P/1 –Seu Ivo, eu queria que o senhor começasse falando seu nome completo, onde o senhor nasceu e a data do seu nascimento.
R –Eu nasci em Piúma, em primeiro lugar meu nome é Ivo, nasci em Piúma.
P/1 – Ivo do que? Fala pra mim.
R – Ivo Augusto de Souza, nasci em 1947, dia 09 de julho de 1947, nasci em Piúma e me criei em Itaipava. Vim pra Itaipava pequeno e to até hoje. Rodei o Brasi lum bocado aí, morei aqui na cidade do Rio, morei seis meses no Rio Grande do Sul, um ano e três meses em Santa Catarina, em Itajaí, e um ano e quatro meses na Bahia também e trabalhando também, mas…
P/1 – E há quanto tempo o senhor é pescador?
R – Eu comecei com 13 anos na pesca, hoje to com 65, então... 49.
P/1 – Quarenta e nove anos como pescador?
R – Pescador.
P/1 – E o senhor, como é, no barco, qual era a sua função?
R – Minha função no barco? Eu comecei trabalhando de tripulante. Eu trabalhava na época num rio, então eu trabalhava naquele,tem uns caíque, uns chamam caíque, outros chamam bateiro, outros chama bote aquele caiquezinho lá que você viu ali, eu trabalhava naquele barquinho, aqueles barcos que levava, uns levava 20, outros levava 30, outros levava 15, naqueles barquinhos e eu trabalhava num barquinho daqueles e minha função no barco era trabalhar, pescar e encarregado. Trabalhava e fazia parte de ser encarregado de alguma coisa, como se fosse de... precisava de gente ajudante geral, limpeza no barco, era encarregado, ganhava mais um pouco e assumia a função de encarregado.
P/1 – E hoje o que que o senhor faz?
R – Hoje, atualmente, eu to aposentado. Hoje, depois de velho eu to estudando porque na minha época de novo eu não tive infância. Comecei trabalhando com sete anos na roça, na lavoura e com 13 anos fui pescar. Então não tive infância, não tive como estudar, hoje eu to parando porque eu to estudando um pouco, então pra ver que a g ente fica sem estudar, sem entender nada, é difícil. Então...
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P/1 –Seu Ivo, eu queria que o senhor começasse falando seu nome completo, onde o senhor nasceu e a data do seu nascimento.
R –Eu nasci em Piúma, em primeiro lugar meu nome é Ivo, nasci em Piúma.
P/1 – Ivo do que? Fala pra mim.
R – Ivo Augusto de Souza, nasci em 1947, dia 09 de julho de 1947, nasci em Piúma e me criei em Itaipava. Vim pra Itaipava pequeno e to até hoje. Rodei o Brasi lum bocado aí, morei aqui na cidade do Rio, morei seis meses no Rio Grande do Sul, um ano e três meses em Santa Catarina, em Itajaí, e um ano e quatro meses na Bahia também e trabalhando também, mas…
P/1 – E há quanto tempo o senhor é pescador?
R – Eu comecei com 13 anos na pesca, hoje to com 65, então... 49.
P/1 – Quarenta e nove anos como pescador?
R – Pescador.
P/1 – E o senhor, como é, no barco, qual era a sua função?
R – Minha função no barco? Eu comecei trabalhando de tripulante. Eu trabalhava na época num rio, então eu trabalhava naquele,tem uns caíque, uns chamam caíque, outros chamam bateiro, outros chama bote aquele caiquezinho lá que você viu ali, eu trabalhava naquele barquinho, aqueles barcos que levava, uns levava 20, outros levava 30, outros levava 15, naqueles barquinhos e eu trabalhava num barquinho daqueles e minha função no barco era trabalhar, pescar e encarregado. Trabalhava e fazia parte de ser encarregado de alguma coisa, como se fosse de... precisava de gente ajudante geral, limpeza no barco, era encarregado, ganhava mais um pouco e assumia a função de encarregado.
P/1 – E hoje o que que o senhor faz?
R – Hoje, atualmente, eu to aposentado. Hoje, depois de velho eu to estudando porque na minha época de novo eu não tive infância. Comecei trabalhando com sete anos na roça, na lavoura e com 13 anos fui pescar. Então não tive infância, não tive como estudar, hoje eu to parando porque eu to estudando um pouco, então pra ver que a g ente fica sem estudar, sem entender nada, é difícil. Então eu to estudando.
P/1 – Mas aí o senhor parece que trabalha ainda com alguma coisa ligada aos barcos.
R – Com certeza, eu tenho ligação com os barcos. Eu despacho o barco, minha carteira de pesca, tenho ligação porque o meu sangue é de pescador.
P/1 – E o que é despachar barco?
