Memória PETROBRAS
Depoimento de Lair de Almeida Santos
Entrevistado por Morgana Mazzelli
Rio de janeiro, 17 de agosto de 2009
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº PETRO_TM084
Transcrito por Ana Lucia Queiroz
P/1 – Dona Lair, queria começar a nossa entrevista pedindo para a senhora me dizer seu nome completo, local e data do seu nascimento.
R – Meu nome é Lair de Almeida Santos, eu nasci aqui no Rio de Janeiro, nove de outubro de 1952.
P/1 – E, dona Lair, qual é a sua profissão?
R – No momento eu sou assessora parlamentar.
P/1 – E antes disso, a senhora?
R – Antes disso eu fui funcionária da (CERJ?), trabalhei na (CERJ?) e dona de casa.
P/1 – Lá em Itaboraí qual é a instituição que a senhora representa dentro do Fórum?
R – Eu represento a comunidade no Fórum. Eu sou presidente da Federação das Associações de Moradores de Itaboraí.
P/1 – E como você se aproximou da Federação? Você fazia parte de uma associação?
R – Fazia parte. Eu sempre fiz parte de algum movimento comunitário. Fui presidente de associações de moradores e há três anos estou à frente da Federação.
P/1 – E lá na Federação que tipo de atividade vocês fazem? Qual o seu trabalho lá?
R – Na verdade a Federação aglomera as associações. As atividades são desenvolvidas mais dentro das associações, das comunidades. Nós temos lá em Itaboraí em torno de 60 associações de moradores. As atividades são desenvolvidas, mas dentro das associações.
P/1 – E como foi a criação do Fórum de agenda 21 lá em Itaboraí?
R – A criação do Fórum, não. Deixa eu te explicar. Itaboraí tem até uma particularidade diferente de outros municípios. Porque quando o COMPERJ chegou e criou o Fórum da Agenda COMPERJ, nós já tínhamos nossa Agenda 21 na Ação Local. Desde de 2003 criado com lei da Agenda 21 na Ação Local, já publicada. Temos o fundo da nossa Agenda. Então, quando chegou a criação da Agenda 21 COMPERJ, nós já tínhamos. Aí eu fui escolhida a representante da comunidade no Fórum.
P/1 – E esse processo de criação do Fórum, que já existia lá antes da chegada da COMPERJ, foi uma iniciativa da população?
R – Da população. Foi uma iniciativa da comunidade mesmo.
P/1 – Como que estavam os trabalhos lá antes da chegada do COMPERJ?
R – Olha só, tudo é difícil. É difícil. Mas nós conseguimos ter avanços. A nossa Agenda, já estivemos em Páteo de Alferes visitando. Tem a comunidade que desenvolve trabalhos, tipo assim, reciclagem de garrafa pet. Tudo através da Agenda. Já fizemos uma exposição de fotos. E com a chegada do COMPERJ a coisa tomou outra dimensão. Só que a Agenda é atrelada, atrelada não, ela é, infelizmente ela tem que estar dentro da Secretaria Municipal. É isso. É criada por lei então ela fica subordinada a Secretaria Municipal. E com essa mudança de governo nós estamos meio capengas. Então a nossa Agenda 21 local está meio parada devida a isso. Até porque a secretária custou a vir, a secretária municipal de meio ambiente. Agora que retornou. Agora que a gente vai tentar retomar os trabalhos da nossa Agenda.
P/1 – Mas antes de dar essa parada estava em funcionamento.
R – Estava em funcionamento. A gente tinha reuniões regulares. Tava funcionando direitinho.
P/1 – Eu queria que você me explicasse como funciona esse Fórum.
R – É um Fórum de discussão e o que aconteceu? Com a vinda do COMPERJ e com a uma nova forma até de trabalhar, porque a Petrobras dividiu a comunidade em quatro setores. Não é isso? Cada setor ficou a cargo de uma Ong. Então, nossa, por exemplo, comunidade ficou com o Roda Viva. Nós fizemos um trabalho diferente. Teve as fichas de detalhamento, teve trabalho em campo.
P/1 – O que é a ficha de detalhamento?
R – A ficha de detalhamento é o final de um trabalho que você pegou, acho que nós pegamos lá quatro eixos: ordem pública, segurança, pereré pereré. E no final de diversas rodadas finalizou com uma ficha de detalhamento. A conclusão do que a comunidade quer, do que a comunidade espera. Agora espero que saia do papel.
