Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Júlio Tavares
Entrevistado por Márcia de Paiva e Jorge Moreira
Rio de Janeiro – RJ
Rio de Janeiro, 02/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB533
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar essa entrevista pedindo que você nos dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Júlio Ribeiro Tavares, nasci dia 18 de dezembro de 51, no Rio de Janeiro.
P/1 – Júlio, conta para a gente como você entrou na Petrobras. O que você fazia antes?
R – É. Antes eu era bancário. Eu trabalhei três anos como bancário. Fiz o concurso. Naquela época, eu fiz concurso para auxiliar de escritório e fui chamado dia nove de junho de 75; foi a minha admissão. Aliás, quando eu fui chamado, fui chamado para comparecer na Fronape, no Caju, na Rua Carlos Seidl. Eu não sabia nem onde que era o Caju (riso), e do meu jeito cheguei lá, me apresentei. Não sabia o que era Fronape; nunca tinha ouvido falar em Fronape. Comecei como auxiliar de escritório, trabalhei um ano no setor de secretaria geral e depois fui para a atividade de seguros e estou lá todo esse período de 29, 28 anos mais precisamente. É uma atividade muito interessante que eu gosto muito; ela não é uma rotina, sempre tem fatos novos, sempre tem que estar...
P/1 – Então conta um pouco dessa sua rotina que não é rotina, o que você faz, como é o seu trabalho?
R – É, nós trabalhamos com seguros de, basicamente, de navios. Esse seguro é, temos cobertura básica de responsabilidade civil e de seguro casco entre outros, mas esses são os principais, são a base do meu serviço. O que nós fazemos lá? Quando tem sinistros a bordo, poluição, falta de carga etc, todos os fatos que ocorrem a bordo, nós conduzimos com relação a obter o ressarcimento dos prejuízos, na orientação dos comandantes, de como proceder enfim, na orientação de...
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Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Júlio Tavares
Entrevistado por Márcia de Paiva e Jorge Moreira
Rio de Janeiro – RJ
Rio de Janeiro, 02/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB533
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar essa entrevista pedindo que você nos dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Júlio Ribeiro Tavares, nasci dia 18 de dezembro de 51, no Rio de Janeiro.
P/1 – Júlio, conta para a gente como você entrou na Petrobras. O que você fazia antes?
R – É. Antes eu era bancário. Eu trabalhei três anos como bancário. Fiz o concurso. Naquela época, eu fiz concurso para auxiliar de escritório e fui chamado dia nove de junho de 75; foi a minha admissão. Aliás, quando eu fui chamado, fui chamado para comparecer na Fronape, no Caju, na Rua Carlos Seidl. Eu não sabia nem onde que era o Caju (riso), e do meu jeito cheguei lá, me apresentei. Não sabia o que era Fronape; nunca tinha ouvido falar em Fronape. Comecei como auxiliar de escritório, trabalhei um ano no setor de secretaria geral e depois fui para a atividade de seguros e estou lá todo esse período de 29, 28 anos mais precisamente. É uma atividade muito interessante que eu gosto muito; ela não é uma rotina, sempre tem fatos novos, sempre tem que estar...
P/1 – Então conta um pouco dessa sua rotina que não é rotina, o que você faz, como é o seu trabalho?
R – É, nós trabalhamos com seguros de, basicamente, de navios. Esse seguro é, temos cobertura básica de responsabilidade civil e de seguro casco entre outros, mas esses são os principais, são a base do meu serviço. O que nós fazemos lá? Quando tem sinistros a bordo, poluição, falta de carga etc, todos os fatos que ocorrem a bordo, nós conduzimos com relação a obter o ressarcimento dos prejuízos, na orientação dos comandantes, de como proceder enfim, na orientação de gerentes de terra também, de como deve se proceder naquele determinado sinistro visando obter o melhor ressarcimento, minimizar os prejuízos decorrentes daqueles sinistros.
P/1 – E aí são para toda a frota da...
R – Toda a frota.
P/1 –São quantos navios mais ou menos, você consegue precisar?
