Ser professora sempre foi uma forma de existir no mundo. Eu, Luciana Elisa, mulher, nordestina, filha e mãe, trago no peito as marcas e os caminhos que percorri desde que nasci em Arcoverde, no sertão pernambucano. Meu caminho nunca foi linear. Andei por tantos lugares, conheci pessoas, criei laços, vivi culturas diferentes — de Caruaru a Olinda, de Recife à Nicarágua. Cada espaço deixou um pouco de si em mim: vivências intensas, sentidas, sofridas, amadas e até esquecidas, mas todas necessárias para que eu me tornasse quem sou.
Caruaru foi o lugar onde decidi ficar. E foi aqui que o desejo que sempre me guiou tomou forma: ser professora. Na FAFICA estudei e descobri que poderia, com meu trabalho, transformar mundos — o mundo de cada estudante que cruzasse meu caminho. Ali percebi que ensinar é participar do sonho do outro, é ajudar a moldar possibilidades, é ser ponte.
Vivi etapas importantes: casei, trabalhei, ensinei. Vieram as filhas, vieram lágrimas, vieram amores e desafios. Trabalhei, chorei, ensinei e, algumas vezes, até pensei em desistir. Minha trajetória é longa e cheia de curvas — em muitas delas, me perdi. Mas sempre reencontrei o caminho.
Foi na EJA que me descobri por inteiro. Ali conheci histórias interrompidas e retomadas, vidas que buscavam novas chances, sonhos que insistiam em florescer. E me apaixonei. Porque na EJA não se ensina apenas conteúdo; ensina-se coragem, acolhe-se a bagagem, celebra-se cada passo. Na EJA eu me reinvento todos os dias: aprendendo, ensinando, chorando, sorrindo, vivendo.
E assim sigo, semeando sonhos que não são meus, mas que, de alguma forma, me transformam também. O amor em ser professora nasce exatamente disso: da certeza de que, ao tocar a vida do outro, encontro sentido para a minha.