Olá. Queria que começasses por dizer o teu nome, o local de nascimento e a data de nascimento.
O meu nome é Salomé Guerra. Apesar de ter nascido em Mirandela, como tantas outras pessoas da minha altura, fiquei registada como natural de Vila Flor. O meu pai fez questão disso. E nasci a 8 de dezembro de 97.
Ok, isso significa que tens…?
Tenho 28 anos.
E os teus pais, como é que se chamam?
A minha mãe chama-se Maria José, o meu pai chama-se Rui Manuel.
E eles são daqui originalmente?
Sim, o meu pai nasceu mesmo em Vila Flor, é natural de Vila Flor. A minha mãe é natural de Leça da Palmeira, porque na altura viviam em Leça da Palmeira.
Então, e como é que depois veio cá parar?
Porque o meu avô materno conheceu a minha avó materna por fotografia. Olhou para a fotografia e disse “quero casar com esta pessoa” [risos].
[risos]
E, passados três meses, casaram. Depois foram residir para Leça da Palmeira. O meu avô é de lá. A minha mãe nasceu lá, apesar de posteriormente terem vindo viver para Vila Flor.
E o que é que os seus pais fazem?
A minha mãe é funcionária da escola aqui de Vila Flor, da secretaria. E o meu pai é funcionário das finanças.
E sempre tiveram essa profissão?
Não.
Tem essa memória?
O meu pai, quando começou a trabalhar, começou como professor. Depois ingressou para a AT, para as finanças. E já trabalha para as finanças há quarenta e poucos anos.
Portanto, quase a vida toda.
Sim.
Uma carreira.
A minha mãe, na escola, também não sei precisar, mas talvez vinte e tal anos.
E onde é que era a casa de infância?
Não tenho, assim, uma memória de uma casa de infância, porque quando eu nasci estávamos numa casa arrendada. Portanto, eu vivi lá até, se não estou em erro, até aos 11 anos.
E a casa era onde? Aqui?
Aqui em Vila Flor.
E o que é que se lembra da casa onde passou mais tempo?
Sim, sem dúvida. Foi essa, a primeira. Lembro-me das brincadeiras na rua, principalmente. Era um...
Continuar leituraOlá. Queria que começasses por dizer o teu nome, o local de nascimento e a data de nascimento.
O meu nome é Salomé Guerra. Apesar de ter nascido em Mirandela, como tantas outras pessoas da minha altura, fiquei registada como natural de Vila Flor. O meu pai fez questão disso. E nasci a 8 de dezembro de 97.
Ok, isso significa que tens…?
Tenho 28 anos.
E os teus pais, como é que se chamam?
A minha mãe chama-se Maria José, o meu pai chama-se Rui Manuel.
E eles são daqui originalmente?
Sim, o meu pai nasceu mesmo em Vila Flor, é natural de Vila Flor. A minha mãe é natural de Leça da Palmeira, porque na altura viviam em Leça da Palmeira.
Então, e como é que depois veio cá parar?
Porque o meu avô materno conheceu a minha avó materna por fotografia. Olhou para a fotografia e disse “quero casar com esta pessoa” [risos].
[risos]
E, passados três meses, casaram. Depois foram residir para Leça da Palmeira. O meu avô é de lá. A minha mãe nasceu lá, apesar de posteriormente terem vindo viver para Vila Flor.
E o que é que os seus pais fazem?
A minha mãe é funcionária da escola aqui de Vila Flor, da secretaria. E o meu pai é funcionário das finanças.
E sempre tiveram essa profissão?
Não.
Tem essa memória?
O meu pai, quando começou a trabalhar, começou como professor. Depois ingressou para a AT, para as finanças. E já trabalha para as finanças há quarenta e poucos anos.
Portanto, quase a vida toda.
Sim.
Uma carreira.
A minha mãe, na escola, também não sei precisar, mas talvez vinte e tal anos.
E onde é que era a casa de infância?
Não tenho, assim, uma memória de uma casa de infância, porque quando eu nasci estávamos numa casa arrendada. Portanto, eu vivi lá até, se não estou em erro, até aos 11 anos.
E a casa era onde? Aqui?
Aqui em Vila Flor.
E o que é que se lembra da casa onde passou mais tempo?
Sim, sem dúvida. Foi essa, a primeira. Lembro-me das brincadeiras na rua, principalmente. Era um apartamento e, portanto, onde uma criança era feliz era na rua a brincar, e na altura podíamos perfeitamente. Não é que hoje não se possa, mas já com mais cuidados.
E com quem é que brincava?
Eu brincava muito sozinha. O meu irmão é muito mais velho, doze anos mais velho do que eu. E, portanto, eu brinquei sempre muito sozinha.
Vizinhos?
Sim, sim…
Havia outras crianças na rua?
Sim, sim, sim. Temporariamente, tinha uns vizinhos em baixo com quem brincava. Também tinha uma amiga de escola que vivia um bocadinho mais ao fundo da rua com quem brincava. No fundo da rua também havia um parque infantil.
