Identificação Museu da Pessoa - Como o pessoal te conhece aqui, Zé Roberto ou Zucchini? Zucchini - Zucchini. MP - Zucchini, para começar eu queria que você dissesse o seu nome completo, data e local de nascimento. Zucchini - Meu nome é José Roberto Zucchini dos Reis, nasci em São Paulo, Capital. E... MP - Que dia? Zucchini - No dia 11/5/1960. MP - A tua família é aqui de São Paulo mesmo, Zucchini? Zucchini - Meu pai nasceu aqui em São Paulo, capital. Minha mãe nasceu em Cosmópolis. MP - É São Paulo? Zucchini - É interior de São Paulo. Avós MP - E os teus avós? Zucchini - Meus avós paternos são portugueses. Meu avô ele até era do continente. Minha avó era de uma região também chamada Trás dos Montes. MP - Como é que se chamava o seu avô paterno? Zucchini - O meu avô Baltazar dos Reis. MP - A tua avó? Zucchini - Zulmira de Assunção Rodrigues. MP - Você sabe um pouquinho da história deles? Eles se casaram lá e depois vieram para cá? Como foi? Zucchini - Não, o pouco que eu sei é que eles se conheceram aqui no Brasil. Não se conheciam lá. e... MP - Por que eles vieram parar no Brasil? Zucchini - Porque a situação era muito difícil. Meu avô chegava a contar para mim que você trabalhava o ano inteiro e chegava no final do ano você conseguia comprar uma calça ou uma camisa. Então a condição de vida era muito difícil. E como opção ele tinha aqui o Brasil. Veio e conseguiu. MP - Ele trabalhava com o quê aqui no Brasil? Zucchini - Ele era chacareiro. MP - Você chegou a conhecer essa chácara? Zucchini - Não. MP - Não. Zucchini - É na região de Sapopemba. Que aquela região há muito tempo atrás era uma região que tinha muita chácara. E ele se estabeleceu ali. MP - Plantando para vender? Zucchini - Plantando. E eles traziam aqui no mercado municipal. De carroça, viu? Meu pai inclusive o ajudava. Eles escolhiam e traziam aqui no mercado para vender. MP - Tá...
Continuar leituraIdentificação Museu da Pessoa - Como o pessoal te conhece aqui, Zé Roberto ou Zucchini? Zucchini - Zucchini. MP - Zucchini, para começar eu queria que você dissesse o seu nome completo, data e local de nascimento. Zucchini - Meu nome é José Roberto Zucchini dos Reis, nasci em São Paulo, Capital. E... MP - Que dia? Zucchini - No dia 11/5/1960. MP - A tua família é aqui de São Paulo mesmo, Zucchini? Zucchini - Meu pai nasceu aqui em São Paulo, capital. Minha mãe nasceu em Cosmópolis. MP - É São Paulo? Zucchini - É interior de São Paulo. Avós MP - E os teus avós? Zucchini - Meus avós paternos são portugueses. Meu avô ele até era do continente. Minha avó era de uma região também chamada Trás dos Montes. MP - Como é que se chamava o seu avô paterno? Zucchini - O meu avô Baltazar dos Reis. MP - A tua avó? Zucchini - Zulmira de Assunção Rodrigues. MP - Você sabe um pouquinho da história deles? Eles se casaram lá e depois vieram para cá? Como foi? Zucchini - Não, o pouco que eu sei é que eles se conheceram aqui no Brasil. Não se conheciam lá. e... MP - Por que eles vieram parar no Brasil? Zucchini - Porque a situação era muito difícil. Meu avô chegava a contar para mim que você trabalhava o ano inteiro e chegava no final do ano você conseguia comprar uma calça ou uma camisa. Então a condição de vida era muito difícil. E como opção ele tinha aqui o Brasil. Veio e conseguiu. MP - Ele trabalhava com o quê aqui no Brasil? Zucchini - Ele era chacareiro. MP - Você chegou a conhecer essa chácara? Zucchini - Não. MP - Não. Zucchini - É na região de Sapopemba. Que aquela região há muito tempo atrás era uma região que tinha muita chácara. E ele se estabeleceu ali. MP - Plantando para vender? Zucchini - Plantando. E eles traziam aqui no mercado municipal. De carroça, viu? Meu pai inclusive o ajudava. Eles escolhiam e traziam aqui no mercado para vender. MP - Tá certo. Zucchini - Às vezes até meu pai falava que era na base do arremate. Chegava alguém e falava: "Olha, te dou tanto aqui nessa sua mercadoria." Ele falava: "Não, não. Não quero vender agora por esse preço." E acabava até muitas vezes vendendo por um preço até menor para poder vender a mercadoria. Para não voltar com ela para trás. Era um jogo. MP - Que tipo de mercadoria? Zucchini - Vegetais. Couves, alface, cenouras. MP - O que mais teu pai conta dessa época? Da infância dele, da vida do teu avô? Zucchini - Bom, a vida sempre foi muito difícil, e os recursos eram muito limitados. Eu me lembro que meu pai contava que uma vez ele fez um corte meio feio no pé. O meu avô teve que trazer ele no ombro, por uns acho que sete ou oito quilômetros, para o posto de atendimento, o posto médico mais próximo. Quer dizer, era uma vida muito difícil. MP - E eram muitos irmãos, Zucchini? Zucchini - Não, meu pai só tinha uma irmã. MP - E a família da tua mãe por sua vez veio de onde? Zucchini - São de origem italiana. MP - Você sabe dessa história? Como é que eles vieram para o Brasil? Zucchini - Não, não tenho idéia. Porque os meus avós maternos eles são brasileiros, mas tem uma tradição italiana muito forte. MP - Como é que eles se chamam? Zucchini - Meu avô chamava Anerusco Zucchini. E a minha avó chamava Rosa