Meu nome é Paulo Rogério Palagi, eu nasci no dia dois de abril de 1939, em Taquari, Rio Grande do Sul.
Eu comecei ainda na fase de estudante, em 1961. Mas comecei a trabalhar mesmo em 1963. Na época havia dificuldade de geólogos. A Petrobras fazia, durante o período escolar, uma avaliação e uma seleção, e fazia convites específicos. Eu fui convidado e me ofereceram algumas oportunidades para escolher algum lugar do Brasil. Na época, eu queria ir pra um local mais distante do Rio Grande do Sul, porque nunca tinha saído de lá e queria ir pra mais longe. A minha primeira opção foi ir para o Amazonas, mas me colocaram em Sergipe, Alagoas, que já não era tão perto, era meio de caminho. Eu comecei por Sergipe, e depois fui descendo, fui pra Bahia, comecei a sair pra mais distante. Depois fui pra Líbia, andei um pouco pelo Iraque, pelo Caribe e pela China e por Angola. Aí eu retornei ao Brasil, onde estou até hoje.
Na Petrobras, realmente, tive oportunidades bastante interessantes. Eu comecei a trabalhar logo com óleo, porque muita gente na Petrobras passa muito tempo sem ver o óleo. Eu já comecei logo com óleo, porque fui trabalhar no Campo de Carmópolis. De lá eu fui para trabalhar um pouco com sal, no Projeto Potássio. Depois eu retornei pro óleo, fui trabalhar em Majnoon, um campo gigante no Iraque. Eu também fui ao Caribe, trabalhar em campos de gás; nós descobrimos dois campos Chaconia e Hibiscus. Daí eu fui pra China, no campo de Pinghu, no mar da China, entre Japão e Xangai. E depois vim trabalhar em Angola, também com os campos de Lombo e Tubarão. Ou seja, eu tive a felicidade de começar cedo e sempre vendo óleo. A minha primeira missão internacional foi em 1970. Nessa época era Petrobras. Eu fui pra Angola e depois nós fomos pra Europa; mas basicamente a primeira viagem foi a Angola.
Em 1972 foi criada a Braspetro. Eu fui trabalhar na Braspetro em 1974. Primeiro, eu fui pra Líbia, onde eu passei uma temporada,...
Continuar leituraMeu nome é Paulo Rogério Palagi, eu nasci no dia dois de abril de 1939, em Taquari, Rio Grande do Sul.
Eu comecei ainda na fase de estudante, em 1961. Mas comecei a trabalhar mesmo em 1963. Na época havia dificuldade de geólogos. A Petrobras fazia, durante o período escolar, uma avaliação e uma seleção, e fazia convites específicos. Eu fui convidado e me ofereceram algumas oportunidades para escolher algum lugar do Brasil. Na época, eu queria ir pra um local mais distante do Rio Grande do Sul, porque nunca tinha saído de lá e queria ir pra mais longe. A minha primeira opção foi ir para o Amazonas, mas me colocaram em Sergipe, Alagoas, que já não era tão perto, era meio de caminho. Eu comecei por Sergipe, e depois fui descendo, fui pra Bahia, comecei a sair pra mais distante. Depois fui pra Líbia, andei um pouco pelo Iraque, pelo Caribe e pela China e por Angola. Aí eu retornei ao Brasil, onde estou até hoje.
Na Petrobras, realmente, tive oportunidades bastante interessantes. Eu comecei a trabalhar logo com óleo, porque muita gente na Petrobras passa muito tempo sem ver o óleo. Eu já comecei logo com óleo, porque fui trabalhar no Campo de Carmópolis. De lá eu fui para trabalhar um pouco com sal, no Projeto Potássio. Depois eu retornei pro óleo, fui trabalhar em Majnoon, um campo gigante no Iraque. Eu também fui ao Caribe, trabalhar em campos de gás; nós descobrimos dois campos Chaconia e Hibiscus. Daí eu fui pra China, no campo de Pinghu, no mar da China, entre Japão e Xangai. E depois vim trabalhar em Angola, também com os campos de Lombo e Tubarão. Ou seja, eu tive a felicidade de começar cedo e sempre vendo óleo. A minha primeira missão internacional foi em 1970. Nessa época era Petrobras. Eu fui pra Angola e depois nós fomos pra Europa; mas basicamente a primeira viagem foi a Angola.
