IDENTIFICAÇÃO Meu nome é João de Lima Veloso Filho, nasci no Rio de Janeiro em 16 de novembro de 1964. FAMÍLIA Meu pai é João de Lima Veloso e a minha mãe é Maria Madalena de Lima, são portugueses. Eu sou da primeira geração da família do Brasil. Acho que foi uma coisa natural da época [a imigração dos pais]: a vinda de vários portugueses para o Brasil para tentar a vida, porque a situação lá não estava muito boa. Meu pai veio para o Brasil e depois se casou por procuração com a minha mãe, que veio depois. Foi no final da década de 50. Eles já namoravam lá. Sou o primeiro filho, primeiro e único Nasci no Rio de Janeiro, em Botafogo e morava em Botafogo até me casar. Depois eu me mudei para Niterói. Meu pai era marceneiro, tinha uma fábrica de móveis em Botafogo, e a minha mãe é a mãe do lar. INFÂNCIA Era muito legal, ainda dava para jogar bola na rua, andar pelas ruas com mais tranqüilidade. Vivia na praia, como qualquer criança da Zona Sul do Rio, foi uma época muito boa, vários amigos na região Vários permanecem ainda hoje. Alguns até trabalham na Petrobras. (risos) Eu gostava de estar com as pessoas. Gostava muito de ir para a praia, jogar vôlei, pegar onda, as coisas de quem mora perto de praia mesmo. Não cheguei a ser surfista, mas pegava onda de peito e gostava de jogar futebol de areia, vôlei de praia. Estudei em Botafogo, a escola era ao lado da maternidade onde nasci, que hoje já não existe mais. O segundo grau eu fiz em Copacabana. Morávamos em apartamento, um apartamento pequeno, quarto e sala, de acordo com as condições financeiras da família, mas nunca faltou nada que precisasse. ESCOLA Estudei no Colégio Municipal Francisco Alves, que fica em Botafogo mesmo, perto da Rua da Passagem. Foi um primeiro grau normal, colégio público, não teve grandes desafios, nem coisa muito diferente de qualquer escola comum. Eu até era um bom aluno, mas tinha um problema:...
Continuar leituraIDENTIFICAÇÃO Meu nome é João de Lima Veloso Filho, nasci no Rio de Janeiro em 16 de novembro de 1964. FAMÍLIA Meu pai é João de Lima Veloso e a minha mãe é Maria Madalena de Lima, são portugueses. Eu sou da primeira geração da família do Brasil. Acho que foi uma coisa natural da época [a imigração dos pais]: a vinda de vários portugueses para o Brasil para tentar a vida, porque a situação lá não estava muito boa. Meu pai veio para o Brasil e depois se casou por procuração com a minha mãe, que veio depois. Foi no final da década de 50. Eles já namoravam lá. Sou o primeiro filho, primeiro e único Nasci no Rio de Janeiro, em Botafogo e morava em Botafogo até me casar. Depois eu me mudei para Niterói. Meu pai era marceneiro, tinha uma fábrica de móveis em Botafogo, e a minha mãe é a mãe do lar. INFÂNCIA Era muito legal, ainda dava para jogar bola na rua, andar pelas ruas com mais tranqüilidade. Vivia na praia, como qualquer criança da Zona Sul do Rio, foi uma época muito boa, vários amigos na região Vários permanecem ainda hoje. Alguns até trabalham na Petrobras. (risos) Eu gostava de estar com as pessoas. Gostava muito de ir para a praia, jogar vôlei, pegar onda, as coisas de quem mora perto de praia mesmo. Não cheguei a ser surfista, mas pegava onda de peito e gostava de jogar futebol de areia, vôlei de praia. Estudei em Botafogo, a escola era ao lado da maternidade onde nasci, que hoje já não existe mais. O segundo grau eu fiz em Copacabana. Morávamos em apartamento, um apartamento pequeno, quarto e sala, de acordo com as condições financeiras da família, mas nunca faltou nada que precisasse. ESCOLA Estudei no Colégio Municipal Francisco Alves, que fica em Botafogo mesmo, perto da Rua da Passagem. Foi um primeiro grau normal, colégio público, não teve grandes desafios, nem coisa muito diferente de qualquer escola comum. Eu até era um bom aluno, mas tinha um problema: como eu aprendia muito rápido, gostava mais de ficar batendo papo. (risos) Sempre gostei de matemática e nunca tive grandes problemas na escola. Foi sempre a mesma professora ao longo do primário, professora Alice, não me recordo o sobrenome dela. Tive um amigo também que começou comigo desde o primeiro ano do primário e foi até o último ano do segundo grau, a gente estudou sempre na mesma sala. Mas depois quando foi para a faculdade, cada um seguiu o seu caminho, e tem alguns anos que a gente não se vê O nome dele é Alexandre Tarquento. Troquei de escola no ginásio, mas na verdade era uma escola que é ao lado. A Escola é Ligia Uchoa, hoje não tem mais esse nome. O ginásio também foi tranqüilo, sem