Gastaldeli. Tradições italianas MP - Eles nasceram no Brasil? Zucchini - Eles nasceram no Brasil. Mas é aquilo como eu disse: todas as tradições, costumes... MP - O que você lembra que era uma coisa bem italiana deles? Zucchini - Ah, olha, eles faziam lingüiça, né? A fartura. A fartura na mesa sempre existiu. Que é uma característica do italiano. MP - E qual que era a especialidade da tua avó que você gostava? Você lembra? Zucchini - Ah, ela fazia um macarrão com, até se você não sabe, você pega o toucinho do porco, a banha do porco. Você mói o toucinho. Aí você coloca alho, todo tipo de tempero, tá? E você faz um macarrão com aquilo ali, é brincadeira. MP - Era a especialidade dela. Zucchini - Ah, eu adorava. Eu adorava. MP - Como era? Eram almoços de domingo? O que era? Zucchini - Principalmente almoço de domingo quando nós íamos lá, mas eu gostava bastante das festas de final de ano. Que se reunia aquela família, com aquela mesa enorme, sabe? Embaixo de uma varanda, e isso é uma recordação muito bonita. Casa e lembrança dos avós maternos MP - Que é que era, na casa deles? Zucchini - É. MP - Como é que era essa casa, você lembra? Zucchini - Lembro. MP - Descreve um pouquinho. Zucchini - Bom, o que eu consigo me lembrar principalmente era a parte do fundo, onde a gente ficava. Tinha um quintal, uma varanda. Tinha um pé de limão. Me lembro. E aquela mesa enorme. E imagina a italianada lá ficando conversando por um bom tempo. Comendo bastante. Porque muitas vezes até principalmente hoje, você demora bastante para preparar um almoço, por exemplo, de final de ano, mas você come pouco. Fica muito pouco tempo na mesa. E eles não. Ao contrário. Eles preparavam a comida e ficavam horas. Não digo horas. Umas 3 horas vai, conversando, 4 horas às vezes. E ali cantavam, faziam... (riso) MP - Aonde que era essa casa? Zucchini - Era aqui em São Paulo mesmo em um bairro chamado Vila Munhoz. MP - E esse teus avós eles faziam o quê? Qual que era a atividade deles? Zucchini - Eles, meu avô era lavrador. Quando ele ainda morava no interior. Agora quando ele veio aqui para São Paulo, e ele veio aqui para São Paulo por um problema de uma tia que segundo recomendação do médico lá do interior, precisava se tratar aqui em São Paulo. Eu não tenho certeza da atividade dele aqui, mas eu sei que no interior ele era lavrador. MP - E que lembrança você tem dele? Zucchini - Ah, o homem de chapéu. Meus dois avós paternos usavam chapéu. É um detalhe interessante que hoje você não... MP - Que tipo de chapéu que era? Zucchini - Eu não sei o nome, não sei se era panamá, sabe? Mas era legal. MP - E a figura das tuas avós como é que era? Zucchini - Minha avó paterna ela morreu em 67. Eu tenho uma vaga lembrança dela. Minha outra, tanto é que meu avô paterno, para você ter idéia da origem italiana deles, eu chamava eles de nono e nona. Não era vô e vó. Era nono e nona. Também, era um pouquinho baixinha. Uma italianazinha baixinha. Mas era legal. Sempre de aventalzinho. (riso) Lembranças do pai e da mãe MP - E você sabe como é que seus pais vieram a se conhecer? Zucchini - Olha, eu acho que pela proximidade que até então eles moravam e depois o meu avô, pai da minha mãe, ele comprou uma outra, essa casa na Vila Munhoz. Que nós morávamos na Vila Guilherme. Eles se distanciaram um pouquinho, mas acredito que a partir dali do momento que eles se conheceram eu acho que já começaram a namorar e enfim casaram. MP - E eles sempre moraram em São Paulo? Zucchini - Sempre. Casa de Infância MP - Você lembra da tua casa de infância? Zucchini - Lembro. MP - Aonde que era? Zucchini - Olha, é atualmente onde eu moro. MP - Ah, é? Zucchini - É. Mas era na parte de trás. Porque hoje eu moro na casa da frente. Então foi em uma casinha muito pequenininha. Em um cômodo e cozinha, onde atualmente eu moro. MP - Que rua que fica? Zucchini - Avenida Guilherme, 922. Brincadeiras de Infância MP - Que lembrança que você tem dessa época de infância assim? Zucchini - Ah, muita coisa. Como eu não tenho irmão, meu companheiro era meu primo. E a gente brincava de todas as brincadeiras de moleque ainda daquela época. Pião, bolinha de gude. Papagaio. Bola. Que hoje infelizmente muitas crianças não têm. MP - A tua preferida qual era? Zucchini - Eram todas. Mas você tinha meio coisa de época, né? Tinha uma hora que era pião, outra era, mês de meio do ano... Geralmente lá era a época do papagaio. E assim ia. Ao longo do ano você brincava com todos os tipos de brincadeira. MP - E passeios em família? Quando você era criança tinha um momento que você saía com teu pai e com a tua mãe? Vocês iam fazer passeio no centro? Tinha alguma coisa assim? Zucchini - Tem. Eu lembro. Tem uma até tem uma foto bonita que eu poderia ter trazido. Uma foto que nós fomos à Aparecida do Norte. E eu era pequenininho. Devia ter uns 3 anos. Mas é uma coisa que eu ainda me recordo. MP - Ahn, ahn. Zucchini - E passeios normalmente sim, nós íamos à praia não com muita freqüência. MP - E na cidade mesmo de São Paulo você lembra de algum lugar que você... Zucchini - Lembro, lembro, lembro. Lugares que ele me