Memória dos trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de: Gladstone Souza Braga
Entrevistado por: Larissa Rangel
Local e data: Macaé, 03 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.net
Entrevista: PETRO_CB330
P1 – Qual é o seu nome completo...
R – Gladstone de Souza Braga.
P1 – E o local de nascimento...
R – Belo Horizonte.
P1 – A data...
R – 30 de outubro de 1963.
P1 – E qual é a sua formação?
R – Eu me formei como técnico eletrônico no Sefet, né, trabalhei o tempo todo na Bacia de Campos e nesse tempo todo eu me formei em engenharia elétrica com ênfase em eletrônica na PUC.
P1 – E como você ingressou na Petrobrás?
R – Concurso público em 1984, foi um concurso, o cargo na época de rádio técnico, né, que seria equivalente a hoje, a técnico júnior.
P1 – E qual a área de trabalho atualmente?
R – Área de telecomunicações.
P1 – E como que é o cotidiano, como que é a sua vida dentro da Petrobrás?
R – Bem, é uma correria, né, hoje a empresa cresceu muito, os processos se tornaram maiores e a dependência que a empresa tem de comunicação, processo de redes, trouxe uma importância muito maior hoje pra área de telecomunicações do que ela tinha há vinte anos atrás quando eu entrei. Hoje a parada de telecomunicações impacta diretamente a segurança, operação da empresa, então hoje, isso obriga você a trabalhar com um filing maior com mais detalhes e com muito mais importância no foco do cliente.
P1 – Na sofisticação da tecnologia muda completamente, né, mudou?
R – Muda, eu posso dizer que, a não ser a experiência pessoal que se caso te traga alguma coisa, a parte técnica eu posso dizer que nos últimos quinze anos aproveitei alguma coisa dos vinte anos pra trás que eu iniciei minha careira, até os 5 primeiros anos, todo conhecimento técnico daquela época praticamente hoje está obsoleto, você não usa mais, já é tecnologia descartada.
P1 – E qual seria...
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Memória dos trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de: Gladstone Souza Braga
Entrevistado por: Larissa Rangel
Local e data: Macaé, 03 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.net
Entrevista: PETRO_CB330
P1 – Qual é o seu nome completo...
R – Gladstone de Souza Braga.
P1 – E o local de nascimento...
R – Belo Horizonte.
P1 – A data...
R – 30 de outubro de 1963.
P1 – E qual é a sua formação?
R – Eu me formei como técnico eletrônico no Sefet, né, trabalhei o tempo todo na Bacia de Campos e nesse tempo todo eu me formei em engenharia elétrica com ênfase em eletrônica na PUC.
P1 – E como você ingressou na Petrobrás?
R – Concurso público em 1984, foi um concurso, o cargo na época de rádio técnico, né, que seria equivalente a hoje, a técnico júnior.
P1 – E qual a área de trabalho atualmente?
R – Área de telecomunicações.
P1 – E como que é o cotidiano, como que é a sua vida dentro da Petrobrás?
R – Bem, é uma correria, né, hoje a empresa cresceu muito, os processos se tornaram maiores e a dependência que a empresa tem de comunicação, processo de redes, trouxe uma importância muito maior hoje pra área de telecomunicações do que ela tinha há vinte anos atrás quando eu entrei. Hoje a parada de telecomunicações impacta diretamente a segurança, operação da empresa, então hoje, isso obriga você a trabalhar com um filing maior com mais detalhes e com muito mais importância no foco do cliente.
P1 – Na sofisticação da tecnologia muda completamente, né, mudou?
R – Muda, eu posso dizer que, a não ser a experiência pessoal que se caso te traga alguma coisa, a parte técnica eu posso dizer que nos últimos quinze anos aproveitei alguma coisa dos vinte anos pra trás que eu iniciei minha careira, até os 5 primeiros anos, todo conhecimento técnico daquela época praticamente hoje está obsoleto, você não usa mais, já é tecnologia descartada.
P1 – E qual seria assim o maior desafio dentro do seu trabalho.
R – São muitos (risos). O maior desafio é um dia ver a Bacia toda automatizada rodando uma rede que garanta segurança operacional para a empresa, porque eu acho que o foco nosso na área de telecomunicações, é diminuir a exposição ao risco da empresa, então pra isso você tem que ter um trabalho grande de automatizar, tirar as pessoas dos processos e garantir segurança e rentabilidade à empresa diante desse processo.
P1 – E o senhor trabalha dentro da, trabalha embarcado, né, na Bacia?
R – É, eu estou trabalhando embarcado, eu trabalhei nos últimos 2 anos na área de relacionamento com clientes, atendendo os (PGPs?) da Petrobrás no Espírito Santo, eu fui emprestado para a (UNS?) durante esse tempo. Hoje eu estou voltando, voltei, né, tem algum tempo, pra Bacia de Campos e tava na coordenação da equipe (of–shore?) da UNBC, né e a gente está na reestruturação, houve a integração com a T.I. onde saiu a T.I.C. um outro órgão integrando telecomunicações e informática e hoje eu estou ajudando no processo de reestruturação dos novos moldes de trabalho dessa estrutura que nasceu da integração da Tecnologia da Informação com a Telecomunicações.