Em 1972 foi criada a Braspetro. Eu fui trabalhar na Braspetro em 1974. Primeiro, eu fui pra Líbia, onde eu passei uma temporada, cerca de quatro anos. Depois eu fui pro Iraque, para trabalhar no Campo de Majnoon. Eu trabalhava sediado no Rio, passava temporadas lá e temporadas aqui no Brasil. Depois do Iraque fui pro Caribe, passei em Trinidad algum tempo e fiz uma curta passagem pela China. E depois eu passei a trabalhar com Angola, mas também como no Iraque, sediado no Rio e viajando, indo e voltando. Eu passei cerca de 16 anos na Braspetro, na parte internacional.
A minha área sempre foi exploração de petróleo. Então, o primeiro critério é geológico, o segundo são as condições contratuais. Depois passou a ter também a questão da proximidade com o país. No início, a Braspetro procurava atuar no mundo inteiro, depois, principalmente, de 1988, se procurou focar. Nós estávamos atirando pra tudo quanto era lado, e passamos a focar em algumas áreas. Então, se procurou focar na América latina e no oeste da África, a partir de 1988. Agora, novamente, ela abriu o leque e está atuando fora desta região previamente. Ou seja, ela está com outro planejamento. Na época também se pensava em focar pra ter mais possibilidade de não só fazer exploração de petróleo em outro país, mas do país fazer trade, comércio, com você. Procurávamos negociar com aquele país e manter um relacionamento comercial maior do que simplesmente a parte de petróleo. Então, na época, se concentrou nas regiões com potencial petrolífero mais próximas ao Brasil. Foi daí que se passou para Argentina e Bolívia. Na Colômbia, já estávamos há mais tempo. Mas a ênfase era em toda parte oeste da África – Nigéria e Angola –, naquelas regiões ali.
Eu acho que isso é um caminho normal, natural. Quanto mais integrada melhor, e a Braspetro realmente estava um pouco isolada. Eu acho que a tendência é ainda integrar mais, organizando equipes que trabalhem tanto no Brasil como no exterior. Ou seja, o próximo passo é continuar essa integração.
Na sua história, a Braspetro teve períodos com focos e períodos, digamos, desfocada. E isso não tem sido bom, os resultados da Braspetro ainda não são tão bons assim, porque ela passa por esse período desfocada, ou seja, passa a atuar em muitos países, em muitos casos, além da sua capacidade de pessoal. Isso dificulta a obtenção de bons resultados, você não consegue avaliar bem os seus projetos. Agora, à medida que integrar mais, e criar equipes específicas que atuem individualmente nos projetos, haverá mais foco e os resultados vão melhorar. Porque a Petrobras, por exemplo, ficou nesse período muito focada no Brasil. Em qualquer negócio tem que se acostumar com as áreas em que você vai trabalhar, tanto com a parte técnica da geologia, quanto à parte política e a parte social. Nós aqui no Brasil, rodando pelo Brasil, já estamos, mais ou menos, acostumados com qualquer uma dessas áreas, mas ainda tem as diferenças de trabalhar no Rio de Janeiro e no Amazonas. Quando você sai de uma sociedade para outra, essas diferenças são maiores ainda. Isso do ponto de vista político e social. Do ponto de vista técnico, também tem as suas diferenças. Você tem que se adequar e isso demora um pouco. Com a integração, você vai usar mais ativamente a sua capacidade técnica para atuar nessas diferentes regiões.
Isso é muito bom. Apesar de nós estarmos num país multirracial, por exemplo, é muito diferente, de um irlandês, porque aquela sociedade é mais homogênea. A nossa sociedade é bem heterogênea. Viajando ao longo do Brasil, você pode passar pela China, pela Itália, nós temos vários núcleos ao longo do país, mas mesmo assim, quando se vai para fora, você ainda sente o impacto. Principalmente, no meu caso, porque eu fui logo para o mundo árabe. Então, o impacto foi bem razoável, ainda mais pra família. Pra gente nem tanto, porque você vai pra lá fazer o mesmo trabalho que já fazia aqui e os teus colegas são praticamente os mesmos. A família se defronta mais com esse impacto cultural, com os costumes bem diferentes, mas vai se adaptando. Inclusive, a gente costuma dizer que o petroleiro tem as suas fases no exterior. Então, no início, ele tem dificuldade de se adaptar, mas depois de algum tempo, tem dificuldade de sair, mesmo que o país não seja considerado uma maravilha.
