Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Paulo Homero Cruz
Entrevistado por Inês Gouveia
Macaé, 09 de junho de 2008
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB380
Transcrito por Regina Paula de Souza
P/1 – Eu vou pedir pra que você começasse dizendo, o seu nome completo, sua data de nascimento e o local de nascimento.
R – Meu nome é Paulo Homero Cruz, nasci em 06 de agosto de 1953 em Petrópolis, Rio de Janeiro.
P/1 – Paulo, quando você começou a trabalhar na Petrobras?
R – Eu comecei a trabalhar em. Há três anos atrás, 2005, acessei um site em Brasília, eu estava trabalhando em Brasília, é, tinha uma empresa contratando pessoas com experiência pra implantação de escritório de projetos, eu me habilitei a vaga, fui escolhido. Uma semana depois eu estava aqui, é, transferido com, inclusive, com o meu filho e com a minha mulher, e, eles se adaptaram bastante em Rio das Ostras, que é um lugar muito bom, e, comecei a trabalhar e o trabalho se mostrou muito mais surpreendente do que eu poderia imaginar, porque tive oportunidades bastante interessantes. No primeiro ano, de participar aqui e coordenar a primeira fase de implantação do escritório de projeto, aqui, na (OS-SUB?) e, logo em seguida, no início do projeto do PLANGAS, eu fui convidado por um colega que estava integrando o grupo do PLANGAS de, juntos, coordenarmos esse trabalho de aquisições para todos os projetos do PLANGAS, aqui, na (OS-SUB?). E esse projeto foi bastante interessante, muita coisa se aprendeu, no início, teve aquele problema todo, lá, com a Bolívia, que foi um dos principais motivadores de não ficarmos tão dependentes. E, hoje, podemos dizer que participamos um pouco da história, inclusive, do Brasil, porque os resultados desse projeto, eles já se materializaram através, inclusive, é, de termoelétricas funcionando, tem uma termoelétrica em Macaé, termoelétrica no Rio de Janeiro com gás produzido pelo PLANGAS, entendeu?...
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Depoimento de Paulo Homero Cruz
Entrevistado por Inês Gouveia
Macaé, 09 de junho de 2008
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB380
Transcrito por Regina Paula de Souza
P/1 – Eu vou pedir pra que você começasse dizendo, o seu nome completo, sua data de nascimento e o local de nascimento.
R – Meu nome é Paulo Homero Cruz, nasci em 06 de agosto de 1953 em Petrópolis, Rio de Janeiro.
P/1 – Paulo, quando você começou a trabalhar na Petrobras?
R – Eu comecei a trabalhar em. Há três anos atrás, 2005, acessei um site em Brasília, eu estava trabalhando em Brasília, é, tinha uma empresa contratando pessoas com experiência pra implantação de escritório de projetos, eu me habilitei a vaga, fui escolhido. Uma semana depois eu estava aqui, é, transferido com, inclusive, com o meu filho e com a minha mulher, e, eles se adaptaram bastante em Rio das Ostras, que é um lugar muito bom, e, comecei a trabalhar e o trabalho se mostrou muito mais surpreendente do que eu poderia imaginar, porque tive oportunidades bastante interessantes. No primeiro ano, de participar aqui e coordenar a primeira fase de implantação do escritório de projeto, aqui, na (OS-SUB?) e, logo em seguida, no início do projeto do PLANGAS, eu fui convidado por um colega que estava integrando o grupo do PLANGAS de, juntos, coordenarmos esse trabalho de aquisições para todos os projetos do PLANGAS, aqui, na (OS-SUB?). E esse projeto foi bastante interessante, muita coisa se aprendeu, no início, teve aquele problema todo, lá, com a Bolívia, que foi um dos principais motivadores de não ficarmos tão dependentes. E, hoje, podemos dizer que participamos um pouco da história, inclusive, do Brasil, porque os resultados desse projeto, eles já se materializaram através, inclusive, é, de termoelétricas funcionando, tem uma termoelétrica em Macaé, termoelétrica no Rio de Janeiro com gás produzido pelo PLANGAS, entendeu? Então, em três anos foi, realmente, eu diria assim, equivalente a 10, a 20 anos de experiência, esse projeto, aí, que nós participamos.