P/1 – Porque vocês fizeram reuniões pelos setores e depois juntou?
R – Pelos setores e depois se juntou. Primeiro fazia comunidade, empresário, governo e Ongs. Depois juntou, os quatros setores juntos, pra tirar uma conclusão final.
P/1 – Desses detalhamentos, detalhamentos dos problemas que cada setor encontrou...
R – E sugestões.
P/1 – E aí?
R – E agora que a gente quer saber. Estamos naquela fase de conclusão das fichas de detalhamento.
P/1 – A senhora falou também de ficha de visita a campo.
R – Nós fizemos, por exemplo, lá em Itaboraí a nossa agenda visitou, até pra comunidade poder conhecer o que tem. Às vezes a pessoa mora no local, mas não sabe o que tem: lugares históricos, prédios, roteiro religioso. Que tem lá em Itaboraí, em (Porto das Caixas?). Então na nossa agenda a gente fazia esse tipo de trabalho.
P/1 – E nesse detalhamento quais foram as principais questões que vocês levantaram?
R – Saneamento, emprego. O que se espera. Até por causa dessa ___ que vai ter por aí, muita coisa vai ter que ser mudada. A gente espera que as coisas que o pessoal pleiteou, discutiu, que sejam colocadas em prática também.
P/1 – Como é a participação das pessoas no Fórum? É uma mobilização assim, voluntária, ou precisa muito esforço de vocês?
R – Não, não precisa muito esforço, não. O que falta lá é mesmo apoio, que nós não temos local, você ta entendendo? Agora, tendo local e marcando, o pessoal é presente.
P/1 – Mesmo antes do COMPERJ todo mundo já participava?
R – Mesmo antes do COMPERJ todo mundo já participava.
P/1 – E como é pra senhora, representante de um setor da comunidade, como é essa relação de levar as demandas da comunidade pra serem discutidas lá no Fórum?
R – Primeiro a gente faz a nossa reunião setorial. Não é trabalhoso, já é nato, não é difícil. A gente conversa, bate papo, discute e leva lá pra dentro do Fórum.
P/1 – E a relação entre os representantes com os outros setores?
R – Saudável. O que fica mais capenguinha é o governo. Porque o governo dificilmente aparece.
P/1 – O governo dificilmente aparece nas reuniões?
R – Nas reuniões do Fórum. Dificilmente. Empresário tem participado legal, comunidade nem se fala, né? Agora, o bojo maior é a comunidade mesmo.
P/1 – E esta você acha que é a maior dificuldade pra atuação do Fórum?
R – É, seria maior participação do governo e uma estrutura que nós não temos. Nós não temos estrutura nenhuma.
P/1 – Quando tem as reuniões onde elas acontecem?
R – A gente dá o nosso jeito. A gente pede sala emprestado na faculdade. Que está sempre disposta. A ___ sempre ajuda. É o único lugar que a gente tem. A prefeitura no outro governo nos cedeu um espaço, mas com essa mudança de governo eles tomaram o espaço. A gente não tem espaço, entendeu? É complicado.
P/1 – Como foi pra vocês, lá em Itaboraí, a notícia da chegada do COMPERJ?
R – Inicialmente, como te falo? Foi uma coisa assim: não se esperava, né? Então eu vim até agora conversando com o motorista. Itaboraí já sofreu uma mudança. Você fica imaginando nessa parte de terraplanagem a mudança que aconteceu em Itaboraí. É um dos motivos maiores que a gente quer a Agenda entre em funcionamento, quer fazer a voz da comunidade ser ouvida porque quem sente somos nós. Eu sempre falo que quando a Petrobras chegou dava a impressão que nós, comunidade, associação de moradores íamos ser mais ouvidos. Porque quem sabe o problema da minha casa sou eu. E hoje se você chega em Itaboraí nove horas da manhã você não tem mais onde estacionar, as ruas cheias. E nós continuamos com as mesmas escolas, com o mesmo hospital, com o mesmo trânsito e nada mudou. No início teve até um trabalho com uma Ong, uma entidade, que a gente pensava que ia ter um setor que ia ouvir a comunidade. Porque aquela pessoa que mora lá em Pacheco, que é o lugar mais distante, fica ouvindo falar em COMPERJ na televisão ou no jornal, mas não sabe nem o que é. Era idéia nossa que todos, todos, todos tivessem conhecimento do que é o COMPERJ, o que vai ser, como vai ser.
