Identificação :
Meu nome é Marcos Aurélio Rocha da Silva. Nasci no dia 4 de junho de 1963, na Vila Carrão, Zona Leste da cidade de São Paulo. Meu pai se chama José Alves da Silva e minha mãe Ruth Rocha da Silva. Meu pai, mesmo estando aposentado pelos Correios e Telégrafos, ainda trabalha nos correios como coador de cartas e minha mãe é dona de casa. A família do meu pai veio de Campo Grande na década de 40. Eu cheguei conhecer a minha avó Dona Senhorinha, meu avô eu não conheci. A família da minha mãe, minha avó e meu avô vieram de São Carlos para São Paulo. Minha avó era italiana e meu avô negro. Tenho três irmãs. A mais velha se chama Lucilia, outra se chama Nancy e a mais nova Magali. Quando eu nasci, nos morávamos na Vila Carrão.
Infância
Quando eu morava na Cidade Patriarca, a zona leste era bem diferente do que é hoje, tranqüila, as ruas não eram asfaltadas, podíamos andar de bicicleta, brincávamos até altas horas na rua, sem problema de segurança e de marginalidade. Eram brincadeiras de rua, como :esconde e esconde, Policia e Ladrão, Mão da rua, bolinha de gude, futebol e empinar papagaio.
Brincadeiras que praticamente não existem mais, porque as crianças de hoje não brincam tanto na rua. Na quarta serie primária eu ganhei um concurso da escola de primeiro aluno. O prêmio foi uma biblioteca, e uns quarenta livros de Monteiro Lobato, com obras completas e mais alguns clássicos. Até o momento que eu ganhei esta biblioteca eu tinha um âmbito de leitura sim. Meu pai sempre incentivou, ele trabalhava numa banca de jornal, trazia gibi e outras revistas. Mas criança começa ler aquilo que gosta: jornal, esporte, história em quadrinhos. E, com o tempo eu passei a ler de tudo.Eu só me arrependo de ter doado aquela biblioteca. Eram quarenta livros que foram fundamentais para minha formação.
Primeira Escola
Era uma escola municipal da Cidade Patriarca. Era uma escola pequena, térrea, não tinha dois...
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Identificação :
Meu nome é Marcos Aurélio Rocha da Silva. Nasci no dia 4 de junho de 1963, na Vila Carrão, Zona Leste da cidade de São Paulo. Meu pai se chama José Alves da Silva e minha mãe Ruth Rocha da Silva. Meu pai, mesmo estando aposentado pelos Correios e Telégrafos, ainda trabalha nos correios como coador de cartas e minha mãe é dona de casa. A família do meu pai veio de Campo Grande na década de 40. Eu cheguei conhecer a minha avó Dona Senhorinha, meu avô eu não conheci. A família da minha mãe, minha avó e meu avô vieram de São Carlos para São Paulo. Minha avó era italiana e meu avô negro. Tenho três irmãs. A mais velha se chama Lucilia, outra se chama Nancy e a mais nova Magali. Quando eu nasci, nos morávamos na Vila Carrão.
Infância
Quando eu morava na Cidade Patriarca, a zona leste era bem diferente do que é hoje, tranqüila, as ruas não eram asfaltadas, podíamos andar de bicicleta, brincávamos até altas horas na rua, sem problema de segurança e de marginalidade. Eram brincadeiras de rua, como :esconde e esconde, Policia e Ladrão, Mão da rua, bolinha de gude, futebol e empinar papagaio.
Brincadeiras que praticamente não existem mais, porque as crianças de hoje não brincam tanto na rua. Na quarta serie primária eu ganhei um concurso da escola de primeiro aluno. O prêmio foi uma biblioteca, e uns quarenta livros de Monteiro Lobato, com obras completas e mais alguns clássicos. Até o momento que eu ganhei esta biblioteca eu tinha um âmbito de leitura sim. Meu pai sempre incentivou, ele trabalhava numa banca de jornal, trazia gibi e outras revistas. Mas criança começa ler aquilo que gosta: jornal, esporte, história em quadrinhos. E, com o tempo eu passei a ler de tudo.Eu só me arrependo de ter doado aquela biblioteca. Eram quarenta livros que foram fundamentais para minha formação.
Primeira Escola
Era uma escola municipal da Cidade Patriarca. Era uma escola pequena, térrea, não tinha dois andares.Eu lembro que a gente brincava muito na hora do intervalo, porque tinha um grande espaço para jogar bola.
