Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Alberto de Carvalho
Entrevistado por Eliana Santos
Madre de Deus 8/10/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista Mpet/TMadre 018
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde.
R- Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar essa entrevista que o senhor nos falasse o seu nome completo, data e local de nascimento.
R – O meu nome completo é Alberto Carlos Fonseca de Carvalho, nasci em 27/09/1965.
P/1 – O senhor pode contar para a gente como é que foi a sua entrada na Petrobras e como foi?
R – Bom, em fevereiro de 84 eu estava concluindo a Escola Técnica, eu tinha feito um curso técnico em eletrônica e precisava arrumar um estágio e o pessoal da escola indicou a Petrobras como um bom campo e que eu viesse aqui, ao terminal de Madre de Deus. E eu então, não tinha a menor idéia de onde ficava a Madre de Deus, fui à rodoviária, peguei um ônibus e vim para cá. Já vim no final do expediente, já cheguei com tudo quase fechado, acabei fazendo uma entrevista, acabei começando aqui como estagiário, estagiário na instrumentação. É... 3, 4 meses de estágio, houve um concurso para operadores, o pessoal do setor de treinamento inscreveu todos os estagiários na época, automaticamente nós fizemos uma prova, passamos no concurso e fizemos um curso de formação, 1o de novembro de 84 eu comecei a trabalhar como operador de terminal.
P/1 – O senhor pode contar para a gente como que foi essa passagem nesses setores, como é o seu trabalho?
R – Bom, posso falar de uma coisa bem curiosa que aconteceu nesse intervalo, na chegada para o terminal de Madre de Deus. Na minha infância eu vinha sempre pescar em Madre de Deus, né, pescar e não tinha a menor idéia que, aquele local que eu ficava do lado, que via os tanques, que via o símbolo da Petrobras, que era o terminal de Madre de Deus. Então, quando eu cheguei aqui, que eu vi o logotipo e reconheci, 10, 12 anos depois da época que eu...
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Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Alberto de Carvalho
Entrevistado por Eliana Santos
Madre de Deus 8/10/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista Mpet/TMadre 018
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde.
R- Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar essa entrevista que o senhor nos falasse o seu nome completo, data e local de nascimento.
R – O meu nome completo é Alberto Carlos Fonseca de Carvalho, nasci em 27/09/1965.
P/1 – O senhor pode contar para a gente como é que foi a sua entrada na Petrobras e como foi?
R – Bom, em fevereiro de 84 eu estava concluindo a Escola Técnica, eu tinha feito um curso técnico em eletrônica e precisava arrumar um estágio e o pessoal da escola indicou a Petrobras como um bom campo e que eu viesse aqui, ao terminal de Madre de Deus. E eu então, não tinha a menor idéia de onde ficava a Madre de Deus, fui à rodoviária, peguei um ônibus e vim para cá. Já vim no final do expediente, já cheguei com tudo quase fechado, acabei fazendo uma entrevista, acabei começando aqui como estagiário, estagiário na instrumentação. É... 3, 4 meses de estágio, houve um concurso para operadores, o pessoal do setor de treinamento inscreveu todos os estagiários na época, automaticamente nós fizemos uma prova, passamos no concurso e fizemos um curso de formação, 1o de novembro de 84 eu comecei a trabalhar como operador de terminal.
P/1 – O senhor pode contar para a gente como que foi essa passagem nesses setores, como é o seu trabalho?