P/1 – Paulo, qual é a sua formação?
R – Eu sou engenheiro químico, trabalhei muitos anos no mercado financeiro, em instituições bancárias. É, na época do boom da Internet eu trabalhei coordenando vários projetos de comércio eletrônico, trabalhei numa ONG chamada Alfabetização Solidária, bastante interessante. Depois, no início da parte de telefonia, implantação do celular da Brasil Telecom, participei dois anos, lá, na parte de integração, muito interessante o projeto, também. E, agora, essa oportunidade maravilhosa do PLANGAS, que a gente está vendo, aí, os frutos aparecendo, né?
P/1 – Você pode falar um pouco mais do PLANGAS pra gente? E, inclusive, contar um pouco como é o seu cotidiano de trabalho?
R – Sim. O PLANGAS é um projeto desafiador, porque ele trata da produção de gás aqui no sul, sudeste pra um aumento de 20 milhões de metros cúbicos por dia para 40 milhões de metros cúbicos por dia. Então, quase dobrar a produção de gás. E é um projeto bastante desafiador, onde a gente tem que fazer várias atividades em paralelo, chamado fach tracking, pra poder viabilizar num tempo recorde projetos que ainda estão no nível de maturação bastante incipiente. Então, aqui na (OS-SUB?) nós estamos, por exemplo, adquirindo equipamentos pra poços que ainda estão em prospecção, ou seja, vendo se ainda são produtores de gás e qual é a composição desse gás. Você já tem que prever o equipamento que poderia funcionar pra todas essas situações. Então, a gente acompanha esses processos de aquisição desde a especificação, no início, participamos das reuniões de status dos projetos, mantemos as pessoas interessadas, aqui da (OS-SUB?), informadas a respeito do que acontece, através de uma sala de guerra que a gente realiza toda a segunda-feira, hoje mesmo vai ter as duas horas da tarde, onde a gente entra em teleconferência com a ON Espírito Santo, com a ON Rio, com a ON BC, ou seja, a gente, numa sala como esta, a gente entra em contato falando a respeito de todos os principais pontos desenvolvidos durante a semana e o status dessas aquisições. Então, o desafio era, justamente, a gente prever que quantidade de equipamentos e que especificação de equipamentos e, principalmente, diante, agora, do mercado que está extremamente aquecido, devido a esse aumento do petróleo, entendeu? Que está atingindo níveis recordes e as fábricas estão, os fornecedores estão extremamente demandados, né? E a todo momento a gente tem que rever essas estratégias, fazer alinhamento, ou seja, conforme o coordenador do PLANGAS fala, o gerente executivo Figueiredo, ou seja, pensar fora da caixa. A gente tem que sempre buscar soluções inovadoras para problemas, que antes, nunca a Petrobras se deparou e, principalmente, manter a coordenação de uma matriz de comunicação bastante complexa que envolve todas as gerencias, tanto daqui da (OS-SUB?), quanto as gerencias dos ativos de produção, quanto outras áreas, também, a (OS-PO?), a parte de aquisição, que é o (S Cont?) aqui do EIP, a parte de licenciamento ambiental, que é um dos desafios, hoje, que, até, está refletindo na mídia, entendeu? Sobre a agilidade de licenciamentos ambientais. Então, todo esse ambiente complexo é um desafio bastante grande que a Petrobras está conseguindo, com a ajuda de todos e com o empenho de todos, suprir, entendeu? E trazer o gás que o Brasil está precisando para manter em funcionamento todo esse boom de crescimento, aí, através das termoelétricas, né?
P/1 – Paulo, você falou a respeito de desafios, mas pessoalmente, óbvio, no âmbito profissional junto a Petrobras, mas pessoalmente, qual foi a sua maior dificuldade ao longo desses três anos?
