Projeto Memória Petrobrás
Depoimento de Leila Carrilho
Entrevistada por Márcia de Paiva
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2005
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB700
Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha
P – Bom dia.
R – Bom dia.
P – Eu gostaria de começar pedindo que você nos diga seu nome completo, local e data de nascimento.
P – O meu nome é Leila Maria Carrilho. Quando ingressei na Petrobrás eu tinha o nome de casada e era Leila Maria Carrilho Ásfora (?). E eu ingressei na Petrobrás, quer dizer, no sistema Petrobrás, em 12 de junho de 1972. Foi o primeiro concurso que a Braspetro realizou. A Braspetro tinha sido criada no dia 5 de abril de 1972. E então houve a necessidade de fazer um recrutamento de secretárias executivas com proficiência em Inglês e Francês. Então foi realizado um concurso entre várias secretárias, e três foram aprovadas, uma pra secretária do vice-presidente, que foi inclusive o idealizador e criador da Braspetro, Dr. Dionísio Barroso, e pra mais dois diretores. E eu fui selecionada pra ser a secretária, depois daquela filtragem toda, do diretor da área econômico comercial financeira, que é o Carlos Santana, que é uma pessoa bastante conhecida também, de muitos anos de Petrobrás.
P – Que foi presidente?
R – Foi presidente. E eu trabalhei com ele 18 anos, como secretária.
P – Como secretária. E eu queria te perguntar então. Você parece ter uma história, como é que é a história da carteira número dois?
R – É interessante porque, como foi a Braspetro, no seu início obviamente, o seu corpo técnico eram empregados de órgãos técnicos cedidos da Petrobrás, porque não havia no mercado de trabalho. Obviamente a Petrobrás era estatal. Então o corpo técnico tinha que ser da Petrobrás, mas houve necessidade de recrutamento de mão de obra da linha administrativa, digamos, né, financeira. E, por coincidência, eu fui a matrícula 01. Na verdade matrícula 01...
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Depoimento de Leila Carrilho
Entrevistada por Márcia de Paiva
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2005
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB700
Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha
P – Bom dia.
R – Bom dia.
P – Eu gostaria de começar pedindo que você nos diga seu nome completo, local e data de nascimento.
P – O meu nome é Leila Maria Carrilho. Quando ingressei na Petrobrás eu tinha o nome de casada e era Leila Maria Carrilho Ásfora (?). E eu ingressei na Petrobrás, quer dizer, no sistema Petrobrás, em 12 de junho de 1972. Foi o primeiro concurso que a Braspetro realizou. A Braspetro tinha sido criada no dia 5 de abril de 1972. E então houve a necessidade de fazer um recrutamento de secretárias executivas com proficiência em Inglês e Francês. Então foi realizado um concurso entre várias secretárias, e três foram aprovadas, uma pra secretária do vice-presidente, que foi inclusive o idealizador e criador da Braspetro, Dr. Dionísio Barroso, e pra mais dois diretores. E eu fui selecionada pra ser a secretária, depois daquela filtragem toda, do diretor da área econômico comercial financeira, que é o Carlos Santana, que é uma pessoa bastante conhecida também, de muitos anos de Petrobrás.
P – Que foi presidente?
R – Foi presidente. E eu trabalhei com ele 18 anos, como secretária.
P – Como secretária. E eu queria te perguntar então. Você parece ter uma história, como é que é a história da carteira número dois?
