Entrevista de Sandra Gonçalves Moreira de Mello
Entrevistado por Bruna Oliveira (P1) e Nataniel Torres (P2)
São Paulo, 07 de fevereiro de 2026
Projeto A Vida Que Compartilhamos
Entrevista PRE_HV003
Realização Museu da Pessoa
Transcrita por Miriam Allodi
Revista por Nataniel Torres
00:00:23
P1 - Sandra Para começar, eu queria que você começasse se apresentando, dizendo seu nome completo, a data e o local que você nasceu.
R - Certo. Meu nome é Sandra Gonçalves Moreira de Mello, nasci em 21 do dois de 1977, em São Paulo, capital.
00:00:40
P1 - E eu queria saber o nome dos seus pais.
R - Maurício Alves Moreira e Maria de Fátima Gonçalves Moreira.
00:00:49
P1 - Como é que você os descreveria?
R - Eles foram muito. Meu pai, no caso, meu pai já faleceu, veio do Nordeste tentar uma vida melhor em São Paulo, assim como muitas pessoas. E os dois já vieram casados de lá. Os dois são cearenses, e eles batalharam muito para criar as 4 filhas, somos em 4 meninas. Elas são como trabalhadores assim.
00:01:19
P1 - E eles eram de Fortaleza ou não?
R - Minha mãe é de Fortaleza e meu pai é de Caucaia.
P1 - Pertinho, né?
R - Pertinho isso.
00:01:28
P1 - E eles se conheceram lá em Fortaleza?
R - Conheceram lá, se casaram e vieram para São Paulo.
00:01:35
P1 - E todas as irmãs, você e as outras 3 irmãs nasceram aqui em São Paulo?
R - Todos nós nascemos em São Paulo. A minha mãe é costureira e o meu pai era pintor de carros.
00:01:48
P1 - E a vida inteira eles seguiram essas profissões?
R - Sim, a vida inteira eles trabalharam com isso, o meu pai faleceu em 2020, na pandemia, foi bem difícil porque foi bem no comecinho quando estava todo aquele caos. E então, isso.
00:02:05
P1 - E como é que era a relação de vocês e das suas irmãs e qual o nome delas? Mas eu queria saber como era na infância.
R - Tem a Fabiana, que é mais velha que eu e tem a Juliana, que é a próxima e a Sabrina. A relação era boa, nós sempre...
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Entrevistado por Bruna Oliveira (P1) e Nataniel Torres (P2)
São Paulo, 07 de fevereiro de 2026
Projeto A Vida Que Compartilhamos
Entrevista PRE_HV003
Realização Museu da Pessoa
Transcrita por Miriam Allodi
Revista por Nataniel Torres
00:00:23
P1 - Sandra Para começar, eu queria que você começasse se apresentando, dizendo seu nome completo, a data e o local que você nasceu.
R - Certo. Meu nome é Sandra Gonçalves Moreira de Mello, nasci em 21 do dois de 1977, em São Paulo, capital.
00:00:40
P1 - E eu queria saber o nome dos seus pais.
R - Maurício Alves Moreira e Maria de Fátima Gonçalves Moreira.
00:00:49
P1 - Como é que você os descreveria?
R - Eles foram muito. Meu pai, no caso, meu pai já faleceu, veio do Nordeste tentar uma vida melhor em São Paulo, assim como muitas pessoas. E os dois já vieram casados de lá. Os dois são cearenses, e eles batalharam muito para criar as 4 filhas, somos em 4 meninas. Elas são como trabalhadores assim.
00:01:19
P1 - E eles eram de Fortaleza ou não?
R - Minha mãe é de Fortaleza e meu pai é de Caucaia.
P1 - Pertinho, né?
R - Pertinho isso.
00:01:28
P1 - E eles se conheceram lá em Fortaleza?
R - Conheceram lá, se casaram e vieram para São Paulo.
00:01:35
P1 - E todas as irmãs, você e as outras 3 irmãs nasceram aqui em São Paulo?
R - Todos nós nascemos em São Paulo. A minha mãe é costureira e o meu pai era pintor de carros.
00:01:48
P1 - E a vida inteira eles seguiram essas profissões?
R - Sim, a vida inteira eles trabalharam com isso, o meu pai faleceu em 2020, na pandemia, foi bem difícil porque foi bem no comecinho quando estava todo aquele caos. E então, isso.
00:02:05
P1 - E como é que era a relação de vocês e das suas irmãs e qual o nome delas? Mas eu queria saber como era na infância.
R - Tem a Fabiana, que é mais velha que eu e tem a Juliana, que é a próxima e a Sabrina. A relação era boa, nós sempre meio que nos dividimos, eu e a mais velha, porque nós temos diferença de um ano, então a gente era sempre muito grudada, íamos para escola juntos, estávamos juntas e de mim para a Juliana são 5 anos e para a outras mais 2, então as 2 iam juntas para cima e para baixo, sempre andavam juntas; e eu é a mais velha, a gente sempre andava junto para tudo, saía para as festinhas. E é uma relação boa, sempre foi, claro, como toda família, tem alguns atritos assim, mas é uma relação boa no geral.
00:02:59
P1 - E como e onde é que seus pais vieram morar quando eles vieram para São Paulo?
R - Quando eles vieram morar em São Paulo? Acho que eles moraram na Vila das Belezas (ZS) algum tempo, moraram de aluguel, e depois a gente morou em vários locais, porque de aluguel, a gente já morou, que era no Morumbi, mas bem próximo a Paraisópolis, que eu lembro, mas isso eu tinha uns 6 anos de idade, mais ou menos. Eu ainda tenho uma lembrança, um pouco, mas eu ainda lembro. E depois, deve ter sido na época de 1986. Deixa eu fazer as contas, 1986, 1977, 1982, em 1985, nós mudamos para o Parque Santo Antônio, famoso em São Paulo. E nós mudamos para lá e a gente ficou morando lá muito tempo. Minha mãe ainda mora na mesma casa, então meus pais moraram lá a vida toda e nós fomos criadas nesse lugar, que é uma comunidade. E é isso. Todas as minhas irmãs trabalham, trabalhavam, algumas se formaram, mas hoje em dia a gente mora também na Zona Sul. Minha mãe ainda mora nessa casa, tem uma das irmãs que mora lá também, nos fundos da casa, e outra mora com ela agora, porque ela tá mais senhora, então ela mora. Então moram 2 irmãs na verdade, com a minha mãe, e a outra mora próximo, que ela até falou que dá 600 metros, mas em uma outra casa, e eu moro um pouquinho mais longe, acho que não dá nem 2 Km, que é mais ou menos no mesmo bairro, mas eu moro no Morumbi Sul.
00:04:49
P1 - E quando você era pequena, você falou que vocês sempre moraram de aluguel, né? Nesse início sempre foi na Zona Sul?
R - Sempre foi na Zona Sul, sempre. Já teve uma casa na Vila das Belezas, no Campo de Fora também, mas eu era bem pequena, mas sempre na região, porque os pais da minha mãe também moravam aqui na Zona Sul, meus avós maternos, então, era sempre mais ou menos na mesma região, por ali.
00:05:20
P1 - E era isso exatamente que eu ia perguntar se você tinha conhecido os seus avós, tanto paternos quanto maternos.
R - Os maternos, sim, porque quando a gente veio morar, eles moravam em Campo de Fora, então íamos bastante na casa deles, no Natal era sempre na casa deles, então tive bastante contato. Meu avô faleceu em 2019 com 97 anos, cearense, muito, muito forrozeiro. Fazia altas festas na casa dele com sanfona, até hoje eu escuto uma música de forró antiga e eu falo: “Olha a música do meu vô”. Então é assim, muito marcante a presença dele, porque ele ainda era muito lúcido, ele contava histórias da terra dele. E minha avó faleceu já tem uns 30 anos, foi logo depois que eu me casei, quase 30 anos. Ela também era boazinha, mas meu avô era mais conversador, falante, era bem fofo, era muito legal. E os avós paternos, eu tive pouco contato porque depois, quando eu tinha cerca de 5 anos, meu pai resolveu tentar a vida de novo lá na terra dele, nisso já éramos em 3, eu, a mais velha, a Fabiana e a Juliana, que era bebê, essa que tem 5 anos de diferença, ela tinha uns 6 meses. Aí meu pai tentou ir lá para tentar e não deu certo, então a gente morou lá no Ceará, em Caucaia, por uns 6 meses. E foi nesse tempo que eu cheguei a ver meus avós, e depois a gente voltou para cá e eu não cheguei a voltar mais lá. Fiquei 35 anos sem voltar lá na casa deles. E quando eu voltei lá, minha avó já tinha morrido há muitos e muitos anos, e a lembrança que tenho da minha avó é mínima, e do meu avô também, bem pouco assim, e então tivemos pouco contato; e eu voltei lá em 2018, revi os meus tios, a casa, eu me lembro que chegando na cidade, eu olhei e falei: “Vou procurar a casa!” Mas já olhei pra casa, e falei: “É aquela”. Mesmo tendo ido lá com 5 para 6 anos de idade, eu lembrei, foi em Caucaia, cidade do meu pai, tinha uma igrejinha na frente, então olhei a igreja, e atrás. Foi muito legal! A gente ter voltado lá, deveria ter voltado um pouquinho antes para ver meu avô, mas acabou que não deu as possibilidades. A família é grande. Quando eu fui, eu já fui com a minha filha, só eu e a minha filha, porque quando eu pensava em ir para lá, eram 4 pessoas, e ficava muito caro, e acabou que não deu certo de ir.