levava assim especificamente eu não lembro. Mas eu sei que nós passeávamos sim. Lembranças do pai e da mãe MP - O teu pai e a tua mãe como eles se chamam? Zucchini - O meu pai chamava-se Jaime dos Reis. E minha mãe Neuza Zucchini dos Reis. MP - Como é que você descreveria o teu pai? Zucchini - (suspira) Pode parar. MP - A emoção faz parte. Não se preocupe. Zucchini - Não, mas eu vou me segurar. Vão bora. Porque é comum isso aqui? O pessoal... MP - É. Zucchini - É mesmo? MP - É verdade. Zucchini - É porque você começa a resgatar coisa lá do fundo do baú. MP - É que no dia a gente vive naquela correria com pouca oportunidade às vezes de parar, contar das coisas. Zucchini - Refletir às vezes.... MP - Quando você dá uma pausa assim, começa a lembrar, não tem como não se emocionar. Zucchini - Ah, não tem. MP - Então faz parte. Zucchini - Então vamos lá. MP - Retomando eu só queria então que você contasse um pouquinho da tua mãe, do teu pai? Com o quê eles trabalhavam? Como era? Zucchini - Então, meu pai era motorista aqui em São Paulo. Ele não era caminhoneiro. Era motorista. E minha mãe também trabalhava junto com o meu pai, na empresa dele. Minha mãe cuidava mais da faxina. Fazia cafezinho, coisas desse tipo. Trabalhava junto com o pessoal do escritório. Mas mais na parte da limpeza. E acabou se aposentando também. Que é um orgulho que eu tenho que ela se aposentou, e ele também. MP - Tá. Zucchini - Mas ele era caminhoneiro aqui, melhor, motorista de caminhão aqui em São Paulo. MP - E dentro de casa o que é que você lembra? Como era o funcionamento? Zucchini - É, um casal normal, uma família normal, mas que eu me orgulho muito deles. Primeira escola MP - E você lembra também da tua época de infância, da tua ida para a escola? Qual foi a tua primeira escola? Você ia a pé? Zucchini - Eu ia a pé, porque eu morava perto da escola. MP - Como se chamava a escola? Zucchini - Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Professora Anésia Sincorá. MP - Como era essa escola? Grande? Que lembrança você tem? Zucchini - Ah, tinha um pátio enorme lá. Um campo, um terreno. Uma parte que a criançada jogava bola. Uma escola térrea, não tinha andares. Mas que eu estudei lá o primário e, boa parte do ginásio. MP - Tinha uniforme? Zucchini - Tinha. MP - Como era? Zucchini - Era azul e branco. Camisa branca e calçazinha azul. MP - E na sala de aula? Como era? O que você lembra? Zucchini - Eu me lembro que a cada ano ainda na época, quando nós entrávamos a sala estava sempre encerada, sabe? Ou seja, uma escola estadual que eu gostaria que as crianças de hoje tivessem a mesma oportunidade. Porque era uma escola cuidada, sem pichações. Hoje em dia infelizmente nem vidro nas janelas tem. MP - E dos professores, você lembra de algum professor mais marcante, alguma professora? Zucchini - (riso) Lógico. Lembro. A minha primeira professora. É a que marca mais. MP - Como é que ela chamava? Zucchini - Dona Oracinda. Oracinda. E ela não gostava muito da minha letra não, viu? Mas eu acabei melhorando bastante. MP - E como era a dona Oracinda? Era brava? Zucchini - Ela era brabinha sim, porque naquela época, sei lá, acho que era o militarismo que imperava. E eu acho que eles tinham uma autoridade assim sobre nós, acredito que amparada pelo regime da época. (riso) MP - E você era bom aluno, era bagunceiro? Zucchini - No começo eu não fui bom aluno não. Tanto é que eu repeti o meu primeiro ano. E fui tropeçando ao longo da minha carreira, digamos assim, estudantil. Mas no final eu consegui até que bons resultados. MP - Tinha uma matéria favorita? Zucchini - Olha, no final, no primário não. No primário não. Mas quando eu comecei a entrar assim no ginásio, Ciências começou a me despertar a curiosidade. MP - Você seguiu estudando até que série? Zucchini - Eu me formei. MP - Até? Zucchini - Curso superior. MP - Curso superior. Ah, então tá bom. Sempre em São Paulo? Zucchini - Sempre em São Paulo. Diversão da Adolescência MP - Antes da gente chegar na faculdade, um pouquinho sobre a adolescência. A adolescência foi ali no mesmo bairro? Zucchini - Foi. MP - O que você lembra da época de adolescência? As brincadeiras mudaram? Tinha bailinho? Era outro tipo de passeio? Como era essa vida de adolescente? Zucchini - Olha, principalmente jogando bola. Eram, aí já passou a ser a brincadeira de opção. Que é muito gostoso esse tipo. Mas não ia muito a bailes não. Nunca foi meu forte. Eu adoro música. Adoro música. Mas não era o meu forte. Nunca gostei de dançar. (riso) MP - Mas você toca algum instrumento? Zucchini - Não. Mas eu gosto de ir a shows. E ter a minha coleção de discos. MP - Começou na época da adolescência a coleção? Zucchini - Começou na época da adolescência. MP - Quais eram, que tipo de música? Zucchini - Ah, rock. MP - Rock. Zucchini - Rock. MP - Você lembra dos LPs que você mais curtiu comprar. Zucchini - Lembro. Tenho até hoje guardados. MP - Quais eram? Zucchini - Das bandas tradicionais: Rolling Stones, um Led Zepelin, um Pink Floyd. MP - Ah. E ia comprar esses LPs aonde? Tinha uma loja? Zucchini - Tinha. Era, chamava Museu