Meu nome é Maria Alice Mendes de Oliveira Armelin, tenho 57 anos, sou professora aposentada da rede pública municipal de São Paulo desde 2003.
Iniciei minha carreira em 1972, quando ainda cursava a faculdade de Ciências e Letras da USP. Naquele ano, houve a “criação” do ensino fundamental, tal como o temos hoje, isto é, foram unificados dois segmentos do ensino até então separados: o primário (1º ao 4º ano) e o ginasial (1ª à 4ª série). Como não havia professores formados em número suficiente para atender essa nova demanda, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo começou a contratar alunos de 3º e 4º anos de faculdade, para ministrarem aulas. Assim, pude realizar mais cedo o sonho de ser professora. A primeira disciplina que lecionei foi o Francês, e depois veio o Português.
Nos 31 anos que trabalhei como professora, pude construir juntamente com os alunos projetos muito bons, que marcaram minha experiência como educadora e que, tenho certeza, marcaram muitos desses jovens com quem tive a alegria de partilhar vivências tão ricas.
Entre esses projetos, um em especial ensinou-me muito e deixou saudades: o Projeto de Jornal Escolar, desenvolvido durante 4 anos com alunos da EMEF Máximo de Moura Santos.
Em 1998, um grupo de alunos de 6ª série trouxe-me a proposta de se fazer um jornal escolar. Discutimos o assunto, conversamos com a Coordenadora Pedagógica da escola, Rosa Sílvia Chaves, e com seu apoio e a aprovação da direção decidimos pôr em prática essa idéia. As Professoras Elza Maria A. Fernandes, Kelley Carvalho Monteiro de Oliveira Maria e Maria das Mercedes Frigola Pardo, responsáveis pela Informática Educativa, também juntaram-se à nós, orientando os alunos na utilização dos recursos que o computador oferecia para produzir os textos, diagramar e editar o jornal. Os alunos criaram o nome do jornal. O logotipo, que o representaria dali por diante, foi escolhido em votação por toda a...
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Meu nome é Maria Alice Mendes de Oliveira Armelin, tenho 57 anos, sou professora aposentada da rede pública municipal de São Paulo desde 2003.
Iniciei minha carreira em 1972, quando ainda cursava a faculdade de Ciências e Letras da USP. Naquele ano, houve a “criação” do ensino fundamental, tal como o temos hoje, isto é, foram unificados dois segmentos do ensino até então separados: o primário (1º ao 4º ano) e o ginasial (1ª à 4ª série). Como não havia professores formados em número suficiente para atender essa nova demanda, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo começou a contratar alunos de 3º e 4º anos de faculdade, para ministrarem aulas. Assim, pude realizar mais cedo o sonho de ser professora. A primeira disciplina que lecionei foi o Francês, e depois veio o Português.
Nos 31 anos que trabalhei como professora, pude construir juntamente com os alunos projetos muito bons, que marcaram minha experiência como educadora e que, tenho certeza, marcaram muitos desses jovens com quem tive a alegria de partilhar vivências tão ricas.
Entre esses projetos, um em especial ensinou-me muito e deixou saudades: o Projeto de Jornal Escolar, desenvolvido durante 4 anos com alunos da EMEF Máximo de Moura Santos.
Em 1998, um grupo de alunos de 6ª série trouxe-me a proposta de se fazer um jornal escolar. Discutimos o assunto, conversamos com a Coordenadora Pedagógica da escola, Rosa Sílvia Chaves, e com seu apoio e a aprovação da direção decidimos pôr em prática essa idéia. As Professoras Elza Maria A. Fernandes, Kelley Carvalho Monteiro de Oliveira Maria e Maria das Mercedes Frigola Pardo, responsáveis pela Informática Educativa, também juntaram-se à nós, orientando os alunos na utilização dos recursos que o computador oferecia para produzir os textos, diagramar e editar o jornal. Os alunos criaram o nome do jornal. O logotipo, que o representaria dali por diante, foi escolhido em votação por toda a escola.
Começamos então um processo de trabalho norteado pelo direito e respeito à opinião de todos e pela valorização do coletivo, que duraria até 2001.
O grupo inicial de alunos, constituído por Ana Rita M. Freire, Melina Zanelli, Bruno H. Rodrigues, Ariane D. Oliveira, Palloma B. C. Mina, Jefferson C. Silva, Ariel A. Novaes, Janaína A. Wanderley e Eduardo Zanelli produziu e editou cinco números, todos abordando assuntos de interesse dos jovens e que estavam em evidência na época. O objetivo era informar, esclarecer dúvidas e questionar posições, dentro de princípios compatíveis com a ética e a democracia.
Logo o grupo ganhou novos colegas de diferentes séries.
Em 99, já integrado ao Projeto da Escola — Ética e Cidadania — o jornal amadureceu em conteúdo e forma, ganhando um grande número de alunos participantes de 5ª a 8ª séries e a colaboração de vários professores.
Foram publicados 14 números do Jornal Máximo. Talvez essa quantidade possa ser considerada pequena, mas enfrentávamos dificuldades inerentes à produção de um jornal escolar numa escola pública: problemas com computadores e máquina xerox , a falta de material (papel, tinta) e outros obstáculos atrapalharam bastante, mas não fizeram o grupo esmorecer. Além disso, o processo de elaboração (vide abaixo), previa uma dinâmica de discussão e decisão absolutamente coletivas, o que tomava tempo, mas dava maior legitimidade ao trabalho.
