Entre Pulmões, Preconceitos e Poesia
Por Juan
Me chamo Juan, sou do Maranhão, e carrego em mim muitas histórias — algumas contadas pelos outros, outras que precisei inventar para continuar em pé.
Na infância, enfrentei problemas respiratórios sérios. Meus pulmões frágeis me forçaram a desacelerar quando tudo ao redor parecia correr. Passei boa parte dos meus dias entre consultas, medicamentos e silêncios que falavam mais do que qualquer palavra. Mas foi justamente nesse silêncio que descobri a beleza de observar e de escutar — e ali começou meu amor pelas histórias.
Desde pequeno, a História esteve presente em mim. Eu me encantava com os causos antigos da minha avó, com livros empoeirados que traziam o passado de volta, com qualquer objeto que carregasse memória. Enquanto outras crianças brincavam, eu imaginava como teria sido viver em outros tempos. Sempre quis estudar História. Era como se minha alma soubesse, desde cedo, que ali era meu lugar.
Na adolescência, vieram outros desafios: o preconceito, o medo de ser quem eu era, as dúvidas sobre minha sexualidade. Foi um período de conflito, mas também de descoberta. A arte me ajudou a atravessar tudo isso. O cantor Jão foi essencial nesse processo — com ele, aprendi que sensibilidade não é fraqueza. Luísa Sonza, com sua coragem e entrega, também me marcou profundamente. Sua música \\\\\\\\\\\\\\\"Iguaria\\\\\\\\\\\\\\\" diz muito sobre mim. Quando ela canta “Deságua em mim como chuva
Como sempre, como nunca
Eu te namoro antes de ser tua”, eu me vejo ali: alguém que ama intensamente, que vive com o coração escancarado, mesmo quando o mundo pede para se esconder.
A escolha pela licenciatura em História não foi um acaso. Ela veio do menino curioso que sobreviveu aos silêncios e que hoje quer escutá-los nos outros. Ser professor de História é meu modo de transformar dor em caminho, de dar voz a quem foi apagado, de mostrar que todo mundo tem uma história que...
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Entre Pulmões, Preconceitos e Poesia
Por Juan
Me chamo Juan, sou do Maranhão, e carrego em mim muitas histórias — algumas contadas pelos outros, outras que precisei inventar para continuar em pé.
Na infância, enfrentei problemas respiratórios sérios. Meus pulmões frágeis me forçaram a desacelerar quando tudo ao redor parecia correr. Passei boa parte dos meus dias entre consultas, medicamentos e silêncios que falavam mais do que qualquer palavra. Mas foi justamente nesse silêncio que descobri a beleza de observar e de escutar — e ali começou meu amor pelas histórias.
Desde pequeno, a História esteve presente em mim. Eu me encantava com os causos antigos da minha avó, com livros empoeirados que traziam o passado de volta, com qualquer objeto que carregasse memória. Enquanto outras crianças brincavam, eu imaginava como teria sido viver em outros tempos. Sempre quis estudar História. Era como se minha alma soubesse, desde cedo, que ali era meu lugar.
Na adolescência, vieram outros desafios: o preconceito, o medo de ser quem eu era, as dúvidas sobre minha sexualidade. Foi um período de conflito, mas também de descoberta. A arte me ajudou a atravessar tudo isso. O cantor Jão foi essencial nesse processo — com ele, aprendi que sensibilidade não é fraqueza. Luísa Sonza, com sua coragem e entrega, também me marcou profundamente. Sua música \\\\\\\\\\\\\\\"Iguaria\\\\\\\\\\\\\\\" diz muito sobre mim. Quando ela canta “Deságua em mim como chuva
Como sempre, como nunca
Eu te namoro antes de ser tua”, eu me vejo ali: alguém que ama intensamente, que vive com o coração escancarado, mesmo quando o mundo pede para se esconder.
A escolha pela licenciatura em História não foi um acaso. Ela veio do menino curioso que sobreviveu aos silêncios e que hoje quer escutá-los nos outros. Ser professor de História é meu modo de transformar dor em caminho, de dar voz a quem foi apagado, de mostrar que todo mundo tem uma história que merece ser contada.
Sou apaixonado por literatura, MPB, filmes que fazem chorar e rir ao mesmo tempo, e séries que falam sobre afeto e amizade, como How I Met Your Mother. Sonho com uma casa cheia de plantas e janelas grandes, com uma mesa redonda na cozinha para conversas infinitas. Sonho também com um amor que transborde — como nas músicas que eu ouço repetidamente, esperando que a vida imite a arte.
Hoje, ainda estou escrevendo minha história. E é por isso que a entrego ao Museu da Pessoa: porque acredito que contar quem somos é, acima de tudo, um ato de amor — e eu quero amar, profundamente, até o fim.
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