problemas. Sempre praticamente a mesma turma, só mudei de escola. Fiz o segundo grau técnico na Escola Estadual Infante Dom Henrique, em Copacabana. Foi o meu primeiro contato com a engenharia porque lá tinha curso técnico de engenharia civil. Foi um curso técnico, numa situação bem legal, os professores também bem legais. Grande parte da turma que vinha da outra escola a gente continuou junto e alguns outros amigos que formaram ali e que continuam meus amigos até hoje ESCOLHA DA PROFISSÃO Fiz o curso técnico em construção civil. Técnico em Edificações. Digo sempre que minha vocação para engenheiro civil veio de me espelhar um pouco em um primo que fazia engenharia civil e eu gostava do que ele levava para casa para fazer, os projetos. Isso me inspirou e eu segui em frente. Quando ainda era criança gostava de ver aquelas plantas e aquilo me interessou e eu segui por esse caminho. Eles [os pais] não interferiram na minha escolha. FACULDADE Saí do técnico direto para a faculdade, fiz Faculdade Federal Fluminense, aqui em Niterói, engenharia civil. Entrei na faculdade em 84 e me formei em 89. Só as farras de sempre, eram boas. O pessoal se reunia, saia, bebia, ia para festa. A turma da engenharia é animada, gosta de sair, se divertir, vai para as outras faculdades. Tem também várias competições esportivas, principalmente vôlei, futebol de salão, handball, o pessoal joga bastante e faz time contra às outras faculdades. Participei durante algum tempo no time de vôlei. JUVENTUDE Depois que entrei na faculdade, procurei levar mais a sério e tentar ir em frente até para poder começar a estagiar, e trabalhar; ao longo da faculdade estagiei em algumas empresas, trabalhei com área de construção civil mesmo, até me formar. Depois que me formei, segui outros caminhos. PRIMEIRO EMPREGO Estagiei em uma empresa de edificações em Niterói, chamada Siel, fiquei como estagiário de construção civil, acompanhava a execução de alguns prédios e de manutenção predial. Fiquei cerca de dois anos nessa empresa, até me formar. Quando me formei tive um convite para permanecer nessa empresa, mas também surgiu outro convite que era para ir trabalhar no metrô de São Paulo, na época estavam construindo o metrô da Avenida Paulista. Eu fui. Passei três anos e meio morando em São Paulo. Meu pai faleceu alguns meses depois que me formei. Minha mãe ficou meio receosa, mas como era São Paulo, eu vinha todo final de semana em casa, não tinha grandes problemas. Namorava nessa época. Tinha uma namorada aqui, terminei com ela e arrumei uma namorada em São Paulo. Depois arrumei outra namorada aqui em Niterói e casei com ela. (risos) Não foi muito simples não, era uma batalha. Mas, de certa forma é normal. Porque você está começando a carreira, tinha 24 anos. MUDANÇA PARA SÃO PAULO Não conhecia São Paulo, na época da entrevista até perguntaram: “Você conhece São Paulo?” “Não” “E como é que você vai chegar lá?” “Me dá o endereço”. Cheguei lá, tranquilamente e comecei a trabalhar. A única coisa que estranhei de início foi o clima, Era bem mais frio que o Rio, mas também não era nada que impedisse o trabalho e o convívio com as pessoas. OBRA DO METRÔ DE SÃO PAULO Fui contratado por uma empresa que fazia instrumentação de geomecânica, esse serviço era para acompanhar a movimentação da estrutura do túnel ao longo da execução da obra para ver se não viria a causar algum acidente. Trabalhei no trecho que atravessa a Paulista mesmo, meu escritório ficava na Cardoso de Almeida. Trabalhei na Estação das Clínicas também e em um trecho para Vila Madalena. Fique três anos e meio Foi uma experiência muito boa do ponto de vista profissional. Foi excelente Aprendi muitas coisas, aprendi com pessoas que são top de linha nessa área de túneis, convivi com muita gente de São Paulo, do metrô de São Paulo. Muitos são da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos, alguns já foram presidentes e são filiados a essa Associação. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Depois desses três anos e meio, fui – ainda acompanhando o metrô – trabalhar na implantação do metrô de Brasília; também fazendo instrumentação de geomecânica, fiquei lá um ano e meio. Depois com a situação econômica do país, começou a ter uma parada geral das obras, mudei de empresa, voltei para o Rio e fui trabalhar em Seropédica. Era uma empresa de construção civil, construção normal, fazia construção de prédios. A parte de solos é uma cadeira da construção civil, eu já gostava. Ela é específica, mas é básica para qualquer um de engenharia civil. Quem quer se aprofundar mais, geralmente faz geotecnia, na área de engenharia. Eu não tenho especialização, minha área é de engenharia civil geral. INGRESSO NA PETROBRAS A Petrobras surgiu na minha vida depois de uns 15 anos, quando surgiu um concurso no final de 2005. Minha esposa tinha visto no jornal que estava havendo concurso e perguntou se eu não queria fazer, eu falei: “Olha, já faz tantos anos que tô longe da faculdade, eu não sei...”