Hélio Stahl
Os ponteiros....o relógio e a vida
No dia 22 de fevereiro de 1935, quando Indaiatuba completava 105 anos, nascia na fazenda do Bairro Mato Dentro, o pequeno Hélio Stahl. Filho de Paulina Maria Skupien e Alfredo Martins Stahl.
As famílias Skupien e Stahl de origem alemã, assim como muitos imigrantes europeus, vieram para o Brasil trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar e café, após a abolição da escravatura em nosso país.
Assim os pais de Hélio, que moravam em fazendas vizinhas, se conheceram e casaram-se.
O avô paterno Carlos Stahl, “Carrinho”, como era conhecido, acolhia em sua fazenda de 90 alqueires, várias casas de familiares, incluindo a moradia em que Hélio viveu com os pais e a irmã Celina.
A casa era grande e de alvenaria, mas não havia conforto como: luz elétrica, água encanada e nada que facilitasse a lida no campo.
Dos 90 alqueires da fazenda, seu avô doou 01 alqueire para o sr. Evaristo Berdú, para a construção de um armazém, com o combinado de também construir um pequeno prédio escolar, que se tornaria a primeira “Escola Rural Mista do Mato Dentro”.
Nesta escola, ele estudou até o terceiro ano primário e tem boas lembranças da última professora, dona Marinete de Camargo Pires, que era muito gentil. Mas por outro lado, quanto a professora Deolinda Maneiro Severo, prefere nem lembrar e nem comentar, era o terror das crianças.
Passaram por lá muitos professores, entre eles: Adalgisa Bonbache, Glorinha Puccinelli, Mário Magnusson Filho, entre outros.
No ano seguinte, veio morar na Vila de Indaiatuba, onde fez o quarto ano, na escola “Randolfo Moreira Fernandes”, onde atualmente funciona a Secretaria da Cultura.
Nessa época lembra de jogar bola no campo do Primavera, onde depois, por muito tempo, funcionou o Cine Alvorada, que pertencia a família Lui.
Quando o avô resolveu mandá-lo à Campinas para concluir os estudos, não quis dar continuidade; como disse na...
Continuar leitura
Hélio Stahl
Os ponteiros....o relógio e a vida
No dia 22 de fevereiro de 1935, quando Indaiatuba completava 105 anos, nascia na fazenda do Bairro Mato Dentro, o pequeno Hélio Stahl. Filho de Paulina Maria Skupien e Alfredo Martins Stahl.
As famílias Skupien e Stahl de origem alemã, assim como muitos imigrantes europeus, vieram para o Brasil trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar e café, após a abolição da escravatura em nosso país.
Assim os pais de Hélio, que moravam em fazendas vizinhas, se conheceram e casaram-se.
O avô paterno Carlos Stahl, “Carrinho”, como era conhecido, acolhia em sua fazenda de 90 alqueires, várias casas de familiares, incluindo a moradia em que Hélio viveu com os pais e a irmã Celina.
A casa era grande e de alvenaria, mas não havia conforto como: luz elétrica, água encanada e nada que facilitasse a lida no campo.
Dos 90 alqueires da fazenda, seu avô doou 01 alqueire para o sr. Evaristo Berdú, para a construção de um armazém, com o combinado de também construir um pequeno prédio escolar, que se tornaria a primeira “Escola Rural Mista do Mato Dentro”.
Nesta escola, ele estudou até o terceiro ano primário e tem boas lembranças da última professora, dona Marinete de Camargo Pires, que era muito gentil. Mas por outro lado, quanto a professora Deolinda Maneiro Severo, prefere nem lembrar e nem comentar, era o terror das crianças.
Passaram por lá muitos professores, entre eles: Adalgisa Bonbache, Glorinha Puccinelli, Mário Magnusson Filho, entre outros.
No ano seguinte, veio morar na Vila de Indaiatuba, onde fez o quarto ano, na escola “Randolfo Moreira Fernandes”, onde atualmente funciona a Secretaria da Cultura.