R – É interessante porque, como foi a Braspetro, no seu início obviamente, o seu corpo técnico eram empregados de órgãos técnicos cedidos da Petrobrás, porque não havia no mercado de trabalho. Obviamente a Petrobrás era estatal. Então o corpo técnico tinha que ser da Petrobrás, mas houve necessidade de recrutamento de mão de obra da linha administrativa, digamos, né, financeira. E, por coincidência, eu fui a matrícula 01. Na verdade matrícula 01 é meio mentirinha porque a 01 fica no Ministério do Trabalho. A minha matrícula é a 02, mas eu sou chamada a número 1. E eu era muito nova, eu tinha 21 anos. E eu, alguns anos depois eu soube que o vice-presidente, ele mesmo relatou, ele ficou muito preocupado porque, quando apresentaram as três últimas finalistas de toda aquela filtragem e aquela, né, aquele processo todo de seleção, eles não se deram conta que eu era tão nova, eu tinha 21 anos. O que eles chamaram a atenção foi quando, no preenchimento da ficha, eu já era casada. Eu era recém-casada. Eu tinha casado em maio e eu ingressei na Braspetro em junho. Quer dizer, eu estava praticamente em lua de mel. E acho que eles ficaram muito assim ligados pelo fato de eu ser casada. E eu me lembro que eu fiz uma foto assim pra carteira de trabalho com uma roupa bem caretinha, que não seria uma roupa de uma menina adolescente, pra justamente parecer mais velha. E ele ficou assim meio intrigado. Tanto que ele quis me entrevistar, e não caberia a ele me entrevistar uma vez que eu já teria sido entrevistada e aprovada pelo diretor, que tinha autonomia pra isso. Mas ele quis me entrevistar. E aí ele me pediu, o pessoal depois riu muito da história. Com o tempo, distanciamento histórico dos fatos, você começa a rir da história. Aí ele me pediu: “A senhôra...” Ele não falava senhora, ele era baiano. “A senhôra é casada?” Eu falei: “Sim.” “E a senhôra tem a certidão de casamento para me mostrar?” Olha que coisa absurda, né? Eu tive que, por sorte eu estava trocando os documentos, porque eu era recém-casada e eu tinha dentro de minha bolsa a certidão de casamento e mostrei a ele. E isso aí foi um fato assim que deixou ele bem tranqüilo. Depois ele ficou intranqüilo de novo. Ele perguntou: “E seu marido? Ele é da Petrobrás?” Eu falei: “Não, ele é jornalista.” Nós estamos falando de anos 70. Jornalistas não eram pessoas muito queridas, né? E aí ele perguntou: “De que jornal?” Aí ele relaxou um pouco. “Do O Globo”. Aí ele deu uma relaxada, que era um jornal que estava mais ou menos, entre aspas, com a situação daquela época.
P – E deixa eu te perguntar. E aí como é que foi esse princípio da Braspetro, também? Foram poucos funcionários? Você foi a número 2 mas era um grupo pequeno? Como é que foi isso?
R – Muito pequeno. Era um grupo muito pequeno. Nós ocupávamos apenas dois andares de um prédio pequeno que ficava ali na Praça Pio X, Edifício Ultramarino. Era, eu me lembro assim que os primeiros dias, os primeiros meses, nós éramos no máximo umas 30 pessoas se tanto. Um grupo muito pequeno. Nós todos nos conhecíamos com muita intensidade, o que não acontece hoje em dia. E também havia o grupo que ia já pro exterior. Tinha um grupo no exterior, mas eram poucos países que a Braspetro atuava. Eu me lembro que, quando eu entrei na Braspetro, havia só atuação no Iraque, na Colômbia e Madagascar. E isso bem no início. Depois começou a vir aquela crise, a grande crise de abastecimento no petróleo no mundo, todo aquele conflito árabe israelense. Aí começaram a sentir necessidade de prospectar em outros países para suprir o mercado, e ainda não havia essa quase obtida auto-suficiência de petróleo. Então começaram a fazer, a criar escritórios em Argélia, Irã, Líbia, em Angola. E aí que começou a intensificar mais essa atividade, e também começaram a vir os sucessos. Então o grande sucesso assim que nós todos, isso você já deve ter ouvido de outros colegas nos depoimentos, foi a descoberta do Maginon (?) que foi um momento assim de muita alegria, de muita emoção. E todos nós nos lembramos, quer dizer, quem participou assim mais ativamente, porque foi no tempo que as comunicações eram muito complicadas. Não havia todos esses recursos. Então era o tempo do rádio, telex. E havia um código, e você já deve saber a frase, quando descobriram Maginon (?).
P – Não, me conta.
R – Crioulo doido correndo no deserto. Foi um mega poço, e era muito petróleo. Então, quer dizer, português já é quase um código, né, a língua portuguesa. E chamavam o petróleo de crioulo. Hoje em dia talvez fosse até uma coisa politicamente incorreta, mas não. Era o crioulo, crioulo doido correndo no deserto. E essa frase foi assim ________, foi um momento assim de muita alegria quando chegou aquele rádio. Que não tinha essa facilidade de você ligar e nada. Era tudo muito complicado.