00:08:23
P1 - E você estava falando que seu avô contava várias histórias da terra dele, eu queria saber se você lembra alguma história?
R - Ah! Eu lembro de uma que ele falava do avião, que a primeira vez que ele viu um avião passando, ele correu com uma enxada! Porque ele achou que era um extraterrestre, talvez. Ele viu aquilo e saiu correndo, correndo, com a enxada na mão e fica um alvoroço no bairro, assim: “O que é aquilo que está passando?”. Então lembro que ele contava essas histórias de trabalhar na roça, ele veio para São Paulo, foi feirante durante muitos anos, e depois ele montou um bar, que era o bar que ele teve a vida toda, até ele falecer; no final quem cuidava eram os meus tios, mas ele morava até falecer, nesta mesma casa, que é a casa dele.
00:09:18
P1 - Eu queria saber se tem alguma, você estava contando dos natais na casa deles, né? Eu queria saber se tem alguma festa, ou algum cheiro, ou alguma comida que lembre essa parte da sua infância?
R - Nas festas... Comida, eu lembro que tinha muita comida... Rabanada que minha tia fazia, mas o que me lembra mais mesmo é o som e a música, por que ele era apaixonado por música, então a música é uma coisa que eu acho que marca bem mais a família do que a comida, porque ele sempre foi muito ligado a sanfona e dançar. Ele dançava a noite inteira.
00:10:04
P1 - E tem alguma música específica que você lembre que ele gostava?
R - Olha assim na memória, nesse momento, eu não lembro de nenhuma específica, mas eu sei que tem aquelas do Dominguinhos (José Domingos de Morais - Garanhuns, 12 de fevereiro de 1941 - São Paulo, 23 de julho de 2013, conhecido como Dominguinhos, foi um instrumentista, cantor e compositor brasileiro), ele gostava muito as músicas do Dominguinhos, mas tem várias que quando eu escuto, falo “música do vô”. Mas assim, no momento assim, o nome de uma assim não vem. Mas Dominguinhos, eu sei que é forró, que ele gostava.
00:10:36
P1 - E por que você se chama, Sandra? Você sabe?
R - Não sei, não sei. Eu até pensei: “será?”, porque eu andei pesquisando, na época da música “Sandra Rosa Madalena” foi de 1976, eu nasci em 1977, eu falei: “Será que era um nome comum?”. Mas não me lembro de ter perguntado para minha mãe de onde ela tirou esse nome, mas eu cheguei a pensar isso; mas antigamente era um nome bem comum, eu acho na minha sala, por exemplo, tinham 3 “Sandras” a vida toda, da 1ª série até o Ensino médio, na mesma escola, tinha as 3; eu lembro até sobrenome das 3, porque era, 1ª, 2ª e a 3ª, então acho que era bem comum, hoje em dia não tem “Sandras” pequenas, eu não conheço.
00:11:25
P1 - Sandra e me conta como era o Parque Santo Antônio quando você era pequena?
R - Olha, minhas memórias de lá não são as melhores, era um bairro muito violento. Eu até falo que eu tenho muitas memórias que não são bonitas de lá, por exemplo, de tiroteio, de corpos estendidos. Eu hoje, até penso: “Gente, mas por que minha mãe levava a gente para ver?” Mas ela levava, e chegava polícia e tirava a roupa, e era uma plateia. A gente ficava lá, todo mundo olhando, eu deveria ter uns 8 ou 9 anos. E às vezes, eu lembro de um caso que eu fiquei muito tocada aqui, eram 2 homens mortos assim. Então era um ambiente muito de violência, de ouvir tiros e ficar com medo, mas também tinha um campo de futebol, porque minha casa era em volta de um campo de futebol, e tinha uns jogos aos finais de semana, e esse campo era o lugar que a gente brincava, a gente andava de bicicleta, brincava de queimada, brincava de rouba bandeira, ali era o lugar da diversão, mas também era um bairro que era muito violento e não tinha saneamento básico! Para ter ideia, quando mudei lá não tinha água encanada, não tinha água encanada! A gente pegava água em baldes, então era bem difícil, na década de 1980, quando eu mudei para lá, em 1985. Depois a Vila foi crescendo, foi crescendo casas em volta, e aí a gente fez uma casa melhor, foi fazendo a nossa estrutura, mas bem aos poucos. Mas quando a gente mudou realmente para lá, era caótico, caótico.
00:13:23
P1 - Você se lembra da casa? Como era?
R - Lembro. Lembro. A casa tinha um quintal bem grande, tinha pé de milho, que meu pai plantava milho. Ele plantava cana de açúcar e meu pai até vendia as canas. E era cercada daquelas cercas de arame farpado, e a casa até que tinha, em vista de outras, ela tinha um quintal bem grande, assim bem grandão, e era uma casa bem simples, bem pequena. Quando a gente mudou ainda era menor, mas depois ele aumentou um pouquinho, sempre foi 1 quarto para 4 meninas. Nunca tive um quarto assim, só meu, lá era um quarto deles e um quarto nosso, das quatro meninas ali que a gente se dividia e a gente tentava arrumar do nosso jeitinho. Mas as coisas foram melhorando. Depois, conforme a gente foi crescendo, começou a ajudar, trabalhar e comprar as coisas e comprar os móveis, melhorando um pouquinho as coisas por lá.
00:14:32
P1 - O que você gostava de brincar naquela época?
R - Ah, eu gostava de brincar de coisas simples, de amarelinha, que a gente fazia com giz de cera, nessa área do campo de futebol que era a nossa diversão, eu gostava muito de andar de bicicleta, apesar de não ter uma bicicleta, nunca tive, mas tinha duas amigas que tinham bicicleta, elas eram compartilhadas, e ela me emprestava a bicicleta, uma dava uma volta, a outra dava uma volta, em uma bicicleta Monark Verde que eu lembro dela até hoje. O nome da menina era Suely, ela emprestava, ela me ensinou, me ensinou a andar de bicicleta. Então, eu gostava muito de bicicleta, gostava de amarelinha também, tinha uma brincadeira lá que juntava às crianças e jogava Rouba Bandeira (Ou Pique Bandeira, é uma brincadeira popular: com 2 equipes que dividem um espaço e o objetivo é cruzar o campo adversário e pegar a "bandeira"), então a gente se divertia por ali com o que tinha.
00:15:28
P1 - E você estava contando um pouco que a sua infância foi ali, mas você ia para o centro da cidade. Como era?
R - Não, não. Muito raramente íamos para o centro da cidade, eu me lembro uma única vez, de ter ido, até foi em um desfile, era um desfile de uma rede de TV que eu fui assistir, que foi na Av. 9 de julho. Foi até, acho que na época era TVS (TVS Rio, é considerada o embrião do SBT). Fomos assistir a Parada das Crianças, mas eu não tenho lembranças de me divertir no Centro, no Parque do Ibirapuera. Não. Acho que eu fui conhecer o Parque do Ibirapuera depois de adulta. Porque, também meus pais não tinham carro, e eram 4 meninas para sair, não tinha esse hábito, era por ali mesmo. A diversão tinha que ser na região mesmo.
00:16:25
P1 - O centro era o próprio bairro, né? O comércio...
R - Isso é. O Centro de São Paulo... Assim, a lembrança que eu tenho no Centro é de quando eu já fui trabalhar lá com 15 anos, antes disso, não me lembro de meu pai levando gente para conhecer o centro. Não. Nada. No máximo Santo Amaro, Santo Amaro, ali para comprar alguma roupinha em Santo Amaro, mas no Centro mesmo, não.
00:16:51
P1 - E eu queria saber se nessa época você tinha vontade de ter alguma profissão específica. Sabe aqueles sonhos de criança?
R - Sonho? Olha, eu queria ser cabeleireira, e eu cortava o cabelo das minhas irmãs, pegava a tesoura porque minha mãe era costureira e acho que ter cabeleireiro era meio complicado por lá. Então eu ia lá, cortava o cabelo das minhas irmãs, cortava até das vizinhas, pegava a tesoura... Olha, tem uma das fotos que eu trouxe, em que inclusive eu cortei o cabelo das minhas duas irmãs. Eu deveria ter uns 12 anos, e minha mãe deixava. Ela falava: "Quer cortar, corta, se elas querem que corte, corta lá”. E eu cortava. E depois de algum tempo fiz até um curso de cabeleireira, deve ter uns 20 anos, mas não gostei, não era o que eu queria, e nunca trabalhei com isso não. Mas ainda fiz o curso, cortei uns cabelos das crianças do bairro.
P1 - Era um hobby.
R - Um hobby.
00:17:54
P1 - E eu queria saber como era na escola, como é que você fazia para ir pra escola naquela época?
R - Na época da escola, íamos andando, era uma escola no Jardim Campo de Fora, que não era tão perto, mas era próximo, dava pra gente ir andando. Era uma escola legal e eu estudei lá da 1ª série até o 3º ano. E como era a escola pública da região, meus filhos estudaram lá, na mesma escola a vida toda. Então era uma escola boa, a gente ia caminhando mesmo, geralmente eu e a minha irmã, essa que tem um ano de diferença, a gente estudava na mesma, ela ficou um ano sem estudar, porque a gente mudou de casa e deu alguns problemas, a gente era da mesma série, a gente ia para a escola e voltava juntas, e as outras, as caçulas, também acabava que elas andavam sempre juntas, porque eram próximas nas séries. Então a gente ia para a escola sozinhas, na época.