P/1 – Mas houve algumas caravanas da Petrobras pra explicar. A senhora não teve oportunidade?
R – Teve, mas olha só: aquele cidadão que sai de manhã pra trabalhar quando chega o trenzinho da caravana não está mais. Então, por exemplo, se fizesse, mesmo um dia, “vamos ficar dois ou três dias em Pacheco; vamos em Pires. Vamos, sabe, assim, para as pessoas tomarem conhecimento do que é.
P/1 – Você falou das mudanças que já há de terraplanagem. Aí você citou chegar e não ter mais vaga. O que mais já mudou com essas obras do COMPERJ?
R – O impacto maior que eu já vi é o trânsito mesmo. E às vezes em conversa com outras pessoas de outros setores, são escolas, porque a pessoa nunca vai sozinha, um cara vai trabalhar, por exemplo, vem de Minas, vem ele, a mulher e os filhos. Então são vagas nas escolas que as pessoas têm dificuldade de conseguir. Nós sabemos isso até através do Conselho Tutelar. Aí não tem vagas, vai pro Conselho Tutelar, aumenta a violência. Também aumentou um pouco. Você já vê as caras mais diferentes, né? Porque o pessoal não está trabalhando, está aonde? Está num bar, está numa esquina. Então acho que a cidade tem que se preparar pra quando chegar em 2012 não acontecer o que aconteceu em Macaé.
P/1 – E de positivo teve alguma coisa já?
R – Eu acho que sim, porque já se vê a cara da cidade mudando. Mais lojas vindo, crescendo, mudando a cara, construção de shopping. Até no setor imobiliário também você vê mais criação de prédios, condomínios. Acho que isso aí já é uma evolução. Agora, a falta de estrutura na questão de transporte, hospital e educação é que tinha que ser. Mas isso aí é parte do governo. A Petrobras não veio ali pra fazer tudo. Cada um tem que fazer a sua parte.
P/1 – Voltando a pensar no Fórum. Como é a relação do Fórum local em Itaboraí como COMPERJ, com a Petrobrás?
R – A relação do Fórum? A nossa etapa de reuniões com o Fórum, a última foi em março. Se não me engano. Que nós ficamos três dias em um hotel em Cachoeira. De lá pra cá nós não tivemos mais contato, a não ser a coisa de dois meses pra entrega da ficha de detalhamento. No nosso entender fica uma coisa só, não vai mais ter essa distinção de Fórum, Agenda 21 COMPERJ e agenda 21 local. É uma coisa só. É o Fórum de Itaboraí.
P/1 – Você falou que faltou um pouco de informação. Como é a relação da no município? Como ela chega para as pessoas?
R – Não chega. Chega para aquelas pessoas que tem que trabalhar, no caso os homens vão lá ___. O (eme?) é trabalho. Agora, relacionamento não chega.
P/1 – A senhora teve a oportunidade de acompanhar alguma reunião do Fórum regional? Que a gente sabia que a estrutura era dos fóruns locais, que tiravam seus representantes e foram ao Fórum regional.
R – Sim, participei. Tantas reuniões que participei. É, o regional , que aí ficavam os outros municípios: saquarema e tal, tal, tal.
P/1 – Queria que a senhora falasse como foi alguma reunião desta, como é a articulação entre os municípios?
R – Olha, sinceridade, eu acho que não há entrosamento de município com município não. Acho que é uma coisa muito solta. Aquela união, de você chegar e os catorze, que são catorze municípios, juntos. Tanto é que ___, acabou.
P/1 – Deu uma parada. É difícil articular as demandas da região através dos municípios?