P – E vocês comemoraram ou teve uma...
R – Não tanto, pela grandeza que foi o fato. A comemoração foi mais assim interna, mas sem brindes nem nada. Também a empresa era muito séria. Tem que lembrar que estávamos nos anos 70. Tudo era muito quadradinho. Mas talvez na rua os geólogos tenham comemorado, não sei. Mas assim, dentro do escritório não foi como seria hoje, a gente poria no rádio, todo mundo ia bater palma. Era um tempo diferente.
P – Queria que também você me contasse, você contou da descoberta desse poço, eu queria que você me contasse também um outro momento assim , até pra você mesmo, em termos até da sua trajetória, o que você quiser escolher, ou da trajetória da Braspetro, como também um outro fato que tenha te marcado, uma história que tenha acontecido, algo que tenha sido marcante também pra você.
R – É, tem coisas interessantes, quer dizer, eu tenho dois momentos Petrobrás porque até 1989 eu fui secretária de diretoria e de presidência.
P – Na Braspetro, permaneceu na Braspetro?
R – Não, não. Porque a Braspetro foi criada em 76. Aí houve uma diretoria da Braspetro que foi crescendo tanto e, com a crise de abastecimento e com a dificuldade de, toda a dificuldade do Brasil, econômica. Então o Diretor Comercial da Braspetro, com quem eu trabalhava, foi o idealizador da Interbras, que era a Petrobrás Comércio Internacional, que era uma trade, ou seja, então estabeleceu. Nós temos café, soja, grão de modo geral. Já havia uma indústria boa, a indústria automobilística, eletrodomésticos. E havia uma demanda muito grande desses países de Oriente Médio e África em que eles tinham petróleo mas não tinham, por exemplo, um fogão, um carro Volkswagen. Então foi criada a Interbras, que era pra fazer a tal da contrapartida, ou seja, você, os navios iam com petróleo, quer dizer, vinham de lá com petróleo e voltavam com grãos ou com equipamentos e eletrodomésticos e carros, e depois também começou área de serviço. Então esses países estavam em crescimento. Alguns tinham adquirido independência, tipo Angola. De um modo geral são países de África. E então eles também levavam serviço. Então iam construir pontes e viadutos e hotéis, enfim, a engenharia civil da Petrobrás, expertise da Petrobrás de engenharia foi pra lá até pra construir refinarias e tudo mais.
P – E aí você foi trabalhar...
R – E aí eu fui pra Interbras. Aí, em 76, essa diretoria toda da área comercial da Braspetro foi, entre aspas, demitida, e no mesmo dia admitida na recém criada Interbras, que era Trade in Company mas que em 90, no governo Collor, ela foi extinta.
P – A Interbras?
R – A Interbras foi extinta assim como a Petromisa (?), que era uma outra subsidiária da Petrobrás pra mineração.
P – E aí o pessoal da Interbras foi demitido ou foi agregado aos quadros da Petrobrás de novo?
R – Não, todo o pessoal da Interbras, em 90, foi demitido, mas eles estão sendo reintegrados agora.
P – Mas você chegou a ser demitida?
R – Não, não. Pois é, porque aí aconteceu o seguinte. De 72 a 76 eu fui Braspetro. De 76 até 79 eu fui Interbras. Quando, em 1979 (?), o diretor com o qual eu trabalhava, o Carlos Santana, ele foi designado, denominado Diretor da Petrobrás. Nisso eu, e Presidente da Interbras porque, naquela época, sempre o diretor de uma área era o presidente de uma subsidiária. Então havia cinco subsidiárias e cinco diretores, e essas presidências subsidiárias eram ocupadas pelos diretores dessas diferentes áreas de atividades da Petrobrás _______. Então ele foi ser Presidente da Interbras mas fisicamente, como ele era diretor de Petrobrás, eu vim para o Edise (?). E nessa que eu vim para o Edise (?) já havia assim uma demanda de mão de obra de secretária executiva bilíngüe, trilingüe no meu caso. E aí a minha matrícula, eu perdi a minha matrícula 02, e aí eu vim ter a matrícula com a qual eu me aposentei, que é a matrícula da Petrobrás. Enfim, eu passei por três, duas subsidiárias e pela Holding, que é a Petrobrás, pela qual sou aposentada.
