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Personagem: Vanusia Assis Santos
Por: Museu da Pessoa, 25 de abril de 2017

Mulher do sertão

Esta história contém:

Mulher do sertão

Vídeo

Teve uma campanha virtual chamada “Meu professor racista” que me fez lembrar de situações que passei na escola. Não são boas lembranças. Você tá com oito, nove anos, né? Minha mãe penteava meu cabelo com um creme que tinha um cheiro enjoativo, lembro até que era da Avon. Ela passava para deixar meu cabelo ajeitado. Lembro que todas as vezes que eu tinha que tirar dúvida com a professora, ou levar lição pronta, ela gritava comigo: “Eu já te falei para você não passar perfume para vir para a escola!” Ela gritava muito alto e todo mundo ficava me olhando. Era uma situação muito constrangedora porque a classe toda ria. Isso me marcou muito. Ela sem nenhum tato para falar, sabe? Eu não conseguia responder para ela coisas do tipo: “Eu não passo perfume, é que eu uso um creme para pentear o cabelo”. Achava um absurdo ela gritar comigo daquele jeito e eu também não contava em casa. Não parei de usar, a professora continuou a gritar e eu continuei a estudar. Isso que é o mais importante, porque essas situações levam muitas meninas a parar. Hoje, essa coisa do cabelo é uma questão muito séria do racismo institucionalizado.

O meu nome é Vanusia Assis Santos. Nasci em 11 de janeiro de 1971, em Caetité, na Bahia. Viemos para São Paulo quando eu tinha três anos, mas minha mãe sempre manteve a Bahia dentro de casa. Eu lembro de um umbuzeiro que tinha na frente da casa da minha tia, então a gente podia comer fruta à vontade. Aqui, em São Paulo, a gente não podia comer muito fruta, porque já é caro. A gente voltava para a Bahia de férias. Então a gente se lambuzava de curau e lembro de banhar no rio, de situações de dar de cara com cobra, em Caetité não tinha TV quando a gente voltava, então, as noites eram de contação de histórias. Era gostoso e também meio pavoroso porque não tinha energia elétrica e tinha muito morcego na casa. Lembro que ficava com muito medo de estar...

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Formatura

Dados da imagem Minha mãe sempre foi uma grande incentivadora dos estudos. Estamos na minha confraternização da formatura de oitava série. Da esquerda para direita: Alessandra Andreoli (amiga de infância), Suélia (irmã), Ambrosina (mãe) e eu.

Período:
Ano 1985

Local:
Brasil / São Paulo / São Paulo

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Tipo:
Fotografia

Minha mãe sempre foi uma grande incentivadora dos estudos. Estamos na minha confraternização da formatura de oitava série. Da esquerda para direita: Alessandra Andreoli (amiga de infância), Suélia (irmã), Ambrosina (mãe) e eu.

Trabalho em família

Dados da imagem Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos para a Chapada Diamantina.

Período:
Ano 2002

Local:
Brasil / Bahia / Chapada Diamantina

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Tipo:
Fotografia

Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos para a Chapada Diamantina.

Trabalho em família

Dados da imagem Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos e que traz uma coisa que se repete nos nossos álbuns de família: de repente, os trabalhos de campo estão também no meio, ainda que o motivo da viagem não tenha sido o trabalho. Na foto, acontecia a Folia de Reis da Chapada. Estávamos passeando e passamos a acompanhá-los. De madrugada, acordamos para continuar acompanhando a Folia!

Período:
Ano 2002

Local:
Brasil / Bahia / Chapada Diamantina

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Tipo:
Fotografia

Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos e que traz uma coisa que se repete nos nossos álbuns de família: de repente, os trabalhos de campo estão também no meio, ainda que o motivo da viagem não tenha sido o trabalho. Na foto, acontecia a Folia de Reis da Chapada. Estávamos passeando e passamos a acompanhá-los. De madrugada, acordamos para continuar acompanhando a Folia!

Trabalho em família

Dados da imagem Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos e que traz uma coisa que se repete nos nossos álbuns de família: de repente, os trabalhos de campo estão também no meio, ainda que o motivo da viagem não tenha sido o trabalho. Na foto, acontecia a Folia de Reis da Chapada. Estávamos passeando e passamos a acompanhá-los. De madrugada, acordamos para continuar acompanhando a Folia!

Período:
Ano 2002

Local:
Brasil / Bahia / Chapada Diamantina

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Tipo:
Fotografia

Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos e que traz uma coisa que se repete nos nossos álbuns de família: de repente, os trabalhos de campo estão também no meio, ainda que o motivo da viagem não tenha sido o trabalho. Na foto, acontecia a Folia de Reis da Chapada. Estávamos passeando e passamos a acompanhá-los. De madrugada, acordamos para continuar acompanhando a Folia!

Trabalho em família

Dados da imagem Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos e que traz uma coisa que se repete nos nossos álbuns de família: de repente, os trabalhos de campo estão também no meio, ainda que o motivo da viagem não tenha sido o trabalho. Na foto, acontecia a Folia de Reis da Chapada. Estávamos passeando e passamos a acompanhá-los. De madrugada, acordamos para continuar acompanhando a Folia!

