Projeto Memória Petrobras
Depoimento de Maria Santíssima da Costa
Entrevistada por Priscila Cabral
Brasília, 09/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB566
Transcrito por Maria Luiza Pereira
P/1 – Bom, vamos começar. Para começar a gente pede que a pessoa fale o nome, local que nasceu e a data de nascimento.
R – Meu nome é Maria Santíssima da Costa, eu nasci em Piratanjuba, Goiás, em 7/9/1962.
P/1 – E eu queria que você falasse um pouco de como foi que você chegou até a Petrobras, como é que foi o seu ingresso na empresa, se você lembrar do ano também.
R – Na época eu havia casado, mudado para Manaus, em 1991. Em 93 eu era professora do Senai, onde um aluno meu me falou de um processo seletivo da Petrobras. Aí eu fiz inscrição, passei; na época quebrei um paradigma lá na Refinaria Reman, porque eu fui a primeira mulher a trabalhar na manutenção como eletricista industrial própria. Então, foi no dia 29 dezembro de 1993 minha data de admissão. E ficamos lá até 1997.
P/1 – Você falou que foi a primeira mulher, como é que foi isso dentro do trabalho?
R – É, eu quebrei um paradigma. Primeiro que a refinaria não tinha uma infra-estrutura para mulher trabalhar na manutenção e assim, em virtude também da minha classificação, na época eu passei em primeiro lugar no processo seletivo concorrendo com... na época era um total de 123 concorrentes e eu fiquei lá e foi assim a quebra de paradigma... a questão da confiança, né? Aí eu tive que mostrar o lado bem profissional também, mas tenho bons amigos na Remam, até hoje.
P/1 – Você acha que no início tinha uma discriminação pelo fato de você ser mulher?
R – Não. Creio, assim... claro não, não percebi isso não. Eu percebi que a Petrobras, na época, não tinha uma infra-estrutura, por exemplo: eu não tinha um banheiro feminino na área de manutenção. Aí eu tive que usar o banheiro lá do laboratório, então... Hoje já...
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Depoimento de Maria Santíssima da Costa
Entrevistada por Priscila Cabral
Brasília, 09/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB566
Transcrito por Maria Luiza Pereira
P/1 – Bom, vamos começar. Para começar a gente pede que a pessoa fale o nome, local que nasceu e a data de nascimento.
R – Meu nome é Maria Santíssima da Costa, eu nasci em Piratanjuba, Goiás, em 7/9/1962.
P/1 – E eu queria que você falasse um pouco de como foi que você chegou até a Petrobras, como é que foi o seu ingresso na empresa, se você lembrar do ano também.
R – Na época eu havia casado, mudado para Manaus, em 1991. Em 93 eu era professora do Senai, onde um aluno meu me falou de um processo seletivo da Petrobras. Aí eu fiz inscrição, passei; na época quebrei um paradigma lá na Refinaria Reman, porque eu fui a primeira mulher a trabalhar na manutenção como eletricista industrial própria. Então, foi no dia 29 dezembro de 1993 minha data de admissão. E ficamos lá até 1997.
P/1 – Você falou que foi a primeira mulher, como é que foi isso dentro do trabalho?
R – É, eu quebrei um paradigma. Primeiro que a refinaria não tinha uma infra-estrutura para mulher trabalhar na manutenção e assim, em virtude também da minha classificação, na época eu passei em primeiro lugar no processo seletivo concorrendo com... na época era um total de 123 concorrentes e eu fiquei lá e foi assim a quebra de paradigma... a questão da confiança, né? Aí eu tive que mostrar o lado bem profissional também, mas tenho bons amigos na Remam, até hoje.
P/1 – Você acha que no início tinha uma discriminação pelo fato de você ser mulher?
R – Não. Creio, assim... claro não, não percebi isso não. Eu percebi que a Petrobras, na época, não tinha uma infra-estrutura, por exemplo: eu não tinha um banheiro feminino na área de manutenção. Aí eu tive que usar o banheiro lá do laboratório, então... Hoje já é um pouco diferente, as áreas já são preparadas... mais preparadas para receber a mulher, né?
P/1 – Bom, você falou que trabalhou na refinaria, eu queria que você falasse um pouco dessa sua trajetória dentro da empresa. Os locais que você trabalhou, os setores que você passou, as atividades que você tinha... contar um pouquinho da sua história na empresa.
