Em 1987, quando tínhamos 14 anos, ELE começou a me “cercar” e dizer para um monte de amigos nosso que gostava de mim. Frequentávamos a mesma igreja e nos conhecíamos desde sempre, mas só em 1984 nossas famílias se aproximaram. E esta amizade com toda a família persiste até hoje.
Eu era muito tímida, tinha vergonha da própria sombra. Quando qualquer menino se aproximava de mim eu fugia como se foge do diabo e não foi diferente com ele, mas em uma tarde, em uma programação da igreja, nossos olhares se encontraram... não sei explicar..., mas Eu me apaixonei. Ele? ... eu não sei... Talvez... Éramos tão crianças... o que eu poderia esperar dele?
No dia 10/10/1987, em uma comemoração do Dia das Crianças na casa de uma tia dele, ele tentou se aproximar, nossos amigos nos deixaram sozinhos..., mas eu não conseguia mover um músculo ou falar qualquer coisa. Ele acreditava que naquele dia sairia pelo menos um beijo, mas eu não consegui... Eu nunca tinha estado tão perto de um menino até então... não sabia o que fazer... não disse sim nem não... enfim... estraguei tudo...
Desde aquele dia ELE nunca mais saiu dos meus pensamentos.
O meu medo era que eu nunca tinha beijado ninguém e me recusava a ficar com ele, porque se ele percebesse ele zombaria de mim. (Pelo menos era isso que eu acreditava)
Uma vez ele me levou até o portão de casa e eu tentei deixar o beijo sair... ele encostou os lábios nos meus... e quando tentou usar a língua, eu virei o rosto e não permiti... eu queria tanto, mas não consegui agir... ter uma atitude. E depois ficava aquela sensação de vazio quando ele ia embora.
Em 1988, eu com 15 anos, já morreria por ele se fosse preciso. Mas ficamos naquele jogo. Ele vinha atrás, eu fugia porque tinha vergonha de não saber beijar. E então descobri que ele tinha muitas “namoradas”, que assim como dava em cima de mim, fazia o mesmo com outras... uma lista imensa. Aquilo acabou comigo. Ver ele com outras me...
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Em 1987, quando tínhamos 14 anos, ELE começou a me “cercar” e dizer para um monte de amigos nosso que gostava de mim. Frequentávamos a mesma igreja e nos conhecíamos desde sempre, mas só em 1984 nossas famílias se aproximaram. E esta amizade com toda a família persiste até hoje.
Eu era muito tímida, tinha vergonha da própria sombra. Quando qualquer menino se aproximava de mim eu fugia como se foge do diabo e não foi diferente com ele, mas em uma tarde, em uma programação da igreja, nossos olhares se encontraram... não sei explicar..., mas Eu me apaixonei. Ele? ... eu não sei... Talvez... Éramos tão crianças... o que eu poderia esperar dele?
No dia 10/10/1987, em uma comemoração do Dia das Crianças na casa de uma tia dele, ele tentou se aproximar, nossos amigos nos deixaram sozinhos..., mas eu não conseguia mover um músculo ou falar qualquer coisa. Ele acreditava que naquele dia sairia pelo menos um beijo, mas eu não consegui... Eu nunca tinha estado tão perto de um menino até então... não sabia o que fazer... não disse sim nem não... enfim... estraguei tudo...
Desde aquele dia ELE nunca mais saiu dos meus pensamentos.
O meu medo era que eu nunca tinha beijado ninguém e me recusava a ficar com ele, porque se ele percebesse ele zombaria de mim. (Pelo menos era isso que eu acreditava)
Uma vez ele me levou até o portão de casa e eu tentei deixar o beijo sair... ele encostou os lábios nos meus... e quando tentou usar a língua, eu virei o rosto e não permiti... eu queria tanto, mas não consegui agir... ter uma atitude. E depois ficava aquela sensação de vazio quando ele ia embora.
Em 1988, eu com 15 anos, já morreria por ele se fosse preciso. Mas ficamos naquele jogo. Ele vinha atrás, eu fugia porque tinha vergonha de não saber beijar. E então descobri que ele tinha muitas “namoradas”, que assim como dava em cima de mim, fazia o mesmo com outras... uma lista imensa. Aquilo acabou comigo. Ver ele com outras me matava aos pouquinhos... uma dor que eu aprendi a conviver... Nenhum outro rapaz me interessava... eu vivia triste pelos cantos... minha autoestima foi abaixo de zero... e assim passei a me achar a mais feia garota da zona norte. A mais boba... recatada... e que nenhum outro menino se interessaria por mim.
