Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: José Antonio Nascimento
Entrevistado por: Eliana Santos
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº: PETRO_CB666
Transcrito por Andréa de Paiva
P/1 – Bom dia!
R - Bom dia!
P/1 - Eu gostaria que o Senhor nos fornecesse o seu nome completo, local e data de nascimento.
R - Meu nome é José Antonio de Oliveira Nascimento. 11/09/1955, meu nascimento, em Santos, São Paulo.
P/1 - O Senhor poderia contar pra gente como é que foi o seu ingresso na Petrobras?
R - A minha história na Petrobras começou em 1969, onde saiu um anúncio no jornal sobre vaga para um curso de aprendiz de mecânica, que era um convênio Petrobras-Senai. E a partir desse concurso externo nós fomos aprovados e iniciamos o curso em março de 1970. Então, na época, a gente tinha 14 anos de idade. Esse curso também era remunerado, a gente ganhava meio salário mínimo, na época, com carteira de trabalho do menos também assinada. Então o meu primeiro vínculo de emprego foi com a Petrobras, aqui nessa refinaria, nesse curso. Esse curso teve a duração de dois anos e encerrou-se em janeiro de 1972.
P/1 - O Senhor pode contar pra gente um pouquinho dos setores que o Senhor passou, que o Senhor disse que entrou e saiu?
R - Depois de formado, nós tínhamos até o diploma, né, era um contrato com tempo pré-determinado, nós fomos trabalhar na Cosipa, aqui vizinha, como ajudante de manutenção. Lá fiquei um tempo. E, em 1975, eu retornei também através de concurso externo para a Petrobras aqui na refinaria, para trabalhar como mecânico, no setor de mecânica. Fiquei na mecânica até 1978, quando novamente através de um concurso eu voltei para a Cosipa, como técnico de manutenção, por haver me formado no curso técnico. Fiquei na Cosipa até 1986, quando através de novo concurso externo, em abril de 1986, retornei para a...
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Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: José Antonio Nascimento
Entrevistado por: Eliana Santos
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº: PETRO_CB666
Transcrito por Andréa de Paiva
P/1 – Bom dia!
R - Bom dia!
P/1 - Eu gostaria que o Senhor nos fornecesse o seu nome completo, local e data de nascimento.
R - Meu nome é José Antonio de Oliveira Nascimento. 11/09/1955, meu nascimento, em Santos, São Paulo.
P/1 - O Senhor poderia contar pra gente como é que foi o seu ingresso na Petrobras?
R - A minha história na Petrobras começou em 1969, onde saiu um anúncio no jornal sobre vaga para um curso de aprendiz de mecânica, que era um convênio Petrobras-Senai. E a partir desse concurso externo nós fomos aprovados e iniciamos o curso em março de 1970. Então, na época, a gente tinha 14 anos de idade. Esse curso também era remunerado, a gente ganhava meio salário mínimo, na época, com carteira de trabalho do menos também assinada. Então o meu primeiro vínculo de emprego foi com a Petrobras, aqui nessa refinaria, nesse curso. Esse curso teve a duração de dois anos e encerrou-se em janeiro de 1972.
P/1 - O Senhor pode contar pra gente um pouquinho dos setores que o Senhor passou, que o Senhor disse que entrou e saiu?
R - Depois de formado, nós tínhamos até o diploma, né, era um contrato com tempo pré-determinado, nós fomos trabalhar na Cosipa, aqui vizinha, como ajudante de manutenção. Lá fiquei um tempo. E, em 1975, eu retornei também através de concurso externo para a Petrobras aqui na refinaria, para trabalhar como mecânico, no setor de mecânica. Fiquei na mecânica até 1978, quando novamente através de um concurso eu voltei para a Cosipa, como técnico de manutenção, por haver me formado no curso técnico. Fiquei na Cosipa até 1986, quando através de novo concurso externo, em abril de 1986, retornei para a refinaria, estando aqui até hoje. Já se passaram todos esses anos. Então eu tenho a refinaria como uma mãe pra mim, porque realmente é uma grande empresa, uma empresa muito boa de se trabalhar.
P/1 - O Senhor pode contar pra gente um pouco de uma história marcante ou engraçada que o Senhor tenha vivido nessa sua trajetória?
R - Uma história marcante que a gente tem é que o pessoal, na época, não gostava de passar muito os conhecimentos. Então, a gente tinha que se esforçar muito para aprender. A gente tinha que correr atrás realmente para aprender, porque a cultura do pessoal era diferente. Graças a Deus isso mudou hoje e o que a gente mais divulga são os conhecimentos. Um passa pro outro, aprende muito mais rápido e o pessoal se envolve muito mais rápido. Essa é uma das histórias marcantes que eu tenho.
P/1 - O Senhor é filiado ao Sindicato?