E a que é que brincava na rua com outras crianças?
Eu gostava mais de andar de bicicleta, na altura. Bicicleta, trotinete... era aquilo que gostava mais.
E sozinha? A que é que brincava?
Na altura, as bonecas. Barbies, Nenucos. Uma mantinha no chão da cozinha, e ali estava eu, entretida, horas e horas.
E familiares, portanto, tios, tias, primos? Tinha alguém perto?
A minha mãe é a filha única. O meu pai tem mais irmãos, são sete, portanto, tem mais seis irmãos. Mas estão quase todos no estrangeiro. Dos tios que eu tenho mais recordação na minha infância é o meu tio Jorge, que agora está muito distante, no Brasil. E é o meu tio Armando. Na época da minha infância eles residiam cá. E tenho boas memórias, sim.
Marcaram-na…?
Positivamente, sim.
O meu tio Jorge, principalmente. Era, e é, o mais novo dos irmãos, portanto, era o mais brincalhão. Gostava de passear connosco.
E não teve filhos?
Não.
E, então, primos…?
Desse tio, não. Mas tenho primos dos outros tios, só que estão quase todos longe, distantes.
Vamos falar um bocadinho dos seus avós?
Sobre os avós paternos, o meu avô faleceu quando o meu pai tinha 19 anos, portanto, não conheceu nenhum neto. A minha avó paterna faleceu eu tinha seis anos, mas eu ainda tenho memórias dela, de ficar com ela, da comidinha que ela fazia. Mas de quem, efetivamente, eu tenho mais memórias é dos meus avós maternos. O meu avô materno faleceu eu tinha 11 anos, mas tenho muitas memórias dele. E, felizmente, ainda tenho a minha avó materna com 93 anos. Super independente. Costumo dizer que é o pilar da família. É uma mulher espetacular.
Ela junta as pessoas à volta dela?
Quando se pensa em família, é a minha avó. É. Apesar dos 93 anos, ela continua super ativa. E eu digo isto com grande orgulho, porque ela está independente. Ela vive sozinha. Ela faz almoço para nós todos os dias. E aí de que faltemos ao almoço. Há uns meses esteve assim um bocadinho mais adoentada, com a tensão arterial alta. E, então, teve ali dois ou três meses sem fazer almoço. Quando veio o bom tempo: “já está na hora de ir para a minha casa, já vou fazer o almoço, agora não estou aqui a fazer nada em vossa casa”. Portanto, é o pilar de família, sem dúvida alguma. Nos Natais, nas festas, as doçarias…
E essa avó contava-lhe algumas histórias de quando era mais jovem? Histórias sobre a família?
Sim. Ela ainda tem uma boa memória, de cabeça às vezes até lhe digo que está melhor do que eu.
E a Salomé lembra-se de alguma coisa dessas histórias?
Sim. Uma vida bastante diferente, obviamente, da minha. De mais trabalho, de terem trabalhado desde mais cedo. Também eram muitos irmãos. Uma rigidez maior, mais da parte da mãe, do que ela me diz. O pai já era mais carinhoso. Mas sim, uma infância muito diferente.
Claro.
Sem dúvida alguma. De mais trabalho.
Claro que sim. O seu irmão tem agora que idade?
41.
E vive cá também perto? Tem filhos?
Tenho uma sobrinha, uma menina, que é a luz dos nossos olhos lá em casa. A minha Safira.
E com quem é que vive agora. neste momento?
Neste preciso momento, estou numa transição, portanto, eu tenho a minha casa que eu comprei com o meu companheiro. Estou a terminar as obras e estou temporariamente, já não é assim tão pouco tempo, em casa dos meus pais, que fica a alguns 100 metros da minha casa.
As obras demoram sempre mais do que estamos à espera.
Sim, sim.
O temporário é sempre uma coisa longa, não é?
É, mas está quase, quase, quase.
Que bom. Portanto, a casa de infância não era mesmo aqui no centro da vila, pois não?
No centro aqui onde estamos neste momento, não, mas era aqui em Vila Flor, na freguesia.
E, portanto, falou um bocadinho da rua e da casa e mesmo na própria vila e assim, andava à vontade, como é que era a infância?
Sim, sem dúvida. Não tinha a experiência de ir para a escola a pé sozinha porque a minha mãe trabalhava na escola. Inevitavelmente, ia sempre com ela. Mas, sim, andava perfeitamente com as minhas amigas, saíamos da escola mais cedo, quando as aulas terminavam. Sim, havia uma liberdade enorme.
E chegou a andar no pré-escolar, no infantário? Como é que foi?
Portanto, eu acho que, se não estou em erro, até aos três anos fiquei com a minha avó materna, depois fui para a pré, depois estive na primária e depois passei para a secundária.
Lembra-se de quando entrou na pré?
Não. Não.