R – Bom, posso falar de uma coisa bem curiosa que aconteceu nesse intervalo, na chegada para o terminal de Madre de Deus. Na minha infância eu vinha sempre pescar em Madre de Deus, né, pescar e não tinha a menor idéia que, aquele local que eu ficava do lado, que via os tanques, que via o símbolo da Petrobras, que era o terminal de Madre de Deus. Então, quando eu cheguei aqui, que eu vi o logotipo e reconheci, 10, 12 anos depois da época que eu pescava aqui, há um lugar que, “pombas”, eu nunca imaginei que ia trabalhar no lugar que como esse, exatamente no lugar que eu pescava, me lembro muito disso porque foi muito curioso eu chegar no... o ônibus fazer a curva e eu chegar no lugar que eu, “pô”, vinha a infância inteira pescar na ponte aí, em Madre de Deus, e não sabia aonde é que estava. Mas, eu comecei em 84 trabalhando como operador de utilidades, eu trabalhava na caldeira aqui do terminal, passei um ano trabalhando entre caldeiras e derivados, depois eu trabalhei... eu fui para o parque de GLP (gás liquefeito de petróleo), trabalhei no parque de GLP 9 anos, fui promovido a operador II, mas acabei voltando para o parque de derivados, que é o parque onde tem o píer, trabalhei mais 9 anos lá, fui operador II, supervisor de turno, depois passei a trabalhar com qualidade, responsável por auditorias e por fim, em 2003 eu fui convidado pelo gerente do terminal para ser o coordenador do parque de GLP, que tinha sido onde eu, praticamente, iniciei minha carreira profissional na empresa. Então, foi uma coisa muito gratificante voltar e poder implementar aquelas idéias que a gente passa o tempo todo pensando: “Pô, mas se eu fosse o chefe eu podia fazer desse jeito.” Então, eu tive a chance de chegar lá e poder implementar as minhas idéias.
P/1 – E o que é o GLP?
R – GLP é o gás liquefeito de petróleo, né, é uma sigla, é o gás de cozinha, né, a gente, na realidade, não carrega botijões, a gente carrega em grandes tanques, a gente tem grandes tanques, e grandes esferas, grandes volumes, a gente mantém estocados, na produção da Refinaria Landulpho Alves.
P/1 – Conta pra gente que não conhece muito, como que se dá esse seu trabalho, principalmente agora, estando na... ?
R – Para explicar um pouquinho mais o que é o GLP, no processamento do petróleo pela Refinaria Landulpho Alves, os derivados mais leves, os gases são separados e são estocados em esferas, porque se estiverem num vaso aberto eles se evaporam. Então, da refinaria eles bombeiam para a gente, a gente então tem função de tirar toda a água do produto e resfriar. A gente resfria o GLP para que ele possa ser estocado a uma pressão bem baixa. Trabalhamos desse jeito e quando e navio chega, a gente carrega o navio e transfere para o norte, nordeste, para o sul, né, abastecendo o mercado. Então, basicamente a gente trabalha para garantir o escoamento da produção da refinaria e basicamente é isso, né, carregando os navios, recebendo, transferindo produtos.
P/1 – E nesse todo de empresa você tem alguma história marcante que você tenha vivido, ou engraçada que você queira contar para a gente?
R – É, tem uma história que não é tão engraçada, mas depois, quando a gente pensa no caso, se torna até curiosa. Eu trabalhava no GLP, e tinha o sujeito que era o chefe na época, era um cara que era muito meu amigo, né, e que a gente tinha uma grande intimidade. Então houve uma greve em 88, 89 e a greve foi daquelas que a instrução era “não opera nada e a gente vai realmente parar tudo” e “as pessoas que estavam dentro não sai e quem está fora não entra”. Nessa greve a gente fez de tudo, né, nós passamos aqui dois, três dias; três ou quatro dias melhor dizendo e a instrução era fazer greve de fome, dificultar a operação. E esse sujeito que era muito meu amigo, ele tinha a responsabilidade de garantir que ia operar. Então a gente fazia toda pressão psicológica possível no sujeito: “- Olha, essa bomba vai cair; você vai ter problemas; a pressão vai subir; vai abrir a PSV, vai queimar... você está enrascado.”, a gente fez tanta pressão nesse sujeito que ele chegou para mim e a primeira vez que eu o vi irritado com qualquer coisa, ele chegou para mim e olhou muito sério e fez: “- Olha, Alberto, enquanto eu estiver aqui você não vai ser promovido para nada, você não vai sair... não vai fazer mais nada.” Isso aí naquela época me marcou, porque veio de um amigo, né, é um objetivo comum, todo mundo queria receber um aumento, mas ele, eu percebi que ele tinha passado um pouco do limite e ele depois pediu desculpas e tudo mais, mas isso pediu desculpas alguns meses depois e eu fiquei com a pulga atrás da orelha, né, eu digo: “- Não vai dar certo, né, enquanto esse cara estiver aqui eu tô frito.” Mas, não houve nenhum problema, né, e hoje eu estou aí para contar a história, fui a coordenador, quer dizer, fui promovido e não teve nenhum problema, apesar de nessa greve ter recebido carta de demissão e ter, vamos dizer assim, teoricamente ter sido demitido, né, trabalhando, mas tudo se resolveu.
