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Mirian

Aproveitando que naquela noite não haveria as duas últimas aulas, arrastamos meia dúzia conosco para assistir ao premiado A Pequena Loja da Rua Principal, no cinema do Colégio Santa Maria.

O filme, produzido na Tchecoslováquia, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1966. Conta a história de um camponês designado pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, para ser o supervisor ariano da pequena loja de botões de uma idosa viúva judia.

Nossos colegas de faculdade, mais afeitos ao padrão americano de cinema, foram deixando a sala ao longo da projeção. Acabamos só eu e ela, lado a lado, olhos pregados na tela.

Saímos e ainda gastamos um bocado de tempo comentando a produção, rica em jogos de câmera, muito mais arte do que tecnologia. Embarquei-a no seu ônibus e fui apanhar o meu.

Em casa, deitado, fiquei imaginando como seria nossa vida, se, por pura hipótese, resolvêssemos nos casar um dia ou, simplesmente, viver juntos.

Eu, social-democrata. Ela, comunista. Nunca guerrilheira. Era mansa, pacífica. Dócil.

Ela, judia. Eu de ascendência alemã e cristão.

Aos domingos, eu na missa. Aos sábados, ela na sinagoga, no lado das mulheres, sem o marido do outro lado, o dos homens. As outras o que diriam?

Nas sextas-feiras, após o por do sol, início do Shabat. Não me importaria. Afinal, nosso Deus único. Jesus Cristo, o pomo da discórdia. Para mim, mestre e salvador. Morreu na cruz para nos salvar. Os judeus O condenaram e mataram. Portanto, para ela, ativista e subversivo.

Ano novo sem leitão. Aliás, carne de porco nunca teríamos em casa. De vez em quando eu fugiria para comer escondido. Ela que não soubesse. Talvez não tocasse mais em mim. Poderia me julgar impuro, assim como os animais de unha fendida em duas partes e não ruminantes, e os ruminantes que não tenham unha fendida.

No ano novo judaico, em setembro, comeríamos cabeça de peixe, pão, mel e maçã com açúcar. À tardinha,...

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