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Personagem: Ivo Augusto Souza
Por: Museu da Pessoa,

Marujo aposetando

Esta história contém:

Marujo aposetando

“Hoje eu estou aposentado. Depois de velho eu estou estudando, porque na minha época de juventude eu não tive infância. Comecei trabalhando com sete anos na roça, na lavoura e com treze anos fui pescar. Se tenho hoje, sessenta e cinco e comecei na pesca com treze, faz a conta. Eu comecei trabalhando de tripulante. Eu trabalhava na época num rio, naqueles barcos que uns levava quinze, outros vinte e outros levava 30. Eu trabalhava num barquinho daqueles e minha função no barco era trabalhar, pescar e encarregado. Se precisava de gente ajudante geral, limpeza no barco, era encarregado, ganhava mais um pouco e assumia a função de encarregado. Naquela época não existia comunicação de rádio. Foi de uns tempos pra cá isso. Mas isso ajudou a mudar muito, usamos demais esse serviço. Não havia comunicação antes. Agora, vamos supor, que eu tenha um tripulante que está precisando saber alguma coisa da família dele, que tem uma esposa dele que tem um filho que está doente, passa o movimento pra gente lá no barco, então eles tem esse contato com a gente todo dia e todo dia a gente entra em contato com a terra. A gente fica dez, quinze, vinte dias fora, então a gente tem que ter um contato com a terra pra poder saber do movimento que está se passando. E também pra saber preço de peixe, pra saber de tempo. Então o tempo que vem, vamos supor lá pro lado do Sul, o lado do Rio Grande, Argentina. Vem muito temporal, aí a gente tem que ficar prevenido pra gente correr, pra gente se esconder atrás de alguma coisa, senão o barco da gente não resiste. Eu já recebi notícia ruim e recebi notícia boa. Eu tenho um filho que uma vez eu estava no mar e ele foi fazer uma cirurgia. Parece que o médico...eu não sei o que se passou na cabeça dele...a apendicite estava suporado e ele fechou o menino e mandou pra casa. O menino começou passando mal, passando mal, não estava sabendo, eu fui pro mar e deixei tudo encaminhado. Quando eu estava no...

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Dados de acervo

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P/1 –Seu Ivo, eu queria que o senhor começasse falando seu nome completo, onde o senhor nasceu e a data do seu nascimento.

R –Eu nasci em Piúma, em primeiro lugar meu nome é Ivo, nasci em Piúma.

P/1 – Ivo do que? Fala pra mim.

R – Ivo Augusto de Souza, nasci em 1947, dia 09 de julho de 1947, nasci em Piúma e me criei em Itaipava. Vim pra Itaipava pequeno e to até hoje. Rodei o Brasi lum bocado aí, morei aqui na cidade do Rio, morei seis meses no Rio Grande do Sul, um ano e três meses em Santa Catarina, em Itajaí, e um ano e quatro meses na Bahia também e trabalhando também, mas…

P/1 – E há quanto tempo o senhor é pescador?

R – Eu comecei com 13 anos na pesca, hoje to com 65, então... 49.

P/1 – Quarenta e nove anos como pescador?

R – Pescador.

P/1 – E o senhor, como é, no barco, qual era a sua função?

R – Minha função no barco? Eu comecei trabalhando de tripulante. Eu trabalhava na época num rio, então eu trabalhava naquele,tem uns caíque, uns chamam caíque, outros chamam bateiro, outros chama bote aquele caiquezinho lá que você viu ali, eu trabalhava naquele barquinho, aqueles barcos que levava, uns levava 20, outros levava 30, outros levava 15, naqueles barquinhos e eu trabalhava num barquinho daqueles e minha função no barco era trabalhar, pescar e encarregado. Trabalhava e fazia parte de ser encarregado de alguma coisa, como se fosse de... precisava de gente ajudante geral, limpeza no barco, era encarregado, ganhava mais um pouco e assumia a função de encarregado.

P/1 – E hoje o que que o senhor faz?

R – Hoje, atualmente, eu to aposentado. Hoje, depois de velho eu to estudando porque na minha época de novo eu não tive infância. Comecei trabalhando com sete anos na roça, na lavoura e com 13 anos fui pescar. Então não tive infância, não tive como estudar, hoje eu to parando porque eu to estudando um pouco, então pra ver que a g ente fica sem estudar, sem entender nada, é difícil. Então...

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