Meu primeiro beijo de verdade aconteceu aos 16 anos, com um cara de 27 anos que praticamente me agarrou e conseguiu me roubar o beijo. Neste mesmo ano comecei a namorar sério um outro rapaz, afinal, o medo de beijar se foi. Foi quando eu inutilmente comecei a tentar esquecer que ELE existia. Porém, durante meu namoro ele não me deixou em paz, mas eu muito fiel, seria incapaz de trair meu namorado, então, dois meses depois, terminei o namoro na esperança de que finalmente teríamos a nossa chance.
E tivemos... nosso primeiro beijo saiu em uma noite de domingo a caminho de casa embaixo de uma árvore numa movimentada avenida da zona norte de São Paulo e foi uma das melhores coisa que me aconteceu na vida. Mas foi só... descobri dias depois que ele estava namorando uma outra moça da igreja... chorei... chorei... chorei... e minha saga estava só no começo. Chorei perto de todo mundo, nem me importei, mas eu tinha uma boa desculpa: o Zacharias dos Trapalhões tinha morrido e eu dizia que o choro era por causa dele.
1990 talvez tenha sido o ano mais difícil para mim, porque meu sentimento por ele parecia uma doença que não tinha cura. A lista de garotas só aumentava. Ele ficava com minhas amigas, ficou com uma prima, deu em cima de outras e a minha dor era quase insuportável.
Ele, talvez para não “me perder”, fazia promessas, jurava que me amava e assim ia alimentando minhas esperanças.
O jeito que encontrei para estar perto dele, foi com a amizade que fiz com a família, seus primos, irmãos, tios, pais e até alguns amigos...acho que até hoje me sinto assim... me apeguei a todos eles e o carinho que sinto por toda família é indescritível.
Algumas vezes me escondia de longe entre as plantas em um campinho de futebol que ficava bem nos fundos da casa dele pra ver ele jogando, ficava observando sem ninguém me ver.
As vezes passava em frente a uma alfaiataria que ele trabalhava pra tentar vê-lo.
Quantas vezes andava sozinha até o Horto e ficava imaginando um monte de diálogos e situações entre nós.
Uma trilha sonora com as mais belas músicas românticas, tristes e cafonas dos anos 80 e 90 me consolaram em muitas noites perdidas de sono.
Meu Deus como eu sofri!!!!
Em 1991, estava resolvida a esquecer e comecei a sair com minha irmã, que apesar de ser mais nova que eu 3 anos, era totalmente confiante, principalmente com os garotos. Ela 15 e eu 18. Com isso fiz amizade com outras pessoas fora da igreja, fiquei com outros garotos, mas era só ele estralar os dedos que lá estava eu em seus braços. Era um vício. (Me faz lembrar a música do Roupa Nova)
Com 19 anos comecei a pensar o porquê de não ser sempre sincera quando queria algo... sempre fui muito recatada, preocupada com o que pensariam de mim, medo dos rapazes me difamarem, ser mal falada..., e assim era com o ELE também, então eu não me entregava totalmente, comecei a deixar bem claro, sem vergonha nenhuma que eu era sim muito apaixonada por ele... se bem que ele já devia saber disso... todo mundo sabia... mas uma vez, um sábado à noite, como ainda era costume nos anos 90 de ficarmos uma turma na calçada batendo papo, fui até ele e disse que estava lá para vê-lo, que estava com saudade... ele ficou surpreso com minha atitude e naquele dia ficamos... apesar de não haver sexo, foi muito bom. Neste dia ficamos até tarde namorando no sofá da sala da casa dele. Ele me levou para casa, andamos na rua de mãos dadas e ele me pediu em namoro. Entrou e cumprimentou a minha mãe, eles conversaram um pouco, depois eu o levei até o portão e nos despedimos. Naquela noite não consegui dormir de tão feliz que eu me sentia... impossível descrever a sensação... foi algo que nunca mais senti na vida.
Passei a semana esperando que ele me procurasse, mas não aconteceu.
Quando chegou domingo, dia do casamento de um primo dele, que aconteceu em um sítio, onde foi servido um almoço e lá passamos todo o dia, ele simplesmente ignorou a minha presença. Eu tentei me controlar durante todo o dia, mas na volta pra casa, no ônibus que havia sido fretado para que fôssemos, vendo-o com uma outra moça que estava no ônibus, eu desabei, chorei incontrolavelmente... então a irmã dele chegou perto de mim e disse pra que eu não chorasse perto dele daquele jeito porque ele não merecia minhas lágrimas.
Jurei que não choraria mais por ele, até o dia que soube que ele teria um filho, numa conversa com um grupo de amigas, a irmã dele estava feliz porque seria tia. Eu tinha que manter a pose de que não estava nem aí, mas alguns minutos depois, corri para o banheiro e chorei...