R – Despachar um barco é... que tem um documento você tem, assim vamos supor, a gente chama decarteira de pescador e aí você tem que fazer um curso pra você ser mestre de um barco. Então aí um despachante é isso. Aí a sua carteira ela é superior a um patente, chamado patente de pesca. Então eu faço essa função. Então num barco, eu posso comandar um barco até de cem metros e capitania nenhuma, órgão nenhum vai me prender porque eu to...
R – Por causa que quem não tem essa carteira, aí pode ser de uma hora pra outra pode ser preso, ser pego e pode ser preso.
P/1 – Tá! Eu queria que o senhor me contasse um pouquinho sobre essa Rádio Operadora. Como pescador, quando o senhor tava como pescador e indo pro mar, o senhor escutava a Rádio Operadora? Usava esse serviço?
R – Usava, usava. Apesar que quando eu vim pegar essa parte de rádio já foi no final porque antes não existia nem rádio naquela época não existia nem rádio. Então agora de uns tempo pra cá, no final que eu vivi da pesca, aí já tinha rádio e a rádio é uma grande coisa dentro do município, ou do estado, ou aonde que ela tem no Rio tem no Rio parece que tem duas, aqui tem duas, Anchieta tem, em quase todo lugar tem agora.
P/1 – E pro senhor, quando o senhor era pescador, era uma grande coisa em que sentido, assim?
R – Pra hoje, tem uma grande coisa?
P/1 – Quando o senhor trabalhava como pescador, como é que o senhor se utilizava desse serviço? Da rádio?
R – Porque a gente precisa, vamos supor, eu tenho um tripulante que tá precisando saber alguma coisa da família dele, tem um filho doente, que tem uma esposa dele que tem um filho que tá doente, passa o movimento pra gente lá no barco então eles tem esse contato com a gente todo dia e todo dia a gente entra em contato com a terra. A gente fica dez, 15, 20 dias, então a gente tem que ter um contato com a terra pra poder, com a terra não, com o pessoal aqui de terra pra saber o movimento que tá se passando por aqui. Porque às vezes tem muitas pessoas que tá um pouco doente, outro que falece, então a gente tem que ficar a par do que tá acontecendo com os próximos da gente ou com outros qualquer também. E tem um barco que às vezes tá com o rádio desligado ou então em outro canal, ou a gente tá com o rádio com problema, e a gente tá perto dele e passa o movimento pra ele. Tamos perto que aquele movimento passa pra outro barco, o que tá acontecendo em terra.
P/1 – E além desse serviço de falar com os parentes, tudo, tinha algum outro serviço que o senhor usava dessa rádio?
R – A gente usa pra saber preço de peixe, pra saber de tempo. Então o tempo que vem, vamos supor assim, a gente tá aqui, vem um tempo lá pro lado do Sul, o lado do Rio Grande, Argentina, vem muito temporal, aí a gente tem que ficar prevenido pra gente correr, pra gente se esconder atrás de alguma coisa, senão o barco da gente não resiste, tá?
P/1 – Teve algum fato marcante, alguma coisa que aconteceu com o senhor quando o senhor era pescador que a rádio ajudou o senhor ou alguma historia interessante relacionada a essa rádio?
R – Com certeza. Teve uma vez, tem muitos anos não um barco tava, o cara tava batendo papo comigo depois saiu, foi pescar, e o barco dele deu problema na frente da plataforma, e passou embaixo da plataforma e quebrou. E ele deu tempo dele me chamar no rádio e eu fui lá atender ele. Inclusive fomos rebocar ele, não conseguimos porque a corda partiu, o barco foi pro fundo, mas salvemos, salvemos o acompanha, depois todos e salvamos todo mundo e alguma coisa que pôde tirar antes, tiramos. Então favorece muita coisa mesmo muita coisa pra valer. Essa rádio tá hoje tá em primeiro lugar sobre a pesca pra gente. O pescador é muito bem beneficiado pela rádio.
P/1 – E além dessa história, o senhor tem alguma outra assim também que o senhor se lembra, alguma noticia que o senhor recebeu, que tenha sido boa?
R – Eu já recebi notícia ruim e recebi notícia boa, eu tenho um filho que uma vez eu tava no mar e ele foi fazer uma cirurgia e parece que o médico eu não sei o que se passou na cabeça dele, o menino deu problema de… era aquela operação…
P/1 – Apendicite?
R – Apendicite, ela tava estuporada e ele só fechou o menino e mandou pra casa. O menino começou passando mal, passando mal, não tava sabendo, eu fui pro mar e deixei tudo encaminhado, chegou quando eu tava no mar, o rapaz passou pra mim, não nessa rádio, era outra rádio, aí passou pra mim que meu filho tava no hospital e não tinha condições de vida. O médico deu um por cento dele viver. Aí o que que eu fiz? Eu peguei o barco, eu larguei com outro rapaz e peguei carona no barco que ele viajava, que o barco era outro, andava mais, corria, desenvolvia mais. Aí eu peguei e saí, cheguei em terra, e graças a Deus o menino melhorou, hoje é comandante de barco, e ele mexe em barco.