R – é, mas é difícil porque não tem o entrosamento. Eu acho que acabou. Uma outra coisa que eu pude observar, que algumas pessoas pensavam uma coisa na realidade não era aquilo. Porque a Petrobras não veio pra dar dinheiro a ninguém. A Petrobras não veio pra encher o bolso de ninguém nem de prefeitura nenhuma. As pessoas que vão pra um movimento desse de Agenda 21, de um governo comunitário, tem que ir com o espírito de comunidade. Eu sempre falo nas entrevistas que eu dou: a Petrobras está voltada para o COMPERJ. A comunidade está voltada para o que vai haver de prejuízo, podemos dizer assim, mas você tem que ter uma parceria. Por isso que eu digo: se tivesse um setor de relacionamento da Petrobras que fosse dedicado ao relacionamento com as entidades, eu acho que o trabalho seria bem melhor. Porque tem pessoas dispostas a ajudar. Porque ninguém quer ver seu bairro, seu diistrito, destruído.
P/1 –A senhora tem alguma história pra contar desse teu tempo de militância na Agenda ou antes disso?
R – História a gente tem muitas, mas nós somos sonhadores. quem trabalha com movimento comunitário é sonhar. A gente só sonha. Muitas das vezes a gente não consegue realizar aquilo que a gente sonha. A gente fica: a gente pode fazer isso, aquilo, aquilo mais.
P/1 – E como você vê o futuro da região quando o COMPERJ estiver funcionando?
R – Daqui há quantos anos? Uns cinco anos. A gente espera que realmente a coisa flua do jeito que a gente pensa que tem que fluir, que tenhamos hospitais, transporte. É só isso que a gente fica pensando porque se continuar do jeito que ta, por exemplo, agora nós temo um distrito que está isolado porque uma ponte caiu. A ponte está prestes a cair e o Ministério Público mandou fechar a ponte. Então, quem mora em Visconde, que é próximo de Porto das Caixas, tem que fazer uma caminhada de mais de dois quilômetros pra chegar em casa. Então, acho que o município tem que se estruturar. Porque serão 200 e poucas mil pessoas dentro de uma cidade. Se não tiver mais transporte, mais hospital, mais escola, como a gente vai viver? Água.
P/1 – Já tem problema de abastecimento de água?
R – Já tem problema de abastecimento de água.
P/1 – Você falou do emprego. Que as pessoas estão chegando e falta de escola e tal. A Petrobras tem, através do COMPERJ, um centro de formação. De integração com a comunidade, que propõe formação. A senhora chegou a ver alguma coisa de formação, de capacitação profissional? De cursos básicos de pedreiro, marceneiro?
R – Da Petrobras não. O que tem lá em Itaboraí, está até acontecendo, começou esses dias, é um programa do governo que é o (pantec?), alguma coisa assim. Pedreiro, arrumador. Mas esse centro de formação, se não me engano, é em Salvação?
P/1 – É, a sede dele é pra ser em Salvação.
R – Teve algumas turmas sim, de qualificação. Teve. Mas acho que não tem mais.
P/1 – É, acho que não ta tendo. Mas a senhora conhece alguém que tenha contado alguma coisa?
R – Conheço. Tem um rapaz que é meu vizinho, ele fez a primeira etapa e agora já está na segunda etapa. De São Gonçalo.
P/1 – Mas ainda atende um numero muito pequeno de pessoas.
R – Muito pequeno. A maioria das pessoas que trabalham, inclusive na terraplanagem, não são nem de Itaboraí. Porque nós temos, a baixa qualificação faz com que as pessoas venham de fora.
P/1 – Dona Lair, como foi a atuação da Roda Viva com vocês?
R – A Roda Viva foi legal. A participação da Roda Viva foi muito legal e o pessoal fez umas amizades legal lá, com a Isabel, o Vladimir, o Maurício. E eles também não só ficaram nos ajudando na parte da Agenda do COMPERJ como na nossa Agenda 21 local. Até hoje eles dão força, conversam com a gente. Essa semana mesmo eu estava falando com a Isabel que nós temos que retomar a nossa Agenda 21. Embora o contrato deles já tenha acabado se colocou a disposição de nos ajudar. Então a relação foi legal.
P/1 – Agora em Itaboraí estamos aguardando...
R – Aguardando o sinal verde da nossa secretária de meio ambiente, pra gente ter uma conversa com ela, que nós precisamos retomar nosso trabalho. Ter um espaço, um local pra estar trabalhando.
P/1 – Infelizmente por conta da hora, os atrasos todos, senão não vamos conseguir fazer o próximo, vamos caminhar pro fim. Tem alguma coisa que eu não perguntei que a senhora queira deixar registrado? Não necessariamente só da Agenda 21.