Nós chegamos na Líbia, não tinha embaixada, não tinha praticamente nada do Brasil lá. Era um grupo pequeno e nós tínhamos que começar. Primeiro, onde morar, onde trabalhar, ou seja, procurar local para o escritório e tudo aquilo. O interessante é que fomos conhecendo gente e fomos aprendendo. Agora, a parte do técnico, em si, não tem muita dificuldade na adaptação, porque você acaba passando o dia todo no escritório, fazendo aquilo que está acostumado. Agora, a família tem mais dificuldade. Aí entra o problema de adaptação de crianças na escola, das esposas com o dia-dia de supermercado, algo assim, mas depois de seis meses essas coisas ficam equalizadas. Depois de dois ou seis meses, a vida entra na rotina. O grande problema são os seis primeiros meses, porque a turma quer encontrar tudo o que tem no Brasil, mas que lá fora não tem. Você tem que fazer as adaptações. Pro nosso trabalho não, porque vamos levando. Praticamente, fazíamos sempre a mesma coisa. Agora, a família é que encontra mais dificuldade. A língua é um dos problemas, mas o brasileiro fala muito com as mãos e acaba se entendendo. No caso da Líbia, eles tiveram muita influência do italiano. Então, entre português e italiano, se contrabalançando, íamos levando e com um pouquinho de árabe você dá um jeito. Com boa vontade se resolve tudo.
Eu não estou mais na Braspetro, mas ela continua na Angola, nos EUA, na Colômbia, Bolívia, Argentina e em alguns outros países. Ela está numa fase bem expansiva, ou seja, ela teve uma época que esteve focada em alguns países: “Olha, nós vamos concentrar as atividades aqui, vamos nos adaptar a essas áreas”. Porque, principalmente na exploração, os investimentos são de longo prazo, então, você tem que passar um período mais longo em cada país para pegar essa cultura local técnica, principalmente a técnica, pra depois ter resultados. Recentemente, a Petrobras voltou a atuar assim, ou seja, abriu o leque de atividades. Então, ela está se expandindo muito. Vamos ver o que vem pela frente. Eu não tenho acompanhado a geologia dessas áreas onde eles estão atuando neste momento. Mas, por exemplo, a parte interna da Petrobras tem se saído muito bem explorando a costa leste brasileira, o equivalente a isso aí é a costa oeste africana, porque são geologicamente muito parecidas. Nós estamos no Golfo do México, que é uma região muito boa e tem dado resultados. Basicamente, ela está se expandindo para o leste da África, indo também em direção ao Mar Cáspio, ali naquelas regiões. O Mar Cáspio é uma região produtora tradicional de petróleo. Agora você tem que ir com ferramentas novas, idéias novas, ou seja, precisa se adaptar na região. Quando eu vou pra uma região, eu vou pra fazer negócio por um longo tempo. Claro que a sua atividade pode ter altos e baixos, mas aquela filosofia do beija-flor, de sair beijando um pouquinho aqui e ali, em petróleo, é muito perigosa. Você tem que selecionar bem as suas grandes regiões: “Olha, eu vou me fixar e eu vou ganhar dinheiro aqui em longo prazo”.
Basicamente se faz o mesmo que aqui, porque lá fora tem os contratados. Você não tem todo o pessoal, nem todos os equipamentos necessários, então, tem que terceirizar muita coisa. Dependendo do que você for fazer, grande parte do trabalho é terceirizada, entregue a terceiros, a companhias especializadas, isso é normal.
Atualmente, eu estou saindo de uma área de gás, uma assessoria específica pra gás. Mas o meu trabalho mesmo é de estudos regionais. Eu procuro fazer uma comparação do que nós temos aqui com o que foi encontrado semelhante pelo mundo afora. Procuro com essa comparação ver alguns resultados obtidos lá que possam ser aplicados aqui, ou vice e versa; se conseguimos algo aqui, vejo se podemos aplicar em outra região. Basicamente, o meu trabalho é analisar as áreas e ver o que foi obtido aqui, onde eu tenho algo semelhante lá fora, o que há de diferente do que se obteve aqui, procurar trazer a experiência de lá, ou levar experiência daqui pra lá do ponto de vista geológico. Basicamente, do ponto de vista geológico. Mais recentemente, temos encontrado no Brasil alguns reservatórios que são considerados um pouco diferentes. O que tem saído no jornal, área de fronteira, abaixo do sal tem óleos bons em reservatórios bastante diferentes daqueles que estamos acostumados a trabalhar. Então, o que se está buscando no mundo é experiência de outros nesse tipo de reservatórios, para que possamos aplicar aqui ou, eventualmente, até aplicar em outras áreas. Hoje, eu tenho olhado mais para essa parte, digamos, de reservatórios profundos. Ou seja, área de fronteira e abaixo do sal, que tenha equivalentes lá fora pra ver o que eles já obtiveram disso, o que eles podem nos auxiliar aqui, ou vice e versa; aquilo que aprendemos aqui também podemos levar pra lá.