00:18:55
P1 - Você estava contando que depois seus filhos estudaram na mesma escola. Eram os mesmos professores?
R - Teve professores, tiveram alguns professores que deram aula para mim, e que deram aula para os meus filhos.
00:19:08
P1 - E tem algum professor, alguma professora ou alguma matéria que você gostava mais?
R - Eu tinha um professor que eu gostava muito, que era o professor Seiji, que ele deu aula para mim, ele deu aula para os meus filhos, e eu o encontrei recentemente lá no parque, na frente da minha casa, e eu encontrei no mercado também, no outro dia, depois de anos, tem mais de 35 anos que eu me formei. Eu gostava bastante, ele dava aula de Física. Nessa escola, e eu gostei, e nessa escola, eu gostava bastante quando o meu tio me dava aula, ele era professor de Matemática, e eu gostava muito quando ele dava aula, eu gostava da matéria e entendia direitinho. E teve também uma outra tia nossa que deu aula de inglês, então a escola era quase da família, ali.
00:19:59
P1 - Era uma continuação.
R - É, uma continuação, e acho que esses dois não deram aula para os meus filhos, não, nem meu tio, nem a minha tia, porque depois ele foi embora para o litoral, mas eu gostava bastante da aula de Matemática do meu professor, tio Eliezer. Saudoso já.
00:20:19
P1 - Eu queria saber se nessa época da infância, do começo da adolescência, você tinha algum animal de estimação ou tinha contato com os animais dos vizinhos?
R - Tinha, tinha um cachorro de estimação que era o Peter, e tinha 2 cachorros que eram da casa da vizinha, tinha o Boomer e o Peter. Então a gente ficou muitos anos com ele, eles brigavam, eles brigavam, os cachorros, e era aquela cerca de arame e então eles passavam pra lá, um latia com o outro, e depois um morreu e o outro morreu em seguida. Viveram cerca de uns 10 anos, mas eles brigavam, brigavam, brigavam, e às vezes se grudavam, e a gente tinha que separar, aquela loucura! Mas um morreu de doença, outro morreu em seguida, do nada morreu; mas tive, sim, esse cachorro. Tive um gato também, o gato era a minha paixão, eu era um pouquinho mais velha, então eu tinha uns 14, 15 anos, eu sei por que tenho foto com ele. Então o gato era uma paixão, mas ele também morreu, e agora sou alérgica a gatos. Nunca mais tive gato porque tenho uma rinite alérgica, não sei se vivia com rinite, mas eu tinha esse gato que dormia lá com a gente.
00:21:49
P1 - Como é que era o nome?
R - Shane, foi uma morte trágica, ele foi envenenado pelo vizinho, depois a gente ficou sabendo que foi um vizinho que envenenou todos os gatos da região, uns 7 ou 8, todos os gatos apareceram mortos porque ele deu veneno.
00:22:11
P1 - Era um costume assim...
R - É então, foi todo mundo chorando por causa dos gatos.
00:22:20
P1 - E eu queria saber como é que seguiu a sua vida, você continua estudando. Você contou que você começou a trabalhar com 15 anos? Como é que foi?
R - Com 15 anos eu trabalhei numa empresa lá no centro de São Paulo, depois eu trabalhei, eu já trabalhei um monte de coisas, né? Já trabalhei numa imobiliária, lembrando porque faz tempo numa imobiliária, trabalhei um tempo quando era novinha com 17 anos, depois eu trabalhei em um mercado, já trabalhei em home center, aí depois trabalhei por 10 anos e meio, numa corretora de seguros. O último, onde eu trabalhei mais tempo, trabalhei 4 anos num banco digital, que é esse, quando eu fiquei bastante tempo com o cachorro, porque era 100% home-office, então era maravilhoso, porque eu ficava em casa, com ele, e aí ele ficou um grude ali. Tem até foto em que eu tô trabalhando, e ele tá no meu pé, ele ficava o tempo todo grudado, foi na pandemia de 2020 que eu entrei lá, e fiquei por 4 anos.
00:23:30
P1 - E esse primeiro emprego, que você falou que era no centro, como era para uma menina de 15 anos que não saía da Zona Sul, ir para o centro?
R - Então, eu tive ajuda de uma amiga, porque ela arrumou primeiro, ela arrumou esse emprego antes, e ela foi lá e me chamou: "Vamos trabalhar comigo? Vamos lá fazer entrevista”. E eu fui. Então já marcava com ela para nos encontrar lá no ponto de ônibus. Então a gente ia junto e voltava junto, eu não trabalhei muito tempo não, foi só um pouco de tempo, mas eu ficava encantada com os prédios! Com o mundo, com o Viaduto do Chá, era na Barão de Itapetininga, mas eu lembro que, apesar da distância, um ônibus cheio, mas eu sei que essa amiga ajudou bastante porque ia junto sempre, a gente ficava mais segura de estar com uma companhia. E eu acredito que eu saí primeiro que ela, porque eu não me lembro de ter ido sozinha sem ela, não. Era sempre no mesmo lugar, no ponto de ônibus, para ir juntas todo dia.
00:24:38
P1 - E você lembra o que você fez com seu primeiro salário?
R - O primeiro salário? Assim, específico não, mas eu devo ter comprado roupas, coisinhas, sapatos, essas coisas. Minhas coisinhas mesmo, acredito, e eu lembro que eu dava um pouquinho para minha mãe ainda, e eu lembro que na época tinha a formatura, e a gente tinha que parcelar a festa de formatura, e a gente pagava um tantinho por mês nessa formatura, e eu comecei a pagar a formatura, acho que foi 1 ano inteiro pagando, porque era 15 anos, devia estar na 8ª série, foi a formatura.
00:25:24
P1 - E aí você. Você estudou até que fase??
R - Eu estudei na época até o ensino médio, que é no 3º ano do ensino médio, e depois eu parei, depois eu me casei, e fui fazer outras coisas. E depois cheguei a fazer um curso de Técnico de Segurança do Trabalho, muitos anos depois, mas acabou que eu não conseguia entrar na área, porque é uma área bem difícil pra arrumar trabalho e fui trabalhar com outras coisas. Na época eu trabalhava já na seguradora e eu queria tentar mudar, trabalhar com outra coisa, mas não deu certo porque era um campo muito pequeno de trabalho.
00:26:06
P1 - E essa época em que você estava assim, quase se formando. O que você fazia pra se divertir?
R - Para me divertir na época do ensino médio?
P1 - Ahan.
R - Ah, eu gostava de sair para bailinhos para dançar nas matinês da vida, a minha irmã era um pouco mais velha e ela já conhecia os lugares, então eu gostava sempre de sair, dançar sempre.
00:26:32
P1 - E o que você dançava, você se lembra?
R - Ah, e aqueles passinhos Black que chama, inclusive. Outro dia, inclusive teve aula no Sesc, de passinhos, e eu me lembrei e falei: "Nossa, esse é da minha época! Olha os mesmos passinhos, o pessoal ainda dança até hoje!”. Eu me lembro que a gente gostava bastante de sair, das festinhas, o pessoal fazia muita festinha em garagem, né? O pessoal ligava o som: "Vai ter festa de alguém”. Aí ia lá todo mundo dançar, os passinhos todos iguais.
00:27:04
P1 - E daí era mais festa, mais festa de garagem assim, de outras pessoas. Ou era festa assim em casa de festa?
R - Quando era mais novinha, era de garagem, de festas mesmo, mas aí já com uns 15 ou 16 anos, eu me lembro de ter ido algumas vezes em casas, mas era aos domingos. Era até em Moema, tinha uma que a gente ia às vezes aos domingos. Era a tarde, era até umas 21h00, eu me lembro de que eu gostava de ir, eu já tinha uns 15 anos. Aí depois eu mudei para o sertanejo, depois, com uns 17 anos, eu já comecei a ir nas festinhas de sertanejo.
00:27:48
P1 - E sua irmã sempre te acompanhava?
R - Sim, sim, era até durante algum tempo a gente nem queria ir juntas, mas aí meu pai só queria que as duas saíssem juntas, às vezes a gente tinha um atrito porque eu não queria ir. Mas meu pai: "Só vai se for se a outra for”. Então, em algum momento a gente era quase obrigada a ir juntas, para segurança, para não sair só, para uma cuidar da outra. Mas aí, com uns 17 anos, eu comecei a namorar, ela também, a gente ainda saía juntas, mas não para as baladas.
00:28:27
P1 - Em que momento da sua vida e como você conheceu o Vagner?
R - Então eu conheci o Vagner na casa de uma amiga, mas em seguida a gente foi para esse local que tocava música sertaneja, que era no Embu das Artes, chamado “Caipirão”. E a gente foi para lá, e a gente não, não começou a namorar ali, naquele dia só ficamos amigos e depois de uns 4 meses a gente começou a namorar.
00:28:59
P1 - E quanto tempo que vocês ficaram namorando?
R - Até casar, 2 anos e um mês. Porque comecei em setembro e eu me casei em outubro, 2 anos depois.
00:29:11
P1 - E como é que foi? Você teve uma festa de casamento?