. “Faz um cursinho...”. Fui sem compromisso, fiz o curso, estava trabalhando em outra empresa em Niterói. A prova basicamente foi uma prova prática, era o meu dia-a-dia e eu relembrei no cursinho a parte teórica da faculdade. Fui bem colocado e entrei para a empresa Fui chamado em novembro de 2006. Mandaram um telegrama. Minha esposa recebeu e me ligou: “Olha, chegou um telegrama da Petrobras”. Eu falei: “Ah, deve ser pra agradecer a participação... (risos)”. Mas eu tinha ficado bem colocado, o concurso foi nacional e eu fiquei em décimo terceiro e fui chamado logo. Eles chamaram uns 50 engenheiros civis na primeira chamada e eu estava dentro. Entrei como engenheiro Junior e logo em seguida entrou um concurso, dois meses depois, para engenheiro pleno, falei: “Bom, já fiz todo o preparo pra fazer o primeiro concurso, eu vou fazer essa segunda prova também”. Fiz a segunda prova, passei e depois que entrei na Petrobras fui reclassificado para engenheiro pleno. Eu ainda não estava contratado quando fiz o novo concurso, mas como já estava dentro da companhia, já tinha passado no outro concurso e abriu a vaga, eu só fui reclassificado. CURSO DE FORMAÇÃO Fiz o curso de formação só quando entrei a primeira vez. Foi na UP [Unidade de Produção]. Foi um curso super tranqüilo, super simples, mais para conhecimento da empresa; conhecer a área de negócios da empresa que é petróleo; fazer a ambiência e começar a trabalhar. COMPERJ / PRIMEIRO CONTATO Pensei assim: “O que é que um engenheiro civil vai fazer na Petrobras?”. Quando entrei, como já sabia que existia o projeto do Comperj, minha idéia sempre foi entrar no Comperj, já nas entrevistas na UP, quando mostraram as vagas do Comperj – só existia uma vaga – poucas pessoas se mostraram interessadas e eu que tinha a maior experiência do grupo que estava entrando, fui chamado. Casou a minha escolha com a escolha da unidade Eu já sabia pela imprensa. Foi perto da época em que eu fiz o concurso. Falei: “Ah, uma obra desse tamanho, desse porte, deve precisar de engenheiro civil, então acho que vai valer a pena fazer o concurso.” Foi no finalzinho de 2006. INGRESSO NA PETROBRAS Na verdade naquela época a gente ainda estava com uma unidade da engenharia mais ligada ao abastecimento que iniciou o Comperj, até que se formasse a unidade Comperj. Na verdade eu sou do IE-Comperj [Implementação de Empreendimentos para o Comperj]. Comecei no IE-PQF. Implementação de Empreendimentos de Petroquímica e Fertilizantes. O IE-Comperj é uma unidade da engenharia para implementação do Comperj. COMPERJ / TERRAPLANAGEM O Comperj está localizado na região de Itaboraí, a cerca de 50 quilômetros do Rio, tem uma área de 45 quilômetros quadrados, tem uma área industrial dentro desses 45 quilômetros, de 11 quilômetros quadrados; a gente está fazendo terraplanagem para preparar o terreno para implantação das unidades petroquímicas. O Comperj é dividido em áreas de UPB – que é Unidade Petroquímica Básica – e UPA – que é Unidade Petroquímica Associada que vão produzir essas resinas termoplásticas com o petróleo vindo de Marlim. É um mega empreendimento da Petrobras – ele é hoje o maior investimento da história da Petrobras em que a Petrobras é a única participante, é um desafio muito grande A fase em que nós estamos hoje é em terraplanagem mesmo. São 55 milhões de metros cúbicos de movimento de solo. Com certeza é a maior terraplanagem do país comparável a muitas barragens, não existe movimentação de solos desse nível para porte industrial e provavelmente uma das maiores do mundo A gente não tem dados para comparar, mas pelo volume a gente sabe que é uma das maiores do mundo Quando cheguei, o Comperj já tinha cerca de um ano e meio de vida, já vinha sendo trabalhado; a gente começou a preparar o projeto da terraplanagem. Existia um projeto conceitual elaborado pelo Cenpes [Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello], foi contratada uma empresa para elaborar o projeto básico e preparar um projeto mais detalhado, praticamente um executivo, para que se contratasse a terraplanagem em