Minha família é uma rede de histórias, de raízes que se misturam e se cruzam ao longo de gerações, formando a base de quem sou. Em meio a tantas memórias compartilhadas e valores transmitidos, escolhi dedicar este espaço no Museu da Pessoa à minha avó paterna, Maria Vitorino de Freitas. Ela, nascida em Minas Gerais e hoje com 93 anos, carrega a força de uma cultura que moldou profundamente a identidade da nossa família.
A figura de minha avó é muito importante para entendermos a história da minha família. Ela sempre representou a tradição e a forte persistência, características que foram passadas a todos nós da família \\\"FREITAS\\\". Minha querida vó cresceu em uma Minas Gerais rural, onde a vida não era fácil, mas sempre repleta de histórias de superação, pois como ela disse, \\\"Sempre fomos pobres, e minhas bonecas eram de sabugo de milho, feitas com minhas irmãs e primas. A gente pegava o sabugo seco, enrolava um pano velho como vestido e desfiava a palha de milho pra fazer o cabelo. Não tinha essas \\\"coisa que vocês tem hoje\\\" , mas cada boneca era toda bem feitinha, com um amor nosso que tinha nelas. A gente brincava no quintal, fazíamos comidinha de folha amassada, e o riozinho era nossa fonte de água. Naquele tempo, bastava juntar todo mundo e a gente fazia a festa\\\". Essas histórias, contadas ao redor da mesa, se tornaram parte de mim, construindo um elo forte com nossa vó, pois sabíamos que ela já havia passado por muitas coisas antes de estar ali.
Um símbolo que carrega consigo a memória de minha avó é a culinária. Quando penso na cozinha dela, o prato que vem à mente é o feijão tropeiro, uma receita que faz parte de todas as nossas reuniões familiares. A preparação desse prato é um ritual em si, tem que juntar todo mundo que está disponível para ajudar a fazer uma panela gigantesca, nas ocasiões especiais todos se esbaldamos nesse feijão . É um prato que me conecta diretamente ao...
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Minha família é uma rede de histórias, de raízes que se misturam e se cruzam ao longo de gerações, formando a base de quem sou. Em meio a tantas memórias compartilhadas e valores transmitidos, escolhi dedicar este espaço no Museu da Pessoa à minha avó paterna, Maria Vitorino de Freitas. Ela, nascida em Minas Gerais e hoje com 93 anos, carrega a força de uma cultura que moldou profundamente a identidade da nossa família.
A figura de minha avó é muito importante para entendermos a história da minha família. Ela sempre representou a tradição e a forte persistência, características que foram passadas a todos nós da família \\\"FREITAS\\\". Minha querida vó cresceu em uma Minas Gerais rural, onde a vida não era fácil, mas sempre repleta de histórias de superação, pois como ela disse, \\\"Sempre fomos pobres, e minhas bonecas eram de sabugo de milho, feitas com minhas irmãs e primas. A gente pegava o sabugo seco, enrolava um pano velho como vestido e desfiava a palha de milho pra fazer o cabelo. Não tinha essas \\\"coisa que vocês tem hoje\\\" , mas cada boneca era toda bem feitinha, com um amor nosso que tinha nelas. A gente brincava no quintal, fazíamos comidinha de folha amassada, e o riozinho era nossa fonte de água. Naquele tempo, bastava juntar todo mundo e a gente fazia a festa\\\". Essas histórias, contadas ao redor da mesa, se tornaram parte de mim, construindo um elo forte com nossa vó, pois sabíamos que ela já havia passado por muitas coisas antes de estar ali.
Um símbolo que carrega consigo a memória de minha avó é a culinária. Quando penso na cozinha dela, o prato que vem à mente é o feijão tropeiro, uma receita que faz parte de todas as nossas reuniões familiares. A preparação desse prato é um ritual em si, tem que juntar todo mundo que está disponível para ajudar a fazer uma panela gigantesca, nas ocasiões especiais todos se esbaldamos nesse feijão . É um prato que me conecta diretamente ao passado e ao sabor do interior mineiro, que minha avó trouxe consigo e manteve vivo, mesmo longe de sua terra natal. O feijão tropeiro é mais do que um prato de comida; é uma lembrança da luta, da resistência e do amor familiar.
Homenagear minha avó no Museu da Pessoa é celebrar toda uma geração que enfrentou adversidades e preservou tradições. Minha avó Maria é a personificação de valores que, para mim, são fundamentais: a fé, a resiliência, a valorização das pequenas coisas e, principalmente, a importância da família. A história dela, assim como o feijão tropeiro, continuará sendo transmitida e celebrada, como um legado que ultrapassa o tempo e une todos nós.
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