Nascida no interior do Maranhão, no município de Chapadinha, a aproximadamente 246 km da capital, São Luís, originalmente, em meados dos anos de 1783, era nomeada de Chapada das Mulatas (termo racista que caiu em desuso), por na região existir uma grande concentração de Deusas do Ébano, que exerciam atividades diversas, como quebradeiras de coco babaçu, lavanderias, carvoeiras, e artesãs, além de desempenharem outros papéis dentro da organização econômica, social, cultural e religiosa da região. Sou a filha mais nova de Dona Maria Marques, descendente direta de indígenas e negros escravizados, analfabeta, já foi agricultora, quebradeira de coco, lavadeira, faxineira, apelidada de Veinha (por parentes e pessoas próximas, pois desde muito cedo já carregava no corpo as marcas de um trabalho desgastante, insalubre, além não remunerado) aposentada, e de seu Bernardo, descendente direto de portugueses, que estudou até o 5° ano do ensino fundamental, e já foi agricultor, comerciante, carpinteiro, sendo aposentado, atualmente. Irmã de duas Marias, de um Raimundo e de um Francisco, todos com nomes de santos, os nomes mais bonitos. Sou fruto da importância que minha família deu a educação logo nos momentos iniciais da minha existência, lá na década de 1990, quando ainda no antigo jardim de infância o colorido das histórias em quadrinhos (HQs) me chamava para a leitura da Turma da Mônica, do Zé Carioca, dos Tundercats, dos Super Heróis, e até do Conan, O Bárbaro guiando o meu encontro com as leituras, das palavras, de mundo, e posteriormente com a escrita. Ainda na década de 1990, minha família mudou-se para a ilha do Amor e do Reggae, São Luís, a capital do Maranhão, por conta da venda de nossa casa no interior, na ilha foi morar de aluguel, ficou pulando de galho em galho, até quase ficar sem galho, e ser acolhida por uma prima de seu Bernardo, a tia Maria José, carinhosamente chamada de Masé, momento em que consegue comprar...
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Nascida no interior do Maranhão, no município de Chapadinha, a aproximadamente 246 km da capital, São Luís, originalmente, em meados dos anos de 1783, era nomeada de Chapada das Mulatas (termo racista que caiu em desuso), por na região existir uma grande concentração de Deusas do Ébano, que exerciam atividades diversas, como quebradeiras de coco babaçu, lavanderias, carvoeiras, e artesãs, além de desempenharem outros papéis dentro da organização econômica, social, cultural e religiosa da região. Sou a filha mais nova de Dona Maria Marques, descendente direta de indígenas e negros escravizados, analfabeta, já foi agricultora, quebradeira de coco, lavadeira, faxineira, apelidada de Veinha (por parentes e pessoas próximas, pois desde muito cedo já carregava no corpo as marcas de um trabalho desgastante, insalubre, além não remunerado) aposentada, e de seu Bernardo, descendente direto de portugueses, que estudou até o 5° ano do ensino fundamental, e já foi agricultor, comerciante, carpinteiro, sendo aposentado, atualmente. Irmã de duas Marias, de um Raimundo e de um Francisco, todos com nomes de santos, os nomes mais bonitos. Sou fruto da importância que minha família deu a educação logo nos momentos iniciais da minha existência, lá na década de 1990, quando ainda no antigo jardim de infância o colorido das histórias em quadrinhos (HQs) me chamava para a leitura da Turma da Mônica, do Zé Carioca, dos Tundercats, dos Super Heróis, e até do Conan, O Bárbaro guiando o meu encontro com as leituras, das palavras, de mundo, e posteriormente com a escrita. Ainda na década de 1990, minha família mudou-se para a ilha do Amor e do Reggae, São Luís, a capital do Maranhão, por conta da venda de nossa casa no interior, na ilha foi morar de aluguel, ficou pulando de galho em galho, até quase ficar sem galho, e ser acolhida por uma prima de seu Bernardo, a tia Maria José, carinhosamente chamada de Masé, momento em que consegue comprar um terreno numa invasão em São José de Ribamar, na Vila J.Lima, no ano de 1994, onde se encontra até os dias atuais, abril de 2025. Durante esse percurso, a família Marques passou por momentos difíceis, mas sempre usando a criatividade como forma de amenizar o que da noite para o dia não ser mudado, como uma sacolinha feita em crochê, por uma de minhas irmãs, para que eu colocasse meus cadernos, lápis e borracha, pois não tínhamos dinheiro para comprar uma mochila, as bonecas de tecido costuradas a mão por minha mãe, ou mesmo a maioria dos meus vestidos feitos com dedicação e capricho pelas minhas irmã, sendo com linha ou tecido, e até a questão da reciclagem do alumínio, onde minha mãe pedia as panelas das patroas que estavam amassadas/ furadas e levava para um senhor, ferreiro, que transformava em tigelas, pratos e novas panelas. A arte de criar com as mãos, o crochê em especial, entrou nas nossas vidas quando morávamos ainda em Chapadinha, na ocasião Dona Maria pagou um curso de crochê para uma de minhas irmãs, a mesma conta que juntou o valor com muita dificuldade após lavar roupas para fora por alguns dias, e é algo que une as Marias da minha família, pois todas nós fazemos um pouco dele, com nossas agulhas e linhas tecemos quando estamos alegres, tecemos quando estamos tristes, tecemos por tecer, tecemos para vender, tecemos na dor e no amor. As Hqs, como citei anteriormente, estão na minha vida desde a infância, e caminharam comigo na minha primeira graduação, em Letras pela Federal do Maranhão (UFMA), nos trabalhos que eu construía, já formada e como professora de língua portuguesa e literatura, nos recursos que eu utilizava em sala, como mecanismo de incentivo a leitura e a escrita, na minha primeira obra independente, Memória Tingida, uma narrativa gráfica autobiográfica sobre meus primeiros passos como professora na comunidade quilombola Tingidor, e agora nas minhas pesquisas da segunda graduação, Licenciatura Escolar Quilombola, por compreender a fluidez de um estudo, pesquisa, analise, escrita e exposição com base em algo que nos move, e nos dá prazer dentro de um mundo de possibilidades.
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