Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Marcodes Lira Dantas
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB209
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Então, primeiro eu queria saber o seu nome completo e que anos você tem trabalhando na Petrobras?
00:00:11 R - Meu nome é Marcodes Lira Dantas, eu trabalho há 22 anos.
00:00:17 P/1 - 22 anos na Petrobras?
00:00:18 R - Na Petrobras, e vai completar 12 anos aqui em Urucuru.
00:00:23 P/1 - E qual é a sua atividade aqui na Petrobras?
00:00:25 R - Eu sou operador, atualmente eu estou tirando interunidade de inspeção.
00:00:29 P/1 - Operador de produção. E o que faz um operador de produção?
00:00:34 R - No meu caso, as atividades de campo, do processo em si. Toda atividade que está voltada à produção de petróleo aqui dentro.
00:00:45 P/1 - E esse lugar aqui que a gente está, o que é? Explica pra gente o que é isso.
00:00:48 R - Isso aqui é um poço de petróleo. Ele foi perfurado a mais ou menos um pouco mais de 3 mil metros de profundidade. Ele é um poço horizontal. Ele tem a capacidade de produzir sem precisar de energia externa. Ele tem uma energia própria. Ele tem um gás. A energia dele é o gás e é um que produz independente de outras energias externas. Ele é um poço surgente.
00:01:22 P/1 - Não é todo poço que faz isso?
00:01:24 R - Tem uns poços que, dependendo da formação, ele vai perdendo a capacidade de subir o óleo por si próprio e ele precisa de uma elevação secundária. No caso do gas lift e outras coisas que nós temos aqui.
00:01:37 P/1 - E você está com esse material na mão, por que?
00:01:40 R - Isso aqui é para eu fazer uma demonstração, isso aqui é um ensaio. Eu quero fazer uma demonstração de como é que esse petróleo chega até a tona, para vocês terem uma ideia da forma que ele vem, no sentido bruto da coisa. Ele vem com toda a riqueza do subsolo.
00:01:58 P/1 - E dá para a gente saber quantos barris só esse...
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Marcodes Lira Dantas
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB209
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Então, primeiro eu queria saber o seu nome completo e que anos você tem trabalhando na Petrobras?
00:00:11 R - Meu nome é Marcodes Lira Dantas, eu trabalho há 22 anos.
00:00:17 P/1 - 22 anos na Petrobras?
00:00:18 R - Na Petrobras, e vai completar 12 anos aqui em Urucuru.
00:00:23 P/1 - E qual é a sua atividade aqui na Petrobras?
00:00:25 R - Eu sou operador, atualmente eu estou tirando interunidade de inspeção.
00:00:29 P/1 - Operador de produção. E o que faz um operador de produção?
00:00:34 R - No meu caso, as atividades de campo, do processo em si. Toda atividade que está voltada à produção de petróleo aqui dentro.
00:00:45 P/1 - E esse lugar aqui que a gente está, o que é? Explica pra gente o que é isso.
00:00:48 R - Isso aqui é um poço de petróleo. Ele foi perfurado a mais ou menos um pouco mais de 3 mil metros de profundidade. Ele é um poço horizontal. Ele tem a capacidade de produzir sem precisar de energia externa. Ele tem uma energia própria. Ele tem um gás. A energia dele é o gás e é um que produz independente de outras energias externas. Ele é um poço surgente.
00:01:22 P/1 - Não é todo poço que faz isso?
00:01:24 R - Tem uns poços que, dependendo da formação, ele vai perdendo a capacidade de subir o óleo por si próprio e ele precisa de uma elevação secundária. No caso do gas lift e outras coisas que nós temos aqui.
00:01:37 P/1 - E você está com esse material na mão, por que?
00:01:40 R - Isso aqui é para eu fazer uma demonstração, isso aqui é um ensaio. Eu quero fazer uma demonstração de como é que esse petróleo chega até a tona, para vocês terem uma ideia da forma que ele vem, no sentido bruto da coisa. Ele vem com toda a riqueza do subsolo.