si. A terraplanagem começou em maio de 2008. Já estamos com 42% da obra executada, mas infelizmente estamos muito impactados com chuva, tem chovido muito desde o ano passado e isso tem trazido problemas para a execução, porque o material básico da terraplanagem é solo, e ele é muito sensível à umidade; com a umidade alta a gente não consegue executar os serviços. Além de questão de segurança, de circulação das máquinas, a própria umidade do solo estando elevada, você não consegue compactar os aterros e é uma condição técnica, não é mais uma condição nem de segurança, nem de opção. Simplesmente não tem a condição técnica ideal para executar o serviço. Quando cheguei esse projeto não estava pronto, foi elaborado ao longo do tempo. Eles já tinham um conceitual pronto. Quando fui designado para a equipe, queria trabalhar na terraplanagem, entrei mais a fundo no projeto, mas já peguei numa fase de projeto pré-executivo. A escolha dos equipamentos faz parte do consórcio das empresas que está participando da construção. Mas essa escolha é natural pelos próprios equipamentos que a empresa tem e a disponibilidade de mercado. Você não consegue fazer uma terraplanagem como essa com meia dúzia de equipamentos. A idéia inicial que a gente tinha é que seriam necessários em torno de 400 a 500 equipamentos para executar essa obra. Hoje temos cerca de 800, alguns equipamentos de grande porte, de mineração, que não é uma condição normal de uma terraplanagem, a gente sabe disso pelos volumes que tem que ser movimentados. A condição de aumentar a quantidade de equipamentos que a contratada fez e a Petrobras concordou é por causa da condição climática desfavorável. Nosso prazo é muito desafiador, e quando não chove a gente tem que produzir para compensar o período que choveu. A gente tem que tentar cumprir esse cronograma porque todas as outras unidades que vão entrar depois dependem da terraplanagem estar concluída. A gente até já sabe que não vai estar com 100% da terraplanagem concluída, mas estamos dando prioridade às áreas onde vão entrar as primeiras unidades para começar a sua construção. Ultimamente eu sou conhecido como o “homem do tempo”. O pessoal me pergunta como é que está a condição do tempo para o final de semana, eu falo: “Olha, vai chover; não vai chover...”. (riso) COMPERJ / TERRAPLANAGEM / EQUIPAMENTOS Estamos com umas escavadeiras muito grandes, cada caçamba que escava tem capacidade de 20 metros cúbicos; consegue carregar um caminhão que tem 60 metros cúbicos com três caçambas. Dá uma produção bastante elevada, temos todos os tipos de equipamentos possíveis de terraplanagem: temos um motoscraper; tratores na esteira; motos niveladoras; partes carregadeiras; escavadeiras de vários portes, temos várias situações que tem que ser tratadas a nível de situações de geotécnicas. A área é uma área rural com muitos canais, que a gente chama de talvegues. Esses talvegues têm muito solo com baixa resistência e têm que ser removidos ou têm que ser tratados para que a gente consiga executar a terraplanagem. São vários equipamentos trabalhando ao mesmo tempo fazendo coisas diferentes, mas buscando abrir frentes de serviços para terraplanagem. COMPERJ / PREPARO DO SOLO A área tem algumas manchas de mata e muito pasto. As áreas que tem mata, por condições de licenciamento, a gente tem que cortar com motosserra, derrubar essas árvores, desgalhar, cortar os troncos em toras menores e acondicionar em um local dentro do próprio Comperj para fazer a compensação ambiental específica. Depois disso tem que destocar, ou seja, arrancar as raízes que ficaram porque aquilo não pode ficar ali. A região que é pasto tem que remover aquela camada superficial que geralmente não serve para execução de obra. Em áreas que são baixadas, tem o acumulo desse material; esse material ou é tratado dependendo da espessura que for, até dois metros de profundidade se a gente chegar a um solo de boa qualidade, a gente remove aquela camada e enche aquele buraco de areia e depois executa a terraplanagem; ou então a gente vai fazer algum tratamento para aceleração de recapes, ou seja, para o terreno se acomodar mais rápido para que a gente possa depois construir a unidade tendo uma despesa menor com as fundações. Muitas dessas regiões de baixadas são quase canais naturais; tem que fazer um tratamento em que se colocam drenos, chamados drenos profundos, que vão captar toda aquela água e conduzir para fora dos aterros no momento em que você os levanta. O solo trabalha como se fosse uma esponja, no