do Disco. E tem uma outra loja que eu já comprei muitos discos lá que chama Baratos Afins. É uma loja muito famosa inclusive. MP - Mas comprava como? Era um dinheirinho da mesada? Zucchini - Ah, sim. MP - Você já trabalhava? Zucchini - Não, não. Quando eu comecei a trabalhar ficou melhor. Ficou mais fácil. Mas a princípio tinha que juntar moedinha ali. MP - E aí ia, juntava e ia comprar um disco novo. Zucchini - Exato. MP - E reunia os amigos para ouvir algum? Zucchini - Ah, sim. Isso até hoje. Tem um amigo meu que é de infância, que inclusive é padrinho da minha filha que de vez em quando fala: "Pô, vamos escutar um som." Aí sempre já toma alguma coisa, dá uma beliscadinha e música. Música. MP - Como é que eram essas tardes musicais na adolescência assim? Reunia na tua casa, onde é que era? Zucchini - Às vezes na minha casa, na casa desse colega. Na casa de outros. E não tinha muita coisa. Era pegar, que é que o, o adolescente pegava, ouvindo som, vendo revista de surf e conversando sobre namorada. (riso) Namoro MP - A primeira namorada é dessa época? Zucchini - Não. Não. Foi um pouquinho mais tarde. MP - Ah, é? Zucchini - É. MP - E como ela chamava? Zucchini - Cristina. MP - Como era o namoro daquela época? Tinha aquela coisa de ficar paquerando de longe? Zucchini - Não. Não tinha muito segredo não. MP - É? Diferente de hoje? Zucchini - Não, eu não vejo. Hoje o pessoal fala esse negócio de ficar. Que eu ainda não sei o que é esse negócio de ficar porque a minha filha tem 8 anos. Agora não era muito diferente de hoje não. Eu acredito que não tem nada a ver não. MP - E você continuou estudando naquela escola até o colegial? Zucchini - Não. Eu fiz até o ginásio. MP - Até o ginásio. Zucchini - O colégio, eu fiz em Santana, no Luiza de Marillac. Me formei ali. O colegial, fiz os 3 anos. Resultado do Vestibular MP - E depois a faculdade? Zucchini - Aí, bom, em primeiro lugar foi um sacrifício para entrar, não foi fácil. Porque a princípio eu queria Odontologia. Eu saí do colegial pensando em fazer Odontologia. Ao longo do tempo eu tive que fazer cursinho etc, que eu não conseguia entrar. Eu fiz 3 anos. Tentei 3 anos Odontologia. Mas ao longo desses 3 anos que eu aprendi a gostar de Biologia. E entrei em Guarulhos. Aqui inclusive onde fica o Aché. Na Universidade de Guarulhos. E me formei ali. MP - Você lembra da notícia de que você passou no vestibular? Zucchini - Nossa, você não acredita. Teve um amigo que falou: "Não, fica tranqüilo que você vai passar, tal." Eu falei: "Pô, esse ano tem que dar certo." Cheguei, peguei no domingo o jornal. Acho que a ansiedade de ver meu nome era tanta que eu não consegui ver o meu nome. Aí na terça-feira ele aparece e fala: "Oh, legal. Não falei que você ia passar?" Eu falei: "Pô, não deu certo não." Ele falou: "Como não deu? Eu vi teu nome no jornal." Ele falou: "Não, vai lá que você entrou." Eu estava com o jornal em casa. Fui, peguei o jornal. Não é que meu nome estava lá? E era o último dia para eu fazer a matrícula. E deu certo. (riso) MP - A faculdade de Biologia? Zucchini - Não. É a Universidade de Guarulhos. MP - O curso de Biologia? Zucchini - É. Vida de Estudante MP - E dessa época de faculdade? Foram 4 anos? Zucchini - Foram mais. Aconteceram alguns probleminhas, eu tive que pegar algumas dependências. Foram 5 anos o total. MP - Você estudava na parte da manhã? Zucchini - Não, à noite. De sábado eu estudava a tarde, porque era aula de segunda a sábado. MP - O que você lembra dessa época de faculdade? Tinha uma turma boa? Como é que era esse dia-a-dia? Zucchini - É, o universitário, ele sempre com aquela juventude, com aquela empolgação toda. Ele quer participar sempre de tudo. Muito álcool. Característico. Truco, e o estudo em si, né? Que modéstia à parte eu fiz para valer uma faculdade. MP - A formatura foi um momento importante? Zucchini - Eu não fiz formatura. Eu não quis participar. Eu era meio rebelde, sabe? Porque eu preferi trocar uma noite de beca e tal, por 15 dias em Porto Seguro. E eu acho que eu fiz a melhor escolha. MP - Você se deu esse presente. Zucchini - Eu me dei esse presente. MP - Essa viagem para Porto foi bacana? Zucchini - Foi. MP - Você freqüentava o calçadão? Os bares do calçadão? Zucchini - Ali, lá na praça? MP - É. Zucchini - Então sim, lógico. MP - A Eliana é guarulhense. Zucchini - Tem, espera aí, você conhece aquele bar que fica de esquina que vende pizza? MP - Da esquina, da pizza. Zucchini - É uma pizza deliciosa. Você come de pedaço. MP - Aonde que é essa pizzaria? Zucchini - Não, é um boteco. MP - Mas é muito bom. Zucchini - É bem tradicional. E ele vende pizza por pedaço. Mas você vai comer uma pizza lá, eu não sei o que ele põe ali (riso) na massa que é uma maravilha. MP - Isso ali pertinho da faculdade? Zucchini - Pertinho da faculdade. MP - Tinha algum point que era o favorito? Algum bar que vocês freqüentavam mais? Zucchini - É, no calçadão ali. Principalmente em frente do portão principal. MP - Você estava contando que você preferiu ao invés do baile ir para Porto Seguro? Zucchini - Ah, sim. Porque eu não fui, eu não