Quem diria, hein? A moça bonita de Guanhães está fazendo 70 anos. Desde o dia em que o viajante sedutor passou debaixo de sua janela, quanta coisa mudou. Mudou a paisagem, mudaram as caras conhecidas, novos parentes lhe foram acrescentados. Na cidade que passava a ser sua nova terra, novos eram também os costumes, diferente o estilo de vida daquele do berço distante, e tudo fazia com que se acumulassem saudades. Como esquecer o atelier barulhento de Nieta, com as moças atarefadas na máquina de costura ou, com agulha e linha, enredando os caprichosos pontos de arremate que davam crédito aos vestidos da afamada modista? Ou o burburinho de saias, livros e cadernos na saída das aulas da Escola Normal? O café servido aos irmãos, na oficina de selaria, as pescarias nos fins de semana...
Gira mundo e a vida girou. Logo foi o tempo de ver nascerem os filhos e fazê-los crescer, com seus zelos e carinhos. Escadinha de dois, três... cinco endemoniados pirralhos, cobrando cuidados, trazendo atropelos, multiplicando o cansaço pelos dias a fio. Toda a energia foi necessária para segurar a barra, estando ausente o marido nas constantes viagens. Mas para isso, nunca lhe faltou coragem.
Assim se passaram os anos, acumulando os sentimentos e as emoções inseparáveis da aventura de viver. E entre febres e choros, quedas e braços quebrados, namoros, primeiros bailes, formaturas e noivados um quase repentino ver chegarem os netos, esses outros rebentos de sua árvore frondosa.
Nem sempre com tempo para em tudo por tento, a luta constante e dura cobrando caro o seu preço em juventude, em luto e separações: a morte de amigos, a perda do velho companheiro.
Mas alegrias também as houve, e quantas, que também de viver elas são ofício. Principalmente a alegria de poder olhas para três sem arrependimento, e com o coração tranqüilo, o futuro. O futuro a Deus pertence e aos seus olhos da mãe se materializa na multiplicação da família ao seu redor. Sem...
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Quem diria, hein? A moça bonita de Guanhães está fazendo 70 anos. Desde o dia em que o viajante sedutor passou debaixo de sua janela, quanta coisa mudou. Mudou a paisagem, mudaram as caras conhecidas, novos parentes lhe foram acrescentados. Na cidade que passava a ser sua nova terra, novos eram também os costumes, diferente o estilo de vida daquele do berço distante, e tudo fazia com que se acumulassem saudades. Como esquecer o atelier barulhento de Nieta, com as moças atarefadas na máquina de costura ou, com agulha e linha, enredando os caprichosos pontos de arremate que davam crédito aos vestidos da afamada modista? Ou o burburinho de saias, livros e cadernos na saída das aulas da Escola Normal? O café servido aos irmãos, na oficina de selaria, as pescarias nos fins de semana...
Gira mundo e a vida girou. Logo foi o tempo de ver nascerem os filhos e fazê-los crescer, com seus zelos e carinhos. Escadinha de dois, três... cinco endemoniados pirralhos, cobrando cuidados, trazendo atropelos, multiplicando o cansaço pelos dias a fio. Toda a energia foi necessária para segurar a barra, estando ausente o marido nas constantes viagens. Mas para isso, nunca lhe faltou coragem.
Assim se passaram os anos, acumulando os sentimentos e as emoções inseparáveis da aventura de viver. E entre febres e choros, quedas e braços quebrados, namoros, primeiros bailes, formaturas e noivados um quase repentino ver chegarem os netos, esses outros rebentos de sua árvore frondosa.
Nem sempre com tempo para em tudo por tento, a luta constante e dura cobrando caro o seu preço em juventude, em luto e separações: a morte de amigos, a perda do velho companheiro.
Mas alegrias também as houve, e quantas, que também de viver elas são ofício. Principalmente a alegria de poder olhas para três sem arrependimento, e com o coração tranqüilo, o futuro. O futuro a Deus pertence e aos seus olhos da mãe se materializa na multiplicação da família ao seu redor. Sem ponto de partida, nem de chegada, a via assim sem plano traçado vai escorregando pelos olhos de cada um, riozinho que mingua e renasce com persistência das coisas eternas. Por tudo isso, seus setenta e ainda muitos, muitos merecimentos. Que reconhecemos com amor e reverência.
Hoje, todos nós, do mais velho ao mais pequenininho, do mais puro ao mais pecador, queremos chegar mais perto dessa nossa senhora e pedir, humilde e solenemente:
- A bênção, Dona Maria
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