Chamo-me Talita, nasci em Arapongas, interior do Paraná, no ano de 1985. Na época minha mãe tinha apenas 15 anos e meu pai pouca coisa a mais. Meu avô, por parte de mãe, muito descontente com a situação de sua filha estar grávida e não ser casada resolveu ele mesmo marcar a data do casamento no civil. De forma pouco comum e totalmente coerciva, meu avô foi à casa do meu pai e simplesmente o comunicou sobre a data em que seu casamento ocorreria. É claro que o casamento não deu certo. Durou cerca de dois meses.
Quando tinha sete anos minha família resolveu se mudar para Curitiba, na esperança de uma vida melhor. Não sei muito bem o porquê, mas até então não tinha conhecido meu pai. Lembro-me de olhar umas fotos que a minha mãe guardava numa caixa e ficar imaginando se algum daqueles homens que apareciam nos retratos era ele. Nunca tive coragem de perguntar.
Somente por volta de meus quinze anos é que o conheci. Na época minha mãe que ainda não possuía o divórcio referente ao seu casamento, precisou procurá-lo para poder resolver a situação e então poder se casar com o seu atual marido. Falei pela primeira vez com meu pai via telefone, foi uma sensação muito estranha. Como uma pessoa pode ser seu pai e ao mesmo tempo ser como uma pessoa qualquer? Realmente pai é aquele que cria, no caso, meu avô.
Alguns dias após o telefonema o conheci pessoalmente e depois tentamos manter o contato por telefone. Não foi possível. Meu pai, que jamais me ajudou com nada, nunca mais atendeu aos meus telefonemas depois que a minha mãe sugeriu que ele me ajudasse financeiramente com os estudos. Alias, quem bancou meus estudos até o término do segundo grau foram meus tios.
Infelizmente na época do vestibular não passei na UFPR, mas na UNICEMP. Cheguei a fazer a matrícula, mas na véspera de começarem as aulas, meu avô e minha mãe me comunicaram que não seria possível arcar financeiramente com a faculdade. Foi então que comecei a...
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Chamo-me Talita, nasci em Arapongas, interior do Paraná, no ano de 1985. Na época minha mãe tinha apenas 15 anos e meu pai pouca coisa a mais. Meu avô, por parte de mãe, muito descontente com a situação de sua filha estar grávida e não ser casada resolveu ele mesmo marcar a data do casamento no civil. De forma pouco comum e totalmente coerciva, meu avô foi à casa do meu pai e simplesmente o comunicou sobre a data em que seu casamento ocorreria. É claro que o casamento não deu certo. Durou cerca de dois meses.
Quando tinha sete anos minha família resolveu se mudar para Curitiba, na esperança de uma vida melhor. Não sei muito bem o porquê, mas até então não tinha conhecido meu pai. Lembro-me de olhar umas fotos que a minha mãe guardava numa caixa e ficar imaginando se algum daqueles homens que apareciam nos retratos era ele. Nunca tive coragem de perguntar.
Somente por volta de meus quinze anos é que o conheci. Na época minha mãe que ainda não possuía o divórcio referente ao seu casamento, precisou procurá-lo para poder resolver a situação e então poder se casar com o seu atual marido. Falei pela primeira vez com meu pai via telefone, foi uma sensação muito estranha. Como uma pessoa pode ser seu pai e ao mesmo tempo ser como uma pessoa qualquer? Realmente pai é aquele que cria, no caso, meu avô.
Alguns dias após o telefonema o conheci pessoalmente e depois tentamos manter o contato por telefone. Não foi possível. Meu pai, que jamais me ajudou com nada, nunca mais atendeu aos meus telefonemas depois que a minha mãe sugeriu que ele me ajudasse financeiramente com os estudos. Alias, quem bancou meus estudos até o término do segundo grau foram meus tios.
Infelizmente na época do vestibular não passei na UFPR, mas na UNICEMP. Cheguei a fazer a matrícula, mas na véspera de começarem as aulas, meu avô e minha mãe me comunicaram que não seria possível arcar financeiramente com a faculdade. Foi então que comecei a trabalhar e fazer vários cursos, dentre eles um curso técnico em administração ofertado pela UFPR. Neste curso descobri que a universidade estava ofertando cursos novos de graduação, os cursos de tecnologia. Enxerguei aí uma oportunidade de fazer a tão desejada faculdade. Aos 25 anos passei no vestibular para o curso de Tecnologia em Comunicação Institucional. Atualmente estou cursando o último ano da faculdade e ao mesmo tempo fazendo um curso profissionalizante de Cabeleireiro, paixão e talento que descobri há pouco tempo.
Eu não poderia terminar essa história sem falar do meu amor, do orgulho que tenho da minha família e do modo como fui criada. Da minha mãe é até difícil falar. Eu a admiro muito. Mulher guerreira, decidida, forte e muito amiga. Sempre conversou muito comigo. Quando criança e adolescente lembro-me dela me explicando as “coisas da vida” nos mínimos detalhes. Da minha turma na adolescência eu era a que tinha os valores mais enraizados. Apesar de conviver com pessoas um tanto inconsequentes eu sabia dos limites entre o normal e o abusivo.
Desde criança, hoje e para sempre levarei comigo o amor, os aprendizados e os valores transmitidos com tanto carinho e dedicação pela minha família maravilhosa.
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