Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Belanisa Santos
Entrevistado por: Márcia de Paiva e Ana Bonjour
Local da gravação: Madre de Deus/BA
Data: 08/10/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista: PETRO_CB585
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 – Bom dia. Gostaria de começar com você dizendo qual o seu nome, local e data de nascimento.
R – Eu me chamo Bela Luísa Maria Maciel de Sousa Santos, nasci em Aracaju, Sergipe, em 19 de novembro de 1949.
P/1 –E conta um pouco pra gente como foi a sua entrada, quando foi a sua entrada na Petrobras, se você trabalhou antes...
R – Não. Eu vim pra Salvador para fazer vestibular. Estava cursando Belas Artes mas, de família humilde – o meu pai é mecânico – eu cursei o primeiro e o segundo ano de Belas Artes e Artes Plásticas na Escola de Belas Artes da UFBA. E, nessa época, meu pai estava sem condições de manter a família lá em Aracaju e mais eu aqui, que morava com colegas em apartamento, dividia. Eu, nessa época, já não queria mais voltar para Aracaju. Procurei começar a trabalhar. E o trabalho que eu encontrei foi aqui, que não me dava condições de fazer o curso normal na faculdade. Aí, comecei aqui como contratada em janeiro de 1972. Passei dois anos como contratada quando, em 1974, fiz concurso e passei para a Petrobras.
P/1 – E trabalhou em quê? Como era o seu trabalho?
R – O meu trabalho era como auxiliar. Na época, era auxiliar de escritório e trabalhava em várias contratadas na área de contratação, na área de prestação de serviços.
P/1 – Como que foi a sua trajetória aqui dentro? Locais você trabalhou?
R – Eu trabalho numas seis empresas contratadas. Quando houve a oportunidade de fazer o concurso, em 1974, para a Petrobras, eu fiz, passei. No ano seguinte, teve concurso para a refinaria, já para ajudante administrativo. Eu fiz e passei. Mas, já na época, eu namorava uma pessoa daqui, e o superintendente, Doutor Stael Prata, perguntou se...
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Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Belanisa Santos
Entrevistado por: Márcia de Paiva e Ana Bonjour
Local da gravação: Madre de Deus/BA
Data: 08/10/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista: PETRO_CB585
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 – Bom dia. Gostaria de começar com você dizendo qual o seu nome, local e data de nascimento.
R – Eu me chamo Bela Luísa Maria Maciel de Sousa Santos, nasci em Aracaju, Sergipe, em 19 de novembro de 1949.
P/1 –E conta um pouco pra gente como foi a sua entrada, quando foi a sua entrada na Petrobras, se você trabalhou antes...
R – Não. Eu vim pra Salvador para fazer vestibular. Estava cursando Belas Artes mas, de família humilde – o meu pai é mecânico – eu cursei o primeiro e o segundo ano de Belas Artes e Artes Plásticas na Escola de Belas Artes da UFBA. E, nessa época, meu pai estava sem condições de manter a família lá em Aracaju e mais eu aqui, que morava com colegas em apartamento, dividia. Eu, nessa época, já não queria mais voltar para Aracaju. Procurei começar a trabalhar. E o trabalho que eu encontrei foi aqui, que não me dava condições de fazer o curso normal na faculdade. Aí, comecei aqui como contratada em janeiro de 1972. Passei dois anos como contratada quando, em 1974, fiz concurso e passei para a Petrobras.
P/1 – E trabalhou em quê? Como era o seu trabalho?
R – O meu trabalho era como auxiliar. Na época, era auxiliar de escritório e trabalhava em várias contratadas na área de contratação, na área de prestação de serviços.
P/1 – Como que foi a sua trajetória aqui dentro? Locais você trabalhou?
R – Eu trabalho numas seis empresas contratadas. Quando houve a oportunidade de fazer o concurso, em 1974, para a Petrobras, eu fiz, passei. No ano seguinte, teve concurso para a refinaria, já para ajudante administrativo. Eu fiz e passei. Mas, já na época, eu namorava uma pessoa daqui, e o superintendente, Doutor Stael Prata, perguntou se eu gostaria de continuar aqui ou ir para a Refinaria. E, é claro, eu referi ficar aqui no Terminal. Fui promovida para ajudante, continuei aqui – isso em 1975, a promoção. Quando foi em 1982, eu passei para assistente administrativo. Trabalhei até me aposentar, em 1997, já no último nível de assistente.