R – O que eu gostaria, até em nome da nossa Federação de Associações, das nossas entidades, é que pudesse haver um entrosamento maior da Petrobras com as comunidades. Ouvir as comunidades. Chegar, ouvir, fazer um tour na cidade pra pode ir pegando, pinçando os problemas e tentar ajudar. Porque cada um faz a sua parte.
P/1 – O e-mail da senhora é: mulher de luta?
R – Lair mulher de luta.
P/1 – Por que desse e-mail? O que tem de luta na sua história?
R – Foi um amigo meu que uma vez começou a falar: Lair, Lair, Lair, ah, Lair mulher de luta, mulher de luta. Porque é muito trabalho, a gente não para, a gente está sempre envolvida. É aquilo que sempre falo: além da política a gente está sempre fazendo alguma coisa, ajudando alguma coisa. Então ficou essa mulher de luta e pegou. Você chega em Itaboraí e pergunta: “Lair?”. “Ah, Lair mulher de luta?”. Todo mundo conhece. (risos)
P/1 – E antes das Associações de moradores que você representou lá você tinha algum envolvimento com outro tipo de programa social.
R – Eu faço parte do movimento de mulheres de Itaboraí. Nós fundamos o CRAM (Centro de Referência e Apoio a Mulher) e a rádio comunitária também. Eu administro uma rádio comunitária que, infelizmente, está fechada. Porque a Polícia Federal fechou. Mas como nós estamos com a documentação em tramites lá em Brasília, então deixa ela fechadinha, a hora que sair, que já ta quase saindo a nossa outorga, a gente bota ela de volta. É a rádio Manguezais. Que foi um projeto do PDBG (Programa de Despoluição da Bahia de Guanabara), junto como Viva Rio. Nós ganhamos a rádio todinha montada.
P/1 – E ela ficou muito tempo em funcionamento?
R – Ficou, ficou. Foi em 2002, nós estamos em quê?
P/1 – 2009.
R – 2009. Sete anos.
P/1 – E a senhora apresentava programas também?
R – Tinha um programa lá: Lair mulher de luta nas comunidades. (risos)
P/1 – E você...
R – Nós tivemos que fundar uma Associação. Nós temos uma Associação fundada, a Associação de Rádio Difusão Cultural e Sócio-ambiental de Itaboraí, ARCULSITA. E tem o presidente, que é o nosso amigo Heleno, eu sou diretora administrativa e tem o Luiz Cláudio, que é o técnico.
P/1 – Era uma rádio de música, mas também uma rádio de informação.
R – Tinha informação, tinha de tudo. Até porque é única rádio comunitária mesmo de Itaboraí. Porque ela não tem dono, ela é da comunidade mesmo. Ficou lá fechada. O que a gente pode fazer? Deixa fechada. Um dia, né? Mas já está quase saindo a autorização. A gente já vinha fazendo: fundamos, mandamos pra Brasília. Como já está quase na hora, deixa ela mais um pouquinho fechada.
P/1 – E o CRAM, o que faz em Itaboraí?
R – O CRAM parou um pouco também. O CRAM parou porque as pessoas são quase as mesmas. As pessoas que são da Associação são as pessoas que fazem rádio, são as pessoas que fazem o movimento de mulheres, então praticamente a gente deu uma parada. Só quando tem assim algum movimento, dia das mulheres, que a gente tem alguma coisa a fazer.
P/1 – Legal a sua história. Pena que a gente não pode ver toda hoje. Queria perguntar pra você o que acha dessa iniciativa da Petrobras de fazer esse registro da memória.
R – Importante. Toda memória registrada é importante. É valiosa. Agora, uma pergunta: ela vai fazer a gravação, edição?
P/1 – Eu queria então encerrar a nossa entrevista perguntando o que você achou de ter dado essa pequena entrevista pra gente hoje?
R – Só enaltece. Mas uma Lair Mulher de Luta lá... Ah poucos dias agora eu fui palestrante no Museu da República pra falar de Itaboraí. Foi sobre meio ambiente. A gente fica contente, né?
P/1 – Como foi essa experiência do Museu da República?
R – Foi a primeira também. Primeiro eu fiquei temerosa, mas depois me saí bem.
P/1 – Obrigada pela sua participação.
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