R - Então, lá na Remam, como eu já disse, fui admitida em 29 de dezembro, eu trabalhava como eletricista industrial, fiquei dois anos como eletricista, depois fiquei um ano trabalhando como contramestre de eletricidade interina, que seria uma função, depois de um ano fui efetivada e na época eu fui promovida para contra-mestre de eletricidade. Em 1997, eu tive a necessidade de sair de Manaus. Meu pai na época estava doente, precisando de mim, em Goiânia e eu, na época eu pedi demissão da Petrobras. Foi quando o Dr. Oderich, engenheiro Oderich, foi muito meu amigo, uma pessoa assim que eu gosto um tanto, ele conseguiu que eu viesse para a BR Distribuidora, em Goiânia. Assim são... assim as gratidões que eu tenho por ele, pelo Senhor Alberto que me recebeu na época. Depois que estava lá, seis meses na BR Distribuidora, trabalhando como contra-mestre de eletricidade, eu fui no Osbra, conhecer o Osbra. Chegando lá eu reconheci um ex-colega de escola, que na época era coordenador lá e ele me convidou para trabalhar lá, ir para o Osbra. Aí no Osbra eu já não fui a primeira mulher na manutenção. Eu já... quando eu cheguei no Osbra em 1998, 1o de maio de 1998, já existia uma instrumentista aqui em Brasília. Porque o Osbra vai de... é o oleoduto da Replan, Paulínia, até aqui, o terminal de Brasília. Aí foi, na época tinha assim uma carência de técnico em manutenção e estou lá até hoje. Fiquei na manutenção até final de dezembro de 2003, como técnico de manutenção, em janeiro de 2004 eu fui convidada pelo gerente Breno para ficar responsável pelo Sistema de Gestão Integrada, o SGI. Estou até hoje como responsável do Sistema Gestão Integrada, como representante da gerência e hoje, pela minha formação, né, sou Gestora Ambiental, né, de formação e dou um apoio para a gerência em outros assuntos que não sejam SGI.
P/1 – Como a gente de fora da empresa, por exemplo, tenho um pouco de dificuldade de entender. Qual seria essa atividade de um gestor ambiental? Eu queria que você explicasse um pouquinho como é esse cotidiano, como é trabalhar como gestor?
R – Gestão Ambiental, pelo que a gente estuda na graduação, é uma administração de empresas com habilidade em gestão ambiental. Então a gente vê disciplina na área de administração e vê algumas disciplinas de... que hoje alguns cursos de especialização na área de meio-ambiente, que é a parte de legislação, a parte de negociação ambiental, estudo de impacto ambiental. Então, eu dou assessoria na área de gestão ambiental, na área de... é... interage com todas as áreas, na parte de treinamento, na parte de planejamento, consolido alguns resultados para a gerência, eu sou responsável pelas análises críticas, sistema de gestão, então, eu faço esse trabalho.
P/1 – E você comentou que o oleoduto, né, ele vai de Paulínia até...
R – Até Brasília. Sai de Paulínia e vem até Brasília.
P/1 – Queria que você me explicasse um pouco, qual seria a função do Osbra, entender um pouco o que acontece lá?
R – A função do Osbra é abastecer a região centro-oeste, noroeste de ali, o triângulo mineiro, noroeste de São Paulo e aqui, é, a cidade de Brasília, de claros. O que são claros? São óleo diesel, gasolina e GLP. Atualmente a gente vem operando mais com gasolina e óleo diesel. Tem algum tempo que a gente não opera com GLP, mas está previsto agora para os próximos meses voltar operar com GLP.
P/1 – Você acha que, como é que eu vou dizer... o GLP ele está sendo, vamos dizer, menos usado? Você sabe me dizer por que, na região?
R – Não, não é isso. É questão da logística, é questão da própria refinaria.
P/1 – Ah, entendi! Bom, e o Osbra ele completou 10 anos, né, que a gente ficou sabendo antes de vim para cá, para Brasília e eu queria que você dissesse, nesses 10 anos, qual você acha que foi a importância do Osbra aqui para a região? Para a região centro-oeste, principalmente também para o município onde ele fica.