momento em que você carrega com terra em cima, cria um peso e espreme a camada inferior e essa água tende a sair, por isso que a gente cria alguns colchões de areia; esse dreno é formado de areia e pedra para que essa água seja conduzida e saia para algum lugar dando caminho naturalmente para a água. Com isso você acelera o recalque e dá condições ao terreno para que você possa construir em cima dele sem que venha a sofrer algum dano posterior à estrutura do que está sendo montado em cima. COMPERJ / TERRAPLANAGEM / EQUIPAMENTOS Falei de nivelador que é bem comum até as prefeituras tem para acertar as ruas e tudo mais; a carregadeira é aquele trator de pneus que faz carregamento de caminhão; Os tratores de esteira são os mais conhecidos, têm uma lâmina na frente para fazer corte, tem tratores enormes, o mais conhecido é o D-8, mas temos o D-9, D-10, vários portes, cada numeração dessa tem um aumento de porte do equipamento. Nós temos os motoscrapers, que são um pouco menos conhecidos, mas é fácil das pessoas saberem: é aquele equipamento que ao mesmo tempo em que anda, ou corta o solo; armazena o material dentro de uma caçamba interna que ele tem; depois se desloca até o local onde vai largar aquele material, abre a caçamba e já esparrama o material. Tem vários outros equipamentos: tem trator agrícola com grade que é para destorar o material e fazer perder a umidade; tem caminhão pipa para corrigir a umidade quando está muito baixa, você precisa ter uma umidade que eles chamam de umidade ótima, que é uma faixa de umidade que vai te trazer a maior qualidade possível do aterro. Nós temos alguns tratores desses com o escarificador, porque às vezes depois que chove tem que tratar o terreno de novo, para poder lançar nova camada, eles têm umas garras que vão andando e vão rasgando o terreno. E caminhões de vários portes: caminhões para estrada, caminhões de grandes capacidades. Existe um consórcio para esse serviço das empresas Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão, são grandes construtoras. RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Todo esse cuidado é tido através das condicionantes ambientais do licenciamento para execução da obra do Comperj. Algumas condicionantes visam a gente melhorar as condições de obra. A gente hoje não tem mais bota fora, que são áreas de depósito de material de excedente; uma área que é controlada, o material que é retirado dessas camadas superficiais é levado para essa área, acomodado de uma forma adequada, sempre tendendo a uma determinada conformação; depois tem o replantio de mudas para que essa área seja monitorada e volte a ser uma área verde. Está no licenciamento do Comperj como um todo a criação de um corredor ecológico; e todo o entorno da refinaria e do terreno vai ser replantado com mudas da Mata Atlântica para a recuperação auxiliar dos Rios Macacu e Caceribu que são nossos limites de terreno. Todas essas coisas são colocadas pela Petrobras, é um compromisso. Está no licenciamento porque é compromisso da Petrobras com o meio ambiente. COMPERJ / PRESERVAÇÃO CULTURAL Temos também a preservação cultural, que é quando na fase inicial do Comperj a gente fez uma prospecção arqueológica na região. Aquela região é muito rica de achados arqueológicos, nós encontramos 39 sítios arqueológicos no local 28 foram resgatados porque estavam dentro da área que ia ser terraplanada. Esse material hoje está no Museu Nacional sendo catalogado, vai haver uma exposição futura desse material. Nós temos também o Centro de Informações que fica junto às Ruínas do Convento de São Boa Ventura, que ficava na região onde existia a Vila de Santo Antônio de Sá, que foi a primeira vila do Recôncavo da Guanabara, em torno de 1650. Essas ruínas estão sendo recuperadas para se manter como ruínas, são tombadas, não podem ser nem melhoradas, nem demolidas. Naquela região, onde era a Vila de Santo Antônio de Sá, os sítios arqueológicos permanecem e vão fazer parte de uma área de preservação cultural conhecida como Parque Arqueológico, que também vai fazer parte desse Centro de Informação do Comperj. Na área onde está destinada a estrada de acesso ao Comperj, foram achados seis Sambaquis, achados arqueológicos de conchas, utensílios, e às vezes até corpos dos habitantes que remontam à pré-história da região. Contratamos um grupo de arqueólogos que vem do Museu Nacional, que fizeram esse trabalho de prospecção e resgate desse material, sempre se reportando ao Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], que é o órgão maior