Essa transição…
É assim, eu lembro-me de algumas coisas… Não tenho memória de estar com a avó a tempo inteiro, até aos três anos não tenho memória nenhuma. Lembro-me de brincadeiras na pré, ou seja, lembro-me de brincar na pré, não me lembro daquela transição, de dizer assim, vou deixar de estar com a minha avó e entrei na pré, isso não. E, honestamente, não me parece que tenha sido um problema, digamos assim. Mas lembro-me de brincadeiras na pré e na primária.
E na primária também não se lembra dessa transição, de ter sido difícil, ou de ter gostado muito…
Não foi difícil… a pré era mesmo colada com a primária, então nós víamos os outros meninos e, eu falo por mim, eu queria era ir para a outra, aquela ânsia de crescer, digamos assim.
Claro. E, portanto, gostava muito de brincar na rua, andar de bicicleta e depois também em casa, com as bonecas. Mas na escola, com um grupinho de amigos, o que é que faziam nos intervalos?
As típicas brincadeiras, apanha-apanha, esconde-esconde…
E a escola em si? Gostou da escola?
Sim.
De estudar, de estar na sala de aula, de fazer trabalhos de casa, essas coisas.
É assim, tinha dois problemas. Sempre fui muito distraída, ainda hoje em dia, muito faladora. Mas sim, nunca tive uma impressão negativa da escola de dizer “não quero ir para a escola”, não. Nunca me aconteceu. Só que pronto, era muito faladora. Como uma professora dizia, “a Salomé distrai-se com uma mosca”. Sempre foi assim.
Há algum professor ou professora que a tenham marcado?
Sim, só tive dois professores, mas aquela que, efetivamente, me traz umas memórias mais positivas, digamos assim, era a professora Catarina.
Isso foi em que ciclo?
O primeiro, foi entre o primeiro ano e o quarto.
Depois a passagem para o segundo ciclo, já com mais disciplinas, mais professores, também não sentiu a mudança…
Não, porque eu acho que, de uma maneira um bocadinho parva, mas quase todas as crianças têm aquela ansia de crescer, de ter mais independência.
Claro. E há algum momento que a tenha marcado na altura da escola? Seja alguma pessoa, algum acontecimento, algum amigo?
[Risos]. No quinto ano, a primeira vez e única, acho eu, que fui para a rua, na disciplina de matemática, essa marcou. É verdade, como eu sempre falei muito, naquele dia, acho que estava a falar a colega de trás, mas como eu tinha a fama, a professora pensou que fui eu. “Mas não fui eu que falei, foi a colega de trás”. Não serviu de nada, ela: “rua”. Acho que foi no quinto ano. Cheguei cá fora, chorei, chorei [risos]. Mas foi a única coisa.
Mas é marcante, não é?
É, foi marcante. Se não marcasse, eu não me lembrava disso, não é? Sim, sem dúvida.
Nessa altura, já pensava no que é que gostava de fazer, ou depois o que estudar, ou não?
Eu sempre gostei muito de animais. E, portanto, pensei na altura na área de veterinária. Mas odeio ver sangue. Aquilo que me diziam mais é que tenho sempre a resposta na ponta da língua, nunca ninguém vai sem resposta [risos]. E acho que nós acabamos sempre a ter alguma influência, ou uma grande parte das pessoas acaba a ter alguma influência daquilo que os pais gostavam ou queriam para eles próprios. E, então, sempre ouvi que, o sonho do meu pai era direito. Na altura, com o falecimento do meu avô não se concretizou, ele entrou na faculdade de Direito em Coimbra, mas teve que vir embora. E aquilo soava no meu ouvido, do género, “Ah, tu davas uma boa advogada”, etc., etc., E, então, era uma das hipóteses. E, depois, quando cheguei ao 10º escolhi Humanidades. E, aí, no 10º ano, comecei a pensar na profissão, na área de solicitadoria, de ser solicitadora. Comecei a perceber o que é que era, quais eram as diferenças. E, depois, quando terminei o 12º ano, candidatei-me para solicitadoria, e é essa a minha licenciatura.
Como é que correu o 12º ano?
É assim, só foi exigente porque eu tenho uma lacuna muito grande, que é o inglês. Ainda hoje tenho. A esse nível foi exigente, ali no 10º, 11º ano. Tive muitas explicações, mas consegui, felizmente, e não reprovei por causa do inglês. Mas, de resto, sim, foi tranquilo. Eu nunca fui muito estudiosa, nunca fui aluna de 18, nem nada que se pareça. Porque, também, tenho uma grande tendência a deixar tudo para a última, e depois sou muito distraída. Obriga-me a que tenha que estudar muito mais em casa. E, nesse sentido, nunca fui uma excelente aluna. Mas, pronto, sempre consegui concretizar os meus objetivos.
Claro, claro. É isso que importa.
Está ótimo [risos].
E as amizades, aí, já mais crescida, adolescente? Tinha um grupinho? O que é que faziam?
