O adeus que mais doeu"
Aqui em casa sempre houve espaço para o amor — aquele amor silencioso, que não exige palavras, que se expressa em rabos abanando, olhares que dizem tudo e presenças que, mesmo quietas, enchem todos os cantos da alma. O Scooby e a Akira foram exatamente isso: pedaços de ternura que andavam sobre quatro patas, e que um dia nos ensinaram o que é amar de um jeito puro, sincero, inteiro.
O Scooby... ah, meu bom e velho Scooby. Um chow-chow com alma de monge. Tinha uma paz que impressionava. Enquanto o mundo lá fora corria apressado, ele caminhava devagar, sem pressa, como quem já entendeu que a vida não precisa de barulho pra ser bonita. Quando estávamos almoçando, ele se aproximava devagar, sem nunca invadir o espaço, sem nunca pedir mais do que o silêncio e o carinho do nosso olhar. Era como se ele dissesse: "Eu só quero estar perto, só isso já me basta." Respeitava tudo e todos, como se tivesse vindo ao mundo só pra ensinar a gentileza. Nunca latiu à toa, nunca exigiu nada — e, no entanto, nos deu tudo.
E então veio a Akira... tão doce, tão suave, que parecia feita de algodão e afeto. Um coração ambulante. Trazia no olhar um carinho que parecia aquecer mesmo nos dias mais frios. Era daquelas companhias que bastava encostar e o mundo lá fora sumia. Tão carinhosa que às vezes parecia humana — ou talvez nós é que gostaríamos de ser tão bons quanto ela era. Cada gesto dela dizia: "Eu te vejo, eu te sinto, eu tô aqui." Era impossível não se apegar, impossível não sorrir quando ela vinha, de mansinho, pedindo só um pouco de atenção e devolvendo em troca uma lealdade que não se encontra em lugar nenhum.
Hoje, a casa parece um pouco mais vazia. Não tem mais aquele passo no corredor, nem o som das patinhas no chão. Às vezes, parece que ainda vou vê-los deitados no cantinho preferido, olhando com aquele jeito de quem entende tudo. E é aí que vem a saudade — essa visita constante que se instala no...
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O adeus que mais doeu"
Aqui em casa sempre houve espaço para o amor — aquele amor silencioso, que não exige palavras, que se expressa em rabos abanando, olhares que dizem tudo e presenças que, mesmo quietas, enchem todos os cantos da alma. O Scooby e a Akira foram exatamente isso: pedaços de ternura que andavam sobre quatro patas, e que um dia nos ensinaram o que é amar de um jeito puro, sincero, inteiro.
O Scooby... ah, meu bom e velho Scooby. Um chow-chow com alma de monge. Tinha uma paz que impressionava. Enquanto o mundo lá fora corria apressado, ele caminhava devagar, sem pressa, como quem já entendeu que a vida não precisa de barulho pra ser bonita. Quando estávamos almoçando, ele se aproximava devagar, sem nunca invadir o espaço, sem nunca pedir mais do que o silêncio e o carinho do nosso olhar. Era como se ele dissesse: "Eu só quero estar perto, só isso já me basta." Respeitava tudo e todos, como se tivesse vindo ao mundo só pra ensinar a gentileza. Nunca latiu à toa, nunca exigiu nada — e, no entanto, nos deu tudo.
E então veio a Akira... tão doce, tão suave, que parecia feita de algodão e afeto. Um coração ambulante. Trazia no olhar um carinho que parecia aquecer mesmo nos dias mais frios. Era daquelas companhias que bastava encostar e o mundo lá fora sumia. Tão carinhosa que às vezes parecia humana — ou talvez nós é que gostaríamos de ser tão bons quanto ela era. Cada gesto dela dizia: "Eu te vejo, eu te sinto, eu tô aqui." Era impossível não se apegar, impossível não sorrir quando ela vinha, de mansinho, pedindo só um pouco de atenção e devolvendo em troca uma lealdade que não se encontra em lugar nenhum.
Hoje, a casa parece um pouco mais vazia. Não tem mais aquele passo no corredor, nem o som das patinhas no chão. Às vezes, parece que ainda vou vê-los deitados no cantinho preferido, olhando com aquele jeito de quem entende tudo. E é aí que vem a saudade — essa visita constante que se instala no peito e não avisa quando vai embora.
Se alguém me pergunta qual é a parte mais difícil de ter um cachorro, eu não penso duas vezes: é o adeus. Porque nenhum amor deveria terminar assim. Porque a gente se apega tanto, se entrega tanto, e de repente o tempo vem e leva. Mas nem o tempo consegue apagar as memórias, os cheiros, os momentos. Eles seguem vivos aqui dentro, nas lembranças, nas histórias que contamos, no jeito como aprendemos a amar por causa deles.
Scooby e Akira não foram só cachorros. Foram mestres do afeto, anjos disfarçados, capítulos lindos da nossa vida. E mesmo que a dor da ausência ainda machuque, eu agradeço todos os dias por ter tido a sorte de caminhar com eles por um trecho do meu caminho.
Se existe céu dos cachorros — e eu acredito que sim —, tenho certeza de que eles estão lá agora, correndo livres, esperando por nós, do jeitinho que sempre fizeram: com amor nos olhos e paz no coração.
E quando o reencontro acontecer, ah… aí não vai haver mais adeus.
Achillis cheib
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