Havia uma mulher que carregava mais mundos do que anos de vida.
Uma mãe que, mesmo esgotada, ainda segurava o universo pelo fio dos próprios cílios.
Uma esposa que amava no escuro, mesmo quando não encontrava a própria luz.
Uma profissional que tentava merecer respeito enquanto lutava contra o próprio corpo e a própria mente.
Ela era feita de traumas, sim — mas não os deixava definir o nome dela.
Ela era feita de cicatrizes, mas tinha mania de continuar.
Mesmo quando doía.
Mesmo quando o peito apertava.
Mesmo quando o sono virava pânico e o amanhecer parecia uma sentença.
Essa mulher tinha uma estranha habilidade:
desmoronava em silêncio e levantava como se nada tivesse acontecido.
Fingia paz, fingia força, fingia que estava tudo sob controle,
mas dentro dela vivia um precipício cheio de sentimentos atropelados.
Ainda assim… ela escrevia.
Escrevia para existir.
Escrevia para não explodir.
Escrevia porque, se falasse, ninguém ouviria —
mas quando colocava no papel, até Deus prestava atenção.
Ela acreditava que amava menos do que entregava,
mas só porque nunca soube que o amor dela era coisa rara:
amor que cuida, amor que acolhe, amor que fica —
mesmo quando o mundo dentro dela quer ir embora.
E a história dela não é de quem venceu tudo.
É de quem continua, mesmo que seja arrastando o coração pelo chão.
No final, se alguém perguntasse quem ela era,
eu diria:
Ela é a prova viva de que alguns corpos respiram…
e outros sobrevivem.
Ela sobrevive. Todos os dias.
E transforma isso em palavra.