Nessa altura da adolescência, talvez, não sei se por aquilo a que chamam a idade do armário, as amizades eram um bocadinho mais restritas. Tinha uma melhor amiga e tinha um grupinho mais fechado com quem convivia nos intervalos.
O que é que faziam?
Falar, falar, falar.
Já tinham liberdade de fazer alguma coisa fora…?
Sim, sim.
E de sair, tomar café?
Sim, sim. Nisso eu sempre tive liberdade. Por acaso, os meus pais sempre me deram muita liberdade e o meu pai, nisso, era espetacular. Ele levava-me ao café, recolhia as minhas amigas, levava-nos, ia ficando lá, entrava, saía, via se estava tudo bem, não incomodava nem nada, e no fim da noite distribuía todas por casa. Portanto, desde muito cedo, porque, claro, é sair numa vila, é sair num café, não há grandes perigos, toda a gente se conhece.
Sim.
Se calhar, nessa altura da adolescência, mais nos 16, 17, já saía bem menos do que com 13.
Nessa altura...
Nessa altura, era mais, não sei se era a idade do armário, se o que era, mas, efetivamente, convivia menos nessa altura.
Vamos, então, agora, à passagem para a faculdade. Escolhe o curso e a faculdade… para onde é que foi?
Fui para Mirandela. Para o IPB. Não era esse o objetivo. O objetivo na minha cabeça sempre foi o Porto, o sair daqui, aquela coisa de adolescente, de sair, sei lá, de viver outros horizontes, outras oportunidades.
Desde quando é que sentiu isso?
Não é que, como é que eu ia dizer, não é que eu sentisse que isto era insuficiente ou que a vila era...
Mas era outra experiência…
Era outra experiência, sim, sem dúvida alguma. E, portanto, sempre foi esse o objetivo. Mas na altura, solicitadoria no público só havia, se não estou em erro, em Famalicão, não no Porto, mesmo. E eu, na altura, candidatei-me para as semiprivadas, porque tinha solicitadoria lá. Naturalmente, pronto, entrei, também eram semiprivadas, não era nada de especial. Inscrevi-me, inclusive, numa, que era o ISCET, se não estou em erro, mas as aulas eram pós-laborais. E eu com 17 anos… eu nunca tinha andado sozinha de autocarro na vida. E então comecei assim a entrar num drama [risos] e não tive coragem, na altura.
Era para ir de autocarro daqui fazer o pós-laboral lá?
Eu iria viver lá no Porto, a minha questão era, com 17 anos, eu sair à meia-noite das aulas, ir para casa sozinha.
Estou a perceber…
Também não tive muito incentivo dos meus pais nessa altura, acho que eles próprios também tinham algum receio e não fui. E como me tinha candidatado ali para a de Mirandela, para o IPB, acabei por optar por Mirandela. E bem. Honestamente, não me arrependo nada.
E como é que fazia? Ia e vinha? Tinha carta?
Não, na altura não tinha carta e por isso aluguei lá um quarto e vinha aos fins-de-semana.
Mas a ideia, então, de viver e ter que circular no Porto à noite era um bocado assustadora.
Sim, na altura, com 17 anos, sem nunca ter tido a experiência, nem aqui em Vila Flor andava de autocarro, porque não tinha essa necessidade. Também não tive muito apoio, assim, “olha vai, não vai haver problema”, porque eu acho que eles próprios também tinham alguns receios, acho que é normal.
Então, conte-me como é que foi lá em Mirandela? Encontrar o quarto, começar as aulas, a novidade…
Correu tudo bem. Na altura até tive uma pessoa conhecida que no primeiro dia me apresentou a escola, me disse onde é que eu ia ter as aulas. Mas, nessa altura, eu era mesmo muito fechada, não fiz muitas amizades. Eu posso dizer que amiga, amiga, amiga, tive, a licenciatura toda, uma amiga. Portanto, aquilo que acontecia no 10º ao 12º ano acabou por acontecer também na faculdade. Eu não sou muito a favor da praxe no formato que ela tem. Nunca quis ser a praxada, portanto, por aí também não houve grande convívio. Nessa altura também não era de sair à noite, mesmo sem ser em praxe, não era de sair à noite e também já tinha namorado, que de vez em quando ia ter comigo a Mirandela. Portanto, os dias eram passados a estudar na escola e ao final do dia muitas vezes estava acompanhada pelo meu namorado, outras vezes estava a estudar, outras vezes podia estar com essa amiga, mas foram uns anos muito pacatos.
E começar a viver sozinha?
Começar a viver sozinha, eu nunca tive a experiência a 100% de viver sozinha, porque o meu companheiro ao final do dia ia muitas vezes ter comigo.
Mas deixou de viver com os pais, não é? Como era?
Era bom. Era outra liberdade. Era o crescer, o ter outra liberdade, ter independência. Sim, foi bom, sem dúvida alguma.