R - Bem simples assim, não era aquelas que hoje em dia o pessoal faz, aqueles buffets, foi aquela festa familiar, que um amigo emprestou um sítio que ele tinha, um sítio em Itapecerica da Serra. Então aí uma amiga vai fazer as coxinhas, a outra amiga vai fazer a decoração, mas eu me casei na igreja, de noiva, tudo bonitinho. E aí a gente fez essa festinha, mas entre a gente ali, organizado, compra carne, faz churrasco ali. Mas era bem, bem simples, em vista das festas de hoje, que são aquelas festas. Foi bem familiar mesmo, sabe? A gente ali.
00:29:59
P1 - E logo em seguida que vocês se casaram. Vocês já tiveram filhos ou demorou?
R - Eu me casei em outubro de 1996, o Vinícius nasceu em 1998, então foi em junho. Então eu demorei 1 ano mais ou menos para ficar grávida, mas quase 2 para o Vinícius nascer.
00:30:18
P1 - E daí você teve o Vinícius e a Giovanna?
R - A Giovanna veio 3 anos e meio depois.
00:30:25
P1 - Isso é como é que foi se tornar mãe?
R - Ah, foi muito difícil, do primeiro, porque ele era um bebê muito chorão, muito chorão, muito mesmo. Então, foi bem difícil, e o Vagner trabalhava à noite. Ele sempre foi metalúrgico, mas nessa época ele trabalhava à noite, e o bebê chorava, e ele chorava, ele chorava. Então foi bem... E eu morava, na época, nos fundos da casa da minha mãe, numa casinha, e mesmo assim, minha mãe ia lá, mas esse bebê chorava e chorava. Às vezes eu levava ele pro hospital: "Por que esse bebê tá chorando?”. Chegava lá no hospital: "Não tem nada, dá o peito pra ele que ele tá com fome”. E ele foi um bebê muito chorão. Já Giovanna, não, Giovanna não chorava, então ele foi um bebê que deu bastante trabalho, foi bem difícil.
00:31:24
P1 - Nessa época em que você ficou grávida, você trabalhava ou não?
R - Não. Quando eu fiquei grávida, não estava trabalhando, já que eu não estava trabalhando, eu fiquei um pouco com ele. Eu fui trabalhar quando ele já tinha 2 anos e meio, eu fiquei ali cuidando dele, porque também ele era muito apegado, né? E esse tempo com ele, só depois que eu voltei a trabalhar.
00:31:46
P1 - E daí a Giovanna nasceu em seguida, né?
R - Foi. Aí depois comecei a trabalhar e logo depois de uns meses, 5 meses, 4 ou 5 meses, eu fiquei grávida. Só que eu não morava mais lá perto da minha mãe, eu já morava em Itapecerica da Serra, que a gente já tinha comprado o terreno, tinha feito uma casa, começado a fazer a casa. Ainda era uma casa pequenininha, e a gente foi morar lá e eu fiquei grávida e a Giovana nasceu lá em cima da serra. E depois eu acabei voltando a morar no Parque Santo Antônio. Eu falei: “Meu Deus!”. Aí voltei, mas não na casa da minha mãe, a gente comprou uma outra casa que ficava próxima, mas no mesmo bairro, mas facilitava porque já tinha 2 crianças, eu já estava trabalhando e não queria sair do trabalho para ficar com as crianças, e para ajudar, para levar para a escola, para pegar e colocar na perua às vezes. Então aí eu morei nessa casa por uns 15 anos, era uma casinha também. A gente foi fazendo, fazendo, fazendo, fez uma casona. Aí depois vendeu e comprou o apartamento.
P1 - Que é onde você mora hoje?
R - Que é onde eu moro hoje.
00:33:04
P1 - E me conta um pouco isso, dessa época do casamento, dos primeiros anos dos seus filhos, você tinha algum animal de estimação?
R - Nos primeiros, quando eu mudei para casa de Itapecerica, a gente tinha um cachorro, mas já era um cachorro, um cão de guarda, porque a casa era um pouco isolada e era um Pastor Alemão. E eu tinha até medo dele, porque ele era muito grande. Ele é muito forte e ele também não gostava muito de crianças. Então aí a gente ficou com ele durante um tempo. E quando eu vendi a casa, a mulher pegou e falou: "A gente vai levar o cachorro”, eu tinha um pouco de medo dele com a bebê que tinha acabado de nascer e ela falou: “Quer deixar o cachorro? Eu cuido dele”. Eu disse: "Tá bom”. A gente deixou o cachorro, mas ele mordeu o filho dela e depois ela doou o cachorro porque ele era bravo, porque ele ficava sozinho. Acho que tinha umas crianças na vizinhança que corriam, corriam, deixavam ele agitado, então ele era bem bravo.
00:34:16
P1 - E aí, como é que se seguiu a sua vida? Nesse momento, depois que você voltou a trabalhar, depois que as crianças já estavam um pouco maiores, como é que foi então?
R - Aí eu voltei, a gente comprou essa casa, eu continuei trabalhando, as crianças crescendo, levando para a escola e depois teve uma época que eu fiquei um pouco também sem trabalhar, fiquei uns 3 anos sem trabalhar cuidando deles, porque eles eram pequenos e era complicado pagar para alguém olhar os 2, porque o salário era baixo, então acabei ficando com eles, e o marido trabalhava à noite, né? Ali ficamos construindo essa casa durante muito tempo, a gente sempre passeava com eles, com as crianças, viajava, gostava bastante. Eles têm muitas memórias em Ilhabela, desde crianças eles iam para lá, porque a minha cunhada tem uma casa, então as memórias de férias deles são muito lá. Tanto que eles amam lá até hoje, então, as fotos dos primos, eu até peguei algumas fotos para olhar e falei: "Nossa, quantas fotos!”. Eles cresceram indo para lá nas férias sempre têm fotos deles, pequenos, médios, grandes, adultos. Eles gostavam muito de lá, ainda sonham em morar lá um dia, mas ainda não deu certo. Eu morei nessa casa durante muitos anos, depois eu resolvi alugar a casa e a gente foi morar em um apartamento alugado, morou um tempo fora e essa casa, também era no Parque Santo Antônio, já não era mais igual antigamente, mas não era um lugar bom. Então, nós alugamos a casa e alugamos um apartamento e moramos uns 3 anos mais ou menos, e depois a gente resolveu que queria vender a casa para morar em um apartamento, e que foi ótimo, porque hoje em dia, onde a gente mora é muito bom. Tem um parque na frente de casa, é perto do shopping, perto do metrô. Lá também era perto, mas era um bairro muito barulhento, muito movimentado, rua muito barulhenta.
00:36:35
P1 - E daí, você estava contando que as crianças cresceram e por esse motivo você está aqui, e inscreveu a sua história, né? E que você gostava, você estava contando agora que você gostava muito de viajar. Aí, antes de entrar no motivo pelo qual você está aqui, eu queria saber se você sempre gostou de viajar? Você contou de Ilhabela, mas vocês faziam viagens, como era?
R - Sempre para o mesmo lugar, por exemplo, viagens para fora de São Paulo, eu fui fazer em 2018, então a gente sempre viajava mesmo para o litoral aqui, não. Teve umas depois, mas eles já estavam um pouquinho maiores, a gente foi para Florianópolis, teve algumas viagens sim, foi Florianópolis 2000 e não lembro, tem muitos anos, mas eu gostava de viajar. Mas a parte com eles, crianças mesmo, a gente ia sempre para lá, mas depois que eles foram ficando maiorzinhos, lembro que a gente foi em Olímpia, interior de São Paulo, a gente foi no Beto Carrero também, levei eles e eu fiz um cruzeiro também em 2009, faz bastante tempo, mas fomos só eu e o marido, somente os dois a primeira vez que eu saí. (intervenção) Então aí viajamos sim, de carro, a gente sempre ia de carro, porque acabava sendo até mais barato, creio. A gente foi para Olímpia, a gente foi em Cabo Frio também com eles, Arraial do Cabo, mas eles já eram grandes, ele já era rapazinhos, não lembro exatamente a idade, mas já estavam. E a gente já levou o Dean. O Dean já foi porque Dean já existia, chegou em 2014.
00:38:47
P1 - Em que momento que ele entra? O momento da vida de vocês que ele entra?
R - Então foi em 2014, estávamos em casa e na época eu trabalhava, e o Vinícius já tinha uns 15 anos, pelas minhas contas, ele já estava fazendo Senai. E ele acordou um dia e falou: "Eu quero um cachorro fofo”, e mandou uma foto assim: "Eu quero um cachorro”. E a gente disse: "A gente só vai olhar, só vamos olhar”, fomos na feira perto de casa que tinha cachorro, hoje eu já penso mais em adotar, mas na época eu só pensei em ir lá. E ele olhou o cachorro, era o último da ninhada, falaram que haviam 4, mas 3 já foram. E ele pegou o cachorrinho e ele deitou no ombro dele, e ele falou: "Ah, esse vai ser o nosso cachorro”. “Não, pai, eu quero esse cachorro”. Respondemos: "Não, mas a gente só veio olhar”. E ele: "Não, eu pago, eu pago, parcela no cartão, eu pago, eu pago, eu pago”. Ele foi lá e parcelou, e levou o cachorrinho para casa, que era bem pequenininho, e aí ele passou a ser o nosso companheiro. Sempre que a gente ia viajar, levava ele, tanto que quando essa primeira viagem, mais longa que a gente fez, que foi para Arraial do Cabo, Cabo Frio, levamos ele, é bem longe, tem que procurar hotel que aceita cachorro, então, sempre fez parte da nossa família, da nossa rotina, sempre, sempre. Mas eu acho que na pandemia ele acabou ficando mais apegado, porque até então, eu trabalhava, mas a Giovanna ainda era novinha, e ela ficava com ele em casa, depois ela começou a trabalhar, quando eu comecei ficar em home (office), ele ficou ali. E na época a gente também morava em casa e aí a gente foi morar em apartamento que não tem quintal, apesar que ele sempre foi um cachorro que ficava dentro de casa, né? Mas saia um pouquinho ali no quintal, então ali ele ficou muito grudado e tanto que ele dorme. Ele tem a cama dele na beirada da minha cama, mas às vezes ele sobe, ele quer dormir em cima. “Tá bom, sobe”. Aí sobe o cachorro. Eu falava: "Nossa, que horrível cachorro dormir na cama!”. Mas quando ele quer, ele dorme na cama, só quando ele quer.