R – Hoje, atualmente temos 52 navios, tá, mas já tivemos na ordem de 70, mais do que 70 navios. Foi quando tivemos os velhos C6, tivemos os grandes navios, os navios construídos aqui, depois passamos por longo período sem ter construção. Foi o crescimento e depois houve a uma paralisação (infelizmente?), agora iremos começar novamente a construir, parece que está quase em fase final de lançamento do edital de 22 novos navios. É o impulso da nossa frota que está precisando muito, né? Então todos os fatos que acontecem anormais a bordo, seja qualquer dia, não importa se sábado, domingo, nós temos que ter conhecimento e já providenciar os vistoriadores das seguradoras ou às vezes, depende da gravidade, vamos a bordo também e acompanhar essas vistorias, acompanhar os detalhes, obtendo o documento visando a abertura de processo e condução desse processo da melhor forma possível. Fazemos também, para esse período, fazemos a renovação dos seguros de (Piedai?), seguro casco a partir de 2.000 nós passamos a fazer também, ou seja, mais uma atribuição para o setor do qual eu desempenho a atividade. Quando eu comecei aqui na Fronape eu era solteiro ainda, casei aqui e consegui construir, constituir uma família, construir o meu lar tudo graças a essa empresa aqui, que tenho muito orgulho de trabalhar aqui, desempenhar a função na qual exerço, que sempre é um desafio. Passamos por vários desafios e estamos conseguindo conquistar todos eles.
P/1 – Me conta então, o que é uma espécie de sinistro, o que acontece assim, para a gente, o que é um caso mais corriqueiro e o que é o mais diferente que você já vistoriou?
R – O caso que causa mais impacto é poluição, poluição realmente causa muito impacto, aí chega a mídia e nesse aí nós temos uma preocupação muito grande, né? Mas temos casos sérios como pode acontecer, ou já aconteceu em outros anos, explosão de navios, ou morte, morte nós sentimos mais, né, porque tratam de um elemento que as vezes nós tínhamos conhecimento dele, já tínhamos contato com ele, então sentimos muito, mas temos que fazer o nosso serviço e vamos conduzindo, mas todo caso é sempre um caso, talvez mais brando, que nos causa menos problemas, é falta de carga ou contaminação, aquelas pequenas proporções, que as grandes nos causa também preocupação e gera custo, gera despesa e as vezes gera até casos judiciais, então é complicado também.
P/1 - E quando você vai fazer essas vistorias que você falou: “não importa se é sábado ou domingo”, elas são sempre aqui no Rio ou você também pode ir para outros lugares?
R – Não eu, posso para outros lugares.
P/1 – E, assim, conta um pouquinho de como é que é essa vida aí vai, para, para...
R – Ah, já aconteceu, como na, assim, olha, já tive um caso, foi o navio fretado, era um navio Lancer lá na Argentina, em Rosário, ele explodiu dia primeiro de janeiro, não me lembro o ano, talvez uns sete anos atrás, quer dizer, eu estava em casa descansando e chegaram lá, um carro me pegou e eu fui parar em Buenos Aires e depois segui logo direto para Rosário, eu e um outro colega meu. Quer dizer você não tem, você não pode prever aquilo assim: “pôxa eu...”, e aquele dia primeiro foi numa sexta-feira, quer dizer, eu estava pensando: “vou passar o final de semana, ir na praia, descansando.”, não, acabou. E, fomos para lá e acabei ficando lá mais de uma semana, (espera aí), acho que foram dez dias que ficamos lá, tentando resolver o problema, discutindo aqui, resolvendo lá, é autoridade portuária, advogados, enfim, acabou o meu(riso), meu feriadão que tinha, tive a oportunidade para descansar, mas isso faz parte da atividade, né?
P/1 – Igual a médico?
R – É igual médico, se eu não gostasse dessa atividade já teria saído, já teria mudado para outra coisa, não, mas eu gosto.
P/1 – Também não tem rotina?
R – Não, não tem. Temos os processos, tem rotina, mas cada caso você verifica que sempre é um caso diferente, sempre tem uma particularidade, alguma coisa assim, que diferencia dos demais, sempre, sempre, sempre. Então isso aí é bom, é gostoso trabalhar nessa atividade, muito bom.
P;1 – Conta para gente uma história marcante que tenha, para você, que tenha ficado marcante para você.
R – É, no momento...
P/1 – Nesses anos todos de trabalho. História engraçada que você queira registrar, que você ache importante.