Houve algum momento que a tenha marcado na faculdade? Alguma disciplina, algum professor…?
Assim que me tivesse marcado, acho que não. Se tivesse marcado, acho que me tinha vindo à memória, portanto…
Correspondeu às suas expectativas?
Foi mais exigente do que eu pensei.
OK.
Porque, efetivamente, a média de entrada era baixa. Eu, neste momento, não sei, mas na altura era baixa. O que eu digo mais é, é fácil de entrar e difícil de sair.
[risos]
[risos]. Portanto, sim, foi exigente. As expectativas, na altura, eram inferiores, mas a exigência foi muito superior àquilo que eu esperava.
Quantos anos?
São três anos.
E a terminou há quanto tempo?
Terminei em 2019.
Até essa altura, alguma vez trabalhou? Trabalhos de férias? Ajudar em algum lado?
O trabalho que eu tive, assim, de férias, na altura, entre 10º e o 12º ano, tinha uma amiga que a mãe tinha uma empresa de entretenimento em festas, de aniversário, casamentos, etc. Entretenimento na área das crianças. Portanto, de vez em quando, ajudava.
E gostava?
Sim. Sim. Sem dúvida.
O que é que fazia com esse dinheirinho que ganhava, nessa altura?
[risos]. Não lembro, mas sempre fui um bocadinho poupada. Portanto, não era de gastar muito, mas honestamente, já não me recordo.
Então, depois de terminar em Mirandela, o que é que se segue na sua vida?
Depois fiz um estágio não remunerado, fiz um estágio na Conservatória de Carrazeda durante três meses. E matriculei-me, ao mesmo tempo, no mestrado em Administração Autárquica. Não iniciei logo o mestrado no primeiro semestre. Fiz ao contrário. Fiz os três meses do estágio na Conservatória entre outubro e dezembro. Depois apresentei a defesa do trabalho, ali em janeiro. E comecei o mestrado no segundo semestre. Entretanto, foi ali a altura do COVID. Então, eu tive uma parte do mestrado online.
Onde?
Em Mirandela.
A mesma instituição?
A mesma instituição.
E como é que foi estagiar?
Foi excelente. Foi uma oportunidade excelente. E acho, honestamente, que teve um grande peso na área que eu trabalho hoje. E abriu-me as portas, basicamente, para a área do notariado. A pessoa com quem eu estagiei, que é conservadora, a Dra. Paula, é uma pessoa extraordinária, espetacular, que me recebeu de portas abertas, com muita simplicidade, com vontade de ensinar. E, portanto, tive muita sorte.
Que bom.
Foi fantástico. Muito bom. Eu saí de lá a chorar no último dia. Só dizia: “não dá para ficar mais uns meses? Só por três meses. Foi muito pouco. Não dá para ficar mais um bocadinho?”. Eu chorei tanto quando saí de lá no último dia.
E logo a seguir? Foi continuar o mestrado.
Certo.
Não procurou emprego, logo.
Nessa fase, não.
E o mestrado, como é que correu?
Correu bem. Também foi toda uma experiência nova, porque foi na altura em que veio o COVID. Foi tudo novidade. Tive muitas apresentações em casa, online, inclusive exames. Mas correu bem. Foi uma experiência diferente, com outro tipo de exigência, professores novos, áreas, também, umas em comum, outras nada a ver com o que eu tinha estudado. Mas sim, foi bom.
E passar aqui a pandemia, como é que foi?
Tendo em conta que eu sou e era muito caseira, não foi difícil. Honestamente, não. Pronto, claro, não estou a desvalorizar todos os problemas que a pandemia trouxe, mas não me transtornou assim muito.
Quando volta de Mirandela para cá… o estágio foi lá?
Portanto, o estágio nessa conservatória foi em Carrazeda se Ansiães.
E ficou lá a viver?
Não, nessa altura eu já tinha carro. E vivia aqui em Vila Flor, ia e vinha, são 10 minutos de viagem.
E aqui vivia com quem?
Com os pais.
Pronto, mas agora...
É por outra razão, sim.
E depois de terminar o estágio, o que é que procura?
Quando terminei o estágio eu não procurei trabalho, porque estava a fazer o mestrado.
Pois foi, já tinha dito.
E, depois, quando comecei a fazer a dissertação do estágio é que comecei a procurar trabalho.
Ok. E então? O que é que procurou? E onde?
Na altura eu queria na minha área, fui pesquisando, mas não aparecia assim muitas oportunidades.
Por aqui?
Sim. Porque o meu curso é muito direcionado para eu ser trabalhadora independente, fazer o estágio da ordem, abrir o escritório. Principalmente aqui nesta zona. Na zona das grandes cidades há muita procura de juristas e, portanto, para empresas, para o que for. Aqui na zona não há. E, portanto, a maioria das pessoas que vivem nestas zonas do interior e que se formam na minha área de solicitadoria, normalmente é para abrir por conta própria e trabalhar de forma independente. Não é que eu tivesse muitos meses à procura, tive sorte, mas aqueles meses foram duros. A certa altura dizia assim, bem, se calhar tenho que começar a olhar para outras hipóteses que não na minha área.