00:41:08
P1 - Nessa época em que o Vinícius decidiu que queria um cachorro, vocês conversavam sobre isso?
R - Não, foi uma coisa totalmente. Um estalo assim: "Vamos ver um cachorro”. Ninguém pensou no cachorro, no gasto, quem ia cuidar? Foi assim: "Eu quero um cachorro”. (A gente respondeu:) “Ah, então vamos lá na feira do Embu, dar uma olhada nos cachorros”, aí chegou lá, olhou pro cachorro, trouxe ele para casa. Não foi nada pensado, “quem vai cuidar? Quem vai ficar?”. Não, foi totalmente sem pensar, quando eu vi, já estava lá o cachorro em casa.
00:41:50
P1 - E por que que ele se chama Dean?
R - Por causa de uma série que o Vinícius gosta, de sobrenatural, que tem o Dean Winchester. Inclusive ele até chamava ele de Dean Winchester de vez em quando, quando está bravo: “Dean Winchester!”, mas ficou só Dean porque é muito grande. Por causa dessa série que ele é apaixonado, e aí ele escolheu esse dia assim do nada, quero um cachorro, e pegou.
00:42:19
P1 - E já deu o nome de Dean no primeiro dia?
R - Ainda chegou uns dias que a gente queria colocar Pitoco, porque ele era muito pequeno, mas ele disse: "Não, é Dean”, e acabou que ficou Dean, mas ele ainda ficou uns dias ali, entre Dean e Pitoco.
00:42:35
P1 - Você estava contando antes sobre como foi esse começo dele. Eu queria que você contasse agora, como é que foi esse início dele. Se ele escolheu o seu filho, quem ele escolheu?
R - Então, desde o começo ele me escolheu, ele veio e na primeira noite, o Vinicius falou: "Vai dormir comigo”. E ele levou para casa, comprou a caminha, ele levou para o quarto dele, e aí, o cachorro começou a chorar a noite, porque ele estava estranhando o ambiente, o Vinícius deve ter dormido lá, e o cachorro chorando. Aí eu fui lá e busquei o cachorro, coloquei comigo, coloquei no colo, fiquei com cachorro, e aí ele grudou comigo, e todo mundo fala: "Ele te escolheu”. E hoje em dia eu tenho um pouco de dúvida, porque ele é bem grudado com meu marido. Mas no começo ele ficava bem grudado, principalmente quando não estava no ambiente de casa, por exemplo, quando a gente viajava, eu lembro que às vezes a gente ia pra Caraguatatuba, em uma casa e aí ele ficava grudado ali comigo o tempo todo, porque tinha outras pessoas que ele não conhecia. E ele sempre foi grudado, aí ficou comigo, não teve jeito, e eu que levava para passear.
00:43:51
P1 - Como é que é o Dean? O temperamento dele? Como é que você descreveria ele.
R - Hoje em dia ele está mais calmo, mais tranquilo, mas é um cachorrinho que latia bastante quando ouvia algum barulho, ele não gosta de interfone, ele não gosta de campainha, quando morava na casa, mas eu acho que ele é um cachorrinho muito bonzinho. Assim, no geral, a gente viaja, leva ele para todos os lugares, quando as visitas chegam em casa, ele late, late, late, late, e depois para, ele gosta que as pessoas estejam sentadas, tá? Porque a pessoa em pé em casa, ele late. Então a pessoa tem que se sentar, porque ele quer que a pessoa sente. Então, mas ele é um cachorro muito bonzinho, a gente é muito grudado nele, todo mundo em casa, todo mundo ficou muito grudado nele.
00:44:50
P1 - E você estava contando de suas viagens. Eu queria saber se tem algum momento marcante das suas histórias sobre as viagens com ele.
R - Tem uma parte da viagem, que eu ia comentar, eu fiz uma viagem sem ele, só que ele ficou com meu filho e com a minha filha dentro de casa, os dois, então pensei: "Ele está no ambiente dele”, porque eu ia levar, só que eu ia para Porto Seguro e de carro, e eu falei: "Nossa, é muito longe, se ele estranhar, como vai ser?”. E eu fiquei até na dúvida até o momento de sair: "Levo ele, não levo ele, porque... Levo ele... Não…” Aí eu resolvi: "Não vamos deixar ele, porque ele está em casa com a Rafa, que é namorada do Vinícius, está com Vinícius, está com a Giovanna. Vamos deixar”. Fomos. “Mas ele está bem?” “Está bem”. Fizemos a viagem, no 5º dia em que eu estava em Porto Seguro, o meu filho me ligou e falou que ele estava passando mal, e que eles estavam fazendo uma escala para ele não ficar sozinho, só que teve um dia, que não teve jeito e ele ficou sozinho em casa, porque eles trabalham home, e esse dia não deu certo. E quando ela chegou em casa, ele estava doente, eu lembro que eu estava em Porto Seguro, eu tinha acabado de pedir uma pizza e o Vinícius ligou e falou: "O Dean não está bem, chegamos aqui em casa e ele não está bem, vamos levar no veterinário”. Aquilo já me deu uma dor que eu nem comi, embrulhei a pizza, falei: “Não vou mais comer”. Entreguei até para um mendigo na rua, e a gente voltou para o hotel, nós ainda íamos ficar mais uns 3 dias lá em Arraial d'Ajuda. Aquela noite eu já não dormi porque fiquei pensando: "Meu Deus, e o cachorro? E o cachorro? E o cachorro? E agora o cachorro?”. Nisso, eles o levaram para o hospital, e internaram ele para colocar um sorinho. No outro dia, eu acordei, e eu nem sabia que ele ainda que ele tinha piorado, eu acordei, já olhei para ele, a gente tinha comprado um passeio para ir para Caraíva, a gente tomou café e perguntei: "Você quer ir ao passeio?”, ele: "Não, vamos embora para casa”. E nisso a gente colocou as coisas dentro do carro, eu tinha deixado umas duas diárias pagas. Falei: “Não importa, vamos embora”, e eu nem consegui tomar café. Só que Porto Seguro de carro é longe, ele já falou: "Você quer pegar um avião, a gente põe você no avião”. Eu disse: "Não, você vai voltar sozinho? Não, vamos de carro”. Nisso ele, carro, de manhã, o dia inteiro. Só que nisso o cachorro foi piorando, eles mandando mensagem dizendo: "O cachorro, quando eu cheguei lá na clínica, eles falaram que o cachorro precisa de uma UTI, porque eles não têm recursos, que a gente precisa transferir ele pra uma UTI”. E a gente lá na estrada sem um sinal. E nós dissemos: "Então tá! Procura uma UTI”. Acharam uma UTI para levar o cachorro que custava R$ 2.000 a diária. E aí levaram ele. E nisso, a gente, vindo embora, vindo embora, vindo embora, nesse dia a gente rodou o dia inteiro, a gente não parou nem para almoçar, à noite, às 19h00 a gente parou para jantar.
00:48:23
P1 - Quantas horas de viagem?