R - Olha, a maior dificuldade que eu vejo, foi uma matriz de comunicação bastante complexa. Então, você, vamos dizer assim, sendo um funcionário novo, né? Na empresa e a nível decisório, você ter que lidar com pessoas que já estão há 20, 25, 30 anos dentro da empresa, num nível decisório muitas vezes, então, até você ser conhecido em toda essa rede ou, até, você poder, efetivamente, contribuir, inclusive, com essa visão de fora, de outras áreas, né? Porque devido a minha formação e por ser a Petrobras, principalmente, uma empresa feita de engenheiros, agora que os administradores estão chegando. E hoje, conforme sabemos, o maior desafio da Petrobras é gestão e é, justamente, nessa área que a gente encontra as maiores dificuldades, até, por questões relacionadas a formação dessas pessoas, que são engenheiros, que estão mais focados em operações, no dia-a-dia, pra eles pensarem em projeto, pensar em planejamento, pensar em análise de risco, pensar em várias outras coisas, é, no enfoque de projeto, porque eles já pensam em termos das operações e em termos de auisição de produtos, eles têm bastante essa visão. Mas eu vejo que eles estão aprendendo rapidamente, se adaptando com muita velocidade a esses desafios, entendeu?
P/1 – Já que você falou de pessoas, né? A gente sabe a multiplicidade que a Petrobras acolhe, em termos de pessoal mesmo, né? Tanto no que diz respeito a faixa etária e a anos de experiências difenciadas, também, pessoas do Brasil inteiro, inclusive, pessoas de fora do Brasil, você mesmo é um exemplo, que mesmo tendo nascido no Rio, estava morando em Brasília e veio pro Rio em função da Petrobras, como é o convívio com pessoas tão diferentes, com experiências profissionais e culturais tão diferentes?
R – Olha, eu diria que no meu caso, aqui, eu encontrei um ambiente bastante similar a Brasília, porque Brasília, também, é um lugar onde você recebe gente de todas as origens no Brasil, é uma cidade nova e, ao mesmo tempo, você tem as embaixadas, uma cultura bastante diversificada e uma juventude bastante nova. E, aqui em Macaé, também, vêm profissionais de todas as regiões, aqui, por exemplo, temos um caso bastante interessante, falando sobre integração, que são os novos engenheiros, que tem muita gente do sul, tem gente do nordeste, tem gente do centro-oeste e eles se encontram todas as quintas-feiras, entendeu? Com as suas famílias, com as suas esposas pra ter um convívio social, bastante interessante. Isso está sendo um fator integrador bem legal, entendeu?
P/1 – Mas como isso funciona, as outras pessoas participam ou somente as famílias que são do sul?
R – Não, não. Quem quer eles pegam e convidam, né? Então, está se ampliando, hoje, já são 30, 35 pessoas, entendeu?
P/1 – Você já participou?
R – Já, já fui ao boliche, jogar (riso) boliche com eles, entendeu? Então, uma vez é um churrasco, uma vez um boliche, outra vez é um show de música, aliás, essa região aqui é bastante agraciada por shows de música, nós temos ali em Rio das Ostras o Festival de Jazz e Blues, que é conhecido no mundo todo e que traz gente de todos os países. Então, esse fator de integração é bastante interessante.
P/1 – As relações de trabalho, então, elas não se dão somente no ambiente de trabalho, né? As relações pessoais, elas estravasam a Petrobras?
R – Olha, eu vejo isso muito, até, pela, vamos dizer assim, pela estratificação, assim, do corpo funcional, existe um grande grupo de pessoas, assim, de uma faixa etária mais alta e que foram admitidos há 10, 15 anos pra trás, depois, é, naquela onda privatizadora que teve no país, não se admitiu mais ninguém, então, ficou um gap, aí, de 10 anos e, agora, está vindo uma leva bastante grande de engenheiros novos, administradores novos. Então, esses grupos, até, por uma questão, assim, de convívio, né? Eles se aproximam bastante e está sendo uma coisa bem interessante, entendeu? Eu acredito, até, que esse projeto seja parte disso, né? Fazer a integração dos novos que estão chegando com a história dos mais antigos, embora, eu seja novo na Petrobras, tenho uma experiência de mercado e acho que essas duas coisas, posso ver os dois lados e acho bastante interessante isso que está sendo vivido aqui na Petrobras hoje.