gosto de uma coisa assim, um cerimonial, sabe? Coisas que têm muita regra, rigidez. Eu procuro evitar isso. E estava tudo a meu favor escolher isso. Por que? Porque eu estava vindo de um curso de Biologia. Lá o que é que eu ia pegar? A natureza. Você entendeu? Natureza pura. Eu adoro praia. Então eu falei: "Ah." Eu não pensei duas vezes. Não pensei duas vezes. Eu fiz uma ótima escolha. (riso) MP - Quantos dias de Porto Seguro? Zucchini - Fiquei com 15 dias de lá. MP - E foi com alguns amigos? Zucchini - Fui. Fui eu e mais dois amigos. Mas foi muito bom. (riso) Primeiro trabalho e entrada no Aché MP - Nessa época você já trabalhava? Qual foi o teu primeiro trabalho? Zucchini - Não, eu comecei a trabalhar com 16 anos. Eu tive dois empregos até agora. O primeiro emprego que eu comecei na Indústria e Comércio de Carrocerias Carrizo. Eu comecei lá em 1977 e saí de lá em 1991. Depois que eu terminei a faculdade, eu trabalhava de dia nessa empresa e dava aula à noite. Foi quando eu tomei conhecimento do Aché. Aí eu pedi demissão dessa empresa e me desliguei do Estado e estou aqui no Aché até hoje. MP - E lá você fazia o quê? Zucchini - Lá eu comecei como auxiliar de almoxarifado. E terminei lá como comprador. MP - E você já sabia o que era o propagandista? Zucchini - Não tinha a menor idéia. Tanto é que o meu curriculum eu coloquei como vendedor. Não tinha a menor idéia. MP - Como é que chegou a notícia do Aché para você? Zucchini - Foi o seguinte: quando eu estava fazendo o colegial eu estudei 3 anos juntamente com um colega. Nós ficamos os 3 anos fazendo o colegial. E depois de terminado o colegial ele foi para um canto, eu fui para o outro e a gente perdeu o contato. Um dia nós nos encontramos na rua. "Oi, tudo bem?" Mas estava de carro, ele também. "Como é que vai, tudo bem?" "Vamos se ver?" "Vamos." Mas, passou. Aí um belo de um dia finalmente eu estava em um banco e ele apareceu. "Ô, como é que você está? Tal." "Tudo Bem." Aí nós ainda tínhamos aquela amizade e ele falou: "E aí como é que está?" Eu falei: "Não está." Ele falou: "Poxa, eu estou em uma situação assim, assim. Trabalhando em uma empresa." Ele me falou um valor razoável. Em termos financeiros me interessou bastante. Aí ele falou: "Não, pode deixar que eu vou te indicar lá." Pô, e passa o tempo, e passa o tempo, e passa o tempo. Aí eu tentei entrar em contato com ele. Mas hoje eu sei que não existia a menor possibilidade, naquela época não existia celular. Eu falei: "Não, eu vou mandar um curriculum para lá." Escrevi, datilografei. Na época eu não tinha telefone em casa. Aí eu falei: "Pô, não vou colocar o telefone aqui da empresa. O que é que eu vou fazer?" Aí eu telefonei para um amigo meu e falei: "Ó, vou colocar o telefone teu (riso) aí. Se eles ligarem para você, você liga para mim dando o recado." Porque lógico, eu estava trabalhando. Era só o que me faltava o Aché ligar para a empresa que eu estou trabalhando falar: "O Fulano está aí? E eles saberem de alguma coisa." Ficava um negócio chato. Aí me chamaram. Foi até interessante. O telefonema foi o seguinte: era uma sexta-feira. Era para eu estar em uma segunda-feira no Aché. Não aqui, na Álvares de Carvalho. Que era o nosso escritório. Onde ficavam os propagandistas, as reuniões. E, na segunda-feira isso. Eles telefonaram na sexta-feira para eu ir na segunda. Só que teve um outro telefonema meia hora depois que era para eu ir na sexta-feira mesmo. Dei um jeito e fui. Tinha uma base de 20 pessoas disputando acho que uma vaga. Quando eu entrei eu falei: "Não tenho a menor chance." Mas aquilo foi saindo um, saindo outro, e diminuindo o número de pessoas. Eu falei: "Será que vai dar zebra. Será que vai dar certo." MP - Era uma entrevista? Zucchini - Era uma entrevista. Era uma entrevista que você tinha com testes de conhecimentos gerais. Uma entrevista, duas entrevistas. Uma com um supervisor na época e a final com um gerente. E era uma tarde que você passava lá que eles exigiam da pessoa que se candidatava à vaga. Mas acabou dando certo. Naquela sexta-feira à noite eu saí de lá contratado, e na segunda-feira sim, eu já ia começar o curso. MP - Era um curso longo? Zucchini - Era um curso de 10 dias. Onde você tinha que pegar a sua linha de medicamentos e começar a estudar. Saber o que é que é um medicamento. MP - Qual foi a parte mais difícil desse curso? Zucchini - Bom, porque a coisa é o seguinte (riso) você tem o curso, por exemplo, você vai pegar determinado medicamento hoje, tá? Então você pega desde a descrição até o concorrente. Até o teu último concorrente e você tem que saber. No dia seguinte é prova às 7 horas da manhã. E aí você tem o dia inteiro para estudar outros medicamentos. No dia seguinte novamente prova. E é um ritmo que quando você está lá para o oitavo, nono dia, você já sente um certo cansaço. Mas é uma coisa que você tem que superar. A parte que eu achei que deu um pouquinho mais de trabalho foi quebrar aquela barreira da propaganda com o médico. Essa foi, porque estudar você pega, ler é uma coisa que já fazia parte da minha pessoa porque eu sempre estudei. Mas pegar