P/1 – Como foi esse afastamento seu, a aposentadoria? O que isso mudou na sua vida? Conta pra gente.
R – Olha, eu pensei de mudar muito, mas, na época, eu já estava acostumada aqui no Terminal durante muito tempo e, na época em que eu saí, o Terminal estava sendo assumido pela Refinaria. Então, estava sofrendo um esvaziamento aqui. E, na realidade, a política estava mudando, muita gente com medo de não conseguir aposentar. Então, pra mim, foi gratificante ter saído. Aí, eu: “Meu Deus, o que é que eu vou fazer da minha vida aposentada?” Mas comecei a trabalhar, trabalhar volutariamente. Eu fazia visitas a aposentados, a asilos, eu trabalhava com crianças com câncer, ia aos núcleos de assistência a crianças com câncer, promovia tardes de lazer com eles. E fiz muito curso. Eu sei que dentro de casa eu não parava. Fiz muito curso, isso até 2000, quando me convidaram para vir fazer um trabalho aqui, de três meses. Seria na área de gerenciamento, né. E, nesses três meses, já vou fazer quatro anos de retorno aqui. Agora como contratada.
P/1 – E hoje em dia você faz o quê? Conta um pouquinho.
R – Trabalho na área de contratação.
P/1 – De estatística?
R – Não. O nível, me colocaram como estatístico. Mas, na realidade, eu trabalho com prestação de serviço, com empresas prestadoras de serviços aqui dentro.
P/2 – E você ficou pouco tempo afastada, então?
R – Foi, eu fiquei de março, abril de 1997 a outubro de 2000, como aposentada realmente. E já tenho quatro anos novamente em atividade.
P/ 2 – Você acha que muda alguma coisa, o status de prestadora de serviço e contratada?
R – Olhe, eu acho que muda porque as pessoas são muito vaidosas, não é? E contratada, às vezes, não é por todo mundo – você sabe que tem todo tipo de pessoa – mas o contratado é, assim, discriminado, entendeu? Mas como o meu temperamento é tranqüilo e, comigo em particular, não sei se pelo fato de ter vivido muito tempo aqui e ter angariado uma boa amizade, ser da casa, ter muito conhecimento lá fora – que eu fiz muito curso, viaja muito – então, eu não sinto tanto. Mas eu vejo muita reclamação dos outros contratados.
P/1 – Você é filiada? Quando você entrou, você se filiou ao Sindicato?
R – Sou.
P/1 – Desde que entrou?
R – Isso como Petrobras?
P/1 – É.
R – Sim. Também participo da Ambep, da Associação de Mantenedores e Beneficiárias da Petros.
P/1 – A é?
R – Sou sim. Sou associada.
P/1 – E como funciona?
R – Eles cobram da gente um percentual por mês e você pode inscrever seus familiares na assistência médica. Nós temos a nossa assistência médica AMS, mas a Ambep, ela tem uma tabela que os médicos atendem pela tabela Petrobras. Embora você, na hora, pague aquele valor, mas é pela tabela Petrobras. E ela lhe dá uma ampla abertura para você colocar parentes, você colocar amigos, até, no meu caso, eu botei a minha empregada, que pra mim não é empregada, é uma pessoa já da minha família e está comigo a 15 anos. Eu botei ela e o filho dela, como meus dependentes, não é? Eles também oferecem auxílio funeral pra gente. Tanto eu como meu marido, que somos associados, nós temos tudo já pago e garantido. E colocamos algumas pessoas. Eu coloquei minha mãe, coloquei uma irmã, e eles fazem todo o acompanhamento.
P/1 – E no Sindicato, você chegou a exercer algum cargo?
R – Não. Eu só era associada.
P/1 – Participou de alguma luta, de algum movimento? Lembra?
R – Participei daquele maior, se não me engano, foi em 1982. Um dos maiores aqui da Bahia. Não me lembro a data não. Mas às vezes, você tem uma função que você não pode participar. Você fica meio como, digamos assim, em cima do muro. Você quer realmente lutar pelos seus direitos e, às vezes, fica meio complicado. Mas quando podia, eu participava sim.
P/1 – E tem algum momento assim, alguma história engraçada, interessante pra contar pra gente desse tempo que você trabalhou?
R – Olhe, eu procurei lembrar, mas são tantas coisas e assim, não dá pra lembrar. Não me lembro.
P/1 – Nenhum momento interessante?