Período:
Ano 2002

Local:
Brasil / Bahia / Chapada Diamantina

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Tipo:
Fotografia

Primeira viagem que Paulo e eu fizemos juntos e que traz uma coisa que se repete nos nossos álbuns de família: de repente, os trabalhos de campo estão também no meio, ainda que o motivo da viagem não tenha sido o trabalho. Na foto, acontecia a Folia de Reis da Chapada. Estávamos passeando e passamos a acompanhá-los. De madrugada, acordamos para continuar acompanhando a Folia!

Período:
Ano 2011

Local:
Brasil / São Paulo / São Paulo

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Crédito:
Andrea (madrinha da Coroa da Festa)

Tipo:
Fotografia

Savana com Reverendo: nessa época, Savana tinha medo de fogos, mas queria estar no Congo, participar da festa do Divino, dançar. Reverendo estava acalmando. Savana veio somar na ligação com o Cachuera e com o Paulo, pois ela apoia muito o trabalho dos pais. Ela gosta de estar junto. Nunca foi um trabalho convencê-la levar aos lugares.

Filmagem No repique do tambor

Dados da imagem Filmagem do filme No repique do tambor, sobre o batuque de umbigada do Cachuera. Da esquerda para a direita: Mariana Monteiro, Aluísio Raolino, José Renato Nunes, Reverendo, ____, Vanusia, Rubens Xavier, Palena e Henri Durante

Período:
Ano 2002

Local:
Brasil / São Paulo / Piracicaba

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Crédito:
Paulo Dias

Tipo:
Fotografia

Filmagem do filme No repique do tambor, sobre o batuque de umbigada do Cachuera. Da esquerda para a direita: Mariana Monteiro, Aluísio Raolino, José Renato Nunes, Reverendo, ____, Vanusia, Rubens Xavier, Palena e Henri Durante

Sob a benção do grande nganga

Dados da imagem Paulo e eu na festa da irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis, com o grande nganga muquiche João Lopes. Foi a primeira festa de congados que fomos juntos. Na brincadeira, disse que estava abençoando o casal e que iria me ensinar a fazer uma reza para prender o Paulo.

Período:
Ano 2001

Local:
Brasil / Minas Gerais / Justinópolis

Imagem de:
Vanusia Assis Santos

História:
Mulher do sertão

Tipo:
Fotografia

Paulo e eu na festa da irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis, com o grande nganga muquiche João Lopes. Foi a primeira festa de congados que fomos juntos. Na brincadeira, disse que estava abençoando o casal e que iria me ensinar a fazer uma reza para prender o Paulo.

Dados de acervo

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P/1 – Vanusia, a gente vai começar a entrevista, fala o seu nome completo.

R – Vanusia Assis Santos.

P/1 – Quando que você nasceu?

R – Onze de janeiro de 71.

P/1 – Onde?

R – Caetité, Bahia.

P/1 – Qual o nome dos seus pais, Vanusia?

R – Da minha mãe, Ambrosina Assis Santos e do meu pai, Joventino José dos Santos. Da minha mãe pode ser também Ambrosina Santana dos Santos, os documentos têm as duas formas.

P/1 – E o quê que ela fazia, a sua mãe? Ou faz…

R – Minha mãe trabalhou em casa nesses últimos anos, minha mãe faleceu há dois anos atrás. Ela, nos últimos anos, trabalhava… Era a mulher como se fala, do lar. Mas quando ela chegou aqui, ela foi doméstica, depois cuidou das crianças do bairro onde a gente morava para que as mulheres pudessem ir trabalhar, lavou roupa, mas sempre assim, cuidados da casa, assim, sempre nesta função.

P/1 – E que época ela veio pra cá?

R – A gente chegou…

P/1 – Não precisa nem lembrar o ano…

R – Em 74, por aí. A gente veio com a nossa… Meu pai tinha vindo já na frente, ele é pedreiro, trabalhava já aqui, e a gente ficou na Bahia e depois, a gente veio, aí veio a família toda, minha mãe e os cinco filhos, eu sou a caçula.

P/1 – E lá, onde você nasceu, você viveu lá até vir pra cá?

R – Eu vim com três anos.

P/1 – E você tem lembranças dessa época em que você vivia lá? Lembranças da sua casa?

R – Não tenho muita lembrança de lá, não. As lembranças que eu tenho… Porque depois, a gente voltava para a Bahia quando a gente ainda era criança, as férias a gente passava lá, então a gente chegou a ir algumas vezes criança, depois quando a gente já ficou assim, adolescente, já não dava mais para ir, já tinha trabalho e aí não dava para ir a família toda. Mas eu cheguei a ir algumas vezes ainda pequena, com cinco, sete e aí sim, eu tenho algumas lembranças. Da roça, que é onde os pais da minha mãe moravam, né, toda a...

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