R - Olha, deu 11h até esse momento, mas na verdade a gente ainda continuou, a gente parou para jantar, porque tem uma amiga minha que morava no meio do caminho que eu já iria ficar uns dias na casa dela, mas eu falei: “Vou passar lá só para vê-la”, porque ela tinha passado por uma cirurgia, ela tinha um tumor na cabeça. Eu falei não, eu tenho que aproveitar para vê-la, porque ela morava em Minas Gerais e eu ia passar próximo, teve que desviar um pouquinho a rota? Sim, mas eu falei: "Vou passar só para dar um abraço nela”, aí eu passei na casa dela, fiquei em torno de 01h30 lá, jantei e pegamos a estrada de novo. Nós rodamos até 03h00 da manhã, e eu já querendo parar, só que ele não queria parar porque ele queria ir até em casa, porque queria ir ver o cachorro, porque o cachorro estava ruim. Eu falando: “Não, mas é arriscado, você vai dormir, vai dormir, vai ficar com sono?”, ele: “Não, eu quero ir embora, não tô com sono, não”. Eu falei: “Eu quero parar”, parei na rodovia, acho que era em Minas Gerais, dormi das 003h00 até 06h30 e depois de novo no carro e rodamos até a clínica veterinária e chegamos lá às 17h30 da tarde, e nem comer, não queria nem comer, porque eu já não estava nem com fome de preocupação com cachorro. E ele falava: “Não, não quero”. Tinha um Doritos no carro, “a gente comia esse Doritos. Não quero comer”, acho que ele até parou e comeu alguma coisa, mas eu não queria comer. Cheguei, e o cachorro ainda estava lá. O cachorro quando me viu, ficou bom e começou a comer, e ainda tinham pago mais um dia de UTI, aí resolvi deixar ele mais um dia em observação, porque falaram que ele estava com uma glicose muito baixa, que não conseguia subir, e ele não comia. Ele resolveu fazer greve de fome, eles não conseguiam fazer ele comer, aí quando ele me viu, ele já comeu, a glicose já subiu, e no outro dia de manhã eu fui buscar o cachorro para ir para casa. E desde então a gente... O veterinário falou: “Se for viajar, leva ele, ou então alguém que fique muito atento à alimentação”. Até os meus filhos falam que se humilham, para ele comer, tem que se humilhar, dar na boca, porque ele não pode ficar sem comer, porque a glicose cai. Então, esses 2 dias a gente voltando na estrada assim, foi muito tenso, eu fiquei pensando: "Por que eu não trouxe? Porque eu não trouxe o cachorro, meu Deus!”. E aí depois a próxima viagem foi quando meu marido, Vagner, se aposentou. Ele queria fazer uma viagem comemorativa, queria fazer uma viagem no Brasil. (O Vagner:) “Vamos viajar, vamos de avião?”, (falei:) “Não, porque eu nunca levei o Dean no avião, e a gente não vai viajar sem ele”. E a gente começou a pensar nas possibilidades e decidimos: "Então vamos de carro”. E aí a gente começou a dar uma pesquisada nos hotéis, que aceitam cachorro porque não são todos, são alguns. E a gente resolveu fazer essa viagem, nós dois, e ele. E ele já tem essa poltroninha há bastante tempo, então a gente fez a viagem inteira assim com ele. Conhecemos vários estados brasileiros, paramos no Rio de Janeiro, sempre ficávamos uns 2 dias, e a gente ia reservando, conforme você vai chegando numa cidade, e vai para próxima, alí a gente ficava 2, 3 dias e “vamos pesquisar onde tem hotel, que aceita cachorro”. Aí é para o próximo, e aí, foi para Espírito Santo, depois foi subir para Prado, na Bahia, Itacaré, Ilhéus. Depois foi para Trancoso, depois para Arraial d'Ajuda. Aí foi subindo Aracaju, até esqueço, tantos os estados em que a gente passou, Maceió, mas estava chovendo, não foi legal. E sempre parava nos lugares, tirei várias fotos dele em vários lugares, nos pontos turísticos, e postava tudo nas redes sociais. O pessoal: “Nossa, esse cachorro viaja mais que eu! Nossa!”. O pessoal comentava: “Como assim o cachorro?”. E fomos até Natal. O plano era ir até Fortaleza, mas eu achei que ia ficar muito longe, já estava pensando na volta, muitos dias... Falei: “Não, vamos até Natal, porque Fortaleza já tinha ido”, inclusive com ele, depois eu voltei, e meu marido uma vez eu tinha ido com a minha filha. E foi assim, ele passeou por muitos lugares e fez muitas fotos, mas o lugar de que ele gostou mais, porque a praia podia levar cachorro, era em Trancoso, porque tinha um rio, então ele entrou na água do rio. No mar, ele tinha um pouco de medo, mas no rio ele correu pra água e passeou, a gente foi (para a próxima cidade), e na volta a gente passou de novo na Bahia, em Trancoso, aí a gente ficou mais 2 dias em Trancoso. E assim, ele amou a diversão. Nesse passeio todo, a gente acabou não pegando passeios turísticos daquele de dia inteiro, porque eu não queria deixá-lo o dia inteiro. Até, em algumas praias, não podia levar cachorro, então eu saía de manhã, pegava sempre um hotel próximo da praia e ia na praia de manhã, voltava às 13h00, 14h00 horas no máximo para passear com ele, ficar com ele, e depois dava uma volta com ele. Mas eu não peguei nenhum desses passeios de escuna que vai ficar das 09h00 às 18h00. Eu falei: “não, porque ele não vai ficar o dia inteiro sozinho no hotel”. Deixa ver onde ele foi na tal Praia do Amor, Pipa, em Pipa também a gente o levou. Então, foi uma viagem inesquecível, em que a gente tem muitos momentos com ele, dele passear. Em Pernambuco também foi um lugar que a gente pegou um hotel que tinha uma área verde muito legal e a gente descia com ele até próximo da praia. Então, foi muito, muito legal, Praia dos Carneiros, esse lugar, que era um Resort onde tinha essa área para ele passear muito, muito, muito boa. Então foi muito legal fazer essa viagem com ele, foi nosso companheiro e a gente fala: "Vamos fazer a próxima? Já pensou, vamos levar o Dean”. Ele se comportou bem em todos os hotéis em que a gente, e em alguns momentos, quando a gente tinha que deixá-lo sozinho, ele ficava lá, eu deixava a roupa dele, deixava uma peça de roupa nossa para ele, a caminha dele, o bichinho dele, e ele ficava lá, tranquilo. Foi fantástico, foi. Eu falei: “Nossa, porque da primeira vez eu não levei, né? Teria sido muito melhor, teria ficado mais dias lá”, mas a volta foi aquela correria. Mas foi muito, muito bom.
00:55:41
P1 - O importante é ele ir, para ele, né?
R - Sim, Nossa, eu até falo: "Gente, o importante para ele, é estar com a gente”. Aonde ele vai, era chegar no hotel ele pensava: "Meu Deus, o que é tanta troca de hotel?”. Porque nós ficamos nessa viagem e em 17 hotéis foram 29 dias na estrada e troca de hotel e guarda tudo e ele já ficava ansioso quando a gente ia começar a guardar as malas, ele ficava: "Me leva!”. Ficava ali grudado, e a gente falava: "Eu vou te levar, não vai ficar não”. Jamais podia pegar a mala primeiro que ele, tinha que pegar ele primeiro e depois levar as malas. Mas assim, foi fantástico, tenho muitas, muitas memórias com ele passeando pelas praias, nos pontos turísticos, foi muito, muito bom e bem mais tranquilo do que você ficar (se preocupando se) “ele comeu, se ele não comeu, se ele saiu, se ele passeou?”. Apesar de confiar nos filhos, prefiro estar com ele.
00:56:43
P1 - Eu queria saber o que você sentiu aquele dia que você recebeu a ligação do Vinícius, que ele não estava bem, o que você sentiu voltando?
R - Nossa! Muita culpa por ter deixado ele: “Nossa, mas porque eu não trouxe?”. E muita aflição, com medo de ele morrer: “E se ele morrer antes de eu chegar? E se eu chegar lá, e ele já tiver morrido? E se ele não aguentar?”. Então foi muito, foi muito, foi muito aflitivo assim, nossa, eu chorei horrores e a Giovanna chorando em casa, porque sem o cachorro andando pela casa, ela pensava: "Meu Deus, eu fiquei de cuidar do cachorro e quando eles chegarem o cachorro morreu”. Então foi um terror para eles, tanto que hoje em dia, quando a gente quer pensar em viajar, eles já falam: "Não vai não sem o cachorro”. Já não querem que fique, mas foi muito, muito difícil assim. Todo mundo chorando em casa, chorando lá, e graças a Deus ele sobreviveu, mas foram dias tensos, esses 2 dias vindo na estrada, você quer chegar logo, e é longe. Mas eu também não queria vir de avião e deixar meu marido vir na estrada só, porque eu acho perigoso, né? E a gente, quando a gente foi, a gente pensava: "Não vamos dirigir à noite”, mas nesse dia, nós de madrugada, 03h00, as rodovias escuras, sem iluminação e fomos embora. Acho que ele fala, que se fosse por ele, teria vindo direto. “Não, é perigoso, sem dormir”, ele falou que nem dormiu, disse que nem dormiu. E quando eu parei lá para dormir umas 03h00, eu dormi, porque eu já estava desde a primeira noite sem dormir, porque o dia em que meu filho ligou, eu já não dormi a noite, fiquei ali. Aí peguei a estrada, e já estava a segunda noite. Por isso que eu dormi umas 3 horinhas, (intervenção) e hoje a gente fala que é o nosso bebê, né? Porque os filhos já cresceram, já estão adultos! Então a gente pensa muito nele, por exemplo, no Natal, no Ano Novo agora meus dois filhos viajaram, e aí eu pensei: "Vamos viajar, você já tem que procurar um hotel que aceita cachorro, e réveillon é muito caro. Não vamos, vamos ficar aqui com ele”. Aí umas amigas lá do condomínio nos convidaram: "Vamos para a Paulista?”, eu falei: "Ele vai ficar aqui, vai ter queima de fogos, ele vai ficar com medo. Não vamos. Então vamos ficar aqui com ele”, a gente hoje em dia faz bastantes coisas, pensa bastante nele, no conforto, na segurança, se ele vai ficar bem, é o nosso bebê. E agora, como eu trabalhei bastante tempo no home-office, então aí é que a gente ficou mais grudado, porque ele o dia inteiro ali, junto comigo, sempre ali, eu trabalhava, almoçava, e ele ali do lado, então ficou muito forte. Inclusive, há um tempo eu cheguei a arrumar um emprego presencial, eu só fiquei 3 meses, e eu coloquei câmeras em casa, porque eu ficava: "Meu Deus, e o cachorro sozinho? Como que ele vai ficar?”. Porque meu marido estava trabalhando, já estava todo mundo trabalhando, em alguns dias em que eles estavam em home, meus filhos, mas ia ter dias dele ficar só em casa, então aí eu já ficava: "Meu Deus”, eu coloquei a câmera para ficar olhando ali, mas tem uma vizinha que tinha a senha da porta e eu falava: “Qualquer coisa você corre lá e olha o cachorro”, mas eu ficava preocupada de deixá-lo sozinho. Mas nesse trabalho, só fiquei 3 meses e não deu certo. E agora eu estou fazendo algumas coisinhas em casa mesmo.
