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Por: Museu da Pessoa,

Montando seu projeto

Esta história contém:

Montando seu projeto

“Eu não tenho pai. Ele não registrou, não conheço. Mas minha mãe se apaixonou lá na Paraíba por quem depois foi meu padrasto e ela resolveu vir atrás dele pro Rio de Janeiro. Eu era muito criança e não entendi muito bem, eu sei que na época que vendeu a casa a gente não veio pra Rio. Um vizinho, que por acaso ele vinha pro Rio deu uma carona pra gente. A minha irmã era nenê e nós viemos bem apertados no carro, quase encaixotado. A viagem demorou. Lembro que tinha um rio muito grande uma hora, que tinha que descer do ônibus pras crianças tomarem uma vacina pra depois entrar numa barca, num negócio bem grandão, pra atravessar aquele rio e depois entrava dentro do ônibus de novo. Minha mãe tinha vendido a casa. E quando chegamos aqui no Rio, na rodoviária, o padrasto não apareceu. Ficamos dormindo lá na rodoviária, naqueles bancos de pau. Até que apareceu um senhor taxista que levou a gente pra casa do padrasto. Encontramos a casa dele. Era um morro. E foi lá que ele começou a me bater. Tudo era eu. E foi assim até que um dia estávamos almoçando e meu irmão pegou a colher de feijão e botou na boca da minha irmã. Nisso, ela virou e caiu. Como tudo errado era eu que fazia, meu padrasto achou que fosse eu e virou pra me bater. Meu irmão, que era já um rapazinho, pegou a garrafa, encarou. O padrasto viu que já tinha alguém pra enfrentar, e foi embora. Com nove ou dez anos, eu queria aprender a escrever e a ler. Aí minha mãe: “Pra quê? Pra escrever cartinha pra namorado?” Eu fui lá pra escola e quando perguntaram sobre meus responsáveis pra assinar pra mim, menti “Minha mãe morreu”. Só depois contei pra família. Tive meu primeiro filho que nasceu doentinho, deu uma infecção no intestino e só viveu um mês. Depois tive mais três filhos que vingaram. E fui me virar. Comprava camisetinhas por R$1,00 e vendia por R$2,00l. Aprendi a fazer crochê: vendia também. Cocada até eu fiz. Eu...

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Projeto Mulheres Empreendedoras Chevron

Depoimento de Odaisa dos Santos Lopes

Entrevistada por Estela e Rosana Miziara

Duque de Caxias, 26 de abril de 2012

Realização Museu da Pessoa

Entrevista Nº MEC_HV002

Transcrição de Ana Paula Corazza Kovacevich

Revisado por Teresa de Carvalho Magalhães

P/1 – Odaisa, você pode falar seu nome, data e local do seu nascimento?

R – Eu me chamo Odaisa dos Santos Lopes. Nasci em Alagoa Grande, fica na Paraíba. Nasci no mês, no dia, 29 de março de 1961.

P/1 – Quanto tempo você morou lá em Alagoa, nessa cidade, como é o nome?

R – É Alagoa Grande.

P/1 –É, na Alagoa Grande.

R – Nós viemos para cá com a idade de sete anos, nós tínhamos sete anos.

P/1 – Tinha sete anos?

R – É.

P/1 – E seus pais são de Alagoa Grande?

R – Minha mãe, sim. Aí minha mãe teve um namorado. Quando se apaixonou pelo namorado, o namorado veio para cá, ele veio também. Aí ele veio na frente. Aí depois ela veio atrás com a gente.

P/1 – O namorado era seu pai?

R – Não.

P/1 – Seu pai era da onde?

R – É... Eu não tenho pai, ele não registrou, não tenho pai.

P/1 – Você não tem pai, só tem mãe?

R – É. Só tenho mãe.

P/1 – E você lembra dessa sua casa lá em Alagoa Grande, com sete anos?

R – Lembro.

P/1 – Como é que era?

R – Era uma casa assim igual a de todo mundo de lá, não é?

P/1 – Como é que é? Eu não sei como é a casa de todo mundo de lá.

R – Todo mundo, era uma casa assim, igual, e na frente da casa tinha assim uma calçada altona. Toda casa tinha aquela calçada altona onde as crianças de noite, assim, brincavam de pular de calçada em calçada, de calçada em calçada. Depois voltava de novo pulando.

P/1 – A calçada era num plano maior que a casa? A casa ficava mais embaixo? Não entendi.

R – Não. Tinha a casa, aí, na beirada da casa, na frente da casa, toda casa lá tinha uma calçada alta, bem alta. Mais ou menos dessa altura assim, na...

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