uma literatura, um pedaço de papel transformar aquilo em uma mensagem clara para outra pessoa? Essa foi para mim a parte mais difícil. Mas que... Primeira propaganda MP - E como é que foi a tua estréia? Zucchini - Ah. Bom, saí com o meu supervisor e falei: "É hoje. Seja o que Deus quiser." MP - 10 dias depois... Zucchini - Isso. 10 dias depois. Terminado o curso fomos para a rua. Vamos trabalhar. Aí eu tinha um supervisor muito compreensivo na época. Ele falou: "Olha, eu vou fazer uma propaganda para você, para você ver como é que é. E você só fica olhando." Ele pegou entrou na sala e tal. Fez a propaganda, voltou e falou: "Agora é tua vez. Vai lá." Ele quase me empurrou lá para dentro da sala do médico. E o médico entende que a pessoa é novata, fica um tanto quanto nervoso ou encabulado, não sei. Mas isso faz parte. É o primeiro contato. Mas a coisa foi indo. Foi fluindo. E hoje é uma profissão maravilhosa. MP - Você lembra do produto? Zucchini - Não, me lembro o nome da médica. Foi na Rua Tamandaré 811, na Medic. Ela chamava-se Alice Kayoko Kamimura. Era uma ginecologista. E os produtos inteiros, a relação de produtos que eu falei para ela na época eu não lembro. Mas com certeza um deles é o Respexil. Que é um produto que eu trabalhei. Estou trabalhando com ele inclusive até hoje. Área de estréia MP - Qual foi a tua região de estréia? Zucchini - Eu fazia: Liberdade, Aclimação e Centro Velho. MP - Como é que era o teu dia? Você chegava, estacionava o carro e percorria tudo isso a pé, metrô? Como era? Zucchini - Boa parte, metrô não. Boa parte era de carro. Uma parte era de carro, mas outra parte era a pé. Eu cheguei inclusive, um detalhe interessante, porque na época que eu entrei nós vendíamos ainda. Pegava o bloco de pedido, calculadora e vamos embora. Vender. Nós chegávamos a andar da Rua Tamandaré, seguíamos para a Rua Galvão Bueno. Vendendo. Avenida da Liberdade, Praça da Sé, vendendo. Rua Direita, às 10 horas da manhã nós estávamos na Rua São Bento. Se não me engano era número 181 no Banco do Brasil. Não me lembro se é décimo andar para falar com os médicos. A pé. MP - Médicos lá do Banco do Brasil? Zucchini - É. Porque esse espaço de tempo em que você não estava falando com os médicos, mas você estava vendendo. E quando o banco estava abrindo lá para as 10, 10 e pouco, a gente estava chegando com a venda feita. Subindo para falar com os médicos para fazer propaganda. Ponto de encontro MP - E ali no centro tinha um ponto de encontro de vocês? Zucchini - Sim. MP - Um reduto dos propagandistas? Zucchini - Não, não. Cada um fazia um ponto onde achava, fazia o seu roteiro e colocava o ponto de encontro, que nós chamamos mesmo, em um local estratégico. Mas não tinha um local onde o pessoal de propagandista se reunia não. MP - E nessas tuas andanças pelo centro, tinha alguma paradinha que você gostava de dar? Em alguma padaria, em algum restaurante? Como é que organiza esse dia? Zucchini - Eu não tenho esse costume porque eu não tomo café. Então eu já não tenho esse detalhe de ir até: "Ô, vamos tomar um café." Coisa, a não ser quando está muito quente: "Vamos tomar uma água." Porque normalmente você encontra isso em consultório. Mas normalmente eu não... Agora é lógico que o propagandista quando ele domina uma região ele te leva nos melhores lugares para você almoçar. Por quê? Porque ele conhece bastante. MP - Ali no centro qual é a dica? Zucchini - Eu, olha, tinha um restaurante lá que eu não me lembro. Faz tempo. Eu fiquei 1 ano trabalhando lá. MP - Tá. Zucchini - 1 ano e meio, melhor. Então eu perdi contato com essa região em final de 93 e não tenho mais a lembrança da onde eu almoçava. MP - Você foi para onde? Zucchini - Aí eu perdi o Centro Velho. Mas continuei com Liberdade, Aclimação. Depois passei para o Cambuci. Liberdade, Aclimação e Cambuci. Aí lá na liberdade tem a famosa Viúva Alegre. Que o pessoal almoça ali. É um reduto de propagandista. Que o pessoal se encontra bastante ali. MP - Aonde que é? Zucchini - Chama Viúva Alegre. MP - É um restaurante? Zucchini - É um restaurante. É um restaurante que o pessoal... MP - Fica aonde? Zucchini - Fica na Rua Tamandaré. Perto do número 900, mais ou menos. MP - O que é bom de comer lá? Zucchini - É uma comida caseira, né? E aquele famoso arroz e feijão, e um bom bife e uma sobremesa. MP - Hum, hum. Zucchini - Muito bom. MP - Tem alguma peculiaridade trabalhar na Liberdade? Tem alguma diferença com algum outro bairro? Zucchini - É um bairro tradicional de São Paulo. E o detalhe é o grande número de médicos japoneses que a gente fala, e eles têm um jeitão. Têm alguns que são "mais seção" e tal. Outros ao contrário, quando ele dá para ser extrovertido é brincadeira. Mas eles são mais conservadores do que os não japoneses. Eles são mais conservadores. Conquista do médico MP - Você lembra de algum exemplo do que te ajudou nessa conquista do médico? Porque na verdade é um verdadeiro processo de conquista? De se aproximar e tal. Zucchini - Sim. MP - Como é que o propagandista tem que se virar para se aproximar e conquistar o médico? Você lembra de