Meu presente de aniversário
Por Angelo Brás Fernandes Callou
Entre caixas que vão do chão ao teto, comemoro meu aniversário me mudando hoje, do Pina para Boa Viagem.
No Pina vivi muitos acontecimentos marcantes da minha vida pessoal e acadêmica. Afinal, foram 25 anos entre Brasília Teimosa e Boa Viagem: o charme de se viver entre o popular e o metido a besta.
No bairro do Cassino Americano, do Bloco Carnavalesco Banhistas do Pina e do famoso piquenique de Maria Graham, trancado e focado, durante dois meses, escrevi meu memorial e a conferência para o concurso público de professor titular da UFRPE, obtendo o primeiro lugar. Lá redigi meu projeto de pós-doutoramento, que me levou à Universidade Nova de Lisboa. Foi no Pina que veio morar comigo meu cachorro Kalu - a mais pura alegria. Com ele, fui capaz de atravessar a pandemia com a cabeça no lugar. Foi por causa dele que escrevi "Kalu, escritos em companhia", livro de crônicas dedicado às vítimas da Covid-19. Foi também lá que decidi me aposentar, com a tranquilidade de um sono reparador. E foi nesse lugar que optei por me dedicar mais à pintura.
Em nome das tintas e das telas, deixando de lado o que passou, passou, exceto Kalu e os amigos que frequentaram os jantares do Pina, à base de vatapá, caruru e bacalhau (um prato em cada oportunidade dos encontros), decidi por um outro apartamento, com um quarto extra. Este será meu ateliê, que já tem nome: Ateliê Van Gogh. A escolha se prende ao fato de que temos algo em comum, pois acho que nunca conseguirei vender um único quadro. Mas, quem sabe, venda apenas um. Um dia.
A minha admiração por Van Gogh é igual à de todos que, de alguma forma, amam a arte. É ao Van Gogh que visito em primeiro lugar todas as vezes que vou a São Paulo. Lá estão, à minha espera, os quatro quadros de Van Gogh nos cavaletes de Lina Bo Bardi, no MASP.
Os bairros do Pina e de Boa Viagem também têm um ponto em comum: o mar. É o verde...
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Meu presente de aniversário
Por Angelo Brás Fernandes Callou
Entre caixas que vão do chão ao teto, comemoro meu aniversário me mudando hoje, do Pina para Boa Viagem.
No Pina vivi muitos acontecimentos marcantes da minha vida pessoal e acadêmica. Afinal, foram 25 anos entre Brasília Teimosa e Boa Viagem: o charme de se viver entre o popular e o metido a besta.
No bairro do Cassino Americano, do Bloco Carnavalesco Banhistas do Pina e do famoso piquenique de Maria Graham, trancado e focado, durante dois meses, escrevi meu memorial e a conferência para o concurso público de professor titular da UFRPE, obtendo o primeiro lugar. Lá redigi meu projeto de pós-doutoramento, que me levou à Universidade Nova de Lisboa. Foi no Pina que veio morar comigo meu cachorro Kalu - a mais pura alegria. Com ele, fui capaz de atravessar a pandemia com a cabeça no lugar. Foi por causa dele que escrevi "Kalu, escritos em companhia", livro de crônicas dedicado às vítimas da Covid-19. Foi também lá que decidi me aposentar, com a tranquilidade de um sono reparador. E foi nesse lugar que optei por me dedicar mais à pintura.
Em nome das tintas e das telas, deixando de lado o que passou, passou, exceto Kalu e os amigos que frequentaram os jantares do Pina, à base de vatapá, caruru e bacalhau (um prato em cada oportunidade dos encontros), decidi por um outro apartamento, com um quarto extra. Este será meu ateliê, que já tem nome: Ateliê Van Gogh. A escolha se prende ao fato de que temos algo em comum, pois acho que nunca conseguirei vender um único quadro. Mas, quem sabe, venda apenas um. Um dia.
A minha admiração por Van Gogh é igual à de todos que, de alguma forma, amam a arte. É ao Van Gogh que visito em primeiro lugar todas as vezes que vou a São Paulo. Lá estão, à minha espera, os quatro quadros de Van Gogh nos cavaletes de Lina Bo Bardi, no MASP.
Os bairros do Pina e de Boa Viagem também têm um ponto em comum: o mar. É o verde marinho que os torna inseparáveis. E é com esse verde marinho que embrulho o meu presente de aniversário neste dia de São Brás, em Boa Viagem.
Praia de Boa Viagem, Recife, 3 de fevereiro de 2026.
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