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Personagem: Jacira Roque Oliveira
Por: Museu da Pessoa, 19 de abril de 2017

Jacira pra toda guerra

Esta história contém:

Jacira pra toda guerra

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Eu sempre fui uma pessoa muito solitária, gostava muito mais dos bichos e das plantas do que das outras criancinhas. Um dia, descobri que tem as coisas que crescem e as que não crescem! Como o feijão, que no outro dia inchava, a casquinha abria para sair duas folhinhas! Mais tarde, nasciam as gavinhas, mas naquele tempo eu não sabia que chamava assim. Fui vendo que se eu colocasse um pauzinho ali, a planta se abraçava nele e subia. E, se tivesse outro mato junto, ela subia mais ainda! Aí saía flor e, de dentro dela, um negocinho que era a vagem. O dia em que eu descobri que dentro da vagem saía meia dúzia de feijão igual àquele primeiro, fiquei boba! Corri e puxei minha mãe pela saia: “Olha o que eu descobri!”, mas pra mim o que era uma descoberta, o adulto já sabia, né? “Ah, vai brincar!” Tentei falar várias vezes que eu tinha descoberto de onde saía o feijão que ela cozinhava, mas ela nunca quis ouvir.

O meu nome é Jacira Roque Oliveira, nasci em São Paulo, em 25 de dezembro de 1964. Minha casa sempre foi muito festiva, então o ensaio do Natal já começava no dia 26 do ano anterior! Depois, em setembro: troca cortina, troca a cor das coisas, passa veneno BHC em tudo, vem a decoração! Arrumava tudo e a sala ficava reservada. A gente fazia a parte serviçal. No dia do Natal, quem ia ocupar o sofá era a parte branca da família, o meu tio Cido. Ele chegava, tinha o pé cheio de frieira e ficava esfregando aquilo, que caía no chão. Ele trocava o vão do dedo e passava até correr todos os outros vãos. Ele só saía do sofá pra fazer coisas que a gente não pudesse fazer, porque ele era o dono da situação. Tudo era feito para o tio Cido. Quando alguém falava: “Mas hoje também é o aniversário da negrinha”, que era eu, as pessoas falavam: “Não, hoje é o aniversário de Jesus”. Desde que eu saí da casa da minha mãe, não faço festa de Natal. Não gosto.

Quando criança, meu sonho...

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Passeata contra o machismo

Dados da imagem Passeata contra o machismo

Período:
Ano 2014

Imagem de:
Jacira Roque Oliveira

História:
Jacira pra toda guerra

Tipo:
Fotografia

Com sua voz de mulher

Dados da imagem Contando o conto Com sua voz de mulher, da Marina Colasanti no Parque da Juventude, no antigo espaço onde era a casa de detenção Carandiru.

Período:
Ano 2015

Imagem de:
Jacira Roque Oliveira

História:
Jacira pra toda guerra

Tipo:
Fotografia

Contando o conto Com sua voz de mulher, da Marina Colasanti no Parque da Juventude, no antigo espaço onde era a casa de detenção Carandiru.

Show com Sandra Campos

Dados da imagem Show de Sandra Campos no Sesc Vila Mariana.

Período:
Ano 2015

Local:
Brasil / São Paulo / São Paulo

Imagem de:
Jacira Roque Oliveira

História:
Jacira pra toda guerra

Tipo:
Fotografia

Show de Sandra Campos no Sesc Vila Mariana.

Super encontro

Dados da imagem Com Raquel Trindade em sua casa. Super encontro com Towani Koiate.

Período:
Ano 2016

Local:
Brasil / São Paulo / Embu Das Artes

Imagem de:
Jacira Roque Oliveira

História:
Jacira pra toda guerra

Tipo:
Fotografia

Com Raquel Trindade em sua casa. Super encontro com Towani Koiate.

Primeira ida à Bahia, na casinha de Iemanjá.

Dados da imagem Primeira  ida à Bahia, na casinha  de Iemanjá.

Período:
Ano 2012

Local:
Brasil / Bahia / Rio Vermelho

Imagem de:
Jacira Roque Oliveira

História:
Jacira pra toda guerra

Tipo:
Fotografia

Dados de acervo

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P/1 – Jacira, nós vamos começar a entrevista. Fala seu nome completo, por favor.

R – Jacira Roque Oliveira.

P/1 – Onde você nasceu e que data?

R – Eu nasci em São Paulo, em 25 de dezembro de 1964.

P/1 – Esse aniversário, 25 de dezembro, tem muita história?

R – Nossa, é toda história. Desde que eu comecei a entender essas coisas da relação com o Natal, quer dizer, eu não entendia bem porque minha casa sempre foi uma casa muito festiva, então a minha mãe começava a arrumar a casa em setembro para o Natal. Não, minto, o ensaio do Natal começa no dia 26 do ano anterior, então já começa a pensar. Então em setembro é que minha mãe começava, troca cortina, troca a cor das coisas. Minhas mãe tacava BHC [Benzene Hexachloride] em tudo, que era um veneno proibido pra matar tudo quanto era bicho, aí depois vinha a decoração, botar cortina nas quatro paredes. O piso da casa da minha mãe era de madeira e a gente tinha que usar palha de aço. Aquilo cortava tudo a mão da gente. Depois, encerar e dar lustro. E até hoje eu ainda defino, não tinha eletricidade ainda, então a coisa de dar lustro era um negócio assim, parecia uma tartaruga, mas era uma tartaruga com um cabo enorme e aquilo nunca serviu pra dar lustro. Toda vez que eu lembro desse instrumento, quem inventou aquela tartaruga de rabo longo tem que estar no inferno das pessoas que fazem coisas que não prestam pra nada, que aquilo só atrapalhava a vida da gente. Aí a sala brilhando, a todo custo porque tinha que sair o brilho, né? Arrumava-se aquilo e a sala ficava reservada para o Natal. Tem os quartos, tinha a cozinha que era de piso vermelho e tudo isso. Então a gente fazia essa parte serviçal. Na verdade, nos dias de Natal, quem ia ocupar aquele sofá era a nossa parte branca da família, era o meu tio. Meu tio Cido chegava, tinha o pé cheio de frieira, brotava assim, e ele ficava esfregando aquilo, aquele negócio caía no chão. E cada vez que ele terminava...

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