01:00:55
P1 - Você falou que você trabalha com artesanato, né?
R - Então, tô começando a fazer umas coisas agora, costura eu faço. Fiz alguns cursos porque eu saí desse trabalho. Eu pensei que queria trabalhar em Home, não arrumei nada interessante, e minha mãe era costureira, né? Então, quando eu era adolescente, lá uns 13, 14 anos, em algum momento eu a ajudava nas costuras, nos acabamentos. E aí eu pensei: "Ah, quem sabe, né?”. Aí apareceram uns cursos até na Rede Sesc, aí eu fiz 3 cursos de artesanato, outro de costura, outro também. Aí eu comecei a fazer algumas coisinhas, falei: "Bom, então acho que eu já posso atender algumas vizinhas, né?”. Aí anunciei no condomínio, então eu costuro algumas coisas que aparecem no condomínio. E nesse último mês arrumei um trabalho temporário, mas é só 1 mês, estou trabalhando, voltando lá ao meu passado de babá. Mas é de uma amiga porque ela trabalha em Home e a bebê ficava em casa com ela. Ela não estava conseguindo trabalhar, e a escolinha só vai começar agora em fevereiro, no final de fevereiro,ela: “você quer trabalhar 1 mês aqui comigo para cuidar da Olivia?”, e aí eu fui para lá e agora estou de babá temporária do bebê, que é linda, fofa. Eu pensei: "Nossa, será que eu ainda sei cuidar de bebê?” Porque os meus já estão grandes. Mas é ótimo, dou banho, dou comida, troco fralda. Uma princesa, só quero ver quando acabar, eu vou morrer de saudade. Só que como ela é minha amiga, eu fui madrinha de casamento dela, então eu posso ver a Olívia de vez em quando. Mas eu já estou apaixonada na Olívia, que tem 7 meses e é uma princesa. Mas eu estou lá, dou mamadeira, dou comida, mas é só por uns dias, e ainda fazendo as minhas costuras, porque hoje mesmo tem 3 peças lá pra eu arrumar.
01:02:59
P1 - E o Dean fica bem sozinho, quando você faz esses trabalhos, como é que é?
R - Então esses dias, só teve 2 dias em que ele ficou sozinho, porque a minha filha pegou 2 dias de Home, meu filho 1 dia, mas ficou mais ou menos, por exemplo, ontem ele não queria comer, então ele foi comer as 14h00, e desde de manhã tentando fazer ele comer, e ele não queria comer, né? Mas ele fica ali, com saudade, e agora eu acho que ele está com mais saudade ainda do meu marido, porque como ele se aposentou, e ficou sem trabalhar, falou que não ia mais trabalhar. Mas aí surgiu um trabalho temporário de 1 mês, justamente junto com o meu, então nesse último mês ele está trabalhando, mas é só agora, em fevereiro, que ele vai fazer esse trabalho de 1 mês, e ele não está em casa, porque todos os dias o Dean está conosco, acordamos de manhã, levamos ele no parque e ficamos o dia inteiro com ele, eu levo ele no parque a tarde de novo. Ele está estranhando um pouco, mas tem a minha nora, que é a Rafaela, a namorada do Vinícius, ela mora mais ou menos perto, e eu falo: "Olha, estou olhando ali na câmera, qualquer coisa eu ligo, você vai lá”. Mas ele está estranhando um pouquinho, está carente, viu?. Mas é só este mês. Agora já estamos pensando na próxima viagem.
01:04:30
P1 - E vocês já sabem para onde?
R - Não, ainda não tenho certeza, eu tenho vontade de voltar em na Bahia, em Arraial d'Ajuda, que é muito legal, ou ir para o Sul, ainda não defini, mas já estou pensando por que agora com ele aposentado, a gente já pensa qual vai ser o próximo destino.
01:04:55
P1 - E você estava contando que ele voltou a comer, logo que ele te viu, né? Como é que foi o sentimento dele melhorar?
R - Nossa, foi um alívio, um alívio muito grande, ver que ele estava melhorando, e as pessoas dizendo: “Nossa, era saudade, saudade da mãe, ele achou que você o abandonou”. Foi imediato, o veterinário falou: "Gente, de um dia para o outro!”. Eu o visitei esse dia, e no outro dia ele já estava melhor. E eu já levei ele, levei o cachorro embora para casa, e o veterinário até falou que ele já ficou mais esperto, - Porque meu filho tem um fusca, que é barulhento, né? - E não no dia em que eu o visitei, no outro dia, quando eu fui buscar, o Veterinário falou que o Dean ouviu o barulho, - porque eu peguei o carro do meu filho para ir buscar ele - O veterinário falou: "A quilômetros de distância ele já estava ouvindo o barulho do fusca. Ele virou aqui na cabine dele, ficou virado assim, latindo, latindo, desesperado, eu tenho certeza de que ele reconheceu o barulho”. E ele reconhece lá em casa, porque quando o Vinícius chega no condomínio e passa na nossa janela, o Dean já fica agitado, super agitado com o barulho do fusca. E o veterinário falou a mesma coisa: "Quando ele ouviu o barulho, ele tinha certeza de que era você vindo buscar ele, pela agitação que ele ficou”. Levei embora para casa, para observar, mas depois disso ele não teve nada anormal, só que eu tive que castrar ele agora, mas de rotina, porque como ele já está idoso a gente leva ele para dar vacina, e o médico falou que é bom fazer um check up de tudo. Fez todos os exames, aí falou que era melhor castrar. Eu fiquei morrendo de medo de castrar ele velhinho, mas o médico falou que era necessário porque podia ter problema na próstata, ele falou que agora ele está em boas condições, pelo check up, e disse que o problema dele pode ser que não dê nada, mas pode ser que vá inchando e depois vai atrapalhar, e ele pode precisar fazer a cirurgia de emergência, então é melhor operar agora. A gente operou no ano passado, em novembro, foi bem tenso também. Ter que deixar ele lá, mas uma coisa que você pensa, quando você vai assinar aquele documento, pensando: “Meu Deus, e se o cachorro morrer?”. Mas assim, é uma coisa que a gente tem que pensar, porque ele já tem 12 anos, mas é uma coisa que a gente acha muito difícil, né? Porque a gente pega um amor ali, que é um amor incondicional, é o bebê da casa, lá em casa, de todos, né? Assim, ele é grudado com todo mundo, todos, minha filha também. Ela fala: "Nossa, eu cresci com ele”, porque quando ele chegou, ela tinha 12 para 13 anos, e ela tá com 24 agora, então ela cresceu ali com ele, toda a família é bem apegada nele. (No) Natal, por exemplo, no Natal fui levar ele para passar na casa da minha irmã, da família falei que ia levar o Dean, né? Ela falou: "Pode levar”. “Pode”. “Pode levar ele. Ele vai com a gente”, aí já coloca a roupinha dele vermelha, e levamos ele, então a gente sempre está pensando nele.
01:08:27
P1 - É dessa viagem que vocês fizeram os 3 juntos, de 29 dias. Tem alguma história engraçada com o Dean?
R - Engraçada? Deixa eu lembrar.
P1 - Ou inusitada?
R - Não me lembro de nada assim, mas dele ter entrado na água, porque eu achei legal ele não ficar com medo. Principalmente nessa praia de Trancoso a gente tem uma filmagem, de drone, que o marido de uma colega, que mora lá, filmou a gente de drone. A gente tá na praia andando com ele, e ele tá lá passeando pela praia, bem legal! Mas assim, nenhuma história mais engraçada, não só ele entrou na água, ele viu a água entrar “vou entrar”, e ele entrou no rio.
01:09:20
P1 - Sem medo?
R - Sem medo, agora, no mar, acho que o barulho das ondas faz ele ficar assustado. Mas no rio eu deixei: "Se ele quer entrar, então deixa ele entrar”. Mas ele se comportou muito bem na viagem toda, não teve. A gente sempre para, pelo horário: "Olha, acho que agora tá na hora de ele fazer xixi, para ir ao banheiro”. Aí a gente parava a cada 2 horas. Se ele está dormindo, tá dormindo, espera um pouco mais. E hoje em dia ele, como ele é mais velhinho, ele dorme bastante também, né? Então, mas foi muito legal assim, no geral, passear com ele. Várias cidades. Várias fotos.
01:09:59
P1 - E como é a rotina do Dean hoje em dia? Como é que ele vive o dia a dia dele?