00:01:58 P/1 - E dá para a gente saber quantos barris só esse poço produz, não?
00:02:04 R - Existe esse tipo de contagem? Existe. Inclusive temos uma placa que dá toda a explicação sobre isso aí, porque de poço para poço eles variam muito de produção. Nesse caso aqui, nós produzimos, eu acho que 1.400 barris guia só nesse aqui.
00:02:21 P/1 - Isso é bom? Como é que é?
00:02:23 R - É bom. É um poço considerado bom em termos de energia própria que ele tem. É um poço muito bom. E tem muito gás também, né? Muito gás e o bom desse poço é que é o gás.
00:02:37 P/1 - Então, e esse gás desse é aproveitado porque tem um gás que não está sendo aproveitado, né?
00:02:41 R - Não. Aqui, a queima do gás aqui já foi pior, certo? Antigamente a gente queimava o gás porque a gente não tinha o aproveitamento que nós temos hoje. Então, esse gás, quando nós não aproveitamos, ele passa pelo processo de GLP e, tirado a riqueza desse gás, ele é reinjetado na formação. Injetado na formação para futuro. A gente não queima mais gás. O nosso iuga está muito próximo de não queimar zero de queima.
00:03:14 P/1 - Então tá bom. Mas você falou que esse é um posto vertical, é isso? Existem postos horizontais?
00:03:22 R - Existem horizontais.
00:03:23 P/1 - Tá, isso é uma diferença geológica.
00:03:24 R - É uma diferença geológica, porque a forma de você buscar é a jazida em si. A forma de você procurar numa forma direcionada, aí chama-se posto horizontal.
00:04:05 P/1 - Mas aí como é que você fazia naquela época?
00:04:07 R - Naquela época a gente não tinha um problema supervisório. Então era um negócio mais primitivo, muito atrasado. Hoje nós já temos uma tecnologia que a gente é considerado na área de poço uma tecnologia de ponta.
00:04:21 P/1 - O que é isso primitivo? Como é que era?
00:04:23 R - Era mais manual. E hoje nós estamos trabalhando de uma forma mais automática, mais avançada.
00:04:30 P/1 - Tá, mas o que você fazia nesse manual? Como é que era? Você chegava aqui e aí o que você fazia?
00:04:36 R - Nós tínhamos um campo vasto. Nosso campo tem uma faixa de 50 quilômetros. Então todos os dias a gente tinha que vir nos poços pra gente monitorar toda a situação do poço em si. Porque nós estamos operando com alta pressão, E se nós monitorarmos um vazamento, a gente não tinha como saber na sala de controle. Então, todo dia era obrigatório passar no posto e nós fazemos isso.
00:04:58 P/1 - Mas aí, nesse monitoramento, como é que você fazia? Que equipamento você usava para fazer isso?
00:05:02 R - Porque quando a gente trabalha com alta pressão, tudo está propenso a um vazamento. Vazamento é uma variável, uma perda de pressão na cabeça do posto que já vai... atuar diretamente no reservatório, então tudo existe para fazer as mudanças no poço, então a gente tem que sempre estar monitorando essa parte aí.
00:05:21 P/1 - Mas que tipo de equipamento você usava para monitorar? Esquecendo essa parte de uso, o 82, o que você usava?
00:05:28 R - Nada, tinha só a saída, a saída para o polo, não tinha mais nada.
00:05:35 P/1 - Era um pouco de você observar?
00:05:37 R - Era um pouco de observar, era um tudo de observar, todos os dias.
00:05:41 P/1 - E aí você disse que era um campo de 50 quilômetros, quer dizer, se tivesse um problema aqui, quem estava a 50 quilômetros de distância não sabia.
00:05:49 R - É, não poderia detectar. Então foi um avanço, um avanço muito grande esse controle remoto do poço em si, do equipamento do poço em si.
00:05:58 P/1 - Tá, quer dizer que hoje você tem uma sala de controle.