P – Mas aí você se aposentou pela Petrobrás ou, pela Petrobrás mesmo?
R – Pela Petrobrás sim, porque em 79 eu ingressei na Petrobrás e me aposentei em janeiro de 2001.
P – E aí então, voltando à pergunta, tem alguma história, algum fato que tenha te marcado mais assim?
R – Tem muitas histórias interessantes. Bom, como teve essas fases que, digamos, dois terços da minha vida na Petrobrás foi de secretária. E naquele tempo até o layout das empresas era diferente do escritório. Então a sala de secretária, principalmente numa área internacional, era sala de espera do visitante. Porque você não podia botar numa sala de espera diferentes raças porque às vezes havia desafetos entre eles. Então a sala da secretária era a sala de espera até chegar à sala do presidente. Às vezes por algum motivo, do presidente, diretor, seja lá do, por algum motivo como um atraso, então ficava na sala. Isso veio ao encontro assim de um desejo pessoal meu, porque o meu projeto de vida, quando eu estava terminando o curso de Humanidades e Letras, naquele tempo você podia escolher clássico ou científico, eu queria fazer diplomacia. Mas como eu casei muito nova, com 21 anos, aí a diplomacia tornou-se inviável. Mas eu sempre fui assim fascinada pela área internacional. E aí eu achei interessante assim que eu tive oportunidade numa sala em que eu tinha uma paleta assim enorme com o mapa mundi, e era aquela alegria de você ir botando aqueles pinzinhos em todos os países que a Braspetro começou a atuar. Mas, ao mesmo tempo, então eu senti assim, bom, eu acho que eu estou aqui, de uma certa maneira, eu mesma me dei um upgrade. Eu acho que eu sou aqui meio diplomata. Então, e eu tive essa visão que foi, talvez, me deu muito crescimento profissional e até pessoal, pelo fato de eu falar Inglês e Francês. Então todo visitante que chegava lá era uma autoridade, era um _______ dele, do diretor e outras empresas estatais de petróleo com muito mais tradição e com muito mais potencial econômico. E então eu sempre procurava me interessar muito pelo que eles tinham me contado do país dele, da cultura. E também eu sempre procurei levar pra eles assim o que era o Brasil. É aquela velha frase do Tolstoi: “Para falar ao mundo, fale sobre a sua aldeia”. Então eu procurava me manter assim bem atualizada da história mesmo, quer dizer, da história que a gente estudou no colégio. E captar também. Eu me lembro que uma coisa que eu fiquei assim, me cobrei muito. Assim que eu entrei na Braspetro, e aí: “Ah, vamos atuar, estamos atuando no Iraque, Colômbia e tal, em Madagascar”. E aí me caiu a ficha, e eu sabia que Madagascar era na África, mas eu não sabia que era uma ilha. Eu achava que era continente. E aí, aquele mapa mundi assim, me abriu muito. Então eu era uma menina, 21 anos. E você, eu começava assim a viajar com aquele mapa e também prestar atenção de, por exemplo, houve situações , e esses árabes sempre levavam presentes, que é uma tradição muito do árabe. Eles presenteiam, não é com nenhum sentido de corrupção. É de mostrar o país dele, é uma maneira muito afetuosa. Então eles traziam tâmaras e tapetinhos e aqueles adornos árabes e tal. E eu ia botando assim tudo sobre uma, tipo um aparador. Mas eu tinha um cuidado, às vezes, assim. Quando eu sabia que vinha um país em que, primeiro que não podia deixar nenhuma deixa de que aquele país estava em negociação, porque também havia todo uma estratégia que...
P – Política.