algum que foi um desafio maior para você? Zucchini - Bom, a conquista do médico pelo menos no meu entender, você conquista com a freqüência da visita. Quando você visita, e essa visita tem que ser alguma coisa natural. Pelo menos também no meu entender, tem que ser alguma coisa natural aonde você vai ganhando a confiança dele muitas vezes pela insistência. E onde ele vê nisso o seu profissionalismo. Chegar com humildade também, mas dando a entender que você é um profissional também. E que ele merece, você merece também o respeito dele, assim como você está tratando ele com esse respeito. MP - Quando você fala em insistência, o propagandista do Aché visita mais do que os outros propagandistas? Zucchini - Não, é, eu digo assim a assiduidade com que você o visita. Você não pode, por exemplo, visitar doutor Fulano de tal hoje e falar: "Lá para outubro eu volto aqui para..." Perde, ele fala : "Pô, mas eu me lembro de você não sei da onde." Não existe uma relação de confiabilidade entre um e outro. Ainda você, mesmo que você esteja em qualquer laboratório. Então a assiduidade, a cobrança é que vai aproximar o médico do representante e vice-versa a ponto de um poder confiar no outro. E ele poder, a ponto de você ter uma amizade com ele e falar: "Doutor, me dá uma forcinha no meu produto." Entendeu? "Eu estou precisando." Diferencial do Aché MP - Tem alguma diferença do trabalho do propagandista do Aché com outros laboratórios? Zucchini - Eu acho que o propagandista do Aché ele é diferenciado. MP - Por quê? Zucchini - Porque acho ele mais extrovertido, eu acho que é um propagandista mais guerreiro do que os outros laboratórios. Isso é uma qualidade que nós aprendemos aqui, e que muitas vezes você nem sabe que você tem essa qualidade. MP - Você acha que vem da onde? Isso se passa nos treinamentos? Zucchini - Exato. MP - Tem alguma situação marcante para você nesse trabalho na Liberdade? Algum trabalho, alguma história mais engraçada, alguma coisa que você gosta de lembrar? Zucchini - Ah, situações diversas já aconteceram. Agora no momento assim eu não recordo muito não. Campanha do Respexil MP - Em relação aos produtos tem algum que você gostou mais de trabalhar nesses anos todos? Zucchini - Tem, tem. Você sempre se identifica com algum produto. Mas eu gosto, por exemplo, de trabalhar muito com o Respexil. MP - Por quê? Zucchini - Porque foi um produto que foi insistentemente enfatizado para que a gente propagasse esse medicamento, você está entendendo? E até o pessoal falava: "Pô, o Respexil é como um filho da gente." Então eu me recordo muito desse produto. Já fiz diversas campanhas com o Respexil. MP - Tem alguma delas assim que você achou mais criativa? Zucchini - Teve uma que a gente teve que tirar foto de médico. Falava: "Doutor..." Como é que era? Eu sei que o médico tinha que falar um xis, alguma coisa, dar um sorriso e você tirava a foto. MP - E entregava para ele? Zucchini - Não. Voltava, colocava em um porta-retrato, aí você entregava para o médico. Foi uma que eu me lembro bastante. MP - O que é o Respexil? Zucchini - É um anti-bacteriano. É indicado para infecções urinárias, entre outras indicações. O trabalho do propagandista MP - E nesses anos de trabalho mudou muito a rotina do propagandista? Zucchini - Não. Não. A eu não senti diferença nenhuma. A profissão não é estática. Sempre muda detalhes. Mas o fundamental, o básico continua sendo o mesmo. E acredito que vai continuar isso porque sempre vai ter que existir o propagandista conversando com o médico. Independente. O que pode mudar é a forma de comunicação. Não vai haver mais literatura, ou então nós vamos trabalhar com só literatura. Mas o básico é o representante sempre conversar com o médico. Então isso foi assim, é assim. Isso eu pelo menos, com a previsão que eu tenho, é que vai continuar assim. MP - E hoje olhando para trás assim, o que é que você acha que é necessário para ser um bom propagandista? Zucchini - (riso) Bom, primeiro lugar você identificar logo se você gosta ou não da profissão, tá? Se você se identificou com a profissão não tem muito segredo, é como qualquer uma outra: dedicação. Dedicação, e aqui nós no Aché, a gente tem. É gostoso trabalhar aqui. MP - Por quê? Zucchini - Porque é uma empresa diferente. Todo mundo gosta, quer trabalhar aqui. MP - Mas qual é a diferença? Zucchini - A diferença é que é uma empresa guerreira, que eles ensinam isso para você. Que é uma empresa nacional. E que a gente tem que levar isso aqui como um desafio. É muito bom. MP - Teve algum momento da história que foi mais difícil? Na história do Aché você lembra uma época que todo mundo teve que se empenhar mais? Zucchini - Todos os anos, todos os anos são marcantes. Tem uma particularidade ou outra. O corre-corre é terrível, imenso. Mas faz parte. Aí é a sua profissão engloba tudo isso. É lógico, campanhas. Um gerente chega para você fala: "Olha, esses números aqui não estão bons, e tem que mudar isso aí." Tem que mudar e acabou. O que você vai fazer para mudar, talvez isso diferencie de um outro representante, mas a coisa tem que caminhar para