P/1- E como que foi essa greve, conta um pouquinho para a gente?
R – Essa greve, foi uma das primeiras. Em 83 teve uma greve onde muita gente foi demitida. Então, as greves posteriores eram muito cuidadosas e essa, se não me engano, foi em 89, alguma coisa assim, 87, 89 e foi uma greve muito dura, foi a primeira greve que a gente conseguiu fazer com muito mais força e a última greve não foi tão longa quanto a de 93, 94, né, mas foi uma greve de uns 15 dias e a gente pensava, naquela época, que a gente ia conseguir parar a empresa ao parar o GLP do terminal de Madre de Deus.
P/1 – E não conseguiram?
R – E não conseguimos. Mas, acho que a gente ganhou alguma coisa, não me lembro bem, viu, quanto a gente ganhou, mas valeu a pena, foi uma experiência de vida, experiência profissional, foi interessante.
P/1 – Você é filiado ao sindicato, né?
R – Sim.
P/1 –Tem mais alguma história marcante que você tenha vivido... ?
R – Ah... tem várias histórias, mas...
P/1 – Em relação às lutas sindicais?
R – Em relação às lutas sindicais não tenho outras histórias não, viu, mas podia dizer que eu tenho uma... mudando um pouco do assunto, mas, tem um assunto que eu sempre comento com as pessoas, nem faz muito sentido falar, mas é a questão da gente... Eu gosto muito dessa história da farda, muito da Empresa, muito da Petrobras. Então, eu me amarro muito na história de vestir a farda, né, e de colocar uma farda que tenha o verde e o amarelo, eu acho isso aí um, como é que se diz, acho que não tem uma empresa que tenha uma farda que represente melhor a própria empresa e a responsabilidade de todo mundo, né, eu acho isso muito interessante.
P/1 – Entendo. Como que você a relação do sindicato com a Petrobras hoje e como que você via quando você entrou?
R – Olha, eu acho que a relação antiga era muito marginal, né, o sindicato estava de um lado, a empresa de outro e isso era uma coisa que todo mundo se beneficiava das ações, mas eram coisas que deveriam ser esquecidas e as pessoas evitavam discutir, ir mais profundamente. Mas, eu vi dessa relação na continuidade, um amadurecimento, né, hoje em dia a gente tem uma relação muito favorável, uma participação muito mais forte dos empregados, independente até do fato de ter ou não um sindicato, mas o fato da valorização do empregado, que foi construído, foi obtido pelo sindicato, pelas relações, mas principalmente por um amadurecimento das pessoas, das relações de trabalho. Então eu vejo hoje uma relação muito mais fácil, aberta, até diria promissora, né, então é uma relação muito melhor hoje em dia.
P/1 – Você teria uma outra história que você tenha vivido nesse tempo de empresa, que você gostaria de contar para a gente e registrar algo que tenha marcado?
R – Não, acho que não. Não me ocorre nenhuma aqui assim, que seja realmente tão marcante assim.
P/1 – Nem uma outra que você queira contar?
R – Não, acho que não.
P/1 – Não?
R – Acho que não. Acho que eu já dei um testemunho e tento para quem não pretendia falar nada.(riso)
P/1 – Alberto, você pode falar o que você achou de ter participado dessa entrevista, contribuindo para o projeto Memória Petrobras?
R – Ah... eu achei super interessante. Resisti ao máximo de vir aqui, viu, as luzes e as câmeras e vocês assim, eu não tinha passado por essa experiência, tô aqui com a mão gelada, mas eu li aquele livrinho lá, o almanaque e fiquei pensando, eu digo: “Pô, mas eu perdi uma grande oportunidade de ter escrito alguma coisa e ter participado.” Fiquei com inveja mesmo do pessoal que se dedicou a escrever e fez aquilo ali. Eu achei aquilo muito legal. Então, a chance de eu poder agora registrar o meu ponto de vista, a minha posição, eu acho isso super bacana, acho uma iniciativa muito legal mesmo da empresa.
P/1 – Foi ótimo, muito obrigada então, tá?
R – Ok, obrigado Eliana.
P/1 – Obrigada.
R – Obrigado.
(Fim da fita Mpet/TMadre 018)
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