NOITE DE NATAL
Carlos Linardi
Fazia mais de 10 anos que eu não comemorava o Natal com minha irmã Cristina e meu cunhado Tancredo, ainda longe dos meus filhos e companheira, observo da janela os cafezais e o verdejante das matas. Hoje, comemoro o ruidoso festejar do nascimento de Cristo em família, e olho com bons olhos o Natal passar em uma grandiosa casa cheia de histórias, que outrora foi a sede da fazenda da Família Garcia... do lugar, eu guardo recordações inquietantes. É assim que eu me apresento no dia de hoje, inquieto querendo me dizer o que eu não consigo traduzir. Antes e hoje, o Brasil se esgarçou e virou fome e ódio. Contudo, a esperança existe, chama-se vida. Há um gigantismo na magia da mudança improvável... boas novas, certamente não virão, maledicências futuras trazem o medo de angustia e opressão. Eu como e bebo vida, e me mato pra viver. Apesar dos corruptos, dos criminosos, dos desumanos, dos ladrões - oficiais e clandestinos -, vagabundos e altos políticos, sigo meu caminho com a inocência do escritor iludido, mantendo a ilusão, desse Século. Felizmente existem mais homens e mulheres do bem, do que na época de Jesus, talvez, exista resistência. Há muito mais gente nobre, desgarrada, eu sei. Juntos, não vamos permitir um repetido assassinato de Jesus, embora o obstáculo dos mentirosos. Ele vive nas flores, nos meninos e meninas nos parques e sob as pontes, nas mães que choram os filhos com fome e nus, nos vulcões e montanhas, e nas mulheres que, junto com a terra, ensinam a florescer sementes. Conseguiremos retomar a terra para nós? Eu não sei, não sou convicto, depois que bárbaros matam gente sem piedade. Para nossos netos, o que deixaremos? E para o amor, seremos corajosos? Os canhões, os fuzis, os ditadores, não conseguiram derrotar o amor, por enquanto. O amor é o anjo da vitória, e galopa a poesia, essa, uma louca indomável. E Jesus nasce todo dia, desesperado… Ele nasce no caminho de quem...
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NOITE DE NATAL
Carlos Linardi
Fazia mais de 10 anos que eu não comemorava o Natal com minha irmã Cristina e meu cunhado Tancredo, ainda longe dos meus filhos e companheira, observo da janela os cafezais e o verdejante das matas. Hoje, comemoro o ruidoso festejar do nascimento de Cristo em família, e olho com bons olhos o Natal passar em uma grandiosa casa cheia de histórias, que outrora foi a sede da fazenda da Família Garcia... do lugar, eu guardo recordações inquietantes. É assim que eu me apresento no dia de hoje, inquieto querendo me dizer o que eu não consigo traduzir. Antes e hoje, o Brasil se esgarçou e virou fome e ódio. Contudo, a esperança existe, chama-se vida. Há um gigantismo na magia da mudança improvável... boas novas, certamente não virão, maledicências futuras trazem o medo de angustia e opressão. Eu como e bebo vida, e me mato pra viver. Apesar dos corruptos, dos criminosos, dos desumanos, dos ladrões - oficiais e clandestinos -, vagabundos e altos políticos, sigo meu caminho com a inocência do escritor iludido, mantendo a ilusão, desse Século. Felizmente existem mais homens e mulheres do bem, do que na época de Jesus, talvez, exista resistência. Há muito mais gente nobre, desgarrada, eu sei. Juntos, não vamos permitir um repetido assassinato de Jesus, embora o obstáculo dos mentirosos. Ele vive nas flores, nos meninos e meninas nos parques e sob as pontes, nas mães que choram os filhos com fome e nus, nos vulcões e montanhas, e nas mulheres que, junto com a terra, ensinam a florescer sementes. Conseguiremos retomar a terra para nós? Eu não sei, não sou convicto, depois que bárbaros matam gente sem piedade. Para nossos netos, o que deixaremos? E para o amor, seremos corajosos? Os canhões, os fuzis, os ditadores, não conseguiram derrotar o amor, por enquanto. O amor é o anjo da vitória, e galopa a poesia, essa, uma louca indomável. E Jesus nasce todo dia, desesperado… Ele nasce no caminho de quem caminha. (Uma noite de Natal em Três Pontas - MG).
Véspera de Natal
Há mais de uma década Antônio não celebrava o Natal com sua irmã e cunhado. Afastado dos seus filhos e companheira, contemplava da janela ao longe os cafezais e o verde exuberante das florestas. Hoje, celebra-se o barulhento festejo do nascimento de Cristo em família e eis que Antônio enxerga com bons olhos o Natal transcorrer em uma ampla casa repleta de histórias, que um dia foi a sede da fazenda da família Garcia... desse lugar, ele guarda muitas memórias inquietantes e embora não conseguisse se expressar ou se quer traduzir em palavras todo aquele vertiginoso sentimento, pois sua memória também estava repleta de dúvidas quanto ao futuro.
Antes e agora, o Brasil tinha se desintegrado e transformou-se em fome e rancor. No entanto, para Antônio havia esperança, e seu nome é vida. Ele acredita piamente que pode existir um gigantismo na magia da mudança improvável... boas novas, certamente não virão de imediato, maledicências futuras é que trazem em sua memória o medo de angustia e opressão. Antônio come e bebe vida, e muito se esforça para viver uma vida digna e saudável. Apesar dos corruptos, criminosos, desumanos, ladrões - tanto oficiais quanto clandestinos -, vagabundos e políticos influentes, Antônio e seus familiares navegam em uma trajetória duvidosa com a inocência de um trabalhador com carteira assinada... ingênuo, preservando a ilusão deste século.
Felizmente, no Brasil existe mais homens e mulheres do bem hoje do que na época de Jesus, talvez haja resistência... ele imagina que há muitas outras pessoas nobres e desgarradas. Unidos, os trabalhadores não permitirão a repetição do assassinato de Jesus, apesar dos obstáculos criados pelos mentirosos. O Senhor habita as flores, as crianças nos parques e sob as pontes as mães que lamentam a fome e a nudez dos filhos, nas mulheres deste grandioso país que, em união com a terra, ensinam a fazer as sementes florescerem.
Seremos capazes de recuperar a terra para nós? - Antônio não tem certeza, especialmente após os bárbaros matarem pessoas próximos a ele sem compaixão. Paira o medo de poder herdar nada para seus netos. E quanto ao amor, o que pensa o Antônio? - Com o peito amargurado e com muita coragem e vigor ele diz para todos que estão na sala do casarão ouvir: o amor não foi vencido por canhões, fuzis ou ditadores. O amor é o anjo da vitória, e cavalga a poesia, essa, uma insana indomável. E Jesus nasce todos os dias, aflito... Ele nasce no trajeto de quem está a caminho. Uma noite de Natal em Três Pontas, Minas Gerais.
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