes ganhando esse negócio aí, independente do preço, que a concorrência de preço é cada dia mais forte, mas pela estrutura, pela imagem que a empresa tem, num empate, a gente muitas vezes tem empate de preço, a gente tem a preferência pela estrutura, pela condição de atendimento que a gente tem.
P/1 – Você costuma viajar, você citou Manaus, né, e acompanhar também o crescimento dessas comunidades que a BR está presente?
R – Eu tenho viajado muito. Manaus eu passava, ano passado, pelo menos uma semana por mês, em Manaus, quando não ia uma ou duas semanas por mês lá. Porto Velho, Belém, às vezes Macapá, não é, interior de Goiás, aqui, ao Rio, muita vezes uma, Petrobras, até relacionamento com a Petrobras, reuniões com a Petrobras, quando ia na própria BR, eu tenho viajado muito, viajo regularmente.
P/1 – Você saberia me contar alguma coisa também relacionamento da BR com essa comunidades que ela se relaciona, algum projeto social, que você tenha conhecimento?
R – Não, nas comunidades assim, mais distantes eu não tenho, só de informação assim.
P/1 – Tudo bem...
R – Nós fizemos ao longo do ano passado um trabalho, desenvolvido pelos gerentes de consumidores, que é um seminário de responsabilidade social. Então nós convidamos clientes nossos que desenvolvem trabalhos de responsabilidade social em várias regiões, quer dizer, na nossa região aqui, nós pegamos Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, convidamos essas empresas para trabalhar, para apresentar o trabalho dela. Então, através dos nossos clientes a gente interage assim, conhece os trabalhos que eles realizam na comunidade. E foi uma reunião muito interessante de trazer essas empresas, mostrar os trabalhos de responsabilidade social, atividade social que eles desenvolvem em cidades do interior: Minaçu, um cliente, no interior do Mato Grosso, é muito interessante esse trabalho que tem. Cria esse vínculo não só de venda de produtos, mas trazer, valorizando esses trabalhos que esses nossos clientes fazem na comunidade, acho que também é uma forma de divulgar... isso foi um trabalho desenvolvido junto com a Federação de Indústrias, foi publicado na revista Federação de Indústrias, então, toda uma parcela de pessoas, uma parcela muito maior tomou conhecimento desse trabalho, o pouco trabalho que a Petrobras faz, que vem alguém da Petrobras e que os nossos clientes desenvolvem nas comunidades.
P/1 – César, eu também gostaria de saber se você teria, desse seu tempo de trabalho, alguma história para nos contar, pode ser uma história engraçada, uma história inusitada que tenha ocorrido durante esses seus anos aqui na Petrobras?
R – Se a gente for...
P/1 – Uma história que te marcou...
R – Se a gente for buscar na memória a gente é capaz de ir recordando uma série de histórias. Mas eu acho que tenho duas histórias assim, que me marcaram, uma, que foi até essa obra que eu falei, uma usina hidroelétrica lá no Tocantins, Lageado, em Lageado lá, que a gente foi lá desde o início da obra, a gente negociando aqui na época de copa do mundo, jogo de copa do mundo, todo mundo descansando e a gente aqui fazendo proposta, mandando para o cliente no interior do Tocantins, ele respondendo, no meio de um jogo de copa do mundo, televisão ligada (riso) e a gente aqui terminando proposta, mandando pelo fax, todo mundo, né, escutando os fogos e a gente aqui trabalhando, conquistamos o negócio, entrava uma parte comercial e uma parte técnica a gente trabalhando junto, e a visita, você visitar essas localidades, esses.... você vê, eu fui nesses locais desde quando estava assim, instalando o canteiro de obra, que tinha um container com palha de coqueiro em cima, sabe assim, desmatando o negócio, e você ia acompanhando todo o desenrolar da obra até a obra ser concluída, você vê aquela barragem enorme, a usina hidroelétrica funcionar, você chegar em um restaurante e você vê 3, 4 mil pessoas no interior, no fim do mundo, todo mundo trabalhando assim, eu acho, para mim... eu tenho muita satisfação disso, de poder ver essas coisas no meu trabalho. Isso é....
P/1 – Era mais ou menos o que eu tinha tentado perguntar antes. Do impacto nessas regiões...