um rumo só. Que é o rumo do sucesso. Se não, não dá certo. MP - Hum, hum. Zucchini - Vendas é isso. Sucesso do Aché MP - Ao que é que você atribui o sucesso do Aché? Zucchini - Bom, primeiro lugar há três, eu não estou querendo jogar confete em ninguém aqui. Quero deixar bem claro. Há três gênios que eram propagandistas também, por isso eles têm esse império, só podem ser gênios. E a experiência que eles trouxeram, que já vinha com eles, quando eles montaram o Aché eles implantaram: muito trabalho. Muito trabalho. Eu gostava muito do Aché quando eu entrei. Tinha: Aché, uma lista verde-amarela assim escrita desafio brasileiro, sabe? Acho que era o slogan do Aché na época. E eu gostava muito porque vencer nesse país é muito difícil. Não só pessoalmente como uma empresa vencer. Quantas empresas tradicionais quebraram. A própria primeira empresa que eu te falei, quebrou, infelizmente. Então eu acho que aqui tudo é mais difícil nesse país. Porque aqui você tem que provar que é bom se você quiser sobreviver. O campo de mercado, o campo é muito restrito. Então se você está sobrevivendo é porque você tem qualidade. Mas para você se manter lá você tem que brigar, tem que trabalhar muito. MP - Depois da Liberdade você continua até hoje lá na Liberdade? Zucchini - Não. MP - Teve mudanças. Zucchini - Teve. Eu peguei um pedacinho da Vila Mariana também e há 2 anos e alguns meses atrás, eu fui para a Beneficência Portuguesa. Que é um setor que me ensinou muito. MP - Como é que é lá? Você trabalha só no hospital? Zucchini - Não, fazia o hospital e os consultórios ao redor. MP - Quantos médicos você calcula? Zucchini - Cadastrados devia ter uma base de 350. Um setor que gostei muito de fazer. Aprendi muito. E agora recentemente voltei para a Liberdade. Estou fazendo lá de novo a Liberdade. Que é um setor que eu comecei lá que eu gosto muito. Vida familiar MP - Nesse meio tempo pensando na tua vida pessoal houve mudanças? Nasceu filho, você criou família? Como foi? Zucchini - Ah, então, nasceu minha filha, né? MP - Como ela chama? Zucchini - Thaís Helena. MP - Quando foi que ela nasceu? Zucchini - Dia 5/5/94. Então constituí família (riso) trabalhando aqui no Aché. E é lógico você tem, está trabalhando, tem uma retaguarda da empresa para poder manter a sua família bem. E... MP - O teu dia-a-dia mudou com a filhinha esperando em casa? Como é que é agora? Ela já sabe a hora que você sai, a hora que você volta? Zucchini - Quando eu saio ela está dormindo. (riso) Mas quando eu chego em casa ela já voltou também da escola que ela estuda a tarde. E, está sempre me esperando. MP - E ela acha graça na profissão do pai? Ela sabe que é propagandista? Zucchini - Sabe. Ela foi ensinada desde pequenininha que não pode mexer, eu falo: "Não pode mexer no remédio, eihn?" Ela deixa lá quietinho. Porque é um cuidado que você tem que ter, sabe como é, agora não. Agora não tem mais problema. Mas quando ela era menorzinha eu sempre tive cuidado para deixar trancado alguma coisa assim para ela não ter contato mesmo. E ela sempre até curiosamente ela pergunta todo dia: "Ô, como é que foi o trabalho?" Porque eu acho que falo para ela: "Como é que foi a escola? Tal, tudo bem?" Então ela devolve: "Como é que foi o trabalho?" E assim a gente vai vivendo. (riso) Sonho MP - Tá certo. A gente já está chegando no final eu queria te perguntar do futuro. A gente olhou para o passado. Qual que é teu sonho para o futuro? Zucchini - Bom, poder criar minha filha. Isso é, poder, porque eu acho que tudo é evolução. Meu pai me deu uma condição que ele não teve, e eu quero dar um pouco para minha filha uma condição que eu não tive. Espero para futuro ter um pouco de sorte também, continuar com a sorte, que ela nunca me abandone. E continuar trabalhando, podendo me divertir um pouco. MP - O que você faz sem ser o trabalho hoje em dia? Zucchini - Então, eu continuo ouvindo música (risos) que eu adoro. Principalmente ouvir música. E curtir um pouco de televisão. Que eu adoro televisão, documentários tipo essas televisões a cabo: Discovery, National Geographic. Eu me divirto. E, isso porque eu sou meio caseiro. Gosto de fazer um churrasco em casa também. MP - Para terminar eu queria saber o que você achou de ter contado um pouquinho a tua história? Zucchini - Eu achei maravilhoso. Agradeço inclusive a oportunidade que vocês me deram. E essa atitude só poderia partir de uma grande empresa. Uma grande empresa que é o Aché. MP - Por que é que você achou maravilhoso? Zucchini - Porque a empresa que quer isso, você está entendendo? E é uma atitude digna de uma grande empresa. Ela, além da sua memória ela quer a memória dos seus funcionários. Como seus funcionários entraram aqui. Isso faz parte. Não só para o funcionário resgatar a memória dele. Porque a memória do funcionário, a trajetória do funcionário aqui, acredito que também vai fazer parte. Integrar, complementar a história do Aché. É isso aí. MP - A gente ficou muito feliz com a participação, obrigada. Zucchini - Nada, quem agradece sou eu. MP - Obrigada.
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