Raviver
Ravi, meu filho, meu amor, você está comigo agora, ainda ouço sua respiração do lado da cama, ainda tento tocar seus pelos macios do meu lado, deitado quentinho do meu lado. Ainda procuro meu chinelo ao levantar, só que agora você não jogou ele para debaixo da cama.
Me arrasto para o banheiro e você não me segue mais, mas eu posso sentir seu corpão encostando em mim na nossa caminhada conjunta para o banheiro, espero você entrar para fechar a porta e já vejo você deitando no chão e me olhando no vaso, na pia, na nossa rotina de acordar.
Minha mão e coração ficam perdidos tentando encontrar suas orelhas e ver se rabão de espanador entrar para o box do chuveiro.
Como todas as manhãs venho para sala ouvindo o tic tic das suas unhas no piso, me acompanhando. É muito difícil sentar no sofá sem ter você comigo, no pé pedindo carinho, que na verdade nem precisava pedir. Era automático eu sentar no chão e vocẽ se aninhar no meio das minha pernas para eu acariciar suas costas num movimento longo da cabeça ao rabo. Nem deu tempo de gravarmos você pedindo mais carinho com a patinha quando eu parava.
Vejo você em todos os cantinhos da casa que costumava ficar. Sinto falta da mesinha do café deslocada porque você sempre empurrava para se encaixar em espaços onde não cabia. Até as cadeiras todas alinhadas na mesa me ferem, ah como eu gostava de procurar você embaixo da mesa.
Filho a tristeza me invade de forma avassaladora ao abrir a janela da sala, esse era um cuidado diário para que você ficasse mais fresquinho, afinal carregava um cobertor de pelos nas costas e só se esparramar no chão frio não era o suficiente para refrescá-lo.
Dói demais andar pela casa sem ver os pelos espalhados por todos os lugares, engraçado que era justamente isso que reclamavamos de você. Tão lindo! Mas faz uma sujeira!!
Infelizes! Não sabíamos que essa sujeira era a felicidade se espalhando por toda casa.
Ingênuos nós e todos que...
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Raviver
Ravi, meu filho, meu amor, você está comigo agora, ainda ouço sua respiração do lado da cama, ainda tento tocar seus pelos macios do meu lado, deitado quentinho do meu lado. Ainda procuro meu chinelo ao levantar, só que agora você não jogou ele para debaixo da cama.
Me arrasto para o banheiro e você não me segue mais, mas eu posso sentir seu corpão encostando em mim na nossa caminhada conjunta para o banheiro, espero você entrar para fechar a porta e já vejo você deitando no chão e me olhando no vaso, na pia, na nossa rotina de acordar.
Minha mão e coração ficam perdidos tentando encontrar suas orelhas e ver se rabão de espanador entrar para o box do chuveiro.
Como todas as manhãs venho para sala ouvindo o tic tic das suas unhas no piso, me acompanhando. É muito difícil sentar no sofá sem ter você comigo, no pé pedindo carinho, que na verdade nem precisava pedir. Era automático eu sentar no chão e vocẽ se aninhar no meio das minha pernas para eu acariciar suas costas num movimento longo da cabeça ao rabo. Nem deu tempo de gravarmos você pedindo mais carinho com a patinha quando eu parava.
Vejo você em todos os cantinhos da casa que costumava ficar. Sinto falta da mesinha do café deslocada porque você sempre empurrava para se encaixar em espaços onde não cabia. Até as cadeiras todas alinhadas na mesa me ferem, ah como eu gostava de procurar você embaixo da mesa.
Filho a tristeza me invade de forma avassaladora ao abrir a janela da sala, esse era um cuidado diário para que você ficasse mais fresquinho, afinal carregava um cobertor de pelos nas costas e só se esparramar no chão frio não era o suficiente para refrescá-lo.
Dói demais andar pela casa sem ver os pelos espalhados por todos os lugares, engraçado que era justamente isso que reclamavamos de você. Tão lindo! Mas faz uma sujeira!!
Infelizes! Não sabíamos que essa sujeira era a felicidade se espalhando por toda casa.
Ingênuos nós e todos que pensam ser necessário não deixar a casa com cheiro de cachorro, lutando com desinfetantes para tirar o odor que mais sinto falta, o cheirinho de amor, o cheiro de lugar que guarda uma vida valiosa de quatro patas e muitos corações.