P/2 – Alguma coisa que tenha te marcado.
R – Uma coisa que me marcou – não sei se é interessante – mas a equipe de contratação que eu trabalhava, ela foi agraciada com um elogio por escrito. E isso foi bastante, um momento feliz pra mim, entendeu? Não foi só pra mim, foi pra equipe, mas isso foi bastante interessante.
P/2 – Ter o reconhecimento...
R – É. O reconhecimento do trabalho, não é.
P/2 – E alguma história engraçada que tenha ocorrida durante esses anos todos de trabalho?
R – Eu acho que tem mas, sinceramente, eu não recordo. Fica difícil. Eu até perguntei ao meu marido: “Se lembre aí alguma coisa!” Mas não me lembro, não.
P/2 – Você tem os seus amigos ainda daqui do trabalho, você manteve?
R – Tenho. Olhe, depois que eu aposentei, eu consegui reunir um grupo de 33 colegas. Agora, é clube da luluzinha. Todo mês a gente se encontra. É claro que a vida vai afastando a gente. Dessas 33, temos 15 que, religiosamente, todos os meses, nós nos encontramos para almoçar juntas. Desse mês, está marcado agora para a folga, que se não me engano, é agora dia 29 de outubro. Hoje é aniversário de uma, já tentei falar. Então, a gente faz viagens, passeios. Estamos sempre juntas, nos telefonando. Então, é um grupo bastante coeso.
P/2 – Você teve essa preocupação de, quando se aposentou, de fazer um trabalho social. Você acha que a Petrobras tem feito aqui, com a comunidade? Como é que você vê?
R – Tem sim. Nós já participamos de diversos trabalhos. E, normalmente, no dia a dia, nós estamos com a “Campanha do prato limpo”.
P/2 – Como é que é essa campanha?
R – Todos os dias nós temos que comer uma quantidade e não deixar nada no prato. Recebemos um ticketzinho, juntamos cinco, e desses cinco nós trocamos por um outro que vai ser sorteado. E essa sobra que, digamos, iria para o lixo, a sobra do dia está sendo encaminhada para umas entidades daqui de Madre de Deus. E, de vez em quando, se faz algumas campanhas aqui, entendeu? Final do ano, sempre se faz alguma coisa.
P/1 – Natal?
R – Natal, também. É sim.
P/1 – E como que foi, pra você, participar? O que você achou desse Projeto Memória Petrobras?
R – Interessante, não é? Já tem alguns anos, depois que eu aposentei, quando eu saí, eu recebi um álbum com umas fotos, como se fosse uma recordação dos tempos trabalhados. Eu juntei a outras fotos do meu último ano aqui também e fiz um álbum. E foi uma equipe lá em casa e entrevistou a mim, meu marido, meu filho mais novo – o mais velho não estava, estava na faculdade. E saímos no Jornal da Refinaria, na época. Sempre iam fazendo alguma coisa.
P/2 – Seu marido também trabalhava aqui?
R – Trabalhava aqui. É. O Elias já está aposentado mas também está trabalhando.
P/2 – Aqui também?
R – Não. Ele está trabalhando na Prefeitura de Lauro de Freitas. Ele trabalha numa área hospitalar.
P/1 – Então, tá. Quer falar mais alguma coisa?
P/2 – Deixar outra coisa registrada?
R – Não. Eu só tenho a dizer que tudo o que eu tenho, tudo o que eu possuo, eu agradeço a Petrobras, não e? E tenho a Petrobras como uma mãezona. Continuo e continuarei vestindo a camisa Petrobras. Eu sempre digo: “eu fui crachá amarelo, depois o crachá foi verde, passou para azul e voltei pra amarelo.” (risos)
P/2 – Como é que essa história?
R – É porque, veja bem: contratado tem um tipo de crachá – amarelo, o pessoal da ativa, o crachá é verde- Petrobras , e o aposentado é azul. Eu fui Petrobras, sou Petrobras e vou morrer sendo Petrobras. Por que? Porque eu estou aposentada e ninguém vai me tirar esse privilégio, não é isso? Tem muita gente que está com crachá verde e não sei se vai chegar até onde eu cheguei. Então, pra mim é uma satisfação muito grande ter sido da Petrobras.
P/2 – Tá certo, Bela. Muito obrigada pela sua participação.
R – Obrigada a vocês.
P/1 – Obrigada.
(fim da entrevista)
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