Mula manca
(Mauro Leal)
Trinta e um de dezembro de dois e um, por volta das onze horas
e trinta minutos "maçarico a mil", Matilde, chegou do mercado, pingando,
e encontrou a Jura, varrendo o quintal mesmo gemendo com
os esporões e os joanetes inflamados,
e começaram a colocar as novidades em dia,
e já perto do meio-dia, Dona Jura,
empolgada com os babados, e deixando as dores de lado,
não tirava os olhos de dentro das sacolas e pegando-as
das mãos da esposa de seu cunhado Nequinho, falou:
- Me dá Matilde, que arreio na porta da sua casa!
Matildinha, zombeteira ferrenha, desconsideradamente "danou" a gargalhar,
deixando-a encabulada olhando para os lados
sem nada entender e em meio aos frouxos de risos,
na maior cara de pau, falou:
- Querida amiga não é arreio, esse troço de arreio aí
é aquilo que se coloca no lombo da mula, é arriooooo!
Jura, a querida concunhada, estranhou e para piorar, falou:
- Acho que aí vareia!
Matilde, de rir, se mijou.