P1 – E como é a sua vida longe da família?
R – Eu sinto que antes muito bem, nunca tive, assim, o menor problema de embarcar. Quando eu embarcava, quando eu embarco, eu nunca embarquei de mal humor porque eu to embarcando, eu sempre achei que é uma opção minha, que no momento, no dia que eu dissesse – como no tempo que eu passei em Vitória – vir trabalhar em terra que é uma vida, entre aspas, normal, isso era possível pra mim, então é uma opção, eu gosto, eu gosto muito de viajar, então me proporciona isto, eu gosto da qualidade de vida que me proporciona até o salário a mais, então são compensações, então eu convivo muito bem com o trabalho embarcado.
P1 – E a fase da produção da Bacia, qual foi o momento mais marcante?
R – Olha, por incrível que pareça, o mais marcante, tem muito tempo, foi o 500 mil barris, entende? A fase quando a gente chegou a 1 milhão de barri, foi uma fase muito ruim na empresa, o momento político não era bom, então não era um momento legal pra, o ambiente na empresa não estava bom devido a governança na época, mas eu acho que a fase de festa, que a gente enxergou o Brasil grande, a Petrobrás grande foi nos 500 mil barris.
P1 – P1 – E qual foi esse momento, foi...
R – Foi quando a empresa, deve ter sido mais ou menos no início dos anos 90 atingiu a meta dos 500 mil barris, foi com a entrada, deve ter sido dos primeiros campos na área de margem que atingiu essa meta, eu não tenho certeza.
P1 – E você podia relatar algum momento curioso dentro da plataforma, uma coisa que foi inesquecível para o senhor?
R – Ah, tem muitos momentos inesquecíveis tanto de brincadeiras como de problemas. Eu acho que inesquecível, pra mim, foi as comunicações quando eu entrei na empresa, que eu tinha que fazer essa comunicação via rádio, via VHF. Você pedia pra base que tinha esse tipo de rádio, na época ainda era base doze, nós éramos ligados ao Rio de Janeiro ainda, então era um (sub–número?) de 10, né, na base doze. Você tinha direita a, na época, a números limitados de ligações telefonicas por unidade. Eu lembro que as unidades FS, as unidades menores da Petrobrás cada pessoa, cada plataforma tinha direito a fazer uma ligação por dia, uma pessoa da plataforma que era feito por transferência de ligação pela base, no mais, para você fazer ligação tinha que fazer via rádio, então você fazia via rádio, as pessoas escutavam, às vezes conheciam sua voz, faziam questão de escutar, depois te ligava com muito custo que era difícil até ligação interna pra te avisar que escutou, pra fazer brincadeira... Hoje você tem Internet a bordo, você tem todo recurso de comunicação, fala com qualquer lugar do mundo até mesmo dentro da rede da Petrobrás, quer dizer, hoje você fala dentro da rede da Petrobrás, você fala com Huston, você fala na Argentina, você fala em outros lugares do mundo sem sair da rede Petrobrás. Então é assim uma evolução incrível.
P1 – E como o senhor vê o futuro da Bacia?
R – Olha, o (pré–salto?) de um futuro novo, né, uma possibilidade de futuro novo. Eu já esperava que a Bacia, acho até a própria Petrobrás entrasse num processo de decadência natural, apesar que as novas tecnologias têm reaproveitado muito os campos, tem tido técnicas para aumentar a vida útil das plataformas, mas eu acho que vai ser uma surpresa, eu torço para que baixe mesmo nessa formação que nós temos na Bacia de Campos, no (pré–salto?) temos muito petróleo e que essas plataformas todas sejam revigoradas e sejam preparadas para uma nova época, nasçam novamente, é o que eu espero.
P1 – O que é ser petroleiro?
R – É ter muita garra. É gostar do que faz, é acreditar no que faz, entende, e as vezes nem saber o que faz, porque muitas vezes passa um povo: "porque você está fazendo isso, não faz sentido, você não está ganhando nada com isso, a empresa não precisa disso?" Mas acho que às vezes a gente precisa fazer isso, entende, muitas vezes é mais pela gente que pela empresa porque a gente vai passar e a empresa vai continuar, mas a gente precisa disso, fazer a coisa, ver as coisas acontecerem.
P1 – E o senhor o que achou de ter participado dessa entrevista e contribuído para o Projeto da Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos?
R – Achei legal, uma possibilidade de mostrar um sentimento de alguém que já está há vinte e três anos na empresa e ainda hoje ainda vibra, ainda torce, ainda quer ver as coisas acontecerem na empresa, quer... assim, lê tudo que sai da empresa, procura os jornais, defende a empresa quando você sabe que ela está sendo difamada ou está sendo distorcida uma informação da empresa. Eu acho fantástico esse corpo que a Petrobrás tem e a ciência que a gente tem que essa empresa é grande.
P1 – Ok, obrigada.
R – Ta, de nada.
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