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Personagem: Wal França
Por: Wal França, 17 de agosto de 2026

O Efeito Colateral do Silêncio

Esta história contém:

O Efeito Colateral do Silêncio

O EFEITO COLATERAL DO SILÊNCIO

Cuiabá, agosto de 2024. Sala do CAPS no bairro CPA IV. O atendimento deveria durar exatamente cinquenta minutos. A médica psiquiatra, seguindo o protocolo, me fez aquela velha pergunta cotidiana:

— Como você está se sentindo?

No dia a dia, a gente sabe que ninguém quer mesmo saber a resposta. O balconista da farmácia ou o conhecido que passa por você na rua perguntam por mera convenção social, por educação. Mas naquele dia a doutora perguntou e eu respondi. Desabafei uma hora e vinte minutos que precisavam caber dentro de cinquenta. Quando ela me interrompeu, porque a fila de espera do consultório não parava, guardei os meses restantes de papo psiquiátrico no peito e fui embora. Era a história de uma memória tentando justificar a validade do que eu estava sentindo.

Em outra consulta geral, um médico me questionou:

— Você tem alguma alergia?

— Dipirona. Fico com enjoo.

— Enjoo não é alergia — rebateu ele, rígido.

— Me dê o remédio para ver se eu não o devolvo. Ele bate, causa um desconforto e volta. Meu organismo rejeita. Se isso não for alergia, então defina o que é.

A medicina moderna diz que a alergia é uma resposta exagerada do sistema de defesa contra o que vem de fora. O nome vem do grego: allos (estranho) e ergon (reação). Para o doutor o meu enjoo à dipirona era apenas um efeito colateral. Nada sutil.

— E porque você tem enxaqueca crônica? — ele quis saber.

— Bem, quando eu era criança...

E lá se vai uma hora e vinte minutos tentando explicar porque as coisas são como são.

Após dois anos afastado do trabalho por causa das ideações que giravam sem parar e me roubavam o sono, acumulei três conselhos profissionais. Duas psiquiatras e uma doutora em cultura, diretora e roteirista me deram o mesmo veredito: “Escreva para esvaziar a cabeça”.

Atendi a ordem. E depois de revirar o chão batido de Minas Gerais no primeiro volume, aqui estou eu, aqui está...

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Primeira casa em Vila Velha, ES

Dados da imagem Chegamos de carroça direto da estação Pedro Nolasco em Cariacica, no bairo Vila Batista, com umas caixas, um fogão e uma prateleira de metal onde as panelas ficam penduradas.

Período:
Ano 1984

Local:
Brasil / Espírito Santo / Vila Velha

Imagem de:

História:
O Efeito Colateral do Silêncio

Palavras-chave:
mudança, carroça, vila batista, vila velha, espírito santo

Chegamos de carroça direto da estação Pedro Nolasco em Cariacica, no bairo Vila Batista, com umas caixas, um fogão e uma prateleira de metal onde as panelas ficam penduradas.

Menino na janela do trem passando por Aimorés, MG

Dados da imagem Quando estávamos indo embora de Governador Valadares, MG para Vila Velha, ES depois que minha mãe decidiu isso, passamos por Aimorés e lembrei que meu pai um dia morou ali em uma daquelas casas na beira da linha de trem. Tive o desejo, junto com minha mãe que ele entrasse no trem e consertasse o que estava quebrado na nossa família.

Período:
Ano 1984

Local:
Brasil / Minas Gerais / Aimorés

Imagem de:

História:
O Efeito Colateral do Silêncio

Palavras-chave:
pai e mãe, família, relacionamentos, desejos infantis, divórcio

Quando estávamos indo embora de Governador Valadares, MG para Vila Velha, ES depois que minha mãe decidiu isso, passamos por Aimorés e lembrei que meu pai um dia morou ali em uma daquelas casas na beira da linha de trem. Tive o desejo, junto com minha mãe que ele entrasse no trem e consertasse o que estava quebrado na nossa família.

Menino na janela

Dados da imagem Menino avistando as montanhas de pedra, chegando em Cariacica no Espírito Santo, diferente dos morros de terra de Minas Gerais.

Período:
Ano 1984

Local:
Brasil / Espírito Santo / Cariacica

Imagem de:

História:
O Efeito Colateral do Silêncio

Palavras-chave:
cariacica espírito santo, vila velha, espírito santo, minas gerais, trem de ferro, vista da janela

Menino avistando as montanhas de pedra, chegando em Cariacica no Espírito Santo, diferente dos morros de terra de Minas Gerais.

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Livro de memórias de infância e adolescência após reviver o abandono, por opções médicas, entre fazer terapia e tomar um monte de remédios, que foram bons. Acessar

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