Ou então longe, mais longe, não?
Essa hipótese eu nunca pus. Quando era mais jovem, não, ali até aos 17 anos, talvez pensasse em ir para fora. Mas, se calhar, desde os meus 17, 18 anos, o objetivo sempre foi ficar aqui. Sou muito ligada à família, portanto, não me imagino viver fora, ou longe dos meus, neste caso.
Muito bem, pronto. Estava a pensar, temos a questão da área, do trabalho e a área geográfica, mas a área geográfica não era...
Nunca foi uma hipótese.
Nunca chegou a viver fora…
Onde eu vivi fora foi em Mirandela, mas são 20 minutos de distância, portanto, eu nunca estive verdadeiramente longe.
Então, foram uns meses a procurar e o que é que apareceu?
Apareceu a melhor oportunidade. Nunca pensei trabalhar num cartório notarial, que é onde eu trabalho hoje em dia, porque na altura aqui em Vila Flor o cartório era público. Cartórios privados existiam em Mirandela e em Macedo de Cavaleiros, assim aqui mais perto, mas sempre achei que era uma coisa inalcançável… nunca meti essa hipótese. Tolice! Até que abriu licença para cartório privado aqui em Vila Flor, Carrazeda e mais alguns concelhos aqui à volta, e houve a hipótese de trabalhar aqui para o cartório. Portanto, uma continuação quase do estágio que eu fiz, que apesar do estágio ter sido na conservatória, acabei por me dedicar muito ao cartório público. E foi uma oportunidade para me abrir mais portas e ganhar mais conhecimento ainda na área. Porque, uma coisa é a licenciatura na teoria, outra coisa é a prática. Não tem nada a ver.
Então foi uma boa experiência. Logo mal entrou no mercado de trabalho.
Foi e é uma excelente experiência. Continua a ser. Sim. Já estou lá há três anos e… estamos hoje em maio? Três anos e cinco meses. E continua a ser uma experiência fantástica.
Que bom. Queria só explorar mais um bocadinho aquilo que disse. Portanto, se não conseguisse aqui, ia tentar outras áreas, não é? E que áreas é que passaram pela cabeça?
O que aparecesse, porque a certa altura não podia estar simplesmente a olhar para o ar e esperar…
Mas abdicaria da área para ficar cá.
Sim, para ficar cá. Sim. Sem dúvida. Não desistia, não ia desistir. Mas numa primeira instância se tivesse que trabalhar noutra área, seria.
E o seu namorado, companheiro, não sei se já se casaram.
Não. Só que já são tantos anos juntos, que às vezes digo assim, será que ainda cai bem dizer namorado? [risos].
Companheiro [risos], Ele é de cá?
Ele é natural de Macedo de Cavaleiros, mas também reside no Conselho de Vila Flor, penso eu, desde os 6, 7 anos. Portanto, é mais de Vila Flor do que de Macedo. Apesar do coração dele estar em Macedo, tem muitos anos de Vila Flor.
E escolheram viver aqui porquê?
Acho que os dois somos muito ligados à família.
Está mais próxima da família do que ele...
Estou mais próxima, mas os pais vivem em Candoso que é uma freguesia a 5 minutos, portanto, não é muita diferença.
Não foi difícil essa decisão, então.
Não.
Como é que se conheceram?
No Crisma, eu com 16, ele com 18, em Vila Flor.
Tem alguma ligação, atualmente, com a igreja?
Não, tanto é que eu costumo brincar e dizer que se algum dia casar pela igreja, é porque a igreja nos juntou [risos].
[risos]
É verdade.
E, pronto, não tem filhos, não é?
Não.
O que é que, atualmente, mais importante para si? Já respondeu um bocadinho, é a família, é agora esta mudança, não é?
É a mudança, é a evolução como casal, a evolução pessoal, mas é, sem dúvida alguma, estar perto da família.
Claro.
Mas sim, agora é uma evolução como casal, como pessoas.
Pensando no futuro, próximo e distante, é aqui.
É aqui, na freguesia de Seixo de Manhoses, uma freguesia onde eu, aparentemente, não tinha laços. Eu impulsionei muitos os meus pais em comprar lá casa, é uma freguesia, uma aldeia muito… como é que eu hei de dizer? Tem a mistura do calmo, que é uma aldeia, mas é uma aldeia com vida, ao contrário da maioria, infelizmente, das aldeias do concelho. É uma aldeia com vida, é uma aldeia perto de Vila Flor e onde eu adoro viver.
Em que é que se distingue?