Nessa época lembra de jogar bola no campo do Primavera, onde depois, por muito tempo, funcionou o Cine Alvorada, que pertencia a família Lui.
Quando o avô resolveu mandá-lo à Campinas para concluir os estudos, não quis dar continuidade; como disse na entrevista: “...nunca gostei de estudar, mas fiz questão de formar todos os meus filhos.”
Voltou a fazenda, onde trabalhava com o pai, que era muito rígido, colhendo principalmente batatas e as palavras do avô tornaram-se realidade: “Você não quer estudar, então vai puxar carroça”.
Lembra que na lida da terra, sempre encontrava objetos curiosos, como: chaves, castiçais, pedras torneadas que se pareciam machadinhas indígenas.
Sua juventude foi tranquila, às vezes ia a um baile no bairro Friburgo ou passeava na Praça Prudente de Moraes, no centro de Indaiatuba.
Mas seu passeio predileto, era na famosa “Festa de Salto”, na cidade vizinha, que acontecia entre os dias 07 e 08 de setembro; “..lembro que sempre chovia”.
Por volta de 1957, aos 22 anos, fez uma pequena viagem com amigos à cidade de Castro-PR, ocasião em que conheceu aquela que se tornaria sua esposa, Donaide Brandt.
Foi um namoro à distância. Durante três anos viajou de Indaiatuba para Itú, de Itú à Sorocaba e de lá, pegava o trem para o Paraná.
Donaide se hospedava na casa da prima, para trabalhar na loja de armarinhos e chapéus, pertencente ao Sr. Nenê Flores, esposo da prima. Hélio pediu sua mão em casamento duplamente. Ao senhor Nenê e, com certeza, ao pai Sr. Agnelo Brandt.
No dia 18 de junho de 1960, casaram-se na Igreja Presbiteriana, na cidade de Castro, com a benção do Pastor Ulsias Scheleski. A festa foi um simpático almoço em família. Logo após, partiram para Curitiba em lua de mel.
Por um ano, moraram com os tios Tobino e Sara, depois resolveram retornar para Indaiatuba, onde alugaram uma pequena casa.
Ao se estabilizar em Indaiatuba, foi contratado pela Singer de Campinas, onde ficou por 18 anos. Começou a trabalhar no dia 15 de agosto e no dia 25 do mesmo mês nascia sua primeira filha, Rosani. Depois vieram Elaine, Edmilson e Ednice.
Desde muito jovem, sempre gostou de investigar o funcionamento dos relógios e, como não podia deixar de ser, desmontava alguns de sua casa, deixando seu pai muito bravo. Por esse motivo, resolveu fazer alguns cursos por correspondência, apenas para especialização, muito já sabia fazer e com habilidade.
Aproveitando os momentos livres, começou a consertar os relógios dos colegas de trabalho, iniciando assim sua “freguesia”. Trabalhava na portaria e todos que por ali passavam eram seus clientes
Após sair da Singer, passou a atender seus clientes em casa, informalmente e muito tempo depois, abriu seu estabelecimento comercial na Rua Humaitá.
Hoje, aos 76 anos, levanta cedo todos os dias, com disposição para trabalhar ao lado dos filhos Edmilson e Ednice, que aprenderam o oficio do pai e se dedicam a ajudá-lo na Relojoaria Stahl.
É apaixonado por seu trabalho, mas nos momentos de folga adora sair para pescar em companhia do amigo Jairo e do cunhado Claudemiro.
Se diz honrado e muito satisfeito com a lembrança de sua pessoa para os relatos do Memória Local da cidade de Indaiatuba.
Hélio deixa uma mensagem para as crianças e jovens: “...é muito importante estudar e hoje em dia quem não estuda não tem vez. Mas, o mais importante, são os jovens crescerem com dignidade e honestidade, sempre..”
Recolher