Era muito rígida, porque em 1970, estávamos no auge do regime militar.
Os alunos já entravam cantando o hino nacional e marchando para as salas de aulas. Aquela rigidez do professor entrar na sala de aula e todos os alunos terem que levantar num silencio absoluto. Tinha um diretor lá muito bravo, e quando algum aluno ia para a diretoria todos sabiam os problemas porque aquela sala parecia uma câmara de tortura. Eu tinha uma professora boa no primeiro e segundo ano, eu não me esqueço desta professora. Chamava-se Dona Eva. Meus amigos de classe continuaram comigo numa outra escola na quinta a oitava série. Porque este colégio era da primeira a quarta série. E a professora da quarta série que era excelente e se chamava Maria Aparecida Prado. A [professora] do terceiro ano eu não tenho boas recordações, porque ela gostava de bater nos alunos. E eu como falava muito, de vez em quando, levava uns coques na cabeça.
Adolescência
Comecei a trabalhar com 12 anos numa fábrica de apitos de panela perto da minha casa. Depois trabalhei numa firma de abertura de crédito. E por fim na parte de microfilmagem do banco Itaú, até o segundo ano da faculdade.
No ginásio, eu lembro que eu tinha um professor muito bom de inglês, que foi da quinta a oitava série. Ele dava aula em uma escola de inglês (CCAA) e trabalhava com música e incentivava muito a gente. Foi uma experiência boa, porque me levou a estudar inglês e depois, levando o meu pai a pagar um curso para mim. A língua estrangeira serviu para melhorar minha nota no vestibular e ainda me levou a seguir a carreira de professor.
Quando eu entrei na universidade eu sabia mais inglês do que português.
Formação Profissional
Na USP como estudante de graduação de História, eu participava do movimento estudantil e era um período de muito questionamento perante os militares.
Era um momento diferente da época que vivemos hoje. Não havia os perigos que existem hoje como a AIDS, tivemos uma liberdade[sexual] muito grande.
Eu trabalhava no banco Itaú, quando eu entrei na USP. A partir do segundo ano eu fiz um acordo para sair. Eu morava no CRUSP não pagava a faculdade, tinha bolsa alimentação. Acreditava que eu podia me dedicar mais ao curso e a universidade. Eu passei por uma vivência que eu não tinha. O curso de Historia não é somente a sala de aula. Aprendi muito porque morava com outros estudantes de outros cursos como os de teatro. Eu gostava muito de freqüentar a ECA –USP. As artes foram uma influencia marcante durante meu período na universidade. Eu assisti muitos documentários feitos pelos estudantes de cinema.
Vocação/Opção
Na verdade eu quis fazer História por uma influência de um cunhado que eu tinha. Era uma pessoa importante na criação do Partido dos Trabalhadores na zona leste. O PT lá começou mais como um projeto cultural, depois que partiu para um agrupamento mais político partidário. Era um momento de politização muito grande, a gente queria votar para presidente, [queria] que a democracia voltasse. Isto me influenciou muito porque eu freqüentei a reunião no Centro Cultural Vento Leste, onde se discutia política e arte. Na verdade eu fazia as duas coisas. A arte já tinha esta visão que podia transformar o mundo estas coisas. Isto tudo me influenciou a fazer História e a revolução. Aquelas idéias que você tem com dezoito anos de idade. Hoje em dia todos nos sabemos que é inviável.
Prática Pedagógica.
Eu comecei a dar aula a partir do segundo ano de faculdade. Peguei umas aulas em setembro, de substituição no Estado. Sempre aparecia substituição das professoras grávidas. Então pegava aulas das professoras que entravam em licença gestante. No começo esta experiência é muito legal para exercer seus conhecimentos. As pessoas que dar aula é que nem um vírus, você começa dar aula gosta e acaba se contaminando. Sempre gostei de dar aula. Acabei me tornado um profissional e continuo exercendo com muito gosto esta profissão.
Quando comecei como professor substituto os outros professores que estavam nesta escola acreditavam que você é um idealista, sonhador e falavam para eu desistir e seguir outra carreira. Era uma forma de eu colocar coisas novas dentro da sala de aula. Hoje em dia eu continuo tentando colocar novas idéias. Eu peguei didática para dar aula quando comecei a dar aulas. Sempre tem que esperar o inesperado, porque quando criamos a aula, tudo pode mudar com uma pergunta de um aluno. Não podemos seguir um roteiro de aula concreto, porque pode surgir uma pergunta inesperada, assim podemos aproveitar o gancho para aprofundar a matéria.