P/1 – Paulo, na sua opinião e, também, tendo como pano de fundo esses três anos, qual foi a etapa mais marcante da produção da Bacia de Campos?
R – Olha, da Bacia de Campos nós tivemos aquele evento que foram os 2 milhões de barris que foram atingidos. Agora, no PLANGAS, especificamente, nós tivemos a inauguração do gasoduto entre Vitória e, aqui, em Macaé, que, inclusive, contou com a presença do presidente. E o funcionamento da termoelétrica, aqui, em Macaé foi um momento, para nós que estamos dentro do PLANGAS, bastante interessante, entendeu? Ver o primeiro gás do PLANGAS, vamos dizer assim, sendo exportado do Espírito Santo, aqui, pro Rio, entendeu? E funcionando a termoelétrica com esse gás.
P/1 – Houve muita mudança, Paulo, nesses três anos, neste ambiente de trabalho que a gente está hoje, nessa sede da Petrobras? Houve muita mudança, tanto no sentido estrutural do prédio e suas instalações, como no sentido tecnológico do aprimoramento de ferramentas de trabalho?
R – Olha, nós tivemos, vamos dizer assim, dois grandes eventos, um foi o seguinte: A (UF-SUB?), quando eu entrei, ela funcionava lá no Parque dos Tubos, então, a intenção era juntar toda a US-SUB, que era parte no Parque dos Tubos, em outros prédios, aqui, em Macaé e trazer todo mundo pra cá, entendeu? Isso aconteceu há uns dois anos, um ano e meio, dois anos e, agora, o próximo desafio, que é? Uma vez construído, lá, os prédios novos, fazer as pessoas irem pra lá. Agora, o que eu vejo aqui é um turnover muito alto, assim, das pessoas que são contratadas, então, eu vejo que não há, assim, uma política de retenção desses talentos. Muita gente boa que vem aqui, aprende a trabalhar, aprende a estrutura da Petrobras e, de repente, poderiam ser melhor aproveitadas, entendeu? Se houvesse, não uma política por contrato, mais uma política de pessoal envolvendo, também, essa mão-de-obra terceirizada, poruque eu sei que a maior preocupação de uma empresa é, justamente, são com os seus talentos nativos, vamos dizer assim, as pessoas que são concursadas e tal. Mas é importante, também, o conhecimento e a experiência dessas pessoas, e, vejo assim, caso de pessoas com seis meses, aí, já vão pra outra área ou saem da área de petróleo, entendeu? Embora, essa área de petróleo seja a grande alavanca do progresso do Brasil nesse momento, né?
P/1 – Paulo, o que você achou de participar do Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos?
R – Eu achei muito oportuno, eu acho que é importante as pessoas darem o seu depoimento e, principalmente, pra que cada um faça, até, uma retrospectiva do papel que ele ocupa dentro dessa empresa e o papel que essa empresa ocupa na vida das pessoas, que, de repente, você fala, não só de trabalho, mas, também, da vida pessoal de cada um.
P/1 – Sua família está satisfeita com a mudança de Brasília pra cá?
R – Olha, quando eu quero brincar com o meu filho, eu digo que recebi uma proposta de trabalho pra ir pra Brasília, (riso) ele diz: “Não, de jeito nenhum”. (riso) Entendeu? Ele não quer de jeito nenhum, nem ele e nem a minha esposa, voltarem pra Brasília, querem ficar aqui, estão muito bem situados aqui, é isso.
P/1 – Obrigada, Paulo.
R – De nada.
(FINAL DA ENTREVISTA)
Lista de dúvidas:
(OS-SUB?)
(OS-PO?)
(S Cont?)
(UF-SUB?)
Recolher


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