Peculato-furto
(Mauro Leal)
Quando me alimentava em bandejão no Batalhão,
as sobremesas variavam em doce de goiaba,
abóbora e coco com mamão.
E no rancho durante uma destas refeições,
veio à lembrança da infância em Austin,
na casa da minha tia Madalena e do tio Sebastião,
cozinheiro, “pé de banha” no Exército Brasileiro.
Por estes simples e deliciosos docinhos os meus olhos brilhavam,
minha língua os beiços lambiam
e contava os dias nos dedos, para os visitá-los.
E num destes tão esperados sábados com meu irmão Kikinho,
todos à mesa almoçar, ouvi do tiozinho rancheiro, a dizer baixinho:
- Que se não tivesse abastecido a mochila, a “gateira”,
as sobras das comidas teriam sido despejadas na lixeira.
Foi então que me dei conta que na tenra idade
já havia experimentado, saboreado e me alimentado de
comida de quartel, e grato ao meu tio Tião, por ter me proporcionado
e também já ter me condicionado com este suculento picado,
que durante trinta anos foi sustância para alto gasto calórico
nos treinamentos físicos, acampamentos e nas manobras
táticas de campo, sob o sol escaldante e ao relento.