Ainda é uma aldeia com gente, com um movimento, que é o que falta muito, infelizmente, na maioria das aldeias. Enquanto que a maioria estão a ficar desabitadas, obviamente vão morrendo pessoas, e não nascem mais do que as que morrem, claro que não, mas continua a haver pessoas de fora e que não têm nada a ver com a aldeia, como eu, a irem para lá, a comprarem lá, a construírem, imigrantes a regressarem e, portanto, ainda há muito movimento. A partir das 7 da manhã é só ver carros a passar na rua principal, e é muito bom, é uma aldeia muito ativa, têm uma comissão de festas, nesta altura do verão, fim-de-semana sim, fim-de semana não, há festa. São muito unidos nesse sentido, portanto, é uma excelente aldeia para viver.
E no trabalho, na relação com os clientes e assim, gosta de interagir com as pessoas?
Adoro, é o lado mais positivo do meu trabalho. Não tinha essa noção, claro que só quando comecei a pôr em prática é que percebi isso, mas gosto muito, muito da parte do diálogo com o público com os clientes, de os escutar, de tentar explicar da maneira mais simples, de não estar ali a atendê-los à pressa, de ter a certeza que eles saem com tudo esclarecido. Tentar ajudar dentro dos meus possíveis. Às vezes, mesmo não esteja diretamente relacionado com o trabalho, se eu puder ajudar, ajudo. E é uma das melhores partes do trabalho. Por acaso eu gosto muito do atendimento ao público, honestamente.
E tem colegas de trabalho?
Só tenho um colega, que é o meu chefe, porque é um cartório numa vila…
Agora para nos aproximarmos do fim, de que forma é que acha que o facto de ser daqui desta zona do país, de ser de Trás-os-Montes, de ser de Vila Flor, influenciou a sua vida? As experiências, as expectativas, as decisões, a personalidade… Em que é que o território “está em si”?
Boa pergunta… Se calhar a ligação com a família, talvez, acho que sim. O sentir-me livre, não ter receios, não ter medos, se calhar até um bocadinho inconsciente. Acho que é isso. A ligação à família e a liberdade que sinto.
Em termos de personalidade, de ter crescido num sítio com estas características… características que até possa reconhecer das pessoas da zona. Falou da avó. Não sei se há alguma característica que que caracteriza as pessoas daqui?
Mais resilientes, talvez. Sim. Vou dizer aquilo quase toda a gente diz, mas mais lutadores, porque as oportunidades são menos. Aquilo que vejo nas pessoas é muitas vezes a força de ter que deixar a família para trás para ir à procura de melhor. Muitas vezes não no país, mas até fora, porque efetivamente as oportunidades são menos. Se calhar, a maioria da população numa grande cidade não tem tanto essa necessidade. Não quer dizer que não aconteça, infelizmente, hoje em dia acontece muito, porque o país está no estado em que está.
Sim, sim. E este projeto chama-se Vila Flor no Feminino. Portanto, o que é que tem significado para si ser mulher em termos de crescimento… de estudante, de profissional, de companheira? Como é que... Não quero desenvolver muita pergunta [risos], para já… mas quando pensa: eu sou mulher e tive esta vida. Que significado é que isso tem? O que é que lhe vem à cabeça?
Boa pergunta. É difícil.
É, é.
Não é nada fácil.
Não. Mas também não há uma resposta… é só pensar se lhe ocorre alguma coisa...
De forma geral, não associava apenas a ser mulher e viver no interior do país, mas também à mulher de forma geral. Tem sempre, acho, isto é a minha opinião, tem sempre que lutar um bocadinho mais pela sua posição, impor a sua opinião... não é impor, mas para fazer ouvir a sua opinião. E, efetivamente, ser mulher no interior do país, acho que faz com que tenhamos que lutar mais por oportunidades, principalmente a nível profissional. Sem dúvida alguma, as oportunidades são muito menores, porque as áreas estão muito limitadas. É o que é. As oportunidades são menores. E isso, se calhar, é a primeira coisa que me vem ao pensamento, é que temos que lutar um bocadinho mais. Muitas vezes, para conquistar os nossos sonhos, temos que ser mais empreendedoras porque, efetivamente, as oportunidades não vêm ter connosco da forma que poderiam vir numa grande cidade. Acho que é um bocadinho por aí. Na cidade há muitos trabalhos, mas também há muitas mais pessoas à procura deles, a população é muito superior, é verdade. Mas aqui há muitas áreas que são quase inexistentes. Não é questão de haver poucas ou muitas oportunidades. Não existe. Mas nós conseguimos [risos].
Há alguma mulher que tenha marcado mais a sua vida? Falou da avó, não é?
A avó materna. É uma guerreira, sem dúvida alguma. Cada vez que penso na idade que ela tem e na força, porque é muita força de vontade… qualquer outra pessoa já se tinha acomodado, porque existem, efetivamente, problemas de saúde. Não faltam. Mas a força que ela tem de não parar... Eu costumo dizer que parar é morrer, efetivamente. No caso dela, seria. A força que ela tem de “Ah, dói-me isto, dói-me aquilo, mas eu vou fazer, eu vou continuar”. Acho que não sei se alguma vez conseguiria ter a força que ela tem. É incrível.