dessa área de cultura, preservação cultural, de história cultural do país. Quando achamos os Sambaquis precisamos fazer alguns ajustes nos traçados da estrada porque um deles estava exatamente no meio da pista. Segundo informação dos arqueólogos, existiam três áreas de Sambaquis no estado, com os nossos achados já são nove A equipe ficava lá o tempo todo, agora o trabalho deles é em laboratório, eles transportaram tudo que foi possível resgatar para o laboratório – o que não é possível resgatar é registrado; localizado; são feitos relatórios e enviados para o Iphan, são aprovados pelo órgão. A aprovação não parte da Petrobras, a Petrobras aprova o trabalho que foi executado, a aprovação do trabalho final é do Iphan. Até agora só teve elogios. O Iphan concedeu uma licença especial para que a área fosse sendo liberada para a execução da terraplanagem aos poucos, conforme a área fosse sendo liberada desses sítios arqueológicos, ele ia liberando aquela região para poder começar a execução dos trabalhos. É uma coisa que é inédita no Rio de Janeiro, acredito que até no Brasil, esses resgates em partes e a autorização para começar a execução dos trabalhos de terraplanagem. Não foi muito bom porque a gente achou muito mais sítios arqueológicos do que a gente imaginava achar, a estimativa inicial era de que fossem encontrados entre cinco e seis sítios arqueológicos e achamos 39. COMPERJ / ECONOMIA O Comperj gera impacto para a economia do Estado e do Brasil com certeza, porque hoje nós exportamos petróleo pesado e importamos a matéria prima para a execução de plástico ou o plástico pronto. Com a implantação do Comperj, a gente vai deixar de importar e segundo estimativas a gente vai ter uma economia de dois bilhões de dólares anuais com a produção dessas resinas aqui no Brasil, no Rio de Janeiro. COMPERJ / ESTRUTURA No Comperj sou Gerente de construção e montagem e infraestrutura e sou o gerente do contrato da terraplanagem. A infraestrutura além da terraplanagem, vamos ter a parte de distribuição de energia elétrica e de água para a fase de obras do Comperj, vamos ter também dentro da nossa gerência, a parte de arruamentos. Além de outros contratos um pouco menores, mas tudo sempre na linha de infraestrutura. Vou pegar a água que vai ser trazida da adutora do Laranjal, a Petrobras fez um convênio com a Cedae [Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro], para fazer a ampliação da adutora, que vai fazer uma rede, uns dutos que vão trazer água não só para o Comperj, mas também para o município de Itaboraí. A partir daquele ponto onde vão chegar esses dutos, vou pegar essa água para distribuir internamente, essa é a função da minha gerência. A energia elétrica a gente está montando uma subestação, que está com outra gerência. A linha de transmissão também que vem da Ampla, vai ser também só para a fase obra; pego a partir dessa subestação e distribuo dentro do Comperj com posteamento e fiação aérea. O protótipo para o processo demanda muita energia. Isso tem outra subestação com uma linha de transmissão específica que vai atender todo o Comperj na fase posterior à obra. Já estão bem adiantados os trabalhos, já devem estar em fase de contratação. COMPERJ / CRONOGRAMA A gente interage muito internamente para saber os tempos que cada unidade precisa. Até para uma questão de definição de prioridades na terraplanagem, uma vez que está chovendo muito e o serviço não consegue andar com normalidade, a gente tem que determinar quais são as prioridades das áreas que a gente precisa ter. Costumo dizer o seguinte: não consigo fazer a terraplanagem de uma unidade, consigo de uma área em que vai ter várias unidades, inclusive aquela que tem prioridade. A minha prioridade é dessa forma: nessa área vai entrar uma unidade daqui a seis meses, oito meses, um ano, concentra os esforços para poder liberar aquela área dentro do prazo que eles precisam. Tem um grupo que só faz isso [controle do cronograma] Fica o tempo todo entrando em contato com a gente: “Olha, pensamos aquilo, olha, aquela outra situação, me dá uma posição de como é que você tá, como é que tá o andamento físico da obra...?” Eles estão sempre controlando e a gente sempre interagindo com eles. A gente utiliza o Primavera [programa] para fazer o acompanhamento dessa obra, essa mega-obra. É um programa comercial, genético em que você estrutura a obra da forma que achar mais adequada. O empreendimento todo, no caso. COMPERJ / COMUNIDADES A gente olha para as comunidades, mas a função de contato com esses