R – (Pausa) Agora, no momento, não me lembro assim se teria uma; todos para mim são importantes, todos eu trato com o mesmo, da mesma forma, tá? Eu não (difiro?) quem quer que seja, o navio que seja, ou o fato que seja, sempre eu fico preocupado e procuro conduzir ele da mesma forma possível, por isso que me foge agora, talvez fatos relevantes assim, o que eu poderia citar aqui, todos para mim são importantes.
P/1 – Desses anos todos, desde que você entrou, quais são as mudanças que você percebeu? Desde o início do seu trabalho, quando você não sabia o que era Fronape até...
R – As mudanças que houve?
P/1 – É.
R – Olha, eu já passei por várias fases da empresa, tá, já passei por fases da empresa que não se preocupava muito com custo. Tínhamos muitas festas, muitas comemorações e enfim, não havia muito essa preocupação, depois passamos para a fase que sabiam administrar, tínhamos que rever a contenção de despesas, de recursos, foram foi ficando mais escassos e é um desafio, é um longo desafio que estamos conseguindo resolver, tá? Então, todas essas fases, muitas pessoas reclamam o tempo bom, do passado, mas não, são fases que, não só a empresa está passando, mas toda as empresas tem que se readaptar a nova realidade da nova vida que nós temos, então, não tem, não vejo problema nenhum, tá?
P/2 – O senhor é filiado ao sindicato?
R –Não, não sou filiado não. Já fui, saí.
P/2 – O senhor exerceu algum cargo importante?
R – Aonde?
P/2 – No Sindicato.
R – Não, nunca participei de...
P/2 – O senhor foi é, em que período?
R – Ah, eu não tenho lembrança, mas já fazem um bom tempo que eu saí do Sindicato.
P/1 – Você saiu, tem alguma razão de você tenha deixado?
R – Eu, talvez eu não tenha, um descontentamento talvez, não tenha gostado daquela época que eu não posso, não tenho na memória aqui, há quantos, já fazem muitos anos, uma insatisfação sobre o comportamento do sindicato daquela época. Saí, depois não retornei mais. E até agora não sou sindicalizado. Passei um tempo, desde que eu entrei na empresa eu fui sindicalizado, aí passou um determinado período, depois eu, talvez o descontentamento da própria diretoria daquela época, que eu não tenho aqui na memória quando foi, aí saí do sindicato.
P/1 – Você acha que está diferente agora?
R – Olha, pode ter melhorado em alguma coisa, talvez outra não, né, é, não sei cada um tem um modo de pensar, né?(riso) Eu acho que não voltarei a ser sindicalizado no momento, não sei.
P/2 – O senhor não lembra quais foram os principais momentos dessas participações do senhor no sindicato?
P/1 – Ou do próprio Sindicato?
R – Como...
P/1 – É, das principais...
P/2 – Reivindicações, lutas.
R- Naquela época?
P/1 – Ou de uma maneira geral. O que o senhor destaca?
R – Não, a única coisa que eu, que deve ser uma diretriz, deve ser uma tática, deve ser; eu não concordo muito que o sindicato fica pedindo ene coisas entendeu, ou seja, uma lista de itens, né, que agora no final eu acho que a empresa vai dar vários itens daquilo ali que não vem acrescentar nada a maioria das pessoas. Não sei, talvez o lado econômico seria o mais importante tratar, né? Você vê, o caso agora, o bônus, ou seja, a empresa tem um dinheiro para dar para quem talvez merecia, se haverá injustiça ou não, mas injustiça sempre infelizmente haverá, não haverá um, algum período que não tenha injustiça, que não tenha protecionismo, sempre vai ter, né? Então, esses fatos aí que eu não concordo muito com os sindicatos.
P/1 – Tem alguma outra história que você gostaria de deixar registrado algum outro fato?
R – Não, não teria assim; não, no momento não.
P/1 – Então, nós queríamos agradecer a sua participação, perguntar se você gostou de ter participado do Projeto Memória, se você acha importante a Petrobras e o sindicato promoverem esse tipo de...?
R – Eu acho importante, importantíssimo, né, eu acho importante. Isso aí é muito importante você resgatar toda essa memória, tá, eu acho muito interessante.
P/1 – Muito obrigada senhor Júlio.
R – Nada. Ok.
(Fim da fita Mpet/CBTR 008)
(infelizmente?)
(Piedai?)
(espera aí)
(difiro?)
(sabiam administrar?)
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