Em 1992 fui morar em outra cidade com meus pais. Fiquei 1 ano inteiro sem vê-lo e tentava a todo custo odiá-lo.
Em 1993, de volta a SP, apesar de professar que não gostava mais dele e que não voltaria a cair em sua lábia, eu com 20 anos e sendo cobrada pelas “amigas”, resolvi que iria perder a virgindade e tinha que ser com quem? Com o único que amei, mesmo que ele não me amasse, meu amor já era suficiente.
No dia 17 de julho, meus pais viajaram. Fui para casa dele. Ele estava com uma outra garota. Saiu com ela, com mais outros 2 casais. Então eu saí com as irmãs dele e outros 3 rapazes. Bebi muito. Fiquei bêbada. Beijei um homem que não saiu do meu pé porque ficou fascinado com o tamanho da minha bunda.
Antes de amanhecer, voltamos todos para casa e eu dormi lá... na cama dele... bêbada e apaixonada... perdi minha virgindade.
No dia seguinte, ganhei um abraço e um beijo no rosto e ele se comportou como se nada tivesse acontecido..., mas eu não esperava mais que isso, eu aprendi e estar sempre preparada para o pior.
Depois da nossa primeira vez, ficamos mais umas 3 vezes. Uma vez fomos a um hotel e um sábado à noite. Em 1994 passei um final de semana com ele na casa da irmã que tinha ido viajar, transamos no quarto, na cozinha, no banheiro... e foi nossa última vez.
Ele estava ficando com uma menina, de 11 anos. Ela ficou grávida. Para mim isto foi o fim.
Na última vez que ficamos, eu disse a ele que ninguém iria gostar dele mais do que eu, mas eu não estava disposta a esperar para sempre. Tínhamos 21 anos. Ele disse que me amava. Me beijou. Fui embora e depois deste dia nunca mais eu o procurei e nem ele a mim.
Ele pegou a menininha dele, grávida, e foi morar em outra cidade.
Eu, achei que a única maneira de me ver livre deste amor era odiá-lo. E odiei... com todas as minhas forças.
E cada um seguiu com sua própria vida.
Em 2013, com 12 anos de casada, fui com meu marido para um Encontro de Casais em um hotel em Águas de Lindóia onde passamos o final de semana. Quando chegamos, meu coração descompassou... um frio na barriga... minhas pernas ficaram bambas... lá estava ele com a menininha dele, que agora já não era mais tão menina, no encontro de casais. Quase 20 anos depois.
Em um certo momento nos encontramos no corredor do hotel.
Eu – Que bom te ver!
Ele – Bom te ver, também!
Me abraçou e disse no meu ouvido: “Aihhh, queee saudadeeee de vocêee!!!”
E meu coração bateu forte. Foi a última vez que nos vimos.
Semanas depois ele me ligou. Me disse que desde o nosso encontro, não conseguia deixar de pensar em mim... disse que estava ficando louco... e eu disse: “- Cara, você está 20 anos atrasado”. E nunca mais nos falamos novamente.
Em 2019 nos reencontramos no facebook, eu curtia as postagens dele, ele curtia as minhas, deixávamos mensagens de aniversário um para o outro. Mas nunca passou disso.
Em 2020, depois de uma decepção com meu marido, tive uma vontade quase que incontrolável de falar com ele, mas consegui me controlar. Escrevi um texto, como muitos que já tinha escrito para ele, mas que nunca entreguei. Lá eu dizia que tinha o desejo de encontrá-lo, porque para mim parecia que alguma coisa ficou faltando. Faltava o ponto final na nossa história.
Acho que eu não o amava mais com aquela loucura de antes, mas o que senti por ele nunca mais sentiria por mais ninguém. Também não o odiava, afinal de contas, ele fez parte da minha vida. Meu coração dizia que se tivesse oportunidade seríamos amigos... coisa que nunca chegamos a ser...
No dia 19/04/2021, a exato 1 anos e 6 meses, ELE foi brutalmente assassinado e então a partir deste dia me arrependi de não ter feito TUDO o que tive vontade, de não ter tido coragem... de não ter me despedido... e ele conseguiu me fazer chorar mais uma vez.
Sinto uma vontade tão grande de poder voltar no tempo... Como eu queria que ele estivesse aqui para a gente poder conversar. Por os pontos nos “i”s. Ahh se eu pudesse!!!
Mas acabou. Todas as chances se foram☹
E assim aprendi a nunca mais deixarei de dizer a quem quer que seja o que sinto.
Seja minha família, seja um amigo... seja um amor...
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