órgãos é do Comperj, que é o nosso cliente. Mas as informações a gente fornece para eles, ou até alguma necessidade que eles venham a demonstrar, a gente tenta atender dentro do limite da legalidade, a gente também não tem muito poder para fazer nada além do que fica depois dos muros do Comperj. COTIDIANO DE TRABALHO Vejo que tem sido uma boa prática esse convívio com as outras áreas. A interação entre as áreas tem levado o empreendimento a caminhar de uma forma satisfatória, porque a gente sabe que: “Olha, dá uma atenção naquela área porque vai entrar um empreendimento”. “Olha, aquela outra região tem que tomar um determinado cuidado porque vai entrar um equipamento ali que é sensível, tem que ver a situação de recalques e tal”. Essa é uma interação que é importante para nós que estamos lá executando a terraplanagem e é importante para quem vai construir em cima da terraplanagem que a gente vai deixar. É esse convívio, esse intercâmbio, interface mesmo, que a gente tem com as demais áreas que vão utilizar o que a gente está deixando que é importante e que tem sido bastante interessante Tem agenda, tem uma reunião semanal que é feita com o cliente, essas informações são distribuídas e a gente consegue interagir com eles, às vezes com alguma dificuldade encontrada em função do que eles pedem, ou que tenha que ter uma atenção específica por causa daquele ponto; a gente entra em contato para não deixar a coisa ficar solta e depois ter alguma implicação no andamento dos serviços de quem vai vir depois. Atribuo a tranqüilidade do trabalho justamente a essa interface que as unidades estão tendo para poder a gente se alinhar com as dificuldades que existem. Porque dificuldades vão existir várias. A gente tem que entender que essa fase de terraplanagem é muito sensível, e como a gente está com uma situação de chuvas muito constante, traz algumas dificuldades que a gente tem que tentar contornar de outras formas, é esse contato que faz com que a gente chegue a soluções negociadas para poder atender às unidades que vão vir depois. COMPERJ / TERRAPLANAGEM Já era para ter terminado, no meio do ano. Só que infelizmente as chuvas não deixaram. Nós já temos 150 dias de chuvas contados até abril. A gente faz o ajuste do cronograma, o contrato com as empresas é um cronograma seco, tem um prazo definido em dias de trabalho. Ele tem que cumprir esse cronograma que já é um cronograma desafiador e com esse problema das chuvas é muito pior Ajustamos e jogamos até dezembro de 2009. Considerando que a gente já levantou até abril, provavelmente vai passar para o ano que vem, mas a gente está satisfeito, porque com essa realização de 40% a gente está dentro de uma expectativa boa. COMPERJ / TERRAPLANAGEM / CONTRATO A Petrobras está utilizando um procedimento de pagamento, de ressarcimento desses custos, que já ocorre ao longo do contrato, com uma situação inovadora que a Petrobras está adotando, que conseguiu reduzir os custos de serviços, mas que puxou o risco dessa chuva toda para a Petrobras tirando das contratadas. Isso por um lado é bom, porque evita muita discussão ao final do contrato: “Porque choveu mais”, “Não choveu mais”, “Tá dentro da média histórica”, “Não, não tá”. Tem uma regra definida que você utiliza ao longo do contrato e elimina essas cobranças futuras. Por outro é ruim porque você fica sem uma idéia de exatamente quando vai acabar a obra. Mas acredito que qualquer que fosse o modelo, com as chuvas que estão ocorrendo a gente não teria idéia de quando vai acabar a obra, porque se continuar do jeito que está, a tendência é que o prazo se alongue, em função dessa situação que não permite que o solo seja trabalhado, porque nunca tem a umidade que precisa para trabalhar, está sempre elevada e você tem sempre que retrabalhar o solo para alcançar a umidade necessária. Anteontem eles trabalharam; a chuva não chegou a impactar, ainda foi uma chuva muito pequena, a gente costuma dizer que é aquela chuva que só baixa a poeira. Não chega a atrapalhar. Mas a de ontem paralisou o serviço, porque encharcou o terreno e não teve mais como continuar trabalhando. Estou acendendo até velinha para São Pedro. FAMÍLIA Minha esposa se chama Maria Fátima. Ela é carioca, mas morava em Niterói quando eu a conheci. Ela trabalhava com um amigo de infância meu. Quando eu voltava de São Paulo geralmente a gente saía junto; por acaso ele tinha chamado ela pra sair para tentar fazer ela namorar com um outro amigo nosso (risos). Foi tentar ser o cúpido. Nesse dia eu estava aqui no Rio, eu