P/1 – Terminou tudo bem?
R – É, terminou tudo bem.
P/1 – E a noticia boa assim, que o senhor já recebeu? Que o senhor tenha guardado pro senhor, uma lembrança, assim?
R – Ah menina, eu tenho muitas lembranças de quando eu tava lá no Rio Grande do Sul eu vi muito tempo lá, tempo de 130 quilômetros, você tendo vento no mar, você sem nada, você podia segurar em nada, você vê o barco quebrando igual tá no meio do mar, quebrando tudo e o barco quebrando e temporal, e, aí o cara fica no desespero e graças a Deus to aqui ainda.
P/1 – Mas o senhor usou a rádio pra alguma coisa?
R – Não, naquele tempo não tinha rádio. O barco tinha rádio, mas a rádio não tinha. Tinha rádio o barco, era de pouco alcance o rádio.
P/1 – E o que que os seus camaradas pescadores falam da rádio? Chegam a comentar alguma coisa, assim?
R – É, muitos falam mal porque isso hoje eles pagam. Naquele tempo, na minha época, quando eu comecei eu trabalhando de comandante, eu já pagava, mas eu de tripulante nós não pagava, não pagava a rádio. Então a rapaziada hoje reclama que desconta, que o que eles paga hoje eu não sei, parece que na faixa de cem cruzeiros, fica cem cruzeiros por mês.
P/1 – E o quê que eles falam de bom?
R – É, na hora do sufoco é bom mas na hora de ir lá para pagar as despesas, que não tem nada, tá tudo bem, reclama agora pra eles, isso é alguns, a menor parte que fala isso aí, a menor arte. Porque todo mundo agradece a rádio porque eles sempre tão sabendo notícias da família e tem um, vamos supor assim, tem uma esposa doente aí passa pra ele: “Tá passando mal”, aí vem pra terra. Às vezes ele começa às vezes tem outro barco vem pra terra vindo do mar, aí traz ele, num bote coloca em outro barco, ele vem em outro barco, ou pelo contrario, traz ele em terra também. E falece muita gente também que aqui em terra as vez é irmão, é irmã, é mãe ou pai e eles traz eles também, né. Agora isso ajuda muito o pescador, tanta rádio aí, aqui tem duas rádio aí, todas as duas ajuda muito.
P/1 – É uma segurança.
R – Uma segurança muito grande principalmente pro temporal, porque quando tem um temporal, eles tem um aparelho que sabe quando vem, passa o tempo, quando vem o tempo. Aí passa e eles corre. Tem muitos pescador igualmente eu, aconteceu várias vezes comigo, “Ah, mas to chegando hoje, eu to com dois dias, vou aguentar porque o tempo talvez não vai ser tão forte”, aí no final a gente passa um sufoco mas é porque a gente não quer vir embora prá descontar a despesa do barco, mas isso é uma despesa muito grande às vezes porque não quer, a despesa sendo grande, não quer vir embora e aí fica perigoso pra gente
P/1 – Então vocês contam bastante com o apoio…?
R – Com certeza, apoio da rádio, isso é muito bom muito bom mesmo.
P/1 – Hoje todo mundo se liga na rádio?
R – Todo mundo, geralmente todo barco tem rádio, os barcos. Você vê que o rádio hoje tá na faixa de cinco mil reais, quatro mil reais e todo mundo compra, dificilmente se vê só esses barquinho pequenininho que eles não tem, barquinho que vão e voltam, mas ele tem um peixezinho, ou tem um telefone que cinco milhas, seis milhas daqui tem…., dá pra você comunicar com a terra. Agora passou de dez milhas pra fora, dez milhas dá uma faixa de 1.853 metros, dá mais de 16 quilômetros, então aí dá pra comunicar com a terra, mas ai na faixa de dez quilômetros, ou 12, dá pra comunicar bem, telefone da pra conseguir falar em terra.
P/1 – E tem algum caso assim que é conhecido de todo mundo, mesmo que não tenha acontecido com o senhor, da rádio ter beneficiado muito algum pescador?
R – Ah tem, tem muitos, muitos, de vez em quando tem rebocador pro barco que bate às vezes pega um barco, um bate por maldade no outro, às vezes acontece, como fala? Eu não sei nem… que o… falta de atenção tanto dos tripulantes do barco, do mestre, não sei, que bate e eu bota no fundo e tem uns que o rebocador que bate por maldade mesmo e consegue, bota o barco no fundo, mas sempre salva.
P/1 – Tá bom. Então seu Ivo, alguma coisa mais que o senhor gostaria de falar sobre a rádio, que eu não tenha perguntado?
R – Não, da rádio tá tudo perfeito, você perguntou tudo perfeito, foi excelente
P/1 – Então tá bom, era isso que a gente gostaria de ouvir do senhor, muito obrigado.
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