Você carregava um coração no peito e muitos outros conectados ao seu, que hoje não sabem como lidar com esse fio solto, que nos chicoteia de saudade, de dor, de carência, do sofrimento que sua ausência causa.
A gente tenta ser forte para não agravar a dor dos filhos e do marido, a gente tenta ser forte porque é adulto e nos cobram o controle emocional, porque devemos entender que essa é a lei da vida e somos seres racionais.
Mas eu quero você!!!! Quero chorar!!!! Quero xingar!!!! Quero ser o superman mudando a rotação da terra para tê-lo de novo ao meu lado. Não aceito você partir com 5 anos, não entendo porque isso aconteceu com a gente, não quero ver minha casa, meu lar, minha vida sem você.
Não é só a dor física ou emocional que me consome, é toda uma história que tínhamos para viver que foi interrompida por conta de um carrapato maldido que atravessou a nossa história, por conta do capitalismo selvagem que cruza cãezinhos lindos como você sem pensar na genética gerando seres tão frágeis como são os Goldens, por conta de um destino cruel que nos separou sem piedade.
Você foi meu amor, minha terapeuta, minha companhia, minha alegria, meu destino e meu fim.
Do lugar que eu sento na mesa a meia que eu uso nos pés, não haverá na minha vida alguma atividade que não me lembre você, porque em todos os espaços, todos os momentos, todo meu pensamento se relaciona com você. Me faltam palavras para expressar o vínculo que nos une. Bastava eu olhar para você que já me sentia melhor, que meus cacos magicamente sumiam, meus pensamentos ganhavam cor e brilho. O sentido da vida se fazia nesse amor irracional, sem limites e na simplicidade de um deitar de barriga para cima vendo o céu.
Ravi, Ravi, Ravi, você veio como Simba e foi embora como filho, filho amado para todo o sempre. Nada de descanse em paz, quero imaginar você puxando São Francisco em desequilíbrio como fazia comigo, quero você tirando todas as nuvens do lugar como fazia aqui em casa, quero marcas de patas e focinho junto com a chuva, espalhando por todo globo terrestre seu amor, assim como fazia ao beber água e marcar toda casa com sua vivacidade de vida. Quero que venha nos meus sonhos, que me permita abraçá-lo bem apertado a ponto de você se esquivar, como fazia quando eu exagerava nos carinhos.
Você será meu último animalzinho, pois perdi a crença que sou merecedora de ter esse amor de novo. Não é para mim essa alegria de viver com esses anjos que Deus colocou na terra, ao meu lado vocês vivem pouco. Foi assim com o Noah que partiu com 1 ano e também com o Guetti e o Fusi. Ok! Aprendi a duras penas que nesta vida acabou a chance de viver esse amor pet. Na idade que estou já já vou precisar de alguém que cuide de mim, então não posso pensar em cuidar de outro serzinho de luz.
Pensei em eterniza-lo num grafite, como fizemos com o Noah, ou tatuar sua patinha na minha pele, mas por enquanto nada disso me traz conforto, então vejo e revejo todas as fotos e filmes que temos juntos, fico a chorar até não ter mais lágrimas, mas também isso não me conforta. Começo a rezar pedindo que Deus nos ajude a superar esse luto, mas acabo imputando a Ele a responsabilidade de tê-lo levado tão cedo. Então esse turbilhão me enlouquece e quero dormir para parar de sofrer e não consigo.
Daí resolvi sentar e escrever, para as palavras acalmarem minha alma e foi pior, muito pior, quantas e quantas vezes aqueceu meus pés enquanto eu escrevia aqui mesmo neste computador.
Como você se ajustou a minha vida de maneira tão perfeita, sem dizer uma palavra falou tanto ao meu coração, foi a melhor companhia que eu nem imaginava que poderia existir. Fez coisas que eu não sabia que eram tão espetaculares, envolventes e simples de forma tão automática como respirar, que fazemos sem pensar, mas quando paramos se mostram tão essenciais a nossa existência.
Me pergunto como vou existir e resistir sem você? Eu tinha tantos planos para esse ano novo, Não tive tempo nem de dividir meus desejos com você amor da minha vida.
Filho te peço, volte para um último passeio de carro, para termos de novo seus pelos ao vento na janela, para que essa liberdade liberte meu coração da dor.
Filho me mostre o caminho, me diga como fazer para seguir…
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