e ele, a gente ia sair junto; quem atendeu a porta fui eu, ficamos conversando, saímos, conversamos mais e tal, até que a gente começou a namorar. Ela é economista e também contadora. Trabalha na Vale do Rio Doce. Temos um filho de nove anos, lindo e maravilhoso João Gabriel. Ela está me aturando já há alguns anos. Me formei na faculdade em 89 e me casei com ela em 95. A gente se conheceu em 90, perto da Copa do Mundo. Foi uma data marcada Só temos o João, infelizmente não veio outro. Não queria ter muitos, mas pelo menos dois eu gostaria de ter (risos). Ele gosta, ele acha interessante [a minha profissão], só fica um pouco chateado porque eu fico muito tempo fora. Quando ia entrar na Petrobras eu ficava muito tempo presente com ele, levava ele na escola, buscava na escola, brincava com ele, saía. Agora na Petrobras, infelizmente com esse projeto, a gente não tem muito tempo: eu saio muito cedo de casa, chego sempre muito tarde, às vezes tô viajando e às vezes ele fica até cobrando... Gosta de jogar bola, está aprendendo a velejar agora. Gosta de nadar, faz judô também. E é bom aluno Não tem que reclamar dele não, está indo bem TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Entrei na Petrobras já para o Comperj, na função ainda de engenheiro Junior. Na época em que foi lançado o Comperj, que o Lula foi visitar a obra para fazer o lançamento, o Gerente geral que estava chegando naquela época também, me chamou e perguntou se eu não gostaria de assumir a gerência, ainda não estava especificada qual gerencia, mas assumir uma gerência dentro da execução do Comperj e ser gerente do contrato da terraplanagem. Como eu já tinha muito envolvimento, tinha muito conhecimento da obra em si, porque estava lá desde a época que tinha que pedir permissão para entrar, abrir porteira e fechar porteira, aceitei; gostei da idéia, do que foi proposto e acabei assumindo essa gerencia de infraestrutura. Hoje é o maior desafio pessoal, com certeza. Em um pouco mais de dois anos e meio de companhia, ser gerente de uma obra desse vulto, com contratos enormes; tendo que me acostumar com TCU [Tribunal de Contas da União]; com CGU [Controladoria Geral da União]; auditorias internas, coisas que já tinha passado em outras empresas, mas não com a força que tem dentro da Petrobras. É uma coisa bastante desafiadora, a mudança de visão profissional. COMPERJ / EQUIPE DE TRABALHO A minha equipe é até bastante razoável, tem cerca de 46 pessoas trabalhando comigo, mas também em função do tamanho da área que a gente tem que fiscalizar. A gente busca trabalhar com o mínimo possível. Mas a gente tem que dimensionar a força de trabalho de uma forma adequada. A terraplanagem trabalha com quatro frentes de obra dia e noite. Tenho uma equipe noturna que é mais reduzida e tenho uma equipe diurna que, além de acompanhar a obra, tem que acompanhar o projeto, me ajuda no acompanhamento do cronograma, no controle das medições. É um trabalho bastante grande e demanda muito tempo de acompanhamento, é muito difícil pra todos, mas o pessoal está bem integrado lá, o que eu costumo dizer é que tenho sorte de ter uma equipe que não preciso ficar mandando, todo mundo sabe o que tem que fazer, sabe do tamanho do desafio e vai em frente trabalhando e me aciona só na necessidade. A maioria deles é de engenheiro civis, tem alguns técnicos também que vem da área civil e tem pessoas que são administrativas e acompanham essa parte de controle, de medição; tem o pessoal de planejamento mesmo que é específico, tem uma menina que é administradora, mas que também está fazendo engenharia civil para entender melhor. Diria que são os meus vários braços direitos dentro do empreendimento. (risos) Eu escolhi cada um deles, recebi os currículos, entrevistei e fui formando a equipe ao longo do tempo. Apenas uma pessoa que está lá que já estava dentro do Comperj, que deu a maior força no início, até para achar essas pessoas. Com o tempo e com a ajuda do meu gerente, o Miguel Angelo Duque Estrada, a gente foi trazendo pessoas que agregavam à equipe. MEMÓRIA PETROBRAS Já conhecia. Quando entrei na Petrobras já mostraram. Eu acho muito bom. Você vai recuperando um pouco da memória não só da empresa, mas dos empreendimentos, isso fica esquecido no passado. Enquanto está todo mundo vivendo, todo mundo sabe, mas no momento em que passa aquele empreendimento, as pessoas se redistribuem ou até saem da empresa e você perde aquele sentimento que existia naquele momento, então acho que é bastante válido manter isso vivo
Recolher