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Seis de Janeiro de l.939, realiza-se a costumeira quermesse no bairro de Santo Amaro, em louvor a Santo Amaro e São Sebastião padroeiros do lugar. Minha avó Honorata, instala-se com sua mesa para vender os seus quitutes para a grande quantidade de pessoas que ali desembarcam para participarem das festividades; os bondes chegam com pequenos intervalos, trazendo pessoas até em cima de sua estrutura, o Largo Treze de Maio e as ruas adjacentes ficavam apinhadas, dificultando a locomoção. Tudo é festa e alegria contagiando todas as pessoas que riam e conversavam em altas vozes para fazerem-se ouvir, dado o barulho ensurdecedor. Minha avó, que aniversariava nesse dia, dá asas a sua alegria tentando premiar-nos com a sua costumeira bondade dando-nos dinheiro para que fossemos dar uma volta nos cavalinhos; recuso, porque uma profunda tristeza tomou conta de todo o meu ser e sinto-me abatido sem saber qual a causa daquele abatimento. Decido-me ir para casa, mesmo sabendo que lá não encontraria ninguém, visto que minha mãe e meu irmão também encontravam-se algures participando das alegrias do festival. Meu pai também não estava, visto que quinze dias antes partira para cidade distante no intuito de internar-se em um sanatório que lhe ministraria um tratamento para enfermidade adquirida em sua juventude, ou até hereditária; nesse hospital, diziam, seria a cura definitiva para a sífilis que um exame de sangue revelara. Meu tio Amâncio o levara instalando-o e voltou para continuar as suas atividades normais.

Passou-se mais uma semana e minha mãe procurou o Dr. Machado que tinha uma clínica em Santo Amaro e que, como trabalhava no Hospital do Juquery, ficara de trazer notícias de meu pai. O médico, surpreso, lhe diz: "Mas a senhora não foi avisada? O seu marido faleceu a uma semana e já foi sepultado."

O choque foi tremendo deixando-nos em uma situação de abandono, sem saber o que se poderia fazer. E não fizemos nada. E ficou em nosso íntimo a...

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