Mas olha para ela, essas características que ela tem, associa também ao facto de ela ser mulher?
De certa forma, sim. Porque é... vou utilizar uma expressão um bocadinho desajustada, mas é uma mulher do caraças. Do caraças. Ela nunca foi só dona de casa. Ela sempre trabalhou a vida toda dela. Ela cuidava de nós. Foi costureira durante muitos anos. Portanto, ela estava a atender as clientes e continuava a ter-nos lá no cantinho, a cuidar de nós, a tratar da casa. Sempre foi uma mulher de família. Sempre ajudou os irmãos como pôde. Sempre teve as portas abertas para todos. Então, é um exemplo de uma mulher.
Sim, tem esse exemplo também.
Tanto é que ela, como se costuma dizer, quem vestia as calças lá em casa sempre foi ela.
Hum, hum. E tem algum sonho, algum projeto de futuro?
Sim. Não tem nada a ver com a área com que trabalho hoje em dia. É relacionado com o meu gosto pelos animais. Algo na área do turismo que pudesse ter animais, e a sua recolha temporária e posterior adoção. Vai ser um sonho um bocadinho difícil, mas existe, e gostava de um dia conseguir concretizar.
Então de onde é que vem essa paixão pelos animais?
Estranhamente, e apesar do sangue não ser o mesmo a correr nas veias, eu acho que vem da minha madrinha. A minha madrinha era...
Ainda não falamos da madrinha.
Já cá não está, infelizmente. Partiu muito cedo com uma doença muito comum, que hoje em dia ataca muita gente. E… era espetacular. A paixão… ela fazia parte duma associação de recolha de animais, ela temporariamente ficava com eles, e depois, supostamente, iam para adoção, e outras vezes já não iam, já ficavam em casa. A certa altura, dentro de casa, não era no jardim, chegou a ter cinco cães, quatro gatos, chegaram a ser cinco papagaios, duas caturras, um aquário gigante cheio de peixes, um jardim com cinco tartarugas enormes.
O que aconteceu aos animais?
Foram todos adotados e partilhados. Eu tenho duas gatinhas. Agora já passaram alguns anos, a maioria também já tinha alguma idade e já faleceram, mas uns ficaram com a família, outros foram para pessoas amigas, pessoas conhecidas, mas ficaram todos bem entregues, e as filhas fizeram questão que ficassem todos bem entregues. Inclusive, temos um grupinho no Facebook para partilhar como é que os animais estão.
Pronto, esse sonho também era dar uma continuidade.
Acho que foi um bichinho que, sem dúvida, foi ela que me inseriu, não propositadamente, mas se eu penso em alguém que me pudesse passar esse amor por animais, só me lembro da minha madrinha.
Tem alguma coisa a acrescentar? Algum momento marcante da sua história de vida, lembra-se de alguma coisa importante que eu posso não ter perguntado?
De repente, acho que não.
E como é que foi contar? Como é que foi esta experiência aqui comigo, este bocadinho?
Com um bocadinho de nervosismo, não vou mentir. Aqui as mãos, eu até costumo mexer muito as mãos, estive aqui mais quietinha, mas sim, mas com algum nervosismo. Passou rápido o tempo, e as respostas até fluíram minimamente [risos].
Sim…
Mas sim, mas passou rápido, o que é bom sinal.
É interessante, também, parece que às vezes nos esquecemos, não é? Se ninguém nos perguntar, nós não voltámos àquele lugar, ou àquele dia.
Sem dúvida, sem dúvida. Eu até costumo dizer que tenho muita fraca memória. Às vezes lembro-me de coisas e digo “realmente, aquilo aconteceu”. Mas sim, se às vezes não levantarem a questão, a pergunta, muitas vezes há certas memórias que, no dia-a-dia, não vêm à cabeça.
Eu espero que tenha sido uma boa experiência.
Foi, claro. Dispensava este bocadinho de nervosismo, mas isso, pronto, também foi a primeira experiência que tive assim, acho que faz parte.
Claro. E foi de uma grande generosidade partilhar a sua história de vida. Portanto, agradeço imenso.
Eu é que agradeço.
E desejo que esse sonho se concretize e que a casa fique como quer.
A casa está quase. E o desejo, irá demorar, certamente, mas tenho confiança que sim. Sim, sim. Eu tenho muita confiança nos meus objetivos e nos meus sonhos. Eu sei que, acho que somos capazes de tudo, só precisamos de lutar por isso.
É. E essa força, vem também...
Não sei de onde vem. Não faço a mínima ideia. Acho que sou, naturalmente, muito positiva. Portanto, nada negativa, normalmente. E trabalho cada vez mais para ter confiança em mim mesma e lutar pelos meus sonhos.
Desejo muito sucesso.
Obrigada, igualmente.
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