A minha imagem da Petrobras, embora ainda seja vista como uma empresa do governo – como nós trabalhamos desde o início – é de uma empresa privada, ou seja, como se fosse uma família. A empresa cresceu, em 50 anos conseguiu se tornar a maior empresa da América Latina – isso nessa filosofia que todo mundo procura dar seu máximo para que a empresa atinja os seus objetivos. Hoje, felizmente, a empresa está com resultados excelentes graças, é claro, a esse trabalho de 50 anos, sempre procurando resultados. Naturalmente, num momento, nos somos beneficiados, porque é aquele negócio, vem se plantando, plantando, plantando e agora estamos na colheita, e nessa colheita, o preço do seu produto está muito bom. Então, isso somou. Hoje os resultados da empresa são muito bons. Agora, a grande preocupação é manter essa tendência de crescimento, porque às vezes a gente tem aquela tendência de: “Bom, já que cresci, estou ganhando dinheiro, então, agora eu vou aproveitar a vida”. Às vezes, em algumas famílias, acontece isso. Morre o pai, aquele que construiu todo o império, e ficam os filhos: “Agora vamos aproveitar a vida”. Aí, a empresa em pouco tempo desaparece. Nós temos histórias aqui no Brasil muito comuns. A trajetória da empresa até agora foi muito boa, agora a preocupação é como manter essa trajetória daqui pra frente, como manter o pessoal motivado para continuar tocando essa empresa naquela direção em que veio até agora. Esse é o grande desafio da Petrobras, porque o momento, como eu falei, está muito bom. Os preços do óleo estão muito bons, mas a tendência não é permanecer sempre assim. Você sabe que nada cresce indefinidamente. Sobe, desce, sobe, desce. Então, a gente tem que saber se adequar à época de preços. Preços crescentes são muito fáceis, agora se adequar à época de preços decrescentes, exige maior dedicação, maior esforço. Essa é uma questão que nós temos que estar sempre atentos. Eu já vou pro terceiro boom de petróleo, peguei o da década de 70, da década de 80, e esse agora.
O boom de 70 já está muito longe, já não tenho grandes lembranças dele. Mas o de 80 me tocou muito forte, porque na época eu estava trabalhando no Caribe, e lá se produzia óleo pra vender no dia, então, você não podia gastar mais pra produzir aquele barril de óleo do que o preço de venda, claro. Quando o preço estava subindo 15, 20 dólares, maravilha A empresa estava se decorando, aumentando escritórios, aumentando a quantidade de funcionários, até que o preço chegou a 36 dólares, parou um pouquinho, e começou a cair. Então, a fase de crescimento estava maravilhosa, era sorriso por todo lado. Quando veio a fase do preço caindo – em cerca de um ano ele chegou a 12 dólares – a empresa já tinha reduzido, e grande parte do pessoal já tinha saído. Aí é que entra uma parte bem crucial de saber se adequar a esses períodos de baixa pra não morrer, senão a empresa perde o rumo. No caso, nós tivemos que interromper várias áreas porque os preços de produção estavam acima. Ou seja, empatava com o preço de venda. Então, você tinha que ir fechando, e tinha que ir adequando a estrutura da empresa, reduzindo a estrutura. Pra você dar uma idéia, quando eu cheguei lá na cidade, praticamente não tinha camelô no centro. Quando eu saí, estava pior do que o Rio a quantidade de camelôs nos sinais de trânsito, porque muita gente foi demitida. Ou seja, a atividade econômica do país caiu muito, e as empresas tiveram que se adequar. Esses são os problemas dessas subidas e descidas. A empresa tem que estar programada para esse crescimento das suas receitas, como também pra uma eventual redução de suas receitas.
