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Por: Maria Helena Pereira Scaife, 12 de junho de 2026

Vivendo ou Existindo! Eu escolhi viver !

Esta história contém:

Vivendo ou Existindo! Eu escolhi viver !

A vida me desafiou. Eu a desafiei de volta. Helena Scaife · São Paulo Sou Helena Scaife, tenho 53 anos, sou mulher com deficiência física e cadeirante desde 2017. Mas essa frase — tão direta, tão clínica — não conta nem metade do que foi chegar até aqui. Minha trajetória foi profundamente marcada pela polimiosite, uma doença rara, autoimune e degenerativa que foi roubando, silenciosamente, os movimentos que eu nem sabia que um dia poderia perder. Foram anos de busca por um diagnóstico — anos em que meu corpo ia dando sinais que a medicina demorava a nomear, e eu ia perdendo, aos poucos, a capacidade de fazer as coisas mais simples: levantar um braço, subir um degrau, segurar uma xícara. Em 2015, engravidei. Tinha mais de quarenta anos e um histórico de saúde que transformou a gestação em alto risco. Mas aconteceu algo inesperado: os sintomas recuaram. Como a polimiosite é autoimune, a gravidez criou uma espécie de trégua no meu corpo — uma remissão temporária que me deu, por alguns meses, a sensação de que talvez eu fosse mais forte do que a doença. A gestação foi um sucesso. Minha filha nasceu. E então, em 2017, o corpo cobrou a conta. Meus músculos lombares atrofiaram. A dor era de uma qualidade que não consigo descrever direito — como se os ossos se chocassem entre si por dentro, sem amortecimento, sem trégua. Precisei recorrer à cadeira de rodas. E desde aquele dia, nunca mais realizei uma marcha sozinha. O tratamento à base de imunossupressores e corticoides me manteve viva — mas com um custo alto. Engordei mais de vinte quilos. Fiquei irreconhecível para mim mesma. E a dificuldade de aceitar aquele rosto no espelho, aquele corpo que não respondia mais às minhas ordens, foi tão dura quanto a própria doença. Eu tinha nos braços uma bebê de quase dois anos. E ao mesmo tempo, precisava reunir forças para lutar — por mim, por ela, pela vida que ainda havia à frente. Foi minha prima quem me tirou da...

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