R – É, e também você não podia abrir muito com quem a Petrobrás estava negociando. Então às vezes eu tinha que correr e esconder. Mas houve uma situação que foi muito interessante, que essa já foi mais recente. Quando ficou mais sério o conflito entre Irã e Iraque, tinha acabado de sair da sala do Presidente o Embaixador do Iraque, que deu ao Presidente uma bandeja lindíssima de prata com inscrições que eu não sei dizer o quê que estava escrito ali. E ele, obviamente, colocou assim bem em destaque sobre a mesa dele de trabalho. Nesse meio tempo o pessoal do segurança avisa: “Ah, o diretor tal está subindo aí com o Embaixador do Irã e mais o Presidente da Nióquia (?), que é a estatal do Irã. E o Presidente foi pro elevador pra recebê-lo e eu me lembrei, ele está ali com aquela bandeja do Iraque. Meus Deus do céu, o que eu fiz? Aí eu peguei a bandeja. Eu não poderia sair pela porta pela qual eles entrariam, que a porta de acesso era passar pela secretagem (?) com aquela bandeja. Aí eu corri e fui pro banheiro, que o banheiro era contíguo ao grande salão do Presidente. Aí eu fiquei trancada no banheiro. Tranquei o banheiro, rezei pra ninguém querer ir ao banheiro, o banheiro que era exclusivo do Presidente. No caso nem ele nem o visitante. Fiquei dentro do banheiro com uma bandeja lá com as inscrições do iraquiano. Então tem situações assim bem interessantes dessa vivência internacional.
P – E você, depois que você se aposentou você manteve o contato com a Petrobrás? Como é que foi? Você se aposentou muito moça. Em que ano você se aposentou?
R – Me aposentei em dezembro de 2000. Não era tão moça assim não. Se você fizer as contas... Mas até 89 eu fui secretária. Aí, quando houve o Governo Collor eu não quis mais ficar em presidência. Acho que nem preciso dizer os motivos, né? E enfim, e aí, como eu tinha também de formação, Comunicação, e pelo fato de eu também ter o idioma Inglês e Francês, e dentro da Comunicação Institucional, que naquela época chamava-se Ecom (?), havia a assessoria internacional. E então eu fui pra assessoria internacional onde eu exerci o cargo de, tipo relações públicas. Então eu fazia todo o receptivo de delegações estrangeiras e organizava os eventos, quer dizer, colaborava na organização, junto com a equipe, dos eventos internacionais que a Petrobrás sediava no Brasil ou aos quais a Petrobrás era representada também no exterior. E isso, eu exerci essa função de 90 até 96, na comunicação institucional chamada hoje em dia. Aí em 96 aconteceu uma coisa muito interessante. Eu fui designada, convidada para ser Secretário Geral da Braspetro, a subsidiária na qual eu ingressei no sistema Petrobrás. Então eu sempre brinco que eu saí do feminino, secretária, pra virar secretário geral, que é o cargo do Dr. Cícero, aquele senhor. Eu sucedi o Dr. Cícero, que ele se aposentou. E aí eu falei: “Bom, agora eu perdi o feminino porque, de acordo com a ABNT, secretário não tem, não passa pelo gênero feminino. Então eu passei a ser Secretário Geral, cumulativamente na Braspetro a ações de relações públicas na área internacional. Então, de 96 a 99, eu exerci essas duas funções na Braspetro, eu fui cedida. E aí, em 99 voltei. Quando veio, o _______ tomou posse, e aí ele sentiu necessidade de alguém pra ficar cuidando da área de cerimonial e protocolo, que aí já tinha se tornado uma expertise, digamos, minha. E aí eu fiquei de 99 até 2001 nessa área de cerimonial e protocolo para a presidência.
P – Para a Petrobrás, para a presidência geral.
R – E, bom, aí eu tive oportunidade de fazer uns cursos no Itamaraty, estágios. Não bem curso, estágios. E também fiz alguns cursos assim. E hoje em dia eu trabalho com isso, eu tenho uma empresa, uma microempresa de organização de eventos corporativos, cerimonial, protocolo, e trabalho muito para a Petrobrás.
P – É isso que eu ia perguntar.