A Petrobras representa 45 anos de trabalho, de convívio com o grupo, com os amigos. Isso é praticamente a metade de uma vida; se eu chegar aos 80, 90 anos. Eu não penso em parar de trabalhar, porque acho que tem sempre alguma coisa pra fazer no dia seguinte. Porque se você não tiver nada, a sua vida fica vazia, então, isso eu não penso. Às vezes, penso em sair da Petrobras e fazer outra coisa, criar algo, principalmente, aquilo que aprendeu ao longo dos tempos. Na Líbia, por exemplo, eu aprendi a fazer vinho, cerveja, porque como não tinha bebida alcoólica, porque era proibido, você acabava fazendo para o consumo doméstico. Tem uma série de coisas que você rodando por aí, sente que pode fazer na vida, que você pode fazer outra coisa. Hoje eu faço sorvete também. Eu já fiz vinho e cerveja. Agora estou fazendo sorvete diferenciado. São hobbies pra ter o que fazer, pra chegar no dia de amanhã. Eu digo: “Eu me aposentei. E agora, o que eu vou fazer?”. Aposentadoria, às vezes, é questão de momento. Surgindo o momento, a gente sai. Mas por enquanto ainda tenho o que fazer. Eu sempre chego ao final do dia e penso que amanhã ainda tenho muito que fazer, então, não acabou. Pior é quando você chega ao final do dia e diz: “O que eu vou fazer amanhã? Não tem nada pra fazer”. Eu sempre tenho.
É o velho esquema daquele sistema português: se botar todos os seus ovos na mesma cesta e cair, você perde tudo. Então, na hora em que você começa a atuar em diferentes áreas, ou seja, no petróleo, atuar um pouco na área de energias alternativas, você tem outras opções, não está preso a um negocio só. Agora, no momento, a estrutura básica é o óleo, ou seja, a empresa depende basicamente do óleo. Esse leque que ela está se propondo a abrir, ao se tornar uma empresa de energia, é especialmente válido em um país como o nosso. Nós temos múltiplas alternativas nessa área, não só a hidráulica, mas a eólica, a solar, nós estamos com essa fronteira agrícola toda, que nós podemos produzir muita energia. Ao fazer parte disso, a Petrobras tem um ambiente muito grande para se desenvolver. Claro que ela tem que ter uma série de adequações, porque com óleo tem aquele velho ditado: ele é um bom negócio mal administrado, tanto mal como bem. É claro que quanto mais bem administrado, melhor. Mas existem outras fontes que são muito mais ajustáveis. A agricultura trabalha com níveis de rentabilidade bem mais apertados, então, a empresa tem que se adequar a esse tipo de novas atividades, tem que ter uma estrutura muito mais flexível para poder competir. Basicamente, o fazendeiro está ali com poucos empregados, não tem aquela grande estrutura atrás dele, então, os custos são baixos. Pra você competir com ele ou estar no mesmo nível, você também tem que ter uma estrutura adequada pra aquela atividade.
Eu tive bons momentos, porque eu logo tive a oportunidade de ver óleo, de trabalhar muito com óleo. Agora, relacionando óleo com a família, como a gente rodava por aí, eu tenho uma filha que é Líbia. Você sabe que a Líbia é um país muçulmano e que lá as igrejas eram fechadas? Foram fechadas na Revolução do [Muamar] Kadafi, em 1969. Ela foi a primeira pessoa batizada depois da revolução, e isso aí me marcou. Eu tenho outro filho que nasceu em Aracajú, isso é uma outra passagem. Ou seja, a minha família nasceu espalhada por aí.
Um dos momentos mais interessantes que eu tive, por exemplo, foi em Trinidad, um país que me marcou bastante. Tem um povo muito alegre, tem carnaval. A gente acha que o carnaval, nesse nível, só tem no Brasil. Em Trinidad, o carnaval é no nível do nosso, só que é um país pequeno. Eles se dedicam e investem realmente no carnaval. É um show muito bonito, só que não tem um sambódromo como o nosso. Eles têm bandas com três a cinco mil figurantes. Então, eu acho que essa vivência do mundo é muito interessante na vida do pessoal, principalmente, da Braspetro e agora da Petrobras.
Eu morei quatro anos em Trinidad e Tobago. Eu trabalhei numa companhia de lá. A Braspetro – hoje a Petrobras Internacional – ficou fazendo contratos de assistência técnica com algumas empresas. Então, ela fez um contrato com a Trintoc, a estatal de Trinidad e Tobago. Então, nós fomos trabalhar para a Trintoc, nós éramos alocados na Trintoc. Era um grupo de brasileiros alocados pra fazer exploração offshore, basicamente. É um país bem alegre, as pessoas são muito parecidas com o baiano falando inglês. É um povo alegre, carnavalesco, muito festivo e interessante.
Acho muito bom ser lembrado. Se alguém me indicou para o Projeto Memória é sinal que acharam que eu tinha algo a dizer. Eu não sei se disse tudo o que gostariam de ouvir, aliás, não me disseram por que eu fui indicado. Deveriam ter dito: “Olha, você foi indicado por isso e por aquilo”. Então, eu não sei se abordei o assunto que interessava a quem indicou.
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