00:06:00 R - Tem uma sala de controle que eu posso, se romper qualquer linha dessa daqui, nós temos capacidade de detectar em fração de segundos.
00:06:07 P/1 - E quantas pessoas faziam isso que você fazia também naquela época?
00:06:12 R - É uma faixa de umas seis pessoas.
00:06:14 P/1 - Três pessoas?
00:06:15 R - Seis.
00:06:15 P/1 - Três pessoas para cobrir esses cinquenta quilômetros. Hoje esse processo tem...
00:06:21 R - O pessoal, em média, as pessoas que trabalhavam com isso aí, rodavam em torno de trezentos quilômetros por dia, cada carro. Para vistoriar tudo, de manhã e de tarde, era uma corrida constante. Nós fazemos a mesma coisa, nós temos pessoas para fazer isso, mas é com menor intensidade porque a gente já tem com dados de fato dentro da sala de controle.
00:06:47 P/1 - Então, você quer mostrar para mim como é que é esse processo?
00:06:51 R - O processo aqui é consistente de uma ave de natal. Essa ave de natal é chamada ave de natal. E nós temos essas válvulas, se você quiser fazer alguma manutenção, você tem essas válvulas. Nós temos aqui um controlador, um controlador de fluxo, que aqui, lá da sala de controle, você pode aumentar ou diminuir o fluxo do poço, a hora que você quiser. Nós temos equipamento, cada equipamento desse que está nessa espinha, significa uma variável que é toda controlada pela sala de controle, através de gráfico e tudo mais. Qualquer um problema que ocorrer aqui no poço, se romper uma linha dessa nós temos sensores de pressão alta, pressão baixa e tal e tudo isso aí é...
00:07:44 P/1 - Tudo isso é monitorado por lá.
00:07:49 R - Não, já teve vários que foram evitados. Não, não, porque a gente fazia a monitoração constante, entendeu? Então é o seguinte, você chega aqui num lugar, você sabe que o nosso óleo tem sal. Então o que a gente vai monitorar aqui? A gente vai olhar esses parafusos Se tiver alguma coisa enferrujada ou qualquer coisa desse tipo, você vem logo, se antecipa e se antecipa o problema e não deixa acontecer. Então, por isso que tem que ficar ligado todo o tempo nesses pequenos detalhes que poderão ocorrer coisas adversas.
00:08:31 P/1 - Então, e aí você vai tirar o óleo, não?
00:08:34 R - É, eu vou tirar o óleo aqui pra você ver como é que o óleo vem da natureza até o...
00:08:45 P/1 - Pode.
00:08:50 R - Encostar agora.
00:09:07 P/1 - Ele é assim na natureza?
00:09:09 R - É, na natureza ele aqui vem com toda a riqueza e sujeira também, certo?
00:09:15 P/1 - Esse gás faz essa função?
00:09:20 R - Exatamente, isso aqui se você pegar naquela linha ali, ela vai estar quente, certo? mas com a velocidade que ele está passando por aqui, ele pode pegar ele fica meio gelado ele é gelado, dá.
00:09:33 P/1 - Impressão de ser quente, né?
00:09:35 R - É, mas ele não é quente, ele é gelado Porque é o seguinte, dependendo da velocidade que ele passa por essa válvula aqui, ele sorte um flash e ele vai fazer essa temperatura esfriar. Então o petróleo sai assim, se abrir um pouquinho mais aqui, ele vai sair bastante, que é muito alto a pressão aqui.
00:09:56 P/1 - Esse equipamento é nacional, importado?
00:09:59 R - Esse equipamento de variáveis, a maioria deles são importados. Ainda são importados, mas já tem firmas aí querendo entrar na concorrência.
00:10:13 P/1 - Firmas nacionais?
00:10:14 R - Nacionais na concorrência que produzem esse equipamento e eu acho que a Petrobrás vai dar prioridade ao material nacional, porque tem eficiência também.
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