Saí da minha terra natal, Riachão do Jacuípe, na incrível Bahia, com 13 anos. Cheguei em São Paulo menina, cheia de sonhos e sabendo que a vida de uma migrante nordestina aqui na cidade grande não seria fácil. O cotidiano era trabalhar para ajudar nas despesas de casa e estudar para concluir o ensino médio na escola pública. Com o passar dos anos, constatei que não seria tão fácil conseguir cursar uma faculdade e que o sonho de me tornar professora não seria tão fácil de conquistar. Parecia mesmo que as brincadeiras de escolinha quando criança e as tentativas de alfabetizar meus sobrinhos era o mais perto que eu chegaria desse sonho.
Depois de um tempo morando no interior de São Paulo, em Valinhos, voltei para São Paulo e resolvi fazer um curso de cabeleireira, atividade que também aprecio muito, e abri meu próprio salão. Finalmente, as coisas começaram a melhorar. Foi então que consegui me matricular na faculdade de Pedagogia para me tornar professora, como era o meu sonho de criança, aos 35 anos. Eu sempre fui uma pessoa esperançosa, talvez esse tenha sido o motivo de não ter desistido. No meio desse longo caminho, me casei, com 24 anos, e a vida me presenteou com dois filhos maravilhosos. Conheço muitas histórias de migrantes nordestinos que não têm um final tão feliz quanto a minha. Espero que meu relato possa ajudar aqueles que conservam em seus corações a chama da esperança. Não desista dos seus sonhos. Trabalhe. Trabalhe duro e persevere. Os sonhos podem sim virar realidade quando você acredita e tem fé!