R – É, de ver isso acontecer, um impacto desses projetos de... Algumas minerações que você vai no interior aqui, de Goiás, Niquelândia, que você vê lá estruturas enormes, muita gente trabalhando, gente muito bem preparada, lá, no seu dia-a-dia você ter oportunidade de conhecer isso, visitar esses negócios, é você viver onde o Brasil acontece, né, que são as pessoas com seu trabalho diário que fazem tudo isso que a gente... E outra que numa dessas viagens, é... até para Niquelândia, numa época de chuva muito grande, estava eu e um outro colega, o Jarbas, que a gente ia visitar um cliente e aproveitar ver uma obra de um tanque num outro cliente. E tinha uma estrada de terra, a estrada original é dando uma volta pela Belém-Brasília e tinha essa estrada que é um atalho muito grande, só que tinha 30 quilômetros de terra, estava chovendo enormemente. Nessa estrada passava também caminhão de óleo combustível e a gente vinha, chovendo, tal, atolou um caminhão de óleo-combustível e sobrou um cantinho da estrada assim, onde passavam os carros; 10 quilômetros dos 35 de terra, com 10 quilômetros parou tudo. E aí, onde passava, atolava. Então, nós fomos ajudar os carros que estavam lá para passar, para a gente passar, só que faltava mais 40, 30 ou 40 quilômetros de terra pela frente. Se ali já estava atolando daquele jeito, então nós íamos ajudando os carros a ir, passar, desatolar um monte de gente, sujamos de lama até onde não podia mais, né, todo sujo de lama e perguntamos para as pessoas: “Como é que está a estrada aí para frente?”, ele: “- Não, tá ruim, num tá boa, num passa, não sei o quê...” Eu falei: “Bom, então vamos voltar e dar a volta pelo outro caminho, que você pega uma estrada de terra que parece que não está tão ruim.” Nessa estrada quase que eu passei dentro de um riacho, quer dizer, o que era para ser só um filete de água, choveu tanto que estava um riacho. Eu passei com o carro, lá na frente, quando eu já estou chegando na cidade, cento e poucos quilômetros depois, eu estou na Polícia Rodoviária Estadual lá, ele me pára: “- O senhor está sem a placa do seu carro.” Eu falei: “Sem a placa do meu carro?”, ele queria já me multar, aí, quando eu desci do carro que ele viu, eu já estava com a calça aqui suja de barro, completa, só empurrando o carro; eu mesmo não atolei não, que ele viu o jeito que eu estava, eu falei: “Oh, isso aí foi na estrada de terra, passamos no riacho, no riacho é que foi onde levou a placa do carro, estava solta...” Então tem foto disso, isso foi assim uma lembrança muito, né? E outras viagens que você se perde no interior, em estrada de terra, no meio de reflorestamento, visitando, são lembranças que você tem desses negócios aí, que...
P/1 – Acaba sendo assim, meio que uma aventura.
R – É, tem um lado de aventura também, nisso.
P/1 – Acompanhar, né, todos esses lugares, lugarejos, né?
R – É.
P/1 – César, tem alguma coisa que eu não perguntei e que você gostaria de deixar registrado também, ou que você pudesse acrescentar à nossa entrevista?
R – Eu acho esse... fazer um comentário, disso que você falou de renovação, não é, que eu acho que eu comentei alguma coisa, mas eu acho que o processo de renovação, de capacitação das pessoas, a mudança de mentalidade; porque às vezes as pessoas acham que a Petrobras é uma empresa pública e é funcionário público, né? O que se vê o nível de trabalho, que a gente concorre com as in... a BR, né, principalmente, concorre com todas outras distribuidoras aí do mercado, então você vê a atenção hoje em dia do desenvolvimento das pessoas, o comprometimento, a renovação disso, cada dia você tem que se aperfeiçoar, eu acho uma mudança grande e não é que se mudou, como eu lhe falei, não se mudaram todas as pessoas, algumas pessoas mudaram, mas as pessoas também mudaram muito a sua mentalidade, vê que tinha que trabalhar de outra forma e correr atrás do trabalho dela e melhorar a sua... eu acho isso uma evolução muito grande, eu acho isso... E, eu diria, da minha parte, esse sistema de você poder estar dentro de uma usina hidroelétrica, dentro de uma usina térmica, de hidromineração, acompanhar esses projetos, às vezes fazer um projeto pequenininho, ver isso crescendo ano-a-ano e se tornando... daí você participando de alguma forma disso, para mim, particularmente... e estando em contato com essas pessoas mais variadas, dos mais diversos lugares, eu vejo isso uma oportunidade que muitas pessoas não tem no seu trabalho, mas para mim me satisfaz muito poder participar disso.
P/1 – Quem é da BR também se sente petroleiro?
R – Eu vejo que algum tempo atrás a Petrobras era mais distante. Hoje em dia eu sinto uma, uma aproximação, a gente já não vê tão distante, eu tenho quase que relacionamento diário com o pessoal da Petrobras que seja da Refinaria de Manaus, que seja do pessoal do Abast, do Rio de Janeiro, sabe assim? Então, hoje em dia quase que você tem um relacionamento muito mais próximo, tá muito mais interligado, muito mais interdependente. Talvez você não se sinta petroleiro por completo, mas já está bem mais próximo, não é?
P/1 – Mas a BR tinha alguma coisa assim, como ser petroleiro, ou não?
R – Não, não. Eu sentia muito mais a distância talvez, da Petrobras com a gente, do que a que a gente com a Petrobras, entendeu, com petroleiro, propriamente dito. E hoje em dia isso vem, cada dia mais uma dependendo mais do outro e a gente tem que se juntar para fazer um bom trabalho. Então, eu acho muito positiva essa aproximação da... né?
P/1 – César, a gente está acabando a nossa entrevista e eu só gostaria de te perguntar ainda por último, o que que você achou de ter participado da entrevista e ter contribuído com o Projeto Memória?
R – Eu acho que é importante essa memória, ter esses depoimentos, poder arquivar; eu sei que tem muita gente aí que tem muitas histórias para contar, eu acho que é muito positivo manter isso. Como diz, a gente não tem muito esse costume por aqui, você guarda muitas vezes as histórias com você e reparte muito pouco elas, e acho que essas histórias poderiam alcançar um número maior de pessoas, pessoas fazerem idéia do que a gente faz nas mais diversas regiões, né, é interessante, que as pessoas muitas vezes não faz idéia do que se faz na BR ou de que algumas pessoas... do que algumas pessoas da BR, ou algumas atividades, algumas funções, fazem dentro da BR. Então eu acho isso muito positivo.
P/1 – César, eu gostaria de agradecer a sua participação, sua gentileza de ter vindo até aqui falar um pouquinho.
R – Também eu agradeço a oportunidade de poder participar, para mim é também uma satisfação.
P/1 – Muito obrigada.
R – Tá ok.
(Fim da fita MpetCBBR- nº 21)
Recolher

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