P/1 – Para a região ele propiciou um desenvolvimento, porque a região centro-oeste hoje é uma região assim, muito voltada para a agricultura. Então, com o nascimento é, com o surgimento do Osbra tudo isso desenvolveu mais a região. E, como se diz, e além do mais, também a questão de segurança, retirou alguns caminhões das estradas, porque todo mundo sabe que transporte rodoviário com caminhão o risco é bem maior. Então, por ser um modal mais seguro; oleoduto é um modal mais seguro e mais econômico também. Então isso viabilizou o projeto do Osbra e hoje a gente cumpre bem esse papel.
P/1 – E me explica o que é um poliduto.(riso)
R – Um poliduto é onde passa... Como eu disse, a gente trabalha com óleo diesel, gasolina e GLP. Então, o mesmo duto passa esses produtos. De que forma? Então a gente fala bateladas. Então tem uma batelada de óleo diesel, tem outra batelada de gasolina, tem batelada de GLP. Então, ele transporta os mesmos produtos.
P/1 – Mas, pelo mesmo duto?
R – Pelo mesmo duto.
P/1 – Entendi. Deve ter um processo lá de vocês que eu não conheço (riso) que interfere esses derivados passarem pelo mesmo duto?
R – Não, a gente tem ao longo do duto, né, então a gente tem assim, por que... como que a gente diferencia um produto do outro? Através de alguns equipamentos que no... Osbra é automatizado, então tem alguns equipamentos que propiciam a operação a fazer esse corte desse produto... esse produto. E aquele produto que não é, por exemplo, não é... não está especificado para gasolina e nem para diesel, por exemplo. Então esse produto ele é direcionado para um determinado tanque e ele tem um processo de tratamento e ele retorna, nada se desperdiça.
P/1 – Interessante. É, eu queria perguntar para você de uma maneira mais geral, nesse tempo de Petrobras que você tem, o que você acha que mudou dentro da empresa, se você tem alguma consideração, você, como empregada, né, o que você achou que mudou dentro da empresa, se mudou para melhor ou para pior, enfim.
R – Com certeza mudou para melhor, né, principalmente com as questões de segurança, meio ambiente e saúde. Então, eu venho de uma época que a gente não se preocupava muito com essas questões, era a produção, não existia essa preocupação. De 2002, 2003 já tiveram essas mudanças, essas mudanças que hoje a gente está tendo melhores resultado, como se diz, é, aumentou até o nível de empregos porque as certificações ela trás esse momento de necessidade de novos postos de trabalho. Então eu acho que a empresa vem crescendo, vem crescendo, despontando, né, hoje a gente já, inclusive já entramos no mês de setembro de 2006, no mundial de________, né? Então... Isso para a empresa é importante, ela se preocupa. Porque as questões de meio ambiente é uma preocupação que todos tem que se preocupar, desde as grandes empresas, governo, a sociedade. Então, eu venho assim... tenho observado que tem essa preocupação o nosso público de interesse, tanto o público interno quanto o público externo também. Então tiveram melhoria para ambos os lados.
P/1 – A gente sempre pergunta para o entrevista se ele se lembra de alguma história ou se tem alguma consideração que queira fazer do período em que, nesse período que trabalhou na empresa. Então, eu quero... se você tiver alguma história para contar para a gente de algum fato que aconteceu o seu dia-a-dia de trabalho, qualquer coisa que tenha ficado marcado na sua memória, para você falar um pouquinho para a gente.
R – É assim, quando eu cheguei ao Osbra assim, eu percebi, uma coisa que ficou marcada para mim, que eu venho, tinha vindo do refino, estava na BR e exercia uma função extremamente técnica na área de eletricidade. Eu cheguei ao Osbra e foi interessante assim, que o Célio na época ele me convidou assim, para fazer um trabalho de auxiliar dele na mudança de uma linha lá, que seria interessante para mim. Aí, eu cheguei, virei, falei assim: “Mas, eu não sei nem o que é essa parte mecânica...”, “- Maria, você aprende.” Eu falei:“Mas eu nunca estudei isso, eu não sei o que que é flange, eu sou técnica de eletricidade. “- Aprende!”. E essa é uma coisa que marcou assim, foi essa necessidade de eu ter que aprender, isso me fez crescer. Então, é uma das coisas assim, que eu acho mais importante, é a oportunidade que a... A Transpetro é um pouco diferente da Petrobras. Então, por ter uma estrutura mais enxuta, a gente tem de, como se diz?... de buscar alternativas, ter mais, assim, procurar recurso com outras pessoas. Então, isso para mim marcou bastante essa questão de o trabalho, da equipe, de um profissional auxiliar o outro profissional a crescer. Então, isso para mim foi bem... na época foi gratificante. O outro também, assim, que me marcou muito, foi na época quando o Breno me convidou para trabalhar com ele. Chegou para: “- Maria, estou querendo te tirar da manutenção para você crescer, porque eu observo que as coisas que você faz são bem feita”.