Nesses 4 anos de existência, além das tradicionais matérias, típicas de um jornal feito por alunos, o Jornal Máximo trouxe para o centro das preocupações da comunidade escolar assuntos atuais e de interesse, como: drogas, sexualidade, Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, esoterismo, animais de estimação perigosos, violência na escola, escola pública, enchentes, a má administração da cidade, internet, olimpíadas, censura x ética na TV, funk e ameaça à paz mundial. Foi, sem dúvida, uma experiência rica para professores e alunos.
Tudo que era trazido pelo grupo era considerado, discutido, avaliado e referendado ou não, podendo se tornar matéria do próximo nº do Jornal Máximo. As tarefas eram divididas, assumidas e desempenhadas por todos, de forma tranqüila. Cada um contribuía realizando as tarefas para as quais se sentia capaz. Mas havia sempre um estímulo para que todos experimentassem fazer coisas diferentes: pesquisar, produzir textos, desenhar, digitar, diagramar, etc.
Assim, ultrapassando os limites das diferentes disciplinas, o trabalho com o jornal proporcionava aos alunos envolvidos o desenvolvimento de habilidades múltiplas e essenciais como a da conviver e de trabalhar coletivamente, a de criticar construtivamente, a de avaliar com pertinência e imparcialidade.
Hoje, quando tenho notícias de que alguns desses meninos e meninas que estiveram conosco estão fazendo coisas importantes para si e para os outros, tenho a certeza de que vivências como as que o projeto proporcionou foram significativas e também colaboraram na sua constituição como seres humanos.
Àqueles professores que poderão vir a ler este relato, eu diria que vale a pena engajar-se num projeto como esse, pois o jornal escolar é um instrumento bastante interessante para estabelecer a comunicação e o debate entre os alunos e a comunidade escolar. Pode auxiliar na formação de produtores e leitores enquanto cidadãos críticos, participantes e capazes de transformar a realidade.
O processo de elaboração do jornal
- A equipe de produção do jornal reunia-se uma vez por semana, durante 1h30min, no horário de trabalho coletivo dos professores.
- Os alunos propunham os temas e redigiam os textos para compor as matérias. Tanto os temas quanto os textos podiam ser mantidos ou alterados após leitura e discussão feitas com toda a equipe, que devia referendá-los, para que chegassem ao público.
- O que dependia de decisão coletiva era resolvido nesse encontro. Havia divisão de trabalho, sendo assim, a cada encontro todos saíam com tarefas para realizar até a semana seguinte.
- Cada aluno assumia e desempenhava as tarefas para as quais se sentia mais habilitado: alguns pesquisavam, outros escreviam (às vezes em parceria), outros desenhavam, outros digitavam e diagramavam o jornal.
- Os professores participantes atuavam na coordenação das atividades, na mediação das discussões, na consultoria, revisão e orientação para a digitação e diagramação do jornal.
- O trabalho era desenvolvido no laboratório de informática educativa em computadores Pentium, equipados com Microsoft Office 7.0. Contávamos com um scanner e uma impressora para imprimir a matriz. A tiragem de cópias era feita em xerox.
- Os exemplares do Jornal Máximo eram vendidos por um preço simbólico – alguns centavos. O dinheiro arrecadado revertia parte para a elaboração do número seguinte e parte para a A.P.M. da escola.
Alunos que participaram da elaboração do Jornal Máximo de 1998 a 2001
Adriana Minieri, Aimée Ferreira, Alex S. Ribeiro, Aline Ferreira, Amanda Silva, Ana Cláudia G. da Silva, Ana Rita M. Freire, Andressa R. Machado, Andressa Baptista, Anne Margareth dos Santos, Ariane D. Oliveira, Ariel A. Novaes, Arthur N. Martins, Bruno César da Silva Santos, Bruno H. Rodrigues, Bruno S. Ribeiro, Caio Athanásio, Camila Lebmann, Carlos H. Grando, Carmen Martins, Caroline de Souza Bezerra, Cristiana S. Santos, Daniel Lopes Argento , Eduardo Zanelli, Fabíola Argibay Justino, Felipe Matheus, Fernanda B. Gomes, Fernanda Coelho, Fernanda L. Azevedo, Hérica R. Scaglione, Janaína A. Wanderley, Jefferson C. Silva, Jefferson Luppi, João Pedro Nunes Costa, Juliana S. Ribeiro, Karina Paiva, Laís N. Cavalcante, Lígia Gratão, Luana K. Oliveira, Lucas F. S. Rocha, Luciane Costa, Luís M. S. Ferreira, Luiz Roberto Jr., Marcelo Araújo Jr, Márcio Carvalho, Marco A. N. Catanha, Marcos E. de Oliveira, Marcos Paulo da Silva, Mª Carolina M. Queiroz, M.ª Izabel V. Cossio; Mª Fernanda V. Cossio, Mariana Kuntz, Mariana Ribeiro, Mariana S. Santos, Mariane C. Bincoletto, Marília Santos, Marina Ferreira, Mário R. A. Alencar; Melina Zanelli, Michael Argento Lopes, Michelle Bressan, Michelle C. Grillo, Mônica Carvalho, Natali Ezzughayyor, Oswaldo Rabello, Palloma B. C. Mina, Paloma L. Fonseca, Paula M. Pietscher, Paulo L. Fonseca, Priscila Fernandes, Rachel D. Topfstedt, Rafael Fernandes, Raissa Nunes Costa, Raphael Brandão, Ravena Candian Delgado, Regina Frias, Renato Argibay Justino, Ricardo Abreu, Samanta J. Neri, Shaiene N. Nascimento, Talita Teixeira, Tatiana Carvalho, Thiago Santana, Thiago Spinelli, Tito Alexandre Santos, Victor Matheus e Willian E. de Souza.
(Depoimento enviado em 14 de novembro de 2008)
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