Cotidiano na escola
Infelizmente, as mudanças nos últimos anos foram piores, principalmente com este projeto de progressão continuada. Isto fez com que os alunos chegassem na oitava série ou na quarta serie sem nenhuma base. No município a gente vê, principalmente, na quinta serie, que eu dou aula, alunos que não foram alfabetizados. Assim fica muito difícil dar aula, porque o aluno não consegue anotar no caderno o que foi passado na lousa. Eu vejo superlotação. Eu vejo a escola publica sendo sucateada. Há um grande investimento que não chega nas escolas publicas. Tem canais burocráticos que impedem a chegada destes recursos, fazendo as escolas terem salas superlotadas, faltas de matérias e professores, não existindo projetos pedagógicos. Existem poucas escolas hoje nas quais se pode dar aula. Eu dou aula no Estado e município. No Estado eu dou aula no ensino médio. De manhã é um pouco mais forte. O aluno demonstra mais interesse.
Rede de ensino
Aqui no Brasil/Japão estamos com problemas de direção,ou seja, do projeto pedagógico e de condições dentro da sala de aula. Se você já for no Anexo, aquelas salas onde ficam as quinta séries, são inviáveis dar aula, porque os alunos saem deste prédio e vão lá chutar a porta. Entram quando o professor está passando matéria. Praticamente não tem a mínima condição de segurança. A disciplina é importante, é sim para ter o controle da sala de aula e passar o conteúdo. Infelizmente, as mudanças foram para pior: salas superlotadas, aprovação sem nenhum critério, apenas critério de presença. A escola passou a ser tudo menos lugar de ensino, a escola serve para entregar leite, [realizar] projetos sociais do governo estadual. Eles estão mais preocupados com outras coisas que o processo de aprendizagem dos alunos
Infelizmente o aluno hoje tem muito pouca disponibilidade e vontade de ouvir, porque como não existe nenhuma forma de cobrança, não impondo no sentido autoritário, eles fazem se tiverem com vontade. Na grande maioria das vezes não fazem e não contam com apoio dos pais, que são simples desta região. Em suas mãos não vamos encontrar livros, jornais. Não há um ambiente para aprendizagem, e na escola também não há,[isto] se reproduz. A escola no projeto do governo Serra invés de melhorar piorou.Isto porque aqui na escola tínhamos laboratório de informática, mas não podemos utilizar mais. Isto também ocorre com a sala de leitura. Talvez em 2007 parece que vai haver mudanças. A escola da prefeitura é bem mais equipada que a escola do Estado. Mas na escola do Estado há mais condições de dar aula no sentido de projeto pedagógico.
O professor historiador hoje
O professor não deve seguir o planejamento somente para passar o conteúdo, tem que trabalhar temas atuais do interesse do aluno. Como exemplos podem citar : falar sobre a eleição, dia da consciência negra, porque agora é lei ensinar sobre a História da África na escola, questão da cultura afro-brasileira. Podemos incluir outros tópicos dentro do currículo seguindo o que os alunos pedem e desejam.
Eu moro aqui do lado, perto da escola Politécnica há quase dois anos. Morei muito tempo no CRUSP então desde época da graduação estou na região oeste de São Paulo. No Brasil/Japão eu sou professor adjunto do município, significa que você não tem um colégio fixo, você vai para a atribuição de aula no final do ano e dependendo da sua pontuação e tempo da Prefeitura, você poderá estar escolhendo as melhores escolas. Quando eu entrei no eu peguei o Pico do Jaraguá, mas era muito longe para mim, porque quando você passa no concurso , você pega lugares mais longes e no decorrer dos anos o professor se aproxima de onde mora. Hoje eu dou aula no Brasil/Japão e no Conde Matarrazo no Parque dos Príncipes. Na Prefeitura nos temos jornadas e para complementar minha jornada eu peguei aulas em outras escolas.
Como historiador eu sei que o registro histórico é muito importante, de certa forma minha história irá servir para montar um perfil do professor. Minha contribuição é no sentido de que a minha experiência de vida, precisa ser registrada. Eu gostaria de ver o resultado da pesquisa referente aos professores da região do Butantã.
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