R - Então, o Dean... Acordamos cedo, e a gente leva ele no parque que tem na frente da minha casa, levo ele para passear. Hoje ele já tá parecendo mais devagarzinho, mas ele já conhece o caminho do parque, já atravessa a rua, já “vamos no parque”, quando volta, come, a gente faz ele comer, e depois ele dorme, dorme, dorme, acorda e dorme. Então hoje ele já é mais tranquilo e fica por lá, fica grudado com a gente. Ele tem a caminha dele que fica no sofá, eu coloquei uma escadinha no sofá, porque ele gosta de subir no sofá. Então ele sobe pela escadinha e às vezes ele desce, nem sempre, mas ele desce, fica lá. A gente faz as nossas coisas, ele fica por lá, no final da tarde, ele parece que tem relógio, ele já começa a olhar: "E aí?”. Aí: “ele quer passear”, e vamos de novo, e levamos ele para dar a voltinha dele; depois come de novo, na hora que a gente vai comer, às vezes ele também quer. Neste lugar em que a gente mora, quando a gente foi comprar esse apartamento, eu nem sabia que tinha esse parque na frente, apesar de ser próximo de onde eu morava antigamente, mas eu não conhecia o parque. Eu falo: “gente, aquele parque é um presente”, porque ele tem uma trilha, tem muitas árvores, tem um lago, tem um playground, assim, é ótimo. Ali tem o cachorródromo, mas eu não gosto muito de deixá-lo lá porque tenho medo dos outros cachorros, porque às vezes ele quer brigar. Então eu só quando não tem nenhum cachorro que eu entro com ele, deixo ele solto um pouquinho. Mas é um presente morar perto desse parque, aí volta e dorme, a gente volta no parque, dorme de novo, vai à noite. Ele também tem um horário de dormir, chega o horário de dormir, ele já aparece no corredor e fica assim, latindo, só falta falar: “Vamos para o quarto”. Gente, é sério, o cachorro ele quer fazer, ele quer que a gente vá para o quarto eu falo: “Não quero ir para o quarto agora, quero assistir televisão”, e ele fica lá até, às vezes desiste, fica por lá, mas ele quer que a gente vá para o quarto com ele, e assim ele é muito grudado na gente.
01:12:27
P1 - É o que ele gosta de comer, apesar de ele fazer greve de fome?
R - Ah, então ele é meio chatinho agora para comer, ele come a ração, ele come a ração mole também, e agora ele não quer mais a dura só. Então eu faço frango cozido, desfiado ali, com algum temperinho que pode dar para cachorro, e eu misturo na ração. Aí ele come, mas só ração, por ele, não quer mais, e a mole ele come um pouquinho melhor, mas agora ele já quer deixar, e ele também quer comer tudo que a gente come, então ele é fruta, pode dar um pouquinho, manga ele gosta, então dou um pedacinho pra ele, tomate, ele gosta, então dou um pouquinho pra ele. Então ele já tá mais chatinho quanto à alimentação, é mais seletivo.
01:13:15
P1 - O que é importante para você hoje?
R - O importante do hoje é o hoje, tentar aproveitar a vida, e ainda saúde, porque saúde é uma coisa muito importante, você ter saúde para poder desfrutar. Mas hoje em dia não penso mais, muito mais no futuro, em coisas que eu vou querer e mais desfrutar hoje, aproveitar, curtir a família, viajar, conhecer novos lugares, isso.
01:13:46
P1 - E qual é a importância que o Dean tem na sua vida?
R - Ah, ele é muito importante! É um amor incondicional por ele. É um bebê, um animal de estimação por quem pegamos muito afeto e amor; a gente pensa nele em tudo, então, ele tem uma importância imensa e pensamos nele em tudo o que fazemos. Como ele já tem 12 anos, eu até penso que, quando ele se for, é algo para o qual tentamos nos preparar de alguma forma, mas a gente já fica imaginando. Quando tiramos ele de casa, para ir ao pet shop e ficamos aqui, parece que estamos procurando ele no ambiente: "Cadê ele?”. Em algum momento, quando ele não estiver mais. Enfim, ele é muito importante para mim e para toda a família.
01:14:43
P1 - E você tem sonhos?
R - Sonhos, mais de conhecer lugares mesmo, um sonho de viajar, e eu queria ver a neve, mas confesso que é uma coisa que eu ainda penso, e adivinhe por quê? Por causa do Dean. Porque esse ano que nós vamos fazer 30 anos de casados, meu marido pensa em fazer uma viagem internacional. E eu penso: "E o Dean? E se eu estiver lá na neve e o Dean ficar doente?”. E a gente tem que pensar em todo o trâmite de sempre ter alguém em casa. Então é uma coisa que você sonha, mas fica ainda com medo, né? Mas eu queria muito conhecer a neve, eu gosto muito de frio. Ah, eu também sonho muito em ter um netinho. Sonho muito em ter o neto, mas ainda vai demorar um pouco, porque o Vinícius tem 27, a Giovana tem 24, e nenhum dos dois se casou, a maioria das minhas amigas, cunhadas que estão na minha faixa etária, todas já têm um netinho e agora, eu cuidando da Olívia, a minha amiga falou que eu vou ser uma excelente avó, porque eu cuido muito bem dela, então eu queria, mas eu acredito que ainda demora. Então, eu queria ter netos, pelo 1 ou 2, é um sonho também, que eu quero, se Deus quiser, conhecer os netinhos.
01:16:10
P1 - E você fala isso para eles?
R - Falo, falo para eles sim, mas ele pensa em se casar, na estabilidade financeira, comprar um apartamento. O meu filho namora já há 5 anos, então ele fala que quer muito se casar, mas que por enquanto ainda não deu, e a minha filha já namora há uns 3 anos também. Os dois têm planos de se casar, mas primeiro se casar e depois neto, então eu acho que esse sonho vou demorar ainda uns, sei lá, 5 ou 6 anos para realizar, em média. A não ser que tenha uma surpresa por aí, mas eu acho até bom, porque tenho amigas minhas que o filho teve filho com 17 anos. Não, os meus são muito conscientes, não querem ser pais. A minha filha tem 24 anos, e ela: “eu não quero ser mãe adolescente”, eu falo: "Mas 24 anos, não é mais adolescente!”. Ela: “Não, morro de medo de ser mãe adolescente, com 24 anos”. Mas eu acho que vai demorar ainda mais, olha pelo menos uns 5 ou 6 anos.
01:17:18
P1 - E vocês, nunca pensaram em ter outro amiguinho peludinho?
R - Já até pensei, inclusive meu marido já quis. A gente já até pensou, mas eu falei “não, porque vai gastar com dois cães, são como se fossem dois filhos”, ele tem até convênio médico, agora tá? Convênio. Depois daquele gasto todo que eu tive com ele, quando eu voltei da viagem ainda por cima. Eu fiz convênio. Aí, você tem que comprar ração, tem que levar no pet shop, tem que dar banho e 2 eu acho que seria, mas durante muito tempo, principalmente eles, eu falei: “Nossa, mais dois para passear. Eu não sei se ele ia querer um cachorro porque ele é muito territorialista, é tudo dele”. Eu não sei, mas meu marido já chegou a pensar, mas de uma coisa eu tenho certeza, de que eu não vou querer outro depois. Sim, porque apesar de ser maravilhoso e da gente amar, tem essa questão que a gente fica. Tem que sempre pensar nele, e é uma vida que depende de você estar ali. Então vai viver 10, 17 anos, e você tem que estar ali, presente. Mas já chegamos a pensar, mas eu fui eu mesma que não quis. Ele já tinha até nome, meu marido disse que era o Jon Snow. “Vamos arrumar um Jon Snow”. Falei: "Não, vamos. Jon Snow, não. Não vai ter Jon Snow nada, pelo trabalho e a adaptação”, falei: “Depois disso, ele não quer o cachorro, a gente vai fazer o quê? Depois que já trouxe para casa, né? E se ele brigar, né?”. Falei: “Não. Deixa os 2 sozinhos, e é morte?” Não, depende do lugar. Ele até, por exemplo, na casa da minha irmã, ela tem 2, no Natal, já levei duas vezes. Um corre atrás do outro, depois param ali. Ele fica mais bravo quando ele está na guia, quando ele tá na guia, se passar perto da gente um cachorrão, um Rottweiler, ele quer brigar, mas não, por enquanto não, um cachorrinho só tá bom, só esse aí mesmo. Vai ser filho único.
01:19:25
P1 - Tem alguma pergunta ou história que você queira contar que eu não tenha te perguntado?
R - Não, não lembro de nada assim não. Nada que venha na cabeça.
01:19:39
P1 - E você quer deixar alguma mensagem para as pessoas que pensam em adotar algum animalzinho de estimação, em ter algum animalzinho?
R - Olha, é muito bom, é muito bom ter um cachorro, ter alguém para compartilhar e é um amor incondicional. E ele também vê você como o amor e tudo que ele tem ali, o cachorro, que é maravilhoso, dá um certo trabalho, mas é maravilhoso ter um cachorro hoje na nossa vida. Ele completa a gente assim, de uma forma, eu imagino a casa sem ele ia ser muito chato, né? As crianças, os filhos cresceram. Acho maravilhoso ter um cachorro assim, eu acho muito, muito bom. É um amor inexplicável, só mesmo quem tem é que entende o amor que a gente tem nesses bichinhos.
01:20:36
P1 - E como é que foi contar um pouco dessa história hoje para o Museu da Pessoa? O que você achou?
R - Ah, eu gostei. Foi legal, eu gostei. Estava um pouquinho tensa no começo, vindo para cá e pensando: “Nossa, mas o que? A minha história é mesmo legal? O que que eu vou falar então?”. Mas eu gostei, é legal.
P1 - Então, em nome do Museu da Pessoa, em meu nome, em nome do Nathan, do Mayo e do Alho, a gente agradece muito. Muito obrigada.
R - Eu que agradeço. Foi bom participar.
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