R – Petrobrás, IPP (?), enfim, esse mundo de petróleo. E ontem, particularmente, foi assim um dia muito feliz assim, de ver como a Petrobrás cresceu. Ontem, não sei se vocês sabem, foi realizado de sábado até ontem o Terceiro Fórum das Empresas Estatais de Petróleo. Esse fórum é novo, a terceira edição foi essa, realizada no Brasil. Porque as empresas estatais de petróleo, ainda eu pensei que houvesse menos, mas são, ainda existe quase 40 empresas de petróleo estatais. Elas sentiram que havia necessidade de um momento, de um espaço pra só elas, sem as empresas privadas, sem desmerecer, sem Esso, Texaco, ______, em que houvesse só o assunto delas. O DNA delas é o mesmo. Então a Petrobrás foi a anfitriã, foi eleita pra ser anfitriã. É um fórum que se realiza de 18 em 18 meses, e o Brasil foi o país anfitrião, no caso a Petrobrás. A primeira edição foi na Argélia, uma vez que o idealizador foi o Ministro do Petróleo da Argélia. A segunda edição foi na Noruega, em Stavanger (?), e a terceira foi no Brasil, e foi um sucesso. E eu fiquei assim muito orgulhosa, teve momentos assim que eu sentei lá no fundo das plenárias. E as apresentações da Petrobrás brilhantes. Então a gente viu, sabe, que uma empresa que começou assim meio timidazinha, né? Havia um pouquinho de complexo: “Eu sou tão pequena no mundo internacional”. E depois você vê a autoridade, o reconhecimento assim da Petrobrás no mundo internacional, porque estavam ali reunidos 23 presidentes das maiores empresas de petróleo do mundo, e a Petrobrás assim par a par com eles, sabe, não só na produção mas como também em todo comprometimento dela com responsabilidade social e todo o sucesso da tecnologia. E todos assim ávidos em conhecer a empresa, em visitar Urucu, que eles acham, sabe, aquela atividade nossa em Urucu, maravilhosa. Visitar as plataformas, visitar os Cenpes (?). Então a gente virou assim modelo padrão ________ pra eles. E eu vi ela começando e a gente fazia o _______ delas. E hoje em dia elas vêm fazer o ________ na gente.
P – Inverteu, né?
R – Foi muito bonito, muito bonito mesmo. E também o fato da Petrobrás, isso foi mencionado, ela faz parte do Global Compact (?). E são poucas empresas no mundo que estão, que aderiram. E a Petrobrás foi uma delas. Aí eu fiquei assim, foi um momento de glória, sabe? Eu fiquei pensando pra quem, há 33 anos atrás, viu uma empresinha assim modestazinha, ainda botando o pezinho assim fora do mundo, ainda tirando o seu passaportezinho assim com dificuldade, e de repente ontem toda aquela grandeza dela assim. Foi muito bonito.
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Projeto Memória Petrobrás
Depoimento de Leila Carrilho
Parte 2
R – ... várias noites sem dormir porque...
P – É, eu imagino.
R – Nós até ficamos no hotel porque as delegações chegavam nos horários mais...
P – Mais loucos.
R – Mais loucos do mundo. Tinha...
P – Foram três dias?
R – É, três dias. Mas alguns chegaram com antecedência.
P – Aí você também...
R – ___________ né?
R – Então, eu queria também... Você está falando aqui como foi esse crescimento da empresa. Eu queria também terminar a entrevista perguntando o quê que você acha dessa iniciativa de estar se fazendo um Projeto Memória e se você gostou de participar.
R – Bom, eu adorei participar. Realmente eu fiquei muito sensibilizada e orgulhosa, né? E, como eu te falei, foi num momento assim muito importante. Se eu faço um flashback de 33 anos, eu era uma menina praticamente, uma adolescente. Hoje em dia eu já sou uma senhora, avó de três netos. E ontem, exatamente ontem, eu vi ao vivo e em cores, vida, forma e cor da Petrobrás dominando no mundo. Então foi assim um dia muito especial e eu acho essa iniciativa fantástica porque eu acho que a Petrobrás é feita por nós, todos os petroleiros, seja qualquer cargo, seja qualquer função. Eu acho que o vigor, a pujança, o entusiasmo é comum a nós todos. Ninguém é petroleiro por acaso. Eu acho que tem uma bênção assim, de nós todos, para nós todos termos essa oportunidade de trabalharmos na Petrobrás e conviver, porque não é a mesma coisa que você trabalhar numa empresa, com todo o respeito, mas que fabrica cadeiras. É muito mais. E pra mim, eu tive um pai que lutou, que foi pra rua, levou paulada quando jovem estudante. Era aquela briga toda do monopólio, da “O petróleo é nosso”. Então, é um sonho. É mais um sonho. Ainda tem muitos a sonhar.
P – É isso aí. Então eu queria agradecer a sua participação, vindo colaborar com a gente.
R – Eu é que agradeço.
P – Muito obrigada.
P – Sucesso a vocês todos aí do projeto. Parabéns.
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