R - Sou filiado ao Sindicato desde o meu primeiro emprego como maior. Então, foi na Cosipa. Sempre fui filiado ao Sindicato dos metalúrgicos e, agora atualmente, ao Sindicato dos petroleiros.
P/1 - O Senhor pode contar pra gente alguma recordação que o Senhor tenha dos movimentos sindicais que o Senhor tenha participado, presenciado?
R - Tenho. Eu participei na Cosipa, em 1978, na época do Regime Militar. Foi muito marcante porque a gente havia tomado conta da Cosipa e a tropa de choque invadiu. Então aquilo marcou muito. Foi uma situação muito difícil para todo mundo, havia um princípio de confronto. Aí superamos depois com as “Diretas Já”. E depois tivemos uma outra greve, se não me engano acho que foi em 1986, também teve uns dias de greve. E a última, de 1995, foi muito marcante também, foi muito pesado, na qual nós participamos aqui dentro da refinaria. Então esses foram os movimentos grevistas que me deixaram uma vida marcada, né, foram momentos muito difíceis.
P/1 - Senhor Nascimento, como o Senhor vê a relação do Sindicato, no momento em que o Senhor entrou e como o Senhor vê ela hoje?
R - Hoje, há uma melhora muito boa na relação sindical. Antes era muito mais difícil a relação Sindicato-Empresa. Mas hoje a gente vê, percebe que, principalmente com o atual Governo, a relação tá muito mais fácil. Apesar de ainda ter algumas dificuldades, a relação hoje é muito mais fácil. Esse é meu ponto de vista.
P/1 - O Senhor tem percebido muitas mudanças nesse seu percurso na Empresa, que o Senhor queira registrar?
R - A gente percebeu realmente que tiveram muitas mudanças, né? Mas eu percebo que toda época de dissídio coletivo fica uma dificuldade de relacionamento. A Empresa demora pra decidir as coisas, é aquele adiamento da decisão. Eu acho que uma empresa de Primeiro Mundo, do tamanho que a Petrobras é, tinha que estar preparada o ano todo para essa época de dissídio, pra facilitar mais o relacionamento e também as pessoas terem muito mais parte no trabalho.É isso que eu vejo.
P/1 - E como é esse período?
R - Essa negociação do dissídio tinha que ser preparada o ano todo, pra quando chegar realmente a época do dissídio ter já vários pingos nos “is”, muita coisa resolvida. E não deixar pra ser resolvida no última dia do mês de setembro, ou tendo o Sindicato que convocar pra greve, atrasos, essas coisas aí. Quer dizer, isso tudo desgasta e todo mundo perde, ninguém ganhar. Então temos que pensar, não tenho a fórmula do remédio, mas acho que tinha que pensar nisso. A gente tinha que se preparar, o ano todo tá se preparando pra época do dissídio. Essa é minha opinião.
P/1 - O Senhor tem alguma outra história marcante, uma lembrança?
R - Uma lembrança? Não tenho não. O que eu tenho de marcantes são de acidentes que ocorriam na época e, graças a Deus, hoje estão quase zerados. Não temos mais acidentes. Então tivemos acidentes muito feios, incêndios muito devastadores, mas hoje, graças a Deus, tá tudo sob controle, tá muito mais fácil.
P/1 - Tem algum acidente que o Senhor se recorde que tenha marcado mais?
R - Tivemos dois acidentes. Um da unidade VN e outro da unidade PF, que foi em, se não me engano, em 1988, e o outro foi em 1986, por aí. Foram bem marcantes esses acidentes.
P/1 - Como foi? O Senhor se recorda?
R - Foi um incêndio na unidade que durou várias horas. Começou, não me lembro o horário - acho que foi à tarde, e ficamos até a noite combatendo o incêndio. Precisaram vir viaturas de outras unidades, foi muito demorado, muito perigoso. Mas, graças a Deus, nós conseguimos debelar o incêndio.
P/1 - Esse é o de ...?
R - Esse é o da UVN. Se não me engano, em 1986. Já o de 1988, da UPF, tivemos vítimas fatais e tudo. E também por destreza do técnico de segurança não tiveram mais vítimas. Ele percebeu que o momento era perigoso e não adentrou a unidade. Se tivesse adentrado a unidade, acho que a gente teria mais vítimas, na época. Então, são esses dois marcantes.
P/1 - Senhor Nascimento, o que o Senhor achou de ter participado dessa entrevista, contribuindo pro Projeto Memória Petrobras?
R - Foi muito legal, interessante, quer dizer, a gente faz parte da história da Petrobras. Eu acho que o funcionário tem que ser realmente ouvido e participar desse programa. Eu acho muito legal mesmo. Tá de parabéns a iniciativa da Petrobras em fazer isso.
P/1 - Tá ótimo. Obrigada.
R - Obrigado a vocês.
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