Boca murcha (Mauro Leal)
Era véspera de Ano-Novo num tremendo calorzão, foram às compras no principal polo comercial da Zona Norte do Rio de Janeiro: Pepita, Darlene, Amélia e Deolinda. No meio da multidão: agitação, crianças perdidas, fraldário lotado, e nas caixas de som: anúncios de promoção, louvores, forró, samba canção. Ao passarem em frente a uma loja com defumação, a alérgica Darlene, deu sucessivos espirros e tosse de cão, colocou as mãos na boca e falou baixinho: - Saltou a minha perereca! E no meio do Mercadão, naquele vai e vem frenético, as amigas escangalhando de gargalhar, começaram a procurar a chapa da banguela, mobilizando o locutor, que em zoação, anunciou: - Amanhã será a confraternização universal, passem devagar e com atenção pois existe um pedaço de dentadura perdida nesse espaço enfumaçado.