P/1 – Engraçado que você tinha me falado lá fora que você na verdade a sua matrícula é da Petrobras e você foi cedida para a Transpetro.
R – Justamente.
P/1 – E agora você comentou que existe uma diferença entre a Transpetro e a Petrobras porque ela é mais enxuta. Explica um pouco para mim essa diferença que você falou.
R – A estrutura. Que agora a Transpetro está começando a se reestruturar, teve um processo de reestruturação em nível de sede, hoje tem; está admitindo as pessoas. Então, quando eu cheguei no Osbra, por exemplo, tinha um técnico de manutenção e a gente, é... aí eu vim dividir com ele. A gente fazia outras atividades, porque não tinha pessoas para poder fazer. Então, hoje a gente está com um... tem um processo seletivo, tem uns aprovados, estamos na perspectiva de receber novos empregados. Então, isso fez com que a gente tivesse a necessidade de aprender outras áreas. Por exemplo, fiscalização de contrato, que até então na refinaria eu não fazia. Eu tive essa oportunidade na Transpetro.
P/1 – E para você o que é ser petroleira?
R – Para mim, eu sou muito grata a Petrobras. Eu, assim, eu gosto, gosto, sou motivada, sou comprometida com o meu trabalho, procuro dar o melhor de mim, fazer com amor das coisas e sou muito grata, porque, assim, eu tenho dois filhos, é a minha fonte de sustento para os meus dois filhos. Eu crio os meus filhos sozinha e para mim é uma empresa de valor, de muito valor, é uma empresa que tem uma perspectiva de muito crescimento; eu acho que até agora valeu a pena ser petroleira.
P/1 – E você nesse período se sindicalizou?
R – Sim.
P/1 – E chegou a atuar no sindicato?
R – Não, eu só sou sindicalizada.
P/1 – E nessa relação ente sindicato e a empresa, como é que você vê, mudou alguma coisa nesse tempo que você esteve na empresa?
R – Mudou, hoje eu percebo, assim, a questão de... mais oportunidades, né, para os empregados, mais oportunidades... Eu participo de algumas reuniões com o sindicato, às vezes até representando o meu gerente, eu percebo assim que a empresa está ouvindo. Como se diz... ali eu vejo os dois lados, eu vejo o lado da empresa e vejo o lado dos empregados, através dos seus representantes do sindicato. Então, é uma visão bem diferente, que eu não tinha tido essa oportunidade ainda, e vejo que esse respeito por pessoas, assim; isso aí já é uma coisa minha, eu percebo que a área de pessoas dentro das grandes organizações tem muito a crescer, porque só se consegue o objetivo através das pessoas.
P/1 – A gente percebeu que tanto aqui no escritório, quanto na BR Distribuidora mencionaram que muitos tiveram que se vincular ao sindicato, ao Sindipetro, em São Paulo, porque aqui é um outro sindicato que tem em Brasília. Lá, como é que isso funciona na Osbra?
R – No Osbra, a gente é vinculado ao sindicato de São Paulo.
P/1 – Também.
R – Também.
P/1 – Ah, tá! Ë só uma dúvida. Olha, Maria, a gente já está... (riso) chegou praticamente ao fim, queria te agradecer bastante, a entrevista foi muito interessante, eu queria que nesse finalzinho você só dissesse como é que foi para você participar do Projeto Memória? Você fazer as suas considerações.
R – É, para mim me pegou até de surpresa, assim, o Valdeze, eu havia visto, né, aí, ontem o meu gerente pediu que eu viesse. Falou: “- Maria, você vai representando a gerência e a manutenção”(riso). Porque, como eu disse, a nossa estrutura é enxuta, tiveram alguns problemas de vôo, então, eu sei que tem algumas pessoas muito mais velhas de Petrobras, que não tiveram essa oportunidade. Então, para mim é importante. Para mim assim, eu acho assim uma coisa boa, eu sinto assim como uma pessoa, uma valorização...
P/1 – Que bom! Então a gente chegou ao fim (riso). Obrigada, Maria, foi